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Ensaios técnicos das escolas de sambas não têm data para começar

Os ensaios técnicos das escolas de samba do Rio para o carnaval de 2022, previstos para a segunda quinzena deste mês, ainda não têm data para começar. O Sambódromo, na Marquês de Sapucaí, no Centro, passa por obras com investimento público e privado estimados em R$ 45 milhões para melhorar as condições da infraestrutura da Passarela do Samba. A troca do asfalto na pista de desfiles também está no projeto.

Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), sem uma data definida para a conclusão das obras, não foi possível adiantar um calendário dos ensaios técnicos, que têm ingressos grátis e costumam levar torcidas das escolas para as arquibancadas do Sambódromo.

“De acordo com a Liesa, as datas dos ensaios técnicos estão sendo definidas em função do recapeamento da pista da avenida e de algumas obras necessárias. Em breve a data será anunciada”, informou, assegurando que seguirá todas as orientações dos órgãos competentes e protocolos vigentes referentes à covid-19.

Além da falta de conclusão das obras no Sambódromo, o atual cenário epidemiológico da capital por causa do avanço da covid-19 com a variante Ômicron e ainda os casos de Influenza, que começaram a reduzir também vai pesar na decisão para a realização dos ensaios técnicos. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS), na terça-feira passada (28) eram 63 casos registrados de covid-19. Dois dias depois já eram 159 casos confirmados. Dados atualizados hoje (4), às 11h30, havia uma pessoa aguardando vaga para internação na rede com sintomas da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 24 pessoas internadas.

Com relação à influenza (H3N2), os números vêm caindo na cidade. “Os casos de gripe nas últimas semanas reduziram consideravelmente. Nesta última semana, a queda no índice de pacientes que buscaram assistência na rede de urgência e emergência foi 75% em relação ao início de dezembro”, informou a pasta. Conforme a SMS, mais de 2,9 milhões de pessoas já foram imunizadas contra a gripe na cidade.

A SMS informou que até agora não há previsão para uma reunião entre representantes da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), integrantes da pasta e do Comitê Científico para discutirem a realização dos desfiles no carnaval. Para as escolas do grupo especial as datas previstas são 27 e 28 de fevereiro.

Nesta terça-feira, o prefeito Eduardo Paes, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, e integrantes do Comitê Científico de Enfrentamento à Covid-19 (CEEC) se reúnem com representantes dos blocos de rua do Rio para esclarecer qual é o posicionamento oficial e se haverá condições para a realização desse carnaval popular.

 

 

Agência Brasil

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Chuvas não tiram o brilho do Desfile das Campeãs na Marquês de Sapucaí

Por Claudia Mastrange

A chuva não deu trégua, mas a alegria de estar de volta à Marquês de Sapucaí fez com que os componentes de Viradouro – a grande campeã do carnaval carioca  -, Grande Rio, Mocidade, Salgueiro, Beija-Flor e Mangueira desfilassem com a maior garra e animação no Desfile das Campeãs, no sábado,  29 de fevereiro. Tudo bem no clima da “Alma Lavada’, enredo campeão da Viradouro, que contou a história das ‘Ganhadeiras de Itapuã’.

Sem o peso da disputa pelo título, os sambistas passaram com e leveza e, ao longo da avenida se livraram de pedaços de fantasia  e sapatos encharcados pela chuva torrencial, que também acabou fazendo a cantora Elza Soares, de 89 anos, homenageada pela Mocidade, desistir desse segundo desfile, por recomendação médica. Ela foi representada, no último carro, pela neta Vanessa.

Rainha Paolla só alegria:sambando na chuva

As musas brilharam. Viviane Araújo, há 13 anos rainha de bateria do Salgueiro deu show como sempre e a ‘Jesus Mulher’ de Evelyn Bastos, rainha Mangueira, emocionou desfilando descalça.  À frente da bateria da Grande Rio, a atriz Paolla Oliveira nem ligou para a chuva e deu show de ritmo para o público do setor um e no recuo da bateria. Sempre sorrindo e bem humorada, a musa disse que quase precisou de um bote para chegar à avenida e que estava feliz porque, desta vez, a Grande Rio chegou pertinho do título.

Aílton Graça mais uma vez representou com garra e samba no pé Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil, enredo do Salgueiro, que encheu de cores e personagens circenses a Marquês de Sapucaí. O povão vibrou e não arredou pé, mesmo com o temporal. Muitos se protegiam com guarda-chuvas, na verdade proibidos na avenida.

Neguinho da Beija-Flor, que contabiliza nada menos que 50 anos de carreira assistiu ao desfile das  outras cinco escolas da noite em uma das cabines de transmissão de rádio , no setor 1, e foi super requisitado para fotos e pequenas entrevistas, “Mas assim eu não consigo assistir nada. Vem comigo!”, disse, ao Diário do Rio, quase correndo para ver a Grande Rio,  depois de revelar que a emoção de estar ali não tinha sequer descrição. “Isso aqui é minha vida, é tudo. Aqui eu venci um câncer, aqui me casei…”, lembrou o intérprete da escola de Nilópolis.

E essa certamente, foi mais uma noite de emoções. Que venha o carnaval 2021!

Fotos: Diário do Rio

 

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Escola de Samba campeãs voltam hoje à Marquês de Sapucaí

As escolas de samba do Grupo Especial do  Rio de Janeiro retornam à Marquês de Sapucaí na noite de hoje (29) para o Desfile das Campeãs. Em um ano em que o desempate definiu as quatro primeiras posições, a apresentação desta noite deve mostrar porque a apuração foi tão equilibrada. Apenas sete décimos separaram as seis primeiras colocadas do carnaval do Rio, que terminaram a apuração na seguinte ordem: Viradouro (269,6), Grande Rio (269,6), Mocidade (269,4), Beija-Flor (269,4), Salgueiro (269,0) e Mangueira (268,9).

O desfile começa às 21h30 com a Estação Primeira de Mangueira, que ficou em sexto lugar em 2020. Campeã no ano passado, a escola manteve o carnavalesco Leandro Vieira, e fez uma releitura da história de Jesus, aproximando-o de vítimas de problemas raciais e sociais da atualidade.

O segundo desfile deve começar entre 22h30 e 22h40 e trará de volta à avenida a Acadêmicos do Salgueiro, que contou a história do primeiro palhaço negro do Brasil, cujo nascimento faz 150 anos neste ano.

Entre 22h30 e 23h50, entra na Sapucaí a Beija-Flor de Nilópolis, que teve a mesma pontuação que a terceira colocada, mas perdeu no quesito Harmonia, que era o primeiro critério de desempate. A azul e branca da Baixada Fluminense desfilou com o enredo “Se essa rua fosse minha”, que falou de jornadas, peregrinações e caminhos.

A Mocidade Independente de Padre Miguel deve iniciar seu desfile entre 0h30 e 1h, celebrando a terceira posição no carnaval do Rio. O enredo da escola da zona oeste foi uma grande homenagem à cantora Elza Soares, atravessou a avenida no último carro da agremiação.

Vice-campeã de 2020, a Acadêmicos do Grande Rio está prevista para 01h30 a 02h10. A escola chegou bem perto de seu primeiro título com a homenagem a Joãozinho da Gomeia, conhecido como o Rei do Candomblé. Com os carnavalescos estreantes Leonardo Bora e Gabriel Haddad, a escola teve a mesma pontuação que a campeã, e só perdeu no segundo critério de desempate, que foi o quesito Evolução.

O enredo “Viradouro de Alma Lavada” marcou o segundo título da escola de Niterói, que contou a história do grupo musical Ganhadeiras de Itapuã, que nasce da tradição das lavadeiras. Assinado pelo casal de carnavalescos Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira, o enredo exaltou as ganhadeiras como as primeiras feministas do Brasil. O desfile campeão está programado para começar entre 2h30 e 3h20.

Foto: A.Br

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Homenagens e surpresas no segundo dia de desfiles na Sapucaí

Por: Claudia Mastrange

O segundo dia de desfiles das escolas do Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí, foi repleto de emoções. Teve desde a estrelíssima Elza Soares enaltecida pela Padre Miguel e ovacionada pelo povão, passando pelo Rio dos sonhos de Paulo Barros – de volta à Tijuca -, ao tombo ‘elegante’ da cantora Lexa, rainha de bateria da Vila Isabel, até a surpreendente e arrebatadora comissão de frente da Beija-Flor, que, junto com a Mocidade, volta a brigar pelo título depois de ter ficado em um modesto décimo-primeiro lugar em 2019. Portela, Mangueira, Viradouro e Grande Rio, que desfilaram no domingo (23) também estão na briga pelo título de campeã.

Autor do samba-enredo, Marcelo Adnet encarnou o presidente da República (Foto Riotur)

A São Clemente abriu os trabalhos, com o enredo que enfocava ‘O Conto do Vigário’ com o rol de espertezas e ‘jeitinhos’ que há tempos assolam as relações sociais e políticas. Na crítica bem-humorada, destaque para a bateria de ‘laranjas’, a ala da grávida de Taubaté e o humorista Marcelo Adnet, autor do samba-enredo da agremiação, que encarnou o presidente da República, com direito a fazer ‘arminha’ com a mão. “Hoje temos o conto do vigário institucionalizado. Mas o samba propõe uma virada, uma mudança nessa realidade”, declarou o artista.

 

 

Beleza em verde e amarelo na ala das baianas da Vila (Foto Diário do Rio)

A Vila Isabel contou, em forma e lenda, a história dos 60 anos de Brasília com o enredo “Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio”. O Abre Alas monumental, com mais de 70 m de comprimento foi um dos destaques. A rainha de bateria Aline Riscado estava belíssima, mas a apresentadora Sabrina Sato roubou a cena, desfilando ao lado de Martinho da Vila, patrimônio vivo da Vila e da cultura nacional.

O Salgueiro levou para a avenida a história de Silas de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil, nascido em 1870. Multitalentoso, era também músico, compositor, ator, acrobata… “É um enredo necessário”, declarou a atriz Érika Januzza, musa da escola, que se emocionou com o desfile. A escola exaltou a representatividade, sempre fazendo referência ao circo, e trouxe Aílton Graça, encarnando Silas..

Salgueiro levou o circo de Silas de Oliveira para a avenida (Foto Diário do Rio)

A rainha das rainhas, Viviane Araújo, brilhou mais uma vez e o carro de som, com os cantores fantasiados de bichinhos, foi um dos mais criativos.

A Unidos da Tijuca levou à Sapucaí o sonho de um Rio perfeito, idealizado pela mente criativa – e campeoníssima – do carnavalesco Paulo Barros, de volta à escola. ‘Onde Nascem os Sonhos’ desenhou um Rio com boas condições de saúde, educação, segurança  e urbanização, bem diferente da cidade que nem água potável consegue oferecer aos moradores. A rainha de bateria Lexa caiu durante a evolução, mas, apoiada pelo mestre Casagrande, levantou e seguiu lindamente. “Já caí e levantei muitas vezes na vida. Eu levanto e sigo em frente”, declarou a cantora.

Um dos desfiles mais aguardados da noite, por homenagear a diva Elza Soares, de 89 anos, a Mocidade Independente de Padre Miguel contou a trajetória da ‘Elza Deusa Soares’, mostrando desde a menina que cantava levando a lata d´água na cabeça e que, no programa comandado por Ary Barroso declarou ter vindo do ‘planeta fome’, até a estrela internacional e referência para as mulheres negras, pobres, batalhadoras do pão de cada dia e do respeito que ainda está longe do ideal. Não é a toa que a letra do samba de Sandra de Sá exalta: ‘Essa nega tem poder!’.

Elza Soares se emocionou com a homenagem da Mocidade (Foto Fernando Grilli/ Riotur)

Determinada a virar o jogo em relação a 2019, quando quase foi rebaixada, a Beija-Flor de Nilópolis causou impacto assim que iniciou o desfile. No Abre Alas, uma turma em motocicletas e figurinos ao estilo ‘Mad Max’ introduziu o enredo, de Alexandre Louzada e Cid Carvalho, ‘Se essa rua fosse minha’, que fala das ruas, estradas e caminhos da vida, desde a criação do mundo.  Rotas da humanidade que, no carnaval, têm como destino a rua mais cobiçada: a Marquês de Sapucaí.

Comissão de frente da Beija Flor causou impacto (Foto Riotur)

Agora é esperar a apuração da quarta-feira para ver que escola fez o melhor caminho para conquistar o título de campeã do carnaval carioca.

 

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Encanto, crítica social e emoção na Marquês de Sapucaí

Por Claudia Mastrange

Um deslumbre de cores, criatividade e emoção. Assim foi o primeiro dia de desfiles das escolas de samba do grupo especial na Marquês de Sapucaí, no domingo, 23. Estácio, Viradouro, Mangueira, Grande Rio, Paraíso do Tuiuti, União da Ilha e Portela levantaram o público do Sambódromo. Destaque para o Cristo de múltiplas faces da Mangueira, a sereia ginasta da Viradouro e a força do enredo da Grande Rio. Nesta segunda (24 ) será a vez de São Clemente, Vila Isabel, Salgueiro, Unidos da Tijuca, Mocidade e Beija-Flor desfilarem na Sapucaí.

Grandiosidade dos carros: deslumbre (Foto Diário do Rio)

Logo na abertura, a Estácio de Sá, de volta ao grupo especial, após quatro anos, e capitaneada pela respeitadíssima carnavalesca Rosa Magalhães, detentora de nove títulos, entrou com garra na avenida. O enredo ‘Pedra’ foi defendido com empolgação e samba no pé e belas alegorias, como Abre-Alas, que mostrava do primitivismo às viagens à lua.

 

A atleta Anna Giulia encarnou uma linda sereia (Foto Riotur)

A Viradouro chegou chegando à avenida. A agremiação de Niterói deu um banho de criatividade e beleza ao levar para o desfile um tanque com 7 mil litros de água em que a atleta da seleção brasileira de nado sincronizado Anna Giulia, tornou-se uma bela sereia que ficava até um minuto submersa, evoluindo. Tudo a ver com o enredo da escola ‘Viradouro de alma lavada’, que homenageou as ‘ganhadeiras de Itapuã’.

 

O Cristo negro crucificado (Foto Diário do Rio)

Honrando a expectativa em torno de seu enredo, a Mangueira, campeão de 2019, emocionou, mostrando Jesus Cristo que pode assumir várias faces e, por que não? Nascer na favela ou vir ao mundo na forma feminina, como representou a rainha de bateria Evelyn Bastos. Ela encarnou ‘Jesus Mulher’, com respeito e graça. No fim o Cristo crucificado, era negro e as marcas de pregos foram substituídas por marcas de tiro. Qualquer semelhança certamente não é mera coincidência.

 

O desfile da Grande Rio foi marcado pela força espiritual do enredo, que contou a  história do pai de santo Joãozinho da Goméia, mas também por alguns sustos. Ainda na armação, com os primeiros componentes entrando, o imenso Abre Alas quebrou o chassi e não conseguia entrar na avenida. Abriu-se um grande espaço, mas logo o problema foi contornado e o carro passou já com pequenas avarias. No decorrer do desfile um outro carro deu problema , o que pode fazer com que a escola perca pontos nos quesitos evolução.

Atriz Paolla Oliveira brilhou como rainha da Grande Rio (Foto Fred Pontes)

A União da Ilha apostou na crítica social e, logo na abertura apresentou um carro representando uma comunidade, com o sobrevoo de um helicóptero, cena comum no cotidiano do Rio e Janeiro. A escola, no entanto, teve problema com um dos carros e, no final, precisou correr muito, mas estourou em um minuto o tempo regulamentar para o desfile.

O fictício encontro de dois ‘Sebastiões’ – o padroeiro do Rio São, Sebastião e o rei português Dom Sebastião – foi o enredo da Paraíso do Tuiuti. A ideia era pedir proteção em dobro para o Rio. Destaque para os bonecos realistas, representando pessoas da comunidade e a estreia da apresentadora Lívia Andrade como rainha de bateria.

 

A Portela encerrou o primeiro dia de desfiles (Foto Riotur)

A águia da Portela soltou seu tradicional grito para encerrar o primeiro dia de desfiles com chave de ouro, ou melhor, com um mar azul. As cores da Portela encheram de cor e brilho a avenida, na hora em que o dia começava a clarear