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Trump volta a defender uso da cloroquina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender o uso de hidroxicloroquina como tratamento para COVID-19 em uma coletiva de imprensa na Casa Branca. A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, considera que não há evidência científica que comprove qualquer benefício do medicamento no combate ao coronavírus.

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Ministério da Saúde já admite mudar recomendação contra a cloroquina

O Ministério da Saúde afirmou nesta sexta-feira que avalia diariamente as novas evidências relativas ao uso da cloroquina no tratamento da Covid-19 e reconheceu que provavelmente mudará sua orientação atual, depois que a Sociedade Brasileira de Infectologia cobrou que os medicamentos sejam abandonados no tratamento de qualquer fase da doença.

“Estamos vendo quais são as evidências mais novas publicadas na literatura universal, então já somamos mais de 1 mil evidências em quase 70 boletins de evidências científicas, esses boletins são atualizados diariamente. E se mudará as orientações? Provavelmente sim. A ciência, ela muda dia após dia”, disse Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do ministério, em entrevista coletiva.

Ele não detalhou qual tipo de mudança de orientação pode ser feita pelo ministério, mas disse que muitos artigos têm se posicionado contra o uso da cloroquina em pacientes em fase tardia da doença, quando “o vírus praticamente já não está mais presente” e a pessoa está sofrendo processos inflamatórios muito fortes.

“O ministério vai continuar acompanhando essas evidências diariamente e trazendo o melhor que se tem de informação atualizada. Se houver informação a favor, pode ser que uma nota informativa vire até uma orientação mais formalizada. Se vier uma orientação contra, pode ser que a nota informativa traga uma orientação diferente daquela que hoje se encontra. Da nossa parte não há problema nenhum em mudar a orientação”, acrescentou.

Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19 em todas as etapas da doença, apesar da falta de comprovação científica de eficácia.

Inicialmente o medicamento era recomendado pela pasta apenas para casos graves, mas o ministério ampliou a orientação em maio para todas os estágios da Covid-19 por pressão do presidente Jair Bolsonaro, um defensor do medicamento assim como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Com  informações Reuters

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Saúde

Saiba mais sobre o polêmico uso da cloroquina em pacientes com covid-19

Da Redação

Em meio à polêmica sobre o uso da hidroxicloroquina para tratar pacientes com o novo coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu suspender os estudos com a droga. Segundo a organização, o objetivo é reavaliar sua segurança antes de retomar as pesquisas.

A decisão ocorreu depois de a revista científica Lancet ter publicado pesquisa com 96 mil pessoas internadas com coronavírus em 671 hospitais de seis continentes, mostrando que o uso de hidroxicloroquina e cloroquina estava ligado a um risco maior de arritmia e de morte. Cientistas de universidades como Harvard (EUA) e Heart Center (Suíça), responsáveis pelo estudo, também constataram que não houve benefício no uso das drogas após o diagnóstico de covid-19.

Nos últimos dois meses, a OMS vem coordenando o estudo internacional Solidarity em 18 países para avaliar a segurança e a eficácia de diferentes drogas para combater o coronavírus. Além de hidroxicloroquina, medicamentos como cloroquina, remdesivir, lopinavir com ritonavir e essas duas drogas combinadas com interferon beta-1a estão sendo testados.

De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, a suspensão dos estudos sobre a hidroxicloroquina foi feito por precaução, devido ao fato de o estudo da Lancet ter sido feito com um número expressivo de pacientes e após questionamentos feitos por agências de saúde de vários países.

Segundo ela, será feita uma revisão e o conselho do Solidarity, formado por dez dos países participantes ─ o Brasil não faz parte da lista ─ vai decidir, nas primeiras semanas de junho, se retoma ou não os estudos com a droga. Seja qual for o resultado, a OMS diz que, por enquanto, cloroquina e hidroxicloroquina só devem ser usadas em experimentos, em hospitais e sob supervisão médica.

O estudo publicado na Lancet é um dos maiores já publicados. As descobertas são semelhantes a de outras pesquisas divulgadas nas revistas médicas BMJ, Jama e New England Journal of Medicine. Todas não apontaram benefício e mostraram possíveis danos no uso desse medicamento.

E no Brasil?

Mayra Pinheiro

Apesar da decisão da OMS, o Ministério da Saúde brasileiro decidiu que vai manter as orientações que ampliam o uso da cloroquina. Em maio, o órgão, após determinação do presidente Jair Bolsonaro, alterou o protocolo vigente para permitir que o medicamento seja usado também por pacientes com sintomas leves do novo coronavírus. Até então, seu uso era restrito a pacientes graves e críticos e com monitoramento em hospitais.

A médica Mayra Pinheiro, secretária de gestão em trabalho na saúde e coordenadora da elaboração do protocolo, informou, em 25 de maio, que o governo seguirá as diretrizes do documento. “Ela [recomendação do Ministério da Saúde] segue uma orientação feita pelo Conselho Federal de Medicina que dá autonomia para que os médicos possam prescrever essa medicação para os pacientes que assim desejarem. Isso é o que vamos repetir diariamente. Estamos muito tranquilos a despeito de qualquer entidade internacional cancelar seus estudos com a medicação”, disse.

Pinheiro também falou que o estudo da Lancet, na qual a OMS se baseou para tomar sua decisão, “não se trata de ensaio clínico, é apenas um banco de dados coletado de vários países. Isso não entra como critério para servir como referência a nenhum país do mundo”, disse.

“Nesses estudos, a forma de seleção dos pacientes, onde não havia uma dose padrão, uma duração padrão e medicação padrão para que possa ser considerado como ensaio clínico, nos faz refutar qualquer possibilidade de usar como referência para o Brasil recuar na sua orientação”, acrescentou.

Pinheiro destacou ainda que a decisão do Ministério da Saúde segue princípios de autonomia para pacientes. Mas ressalvou que o órgão pode rever sua posição se houver novos resultados de estudos. “Estamos conduzindo pesquisas, e o próprio ministério ajudará na condução de ensaios clínicos. E se constatarmos que não há uma comprovação, podemos recuar da nossa decisão”, disse.

Além de Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também é um ferrenho defensor da hidroxicloroquina e chegou a dizer que tomava uma dose diária do medicamento como forma de prevenção. No entanto, declarou depois que deixaria de fazer uso da droga. (com informações da BBC Brasil)

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Rio

Jovem de 17 anos que morreu de Covid-19 foi tratada com cloroquina

A Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, informou nesta sexta-feira (17) que a estudante Kamilly Ribeiro, de 17 anos, foi tratada com cloroquina enquanto esteve internada. Kamilly morreu na última terça-feira (14) de complicações decorrentes do Covid-19. Mais jovem pessoa no estado do Rio de Janeiro a falecer após contrair o coronavírus, a estudante passou 20 dias internada na UTI do hospital Moacyr do Carmo, em Duque de Caxias.

Segundo um boletim médico do hospital, a cloroquina foi administrada na dosagem recomendada pelo Ministério da Saúde. A hidroxicloroquina não tem eficácia comprovada para curar o Covid-19 ─ ainda está em fase de testes e sua prescrição é desaconselhada por especialistas da área, inclusive pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A mãe de Kamilly, a dona de casa Germaine Ribeiro dos Santos, de 43 anos, também está internada. Ela e a filha apresentaram sintomas no mesmo dia e foram internadas no dia 22 de março em uma unidade de saúde de Xerém, na Baixada. Dois dias depois, Germaine e Kamylle foram transferidas para Caxias e permaneceram em isolamento.

Hospital Moacyr do Carmo / Foto: Google Maps

Quarentena tardia

O município de Duque de Caxias foi o último a decretar a quarentena para a população e o fechamento de estabelecimentos comerciais, mesmo quando o já registrava cinco mortes pela covid-19, segundo dados do Ministério da Saúde. Até a tarde da última quinta-feira (16), o boletim epidemiológico contabilizava 30 mortes, 405 casos suspeitos notificados, 103 casos descartados e 129 casos confirmados.

O prefeito Washington Reis (MDB) chegou a se negar a decretar o fechamento das igrejas pelo período da quarentena, afirmando em vídeo que “a cura virá de lá”. Dias depois, ele teve resultado de teste positivo para a covid-19 e se internou em um hospital particular da zona sul do Rio.

Baixada vulnerável

Um estudo elaborado pela Fundação Perseu Abramo que combina índices como densidade demográfica, mercado de trabalho, infraestrutura sanitária e serviços de saúde concluiu que São João de Meriti, também na Baixada Fluminense, é a cidade brasileira mais vulnerável ao alastramento do coronavírus.

“Apesar de possuir subíndice de saúde da população e de infraestrutura sanitária acima da média brasileira, seus indicadores de alta densidade demográfica e de precárias condições no mercado de trabalho local a colocaram nesta situação de maior risco”, informa um trecho do documento.

Entre os 10 municípios com maior risco na lista, estão ainda Nilópolis e Belford Roxo, também na região. São Gonçalo e Mesquita aparecem na lista dos 30 municípios mais vulneráveis em todo o Brasil, na 15º e a 21º posição, respectivamente.

Com informações do Brasil de Fato