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Especialistas pedem mais fiscalização e alertam para desmatamento e queimadas na Amazônia

Da Agência Senado

Fortalecer as agências de fiscalização com o objetivo de acabar com o desmatamento e as queimadas ilegais na Amazônia. Essa foi uma das medidas defendidas por senadores e especialistas durante audiência pública sobre política climática no país, nesta sexta-feira (1º). O encontro foi promovido pela Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado. Os participantes também alertaram para o aumento do desmatamento no Brasil nos últimos anos e a ausência de políticas públicas com metas definidas para o cumprimento do Acordo de Paris — como a de reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa do país até 2030.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) ressaltou que a colaboração dada pelos especialistas será importante para o relatório que ela irá produzir sobre a avaliação das políticas climáticas do governo. Esse documento será apresentado na COP26, conferência sobre mudanças climáticas que será promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em novembro, na Escócia.

“Nós decidimos construir esse relatório depois de ouvirmos todos os setores da sociedade. Nós entendemos que é fundamental termos um relatório conclusivo, democrático, elaborado por várias mãos”,  declarou Eliziane, que, junto com o senador Zequinha Marinho (PSC-PA), havia solicitado a audiência desta sexta-feira.

Amazônia

Pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo, Carlos Nobre afirmou que o país está na “contramão” do caminho para se alcançar essas metas. Para ele, o país tem de começar a executar, urgentemente, políticas públicas que tratem das mudanças climáticas que já estão acontecendo. O pesquisador ressaltou que, devido à pandemia de covid-19, as emissões de carbono globais caíram 7% em 2020, enquanto o Brasil foi um dos únicos países do mundo a ter aumento de emissões no ano passado.

Carlos Nobre também alertou para um efeito de “não retorno” que pode atingir o sul da Amazônia. Segundo ele, em razão da vulnerabilidade dessa região provocada pelo desmatamento e pelas queimadas, essa parte da Amazônia poderá ser totalmente degradada entre 20 e 30 anos.

“Temos que praticamente lançar uma moratória de desmatamento, degradação florestal e uso do fogo. Quer dizer, realmente não há mais tempo a perder. Se nós não conseguirmos frear o desmatamento, zerar o desmatamento, a degradação e as queimadas, muito possivelmente todo esse sul da Amazônia vai se degradar entre 20 e 30 anos”.

A diretora de ciências do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, apresentou um mapa elaborado pelo Ipam que indica que, em 36 anos, de todo território queimado no Brasil, 41% fica na Amazônia. Ela ainda observou que, desde 2019, o desmatamento vem aumentando nessa região, e que quando são analisados os dados sobre fogo e desmatamento no bioma, a maior parte dessas ocorrências, em torno de 50%, acontecem em terras públicas, especialmente nas federais.

Ane Alencar sugeriu medidas como a consolidação de áreas protegidas, o fortalecimento do Código Florestal, o apoio à produção sustentável de assentamentos e o cancelamento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) em áreas destinadas a florestas públicas de conservação.

Fiscalização

Como forma de controlar o desmatamento, Felipe Nunes, pesquisador do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), defendeu a valorização e o investimento na fiscalização. Segundo ele, entre 2008 e 2020 vem sendo observada a diminuição dos autos de infração e dos embargos, além de lentidão nos processos, o que pode estar resultando na impunidade de quem pratica crimes ambientais.

“Para entender melhor isso, a gente precisa colocar outro elemento, que é o custo e efetividade da fiscalização. A fiscalização deve ocorrer, mas ela tem um custo e ela leva a uma autuação, efetiva ou não, a depender dos instrumentos de punição que o Estado oferece”.

Setor produtivo

Segundo Muni Lourenço Silva Júnior, vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Amazônia possui um milhão de agricultores, dos quais 89% seriam pequenos produtores. Além de combate e controle dos crimes ambientais, ele defendeu, para esse setor, investimentos e acompanhamento técnico. Também defendeu a ampla adesão ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), o que, segundo ele, permitirá diferenciar com mais precisão o desmatamento legal do desmatamento ilegal.

“Os desmatamentos em propriedades privadas vêm se reduzindo a cada ano. A caracterização do desmatamento por categoria fundiária permite orientar as ações e políticas de controle, e joga luz sobre as origens e as causas do desmatamento. O efeito é extremamente importante para se qualificar o desmatamento, separando os dados do desmatamento legal do desmatamento ilegal”.

Crítica ao agronegócio

A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) lamentou o fato de o Brasil ser um dos maiores produtores mundiais de alimentos, mas mesmo assim concentrar, segundo ela, mais de 100 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar. Para Zenaide, é necessário investir na produção sustentável e garantir alimentos para os próprios brasileiros.

“É difícil de explicar por que temos um país com 100 milhões de habitantes em insegurança alimentar. Como um país que é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, o segundo maior exportador do mundo, tem 30 milhões de brasileiros passando fome?”,  questionou a senadora.

Embrapa

O chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt, afirmou que o órgão busca desenvolver soluções e tecnologias sustentáveis na produção de alimentos no país, sendo o único instituto que está presente em todos os biomas. Na sua avaliação, é cada vez mais crescente a necessidade de se investir na “descarbonização da economia”. Para isso, ele sugeriu ações relacionadas fundos de governança social ambiental, créditos de carbono e outros fundos verdes.

“Essas políticas têm forte impacto no comércio internacional, principalmente nas commodities”, argumentou ele.

 

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Shopping comemora a chegada da Primavera com edição especial da Feira Florescer

De 24 á 26 de setembro (sexta a domingo), o Caxias Shopping vai dar

Foto : Divulgação

boas-vindas à Primavera colorindo e perfumando os corredores do shopping com a 3ª edição da Feira Florescer. O evento colaborativo pretende fomentar a economia criativa, reunindo pequenos artistas e produtores de flores de Duque de Caxias e outras localidades, como Campo Grande e Friburgo.

Além de celebrar a chegada da nova estação, esse evento tem como finalidade incentivar os pequenos produtores dessas regiões – conta Michelle Coutinho, gerente de marketing do Caxias Shopping.

 A edição especial vai contar com exposição e venda de diversos tipos de flores, suculentas, plantas ornamentais, temperos, além de uma variedade de acessórios para decoração e projetos paisagísticos. Participam da Feira Florescer expositores como NOSDAARTE, Sítio Boa Vista, Horto Campo Grande, Passos Verdes, Plantas e Bambus, Horto Ther Flores e Horto Campo Belo.

O Rio de Janeiro é o segundo maior produtor de flores do país e, com a retomada dos eventos presenciais, esperamos incrementar cada vez mais o mercado de floricultura do Estado. Nesta edição especial da feira no Caxias Shopping, vamos trazer novos expositores, apresentando, além de grande variedade de plantas e flores, peças desenvolvidas na pandemia, como os vasos criados a partir de resíduos de porcelanato e o belo trabalho realizado por artesãos para enfeitar os jardins, com vasos com pinturas à mão e peças de macramê – afirma Silvia Blumberg, assessora especial de Inovação da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e uma das responsáveis pelo evento.

Buscamos desenvolver ações que incentivem o empreendedorismo, tendo como pilares a solidariedade e a inclusão, e os consumidores aplaudem, frequentando as feiras e adquirindo produtos diretamente dos produtores. Estamos iniciando a retomada com novos valores e sempre respeitando os protocolos sanitários – completa.

O evento é gratuito e acontece na Praça de Exposição do Caxias Shopping, próximo a CVC Viagens.

Foto : Divulgação

Feira Florescer no Caxias Shopping 

Data: de 24 a 26 de setembro (sexta a domingo)

Horário: Sexta e sábado, das 10h às 22h; domingo, das 13h às 21h.

Endereço: Rod. Washington Luíz, 2895 – Duque de Caxias

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Projeto prevê plantação de 1 milhão de árvores às margens do Rio Guandu em 5 anos

A Cedae lançou na terça-feira (21), Dia Mundial da Árvore, na Rodovia Presidente Dutra, altura de Engenheiro Pedreira, em Japeri, projeto para recuperação da mata ciliar do Rio Guandu. A iniciativa prevê o plantio de 1 milhão de árvores em até cinco anos numa faixa de 500 hectares, o que corresponde a mais de 700 gramados do Maracanã.

Integrantes do projeto Replantando Vida, egressos do sistema prisional plantaram as primeiras 2 mil mudas. Ações de reflorestamento como esta são importantes para combater a escassez de água, erosão e assoreamento, além de fazerem parte do compromisso da Cedae com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ONU).

Ao longo dos próximos cinco anos, a Cedae oferecerá capacitação técnica na área ambiental para mil apenados participantes do programa Replantando Vida, mobilizando, em média, 200 por ano. Os egressos do sistema penal vão atuar desde a coleta das sementes, germinação e produção das mudas florestais, plantio e manutenção até o monitoramento do reflorestamento. Além dos benefícios ambientais, o projeto proporciona oportunidade de trabalho, capacitação e inclusão social para pessoas em cumprimento de pena.

 “O nosso objetivo é atuar cada vez mais alinhados à agenda ESG (ambiental, social e governança). A Cedae já começou a trabalhar e continuará trabalhando para deixar um legado de sustentabilidade ao Rio de Janeiro. O Replantando Vida vem alcançando importantes marcas no que há de mais contemporâneo no cenário mundial referente às questões ambientais e sociais”, destacou o presidente da Cedae, Leonardo Soares.

A medida contribui ainda para a qualidade da água bruta do Rio Guandu, tratada na Estação Guandu, a maior do mundo em produção contínua, que processa 43 mil litros de água por segundo, conforme registro no Guinness Book. A ETA abastece mais de nove milhões de moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Sobre o Replantando Vida

Unindo preservação ambiental e ressocialização de apenados do sistema prisional estadual, o programa Replantando Vida mantém viveiros florestais na Estação de Tratamento de Águas (ETA) do Guandu, na Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) de São Gonçalo, na ETE Alegria, no Reservatório Victor Konder, na Caixa Velha da Tijuca, no Complexo do Alemão e na Colônia Penal Agrícola de Magé. As unidades têm capacidade de produzir 1,8 milhão de mudas por ano de 254 espécies nativas da Mata Atlântica, das quais 40 estão ameaçadas de extinção.

As espécies cultivadas nos viveiros da Companhia são usadas na recuperação de matas ciliares e na preservação da Mata Atlântica. Somente em 2021, mais de 78 mil mudas foram distribuídas a projetos de reflorestamento em 41 municípios do Estado do Rio de Janeiro. Ao longo de 20 anos, mais de 4 milhões de mudas foram produzidas.

Todos os viveiros contam com a mão de obra de apenados dos regimes semiaberto, aberto e liberdade condicional que integram o programa, fruto do contrato entre a Cedae e a Fundação Santa Cabrini. Além dos trabalhos ligados à área ambiental, os participantes desempenham diversas atividades dentro da Cedae, como auxílio nos serviços gerais dos setores administrativos e operacionais; confecção de uniformes da companhia e máscaras de proteção contra a Covid-19; manutenção de áreas verdes e jardinagem; obras e reparos. Eles recebem remuneração pelo serviço prestado, auxílios transporte e alimentação, além do benefício de redução de um dia de pena a cada três trabalhados.

Desde sua criação, mais de 4 mil pessoas já passaram pelo Replantando Vida, que é o maior empregador de mão de obra apenada do país. O programa, contrato da Cedae com a Fundação Santa Cabrini, recebeu o reconhecimento pelo “Selo Resgata”, concedido pelo Ministério da Justiça em três edições, e foi contemplado com quatro premiações da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, o prêmio Firjan Ambiental.

Números

1 milhão de árvores em até 5 anos;

500 hectares = 700 campos de futebol = 3,47 Jardins Botânicos;

ETA Guandu – tratamento de 43 mil litros de água por segundo;

9 milhões de moradores abastecidos;

Replantando Vida

No projeto: 1.000 apenados, 200 por ano;

Hoje, 700 atuam em todas as áreas (limpeza, conservação, manutenção e serviços gerais) – 50 na área ambiental;

Sete Viveiros (ETA Guandu, Reservatório Vitor Konder, ETE Alegria, Caixa Velha da Tijuca, Complexo do Alemão, ETE São Gonçalo, Colônia Penal Agrícola de Magé);

Capacidade total de produção de mudas por ano: 1,8 milhão;

254 espécies;

40 espécies ameaçadas de extinção.

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Senado debate relatório de painel sobre mudanças climáticas

Da Agência Senado

O Senado deve debater na próxima sexta-feira (10), em sessão temática, os resultados do IPCC, sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. O último relatório do painel, divulgado em agosto, foi classificado pelo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, como “um código vermelho para a humanidade”.  A sessão, que será virtual, está marcada para as 9 horas.

O debate foi requerido pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA) e o requerimento foi subscrito por outros 15 senadores.  Ao pedir a sessão temática, ele citou o relatório do IPCC, escrito por mais de 200 cientistas de diversos países, e afirmou que o documento é o mais abrangente e conclusivo já feito sobre a crise climática.

“De acordo com o relatório supracitado, do aquecimento de 1,09°C observado atualmente, 1,07°C deriva de ações humanas, como desmatamentos e a queima de combustíveis fósseis. O modo de vida do ser humano está afetando todo o planeta, com efeitos que já podem durar centenas de anos, mesmo que as emissões de gases de efeito estufa sejam reduzidas a zero no dia de amanhã”, diz o senador no requerimento.

A lista de presença ainda não foi confirmada, mas foram sugeridos pelo senador representantes do IPCC, da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Coalizão de Governadores pelo Clima, da Juventude Ativista pelo Clima, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Ministério do Meio Ambiente .

 

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Bioacústica é usada para conservar biodiversidade em ilhas oceânicas

Da Agência Brasil

O uso da ferramenta da bioacústica para conservação da biodiversidade marinha é a proposta da equipe de pesquisadores, coordenada pelo professor de medicina veterinária da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Raul Rio, que iniciou o trabalho pela ilha oceânica de mais fácil logística, a Ilha de Fernando de Noronha. O arquipélago vulcânico está situado a cerca de 350 km ao largo da costa nordeste do Brasil.

O projeto usa a bioacústica para avaliar o comportamento dos cetáceos que se abrigam nas ilhas oceânicas. “Quando a gente fala em cetáceos, estamos falando de baleias, golfinhos, inclusive de botos, nas quatro ilhas oceânicas que são Fernando de Noronha, o Arquipélago de São Pedro e São Paulo (pertencente a Pernambuco), Atol das Rocas (agrupamento de ilhas vinculadas ao estado do Rio Grande do Norte), e Trindade e Martins Vaz (arquipélago localizado no Oceano Atlântico, na costa do Espírito Santo)”, disse o professor.

A escolha de Fernando de Noronha para dar partida aos trabalhos se deu também pelo impacto acústico muito grande que o crescimento da atividade turística gera para os golfinhos, seja pelas embarcações, pelas canoas havaianas, pelos barcos de observação. “É uma coisa que nos preocupa muito. Tudo isso tem impactado muito o comportamento dos golfinhos em Noronha, que já mudou muito nos últimos anos”.

O professor explicou que os golfinhos costumavam ficar no local conhecido como Baía dos Golfinhos, onde foi instalado um hidrofone para captação de sons no oceano. “A gente já observa, nos últimos anos, que eles estão se distribuindo para vários pontos da ilha e, curiosamente, um dos pontos é o porto, onde existe grande número de embarcações”. Ele afirmou que essa relação paradoxal do impacto do ruído antropogênico com a aproximação dos animais das áreas mais habitadas é uma incógnita que os pesquisadores querem entender melhor.

A equipe em Fernando de Noronha é integrada por sete pesquisadores. A população de golfinhos de Fernando de Noronha é estimada em torno de 2,7 mil animais, à média de 250 a 300 por dia.

Preservação

“Esse é um dos atrativos de Noronha”, disse Raul Rio. Por isso, ele defende a importância da preservação da espécie para garantir sua qualidade de vida e também para sustentar economicamente a ilha.

“A gente quer utilizar a ciência, a pesquisa científica, para dar subsídio para que os gestores possam utilizar essas informações para gerar políticas públicas que permitam o equilíbrio sustentável entre turismo e conservação”.

O pesquisador e a ONG Ocean Sound estão buscando parcerias para ajudar na compra dos equipamentos, que são muito caros. No início de 2022, a pesquisa de bioacústica se estenderá até a Ilha São Pedro e São Paulo; chegará ao Atol das Rocas no final desse ano ou começo de 2023; e a partir daí abrangerá Trindade e Martins Vaz.

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Parque do Rio já recebeu 500 pássaros resgatados de cativeiros em 2021

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), vinculado à Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, informou que alcançou a marca de 500 pássaros libertos no ano de 2021 no Parque Estadual do Desengano (PED), no Norte Fluminense. A 500ª ave solta na região foi um Coleirinho (Sporophila caerulescens), espécie mais resgatada por polícia e biólogos. O animal foi apreendido das mãos de traficantes de animais silvestres pela 3ª Unidade de Polícia Ambiental (UPAM), e entregue à unidade de conservação para sua reintrodução ao meio ambiente na última semana.

Os pássaros salvos, além da beleza e de seus cantos, desempenham essencial função na natureza por meio da dispersão de sementes, o que os caracteriza como agentes biológicos de grande importância para a manutenção dos biomas locais. O PED é reconhecido internacionalmente como IBA (Important Bird and Biodiversity Area), ou seja, área prioritária para conservação da biodiversidade de aves.

Com 21.365,82 hectares, o parque abrange parte dos municípios de Santa Maria Madalena, São Fidélis e Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Dentro de seus limites, estão protegidas a fauna, a flora e os ecossistemas, garantindo a preservação dos recursos naturais. Trata-se do conjunto de serras mais bem conservadas da região, de uma densa vegetação e rica biodiversidade, possibilitando atividades tais como pesquisa científica e educação ambiental. No local, já foram identificadas por volta de 167 espécies de aves, muitas destas ameaçadas de extinção, como a jacutinga (Pipile jacutinga) e o macuco (Tinamus solitarius).

“Mais importante do que retirar das mãos de traficantes os pássaros que serviriam de lucro, é a reintrodução destes animais no ambiente florestal. São valiosos componentes de qualquer ecossistema natural”, disse o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Thiago Pampolha.

As apreensões ocorrem por meio denúncias ou até mesmo flagrantes dos policiais, que encaminham os animais para a Delegacia de Polícia. Em seguida, passam por uma avaliação médica veterinária onde também se verifica se os mesmos pertencem ao bioma local. Logo após, são encaminhados para ficarem em observação na sede da unidade de conservação mais próxima por alguns dias onde, finalmente, são libertados.

“Buscamos o tempo todo conscientizar a população local a respeito da mudança deste terrível hábito cultural de criação de pássaros em casa, longe do seu habitat natural. É uma missão que não abandonamos nunca, esperando colher os frutos a longo prazo”, destaca o gestor do PED, Carlos Dário.

Denúncias

Denúncias de crimes ambientais em todo o Estado do Rio podem ser feitas ao Linha Verde por meio dos telefones 0300 253 1177 (interior, custo de ligação local), 2253-1177 (capital), ou através do aplicativo para celulares “Disque Denúncia Rio”, onde usuários com sistema operacional Android ou iOS podem denunciar anexando fotos e vídeos, com a garantia de anonimato.

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Nosso Planeta: Preservação do meio ambiente e mudança de hábito

Por Rafael Zarvos

Há alguns anos atrás, enquanto assistia um documentário sobre o problema do plástico no oceano, percebi que o que vinha fazendo pela preservação do meio ambiente até aquele momento era muito pouco. E que apenas separar os meus resíduos não era suficiente. Eu precisava ir além. Eu precisava começar a mudar os meus hábitos; eu precisava começar a repensar as minhas escolhas. Mas mudar o hábito não é fácil e não acontece de uma hora para outra. O processo de mudança é lento e gradual. Estamos sempre em constante mutação.

Os nossos neurônios quando estão aprendendo uma rotina acabam se interligando e à medida que este padrão de comportamento vai sendo incorporado em nossa vida através das nossas repetições, o nosso cérbero vai criando uma zona de conforto passando a gastar menos energia porque ele já sabe o que fazer e não precisará pensar como agir diante daquilo que lhe está sendo apresentado pois já terá adquirido um padrão de comportamento automático que conhecemos por hábito. Hábito é, portanto, uma repetição sistemática.

Por economizar energia, acabamos caindo em sabotagens que nós mesmos nos colocamos, tentando impedir que a gente mude o nosso comportamento agora no presente. Isso impede de alcançar os nossos objetivos. O autoengano aparece justamente para fazer você aceitar certas situações mesmo que elas não te agradem.
É preciso persistir na mudança até que o seu cérebro crie conexões que resultarão no seu novo hábito. A mudança requer um esforço diário e contínuo até você reprogramar o seu cérebro inserindo novos padrões de comportamento.

Lembre-se, é você quem controla o seu cérebro. Meu nome é Rafael Zarvos e eu estarei aqui semanalmente falando sobre meio ambiente e práticas ambientais.

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Rio de Janeiro atinge marca de 100 Reservas Particulares do Patrimônio Natural

O Estado do Rio de Janeiro atingiu na última semana uma marca importante na preservação e conservação da Mata Atlântica: 100 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) reconhecidas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade. As unidades de conservação de proteção integral criadas em propriedade privada no território fluminense correspondem a mais de 8.400 hectares de floresta protegidos, segundo o governo.

O Inea alcançou a marca de 100 RPPNs por meio do reconhecimento de mais duas reservas deste tipo no município de Varre-Sai, no Noroeste fluminense. A 99ª é a RPPN Pelegrini, que conta com área de 3,8 hectares, e que integra o Sítio Santo Antônio. Já a 100ª é a RPPN Velho Moinho, de 4,5 hectares.

Estratégicas para a conservação da Mata Atlântica, cujas atividades permitidas são educação ambiental, turismo e pesquisa científica, as RPPNs são criadas voluntariamente por iniciativa de seus proprietários e averbadas junto ao Registro Geral de Imóveis. O reconhecimento de reserva é perpétuo e acompanha a vida da propriedade.

O governo informou que os avanços na conservação de terras privadas no Rio de Janeiro vêm ocorrendo no âmbito do Programa Estadual de Apoio às RPPNs, instituído em 2007, que oferece suporte técnico e orientação aos proprietários interessados.

“Esses paraísos preservados estão avançando pelo Estado do Rio graças ao empenho do instituto em engajar os proprietários de terras na preservação da Mata Atlântica e difundir a importância de multiplicar esse tipo de unidade de conservação em prol da biodiversidade”, disse o presidente do Inea, Philipe Camepello.

Fotos: Divulgação

Reservas pelo Brasil

Em todo Brasil, há mais de 1.600 RPPNs que preservam mais de 800 mil hectares de áreas naturais, conforme dados do Painel da Confederação Nacional de RPPNs. A maioria delas está na Mata Atlântica. Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, é recordista em número de RPPNs reconhecidas pelo Inea: são 17 reservas, que totalizam 496,04 hectares de área de Mata Atlântica protegidas.

Os municípios de Silva Jardim, na Baixada Litorânea; Varre-Sai, no Noroeste Fluminense; Santa Maria Madalena, no Norte Fluminense, e Teresópolis, na Região Serrana, são os outros que abrigam um expressivo número de RPPNs.

Silva Jardim conta com 10 reservas que somam 133,9 hectares de área protegida; Varre-Sai, com oito reservas que somam 125,6 hectares; Santa Maria Madalena, com sete reservas, abrangendo 127,7 hectares; e Teresópolis, com sete reservas que englobam 117,94 hectares de Mata Atlântica.

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Saiba como fazer descarte correto de lâmpadas usadas no Rio

Da Agência Brasil

O descarte incorreto de lâmpadas usadas pelos consumidores nos domicílios pode provocar problemas ao meio ambiente e à saúde. Para evitar isso isso, desde 2017 a Associação Brasileira para a Gestão da Logística Reversa (Reciclus) vem instalando postos para recolhimento gratuito das lâmpadas em estabelecimentos comerciais.

No final do ano passado, a entidade começou a atuar também em conjunto com condomínios residenciais e instalou pontos de descarte em condomínios de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco.

Até agora foram instalados 2.586 pontos comerciais de recolhimento de lâmpadas no país, que são o principal foco do programa Reciclus, que atua em 728 cidades, onde as pessoas podem depositar suas lâmpadas queimadas. Agora, a meta é levar o programa para os condomínios.

“A cidade do Rio de Janeiro está se mostrando super aberta a essa nova vertente, que começará pelas capitais e grandes metrópoles. Vamos expandindo para municípios menores”, disse  o analista de Sustentabilidade da Reciclus, Gabriel Monti, entrevista à Agência Brasil.

No estado do Rio de Janeiro, a Reciclus tem 260 pontos de entrega de lâmpadas, com expectativa de colocar muito mais. “É muito dinâmico. Todo mês, temos novas adesões”. Gabriel Monti disse ter sentido muito engajamento por parte do Ministério Público no estado. Ele explicou que, na verdade, o programa é voltado para o descarte exclusivo de lâmpadas que contêm mercúrio.

O metal é considerado altamente tóxico e ocasiona poluição ao meio ambiente, afetando diretamente água, ar e solo, com implicações na saúde humana. Ao ingerir ou inspirar o metal, a pessoa pode desenvolver toxidade nos rins, sistema nervoso e sistema cardiovascular. “Mas, pelo fato de ser voltado para o descarte de consumo doméstico, muitas vezes não há essa diferenciação.”

Do total recolhido, entre 80% e 90% são lâmpadas fluorescentes de mercúrio, e o restante são lâmpadas LED e incandescentes. “A gente acaba recolhendo, dessa forma, praticamente todos os tipos.”

Milhões de lâmpadas

Desde 2017 até agora, já foram recolhidos mais de 16 milhões de lâmpadas. O ranking dos maiores descartadores é liderado pelo Paraná, em um total de 685,42 toneladas recolhidas ou o equivalente a 4,694 milhões de unidades.

Em seguida, aparecem São Paulo, com 638,4 toneladas (4,372 milhões de unidades), e Santa Catarina, com 361,79 toneladas (2,478 milhões de lâmpadas). O estado do Rio de Janeiro vem na décima-primeira posição, com 18,5 toneladas e 126,99 mil lâmpadas pós-uso descartadas. O último colocado é o Acre, com 366 quilos recolhidos, que correspondem a 2,507 mil unidades.

A coleta e a destinação ambientalmente correta desses resíduos cumpre determinação de acordo setorial, que é um instrumentos estipulado na Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, e firmado para corroborar responsabilidade compartilhada do ciclo de vida do produto.

“Ou seja, é um contrato que envolve a organização setorial do empresariado; o Poder Público, no caso o Ministério do Meio ambiente; e, muitas vezes, a Confederação Nacional do Comércio. Esse contrato objetiva a criação de uma entidade gestora para viabilizar um sistema de logística diversa”, informou o analista.

O foco do programa são lâmpadas de uso doméstico dos tipos fluorescentes compactas e tubulares; de vapor de mercúrio, sódio ou metálico; e de luz mista. Não há limite nem custo para o descarte, desde que seja realizado por consumidor doméstico. Para saber o ponto de coleta mais próximo de sua residência, acesse o site.

A implantação dos pontos de coleta segue critérios técnicos indicados no acordo setorial, entre os quais número de habitantes, área urbana, densidade populacional, domicílios com energia elétrica, poder aquisitivo, infraestrutura viária e acessibilidade.

Gabriel Monti ressaltou que quando se descarta corretamente uma lâmpada, a pessoa está contribuindo para que a Reciclus possa retornar seus componentes para o setor produtivo como matéria-prima ou insumo, não sendo necessária a extração de novos recursos naturais.

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Biólogo, voluntários e moradores plantam mais de 200 árvores na Zona Norte do Rio

Um mutirão foi montado para dar nova cara a bairros da Zona Norte do Rio. Biólogos, voluntários e moradores, entre crianças, jovens e adultos, se uniram e plantaram mais de 200 árvores na região, que atualmente concentra 38% da população da cidade, mas que apresenta os menores índices arbóreos do município.

A iniciativa foi da Fundação Parques e Jardins (FPJ) em parceria com voluntários dos coletivos de plantio urbano. Os plantios aconteceram durante a última semana e os bairros contemplados com as novas árvores foram Paciência, Realengo e Irajá.

Na Paciência, o grupo realizou o plantio de 135 mudas. Em Realengo foram 53 e em Irajá foram mais de 20 novas espécies. De acordo com os organizadores do mutirão, a parceria da FPJ com os voluntários sempre começa uma semana antes dos plantios. As equipes percorrem os bairros para identificar os pontos de plantio, preparar os berços e conversar com moradores e proprietários sobre a importância da reposição de alguma espécie ou até mesmo de um novo plantio.

A FPJ é responsável pela arborização e produção de plantas ornamentais para os parques e praças municipais. É ela também quem dá autorização para podas ou remoção de árvores. Na Parques e Jardins também são elaborados os projetos de paisagismo para praças, parques e jardins urbanos e é feita a especificação das árvores e plantas mais adequadas para os diversos espaços públicos da cidade.

De acordo com o presidente da Fundação, Fabiano Carnevale, a partir de junho, os mais de 500 voluntários que fazem parte de aproximadamente 30 grupos de plantio urbano irão receber uma capacitação oferecida com o objetivo de qualificar ainda mais as atividades realizadas em conjunto.

Além da pouca cobertura vegetal, a Zona Norte tem uma topografia com muitas montanhas no entorno, o que também afeta a circulação de ar, assim como a proximidade com vias expressas e a circulação de um grande número de veículos. Essas características, conforme os especialistas, contribuem para o aumento da temperatura na região.

Irajá, na Zona Norte, foi o bairro considerado mais quente da cidade, segundo divulgou o Alerta Rio no verão, por causa das poucas áreas verdes. Já Zona Sul e Centro são os lugares onde há mais verde.

Dados do Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) mostram que o Rio deveria ter quase o dobro de árvores que possui. O déficit é de 800 mil, enquanto o número de árvores existentes é calculado em cerca de um milhão. O PDAU prevê investimento de R$ 31,3 milhões em cinco anos, sendo R$ 3,5 milhões no primeiro ano (considerando valores de 2015, quando o plano foi elaborado). Devido à situação financeira difícil do município, a Fundação Parques e Jardins diz que não será possível fazer todo o investimento este ano, mas diz que o programa já saiu do papel e orienta hoje as ações de arborização.