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‘70% da população vai ser infectada, não adianta querer correr disso’, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender, nesta segunda-feira 20, o fim do isolamento social no Brasil, implantado em alguns estados e municípios para barrar o contágio do novo coronavírus, que já matou quase três mil pessoas no País. Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que 70% da população será infectada e que não há o que ser feito.

“Desde que começou esse problema eu defendo que devemos tratar esses dois problemas simultaneamente, o vírus e o desemprego. Essas medidas restritivas em alguns estados foram excessivas, não atingiram seu objetivo, 70% da população vai ser infectada, não adianta querer correr disso. Essa é a verdade, estão com medo da verdade?”, questionou o presidente.

Em outro momento, enquanto falava com um apoiador, Bolsonaro relativizou os efeitos que o coronavírus causou na sociedade. “Houve uma potencialização das consequências do vírus e estamos vendo que não é verdade”, disse.

A declaração do presidente, no entanto, contraria as orientações das autoridades médicas, inclusive da Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa divergência, inclusive, foi o principal motivo da exoneração de Luiz Henrique Mandetta do posto de ministro de Saúde.

Com informações da Carta Capital

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Política

Demissão de Mandetta em plena pandemia tem forte repercussão na Europa

A demissão do ministro da Saúde do Brasil teve forte repercussão na Europa nesta sexta-feira (17). Rádios, TVs e jornais noticiam a decisão do presidente brasileiro de substituir o “popular” Luiz Henrique Mandetta em plena crise do coronavírus.

Em manchete, o jornal Le Monde afirma que a demissão de Luiz Henrique Mandetta nessa quinta-feira (16), aconteceu “em plena pandemia” e que o ministro era “o símbolo da luta contra a Covid-19” no Brasil.

O correspondente do diário no Brasil, Bruno Meyerfeld, escreve que o afastamento de um ministro da Saúde em plena crise sanitária mundial é “bombástico”, mas não surpreendeu ninguém em Brasília.

Desde o início da epidemia, “uma verdadeira guerra fria opunha o presidente brasileiro de extrema direita, um ‘coronacético’ assumido, ao seu ex-ministro da Saúde, um ‘corona-alarmista’ convencido”, explica o texto do artigo.

Libération afirma que no Brasil de Bolsonaro é assim que as coisas acontecem. O jornal lembra que a demissão do “popular” Mandetta desagradou a população, que reagiu com panelaços ao anúncio do presidente, em várias cidades do país.

Desacordo total

O diário britânico The Guardian publica que o motivo da demissão foi a diferente concepção que Bolsonaro e Mandetta tinham sobre a luta contra a doença: enquanto “o líder da extrema-direita” dá uma controversa resposta à Covid-19, priorizando o impacto econômico, o ministro defendia o confinamento da população.

Já o jornal espanhol El País destaca que Mandetta ganhou popularidade graças à clareza com que falava da doença, com um “estilo direto e didático”, baseando-se sempre na ciência e sob forte pressão de oposição de Bolsonaro.

O desacordo entre os dois homens sobre o coronavírus era “total”, completa a rádio francesa RTL. Mandetta foi substitído pelo oncologista Nelson Teich, que é médico de Jair Bolsonaro, ressalta a emissora francesa, informando que durante sua primeira entrevista coletiva o novo ministro brasileiro garantiu que irá abordar a crise do coronavírus de maneira técnica e científica.

Período de incerteza

Segundo o correspondente da RFI no Brasil, François Cardona, a saída de Mandetta abre um “período de incertezas no Brasil”. Nelson Tech é favorável a uma campanha de testes em massa para conhecer melhor a propagação do vírus no país. Mas, por enquanto, as autoridades não têm condições de fazer isso rapidamente em todo o país, informa Cardona.

Até essa quinta-feira, a Covid-19 tinha provocado a mortes de 1.924 pessoas e contaminado 30.425. Mas o correspondente da RFI revela que um coletivo de pesquisadores universitários, reunido no grupo Covid-19, estima que o número de casos de coronavírus no Brasil seria “quinze vezes maior”. De acordo com os pesquisadores, mais de 300.000 pessoas estariam infectadas no país. O grupo Covid-19 teme “um hecatombe” nas próximas semanas, conclui Cardona.

Com informações de agências internacionais / Foto: Agência Brasil

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Em despedida privada com equipe, Mandetta fala em risco de colapso na saúde

Antes de deixar o Ministério da Saúde, Luiz Henrique Mandetta falou sobre ingratidão e risco de colapso no sistema de saúde do país. As declarações ocorreram em uma cerimônia informal para colocar a sua foto na galeria de ex-ministros, acompanhada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Nesta despedida privada, ocorrida algumas horas depois de o presidente Jair Bolsonaro anunciar a sua demissão, Mandetta fez um discurso de cerca de dez minutos para servidores e assessores, após ouvir aplausos, cantorias e falas emocionadas de aliados.

Ele começou falando sobre a Santa Irmã Dulce, religiosa brasileira canonizada recentemente. Por sua solicitação, um quadro da santa católica estava colocado no local. Ele usou do exemplo da santa para se referir ao desafio de implementar medidas de isolamento social durante a pandemia de coronavírus, alvo de críticas de Bolsonaro.

“A obra dela era uma obra para gente pobre, gente da rua de Salvador, que ela nunca negou, nunca fechou a porta. Tudo o que fizemos aqui foi pensando nos mais humildes. No dia que gente desse ministério me falou como era o ônibus que vinha para cá, o grau de proximidade das pessoas, vamos falar em isolamento social como? O SUS vai pagar a conta de séculos de negligência, de favela, de falta de saneamento básico, de falta de cuidado com o povo mais humilde que é a grande massa trabalhadora desse país”, continuou.

“O que é falar para eles: ‘vão trabalhar, por que temos que passar por isso rápido’? Se passar por isso rápido significa estressar muito além do razoável o sistema de saúde”, disse Mandetta, indicando que há risco de um colapso no SUS. “Quando a gente vê o sistema de saúde dos Estados Unidos, quando vê Nova York em colapso, Chicago em colapso, a gente pensa no nosso Brasil e nesse povo daqui e fala: Santa Dulce, nossa senhora, ajuda”.

Ele expressou preocupação com o relaxamento de medidas de isolamento, que poderiam levar a um comprometimento do sistema de saúde como visto na Europa, e disse que idosos “não são e nunca serão descartáveis sob o argumento da economia que for”, em uma indireta a Bolsonaro.

“O Padre Antônio Vieira falava: se tudo que fizeres pela pátria, e ela ainda assim lhe for ingrata, não tereis feito mais do que sua obrigação”, disse. Mandetta esteve à frente do ministério por três meses e 16 dias.

Com informações de Fórum / Foto: Marcello Casal Jr. (Agência Brasil)

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Datafolha: aprovação do Ministério da Saúde é mais que o dobro da de Bolsonaro

A aprovação da condução da crise do novo coronavírus pelo Ministério da Saúde disparou, e já é mais do que o dobro da registrada por Jair Bolsonaro. Governadores e prefeitos também têm avaliação superior à do presidente. É o que indica pesquisa do Datafolha divulgada no início da tarde de ontem (3).

Na pesquisa anterior, entre de 18 a 20 de março, o Ministério da Saúde tinha aprovação de 55%. O número saltou para 76%, enquanto a reprovação caiu de 12% para 5%. Foi de 31% para 18% o número daqueles que veem um trabalho regular da Saúde.

Bolsonaro viu saltar a rejeição à sua conduta na crise do coronavírus de 33% para 39%,A aprovação segue estável (33% ante 35%), assim como a avaliação regular (26% para 25%).

Para 51%, Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda no combate ao vírus. Pensam o contrário 40%.

Aprovam a gestão de seus governadores 58% dos brasileiros, ante 55% da rodada anterior. Reprovam os mesmos 16% e a avaliação regular caiu de 28% para 23%. Já os prefeitos recebem ótimo e bom e 50%, 25% de regular e 22% de ruim e péssimo.

A rejeição ao trabalho de Bolsonaro subiu mais entre moradores do Sudeste (de 34% para 41%) e no Norte/Centro-Oeste (24% para 34%) ─ neste caso, é notável a dissidência de um expoente da região, o governador goiano Ronaldo Caiado (DEM), que rompeu com Bolsonaro na semana passada.

58% aprovam a maneira como os governadores estão conduzindo o combate ao coronavírus (eram 55% na rodada anterior). Reprovam os mesmos 16% e a avaliação regular caiu de 28% para 23%. Já os prefeitos recebem ótimo e bom e 50%, 25% de regular e 22% de ruim e péssimo.

Nada menos que 57% dos entrevistados concordam com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no embate com Bolsonaro, ante 32% que acham que ele está errado e 11%, que não sabem.

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Ministro da Saúde incentiva população a fazer sua própria máscara de proteção

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a incentivar a população a utilizar máscaras de tecido domésticas como forma de proteção contra o novo coronavírus. Segundo ele, o uso pode desafogar a demanda por máscaras descartáveis destinadas às equipes de saúde − o governo vem enfrentando problemas para adquirir esse tipo de equipamento junto aos fornecedores na China.

A pasta divulgou um manual e disse que fará campanha virtual para incentivar as pessoas a fazer as próprias máscaras. O texto reforça a indicação para que o uso seja para quando for sair de casa.

“Você pode fazer uma máscara barreira usando um tecido grosso, com duas faces. Não precisa de especificações técnicas. Ela faz uma barreira tão boa quanto as outras máscaras. A diferença é que ela tem que ser lavada pelo próprio indivíduo para manter o autocuidado”, disse Mandetta.

O ministro afirmou que as máscaras oferecem uma barreira mecânica contra gotículas de saliva que são, em geral, os principais vetores de transmissão da doença. O uso deve ser pessoal, trocadas a cada no máximo duas horas e lavadas (veja como no quadro abaixo) antes da reutilização.

A população deve usar apenas as máscaras simples, feitas em casa. As cirúrgicas, já em falta, devem ser exclusivas de profissionais de saúde, pacientes com Covid-19 e quem cuida de pacientes. Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), não há mais itens disponíveis no varejo e as drogarias estão em dificuldades até para fornecer aos próprios funcionários.