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“É preciso muita coragem para escolher viver de arte”

 

Nascido em Teresópolis e tendo vivido neste município por quase 25 anos, o ator Beto Corrêa é o idealizador do projeto Esqueterê,  primeiro festival competitivo de esquetes da charmosa cidade região serrana do Rio. Seu desafio é movimentar culturalmente um município que está fora do circuito teatral brasileiro.   Mesmo com todas as dificuldades em meio à pandemia, o Esqueterê contou com mais de cem trabalhos inscritos já nessa sua primeira edição, mas Beto, Bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, conta em entrevista ao DR1 que essa história  está só começando.

DR1 – O que fez você decidir investir em um festival, ainda com todas as dificuldades e a pandemia?

Beto Corrêa – Esse projeto foi idealizado muito antes da pandemia. Quando nos demos conta que só seria possível realizar de forma online, confesso que foi um pouco desanimador, porque achávamos que o festival não alcançaria nossos objetivos, mas nunca pensamos em desistir. É claro que o ideal seria o formato presencial, com a aglomeração, a troca de experiências, o encontro entre os artistas. Hoje, com dois meses de produção, percebemos que vamos conseguir alcançar nossos objetivos da mesma forma.

DR1 – Teresópolis é uma localidade pequena da Região Serrana, porque  resolveu expandir as inscrições para grupos de todo Brasil?

Beto Corrêa – Sempre acreditei que um festival desses na cidade poderia trazer muitas vivências e experiências importantes para os artistas locais. A expansão a nível nacional se dá justamente pela troca de experiências, por esse intercâmbio cultural entre os artistas. Isso é maravilhoso e muito enriquecedor para o artista, para o pesquisador que recebe todo esse feedback e que, por conta disso, evolui o seu trabalho.

DR1 – Como vê Teresópolis diante o cenário nacional do teatro? Que dificuldades que enfrentou para ser um ator, fora dos grandes centros?

Beto Corrêa – Quando saí de Teresópolis e fui experimentar outras vivências artísticas, eu percebia, principalmente nos festivais nacionais, que tinha grupos de todo canto do Brasil, mas nunca havia grupos de Teresópolis participando. E  sei do potencial artístico que a cidade tem, não só no teatro.   E as dificuldades que passei não foram diferentes de qualquer artista. É uma profissão que não tem o valor reconhecido e, muitas vezes, o artista trabalha de graça para não ficar parado. As maiores dificuldades acabam sendo sempre financeiras. Já que fui obrigado a largar o Teatro para trabalhar em outras funções. Hoje em dia, é preciso muita coragem para escolher viver de arte. Principalmente no cenário em que nos encontramos atualmente.

DR1 – Conte a história do Esqueterê. Como tudo começou ?

Beto Corrêa – A ideia surgiu quando participei de meu primeiro festival competitivo. Eu fiquei tão impressionado com tudo, que queria muito que meus amigos artistas de Teresópolis experimentassem isso também. Não tinha nome ainda, eu só sabia que um festival assim deveria acontecer na cidade. E acredito que o festival competitivo apura o nosso olhar crítico da cena. Então, depois do desejo surgido, um belo dia resolvi colocá-lo no papel.

O festival teve inscrições de grupos de vários estados brasileiros (Foto: Victor Hugo)

DR1 Os concorrentes te surpreenderam em algum aspecto?

Beto Corrêa – Recebemos muitas inscrições e só isso já foi uma surpresa. Estamos muito felizes com tudo. Foram inscrições de todo Brasil, muita coisa do Rio e São Paulo. Tivemos inscrições do Distrito Federal, Paraná, Ceará, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, enfim, eu fico muito feliz de saber como tem grupos espalhados por esse Brasil e todos produzindo, mesmo diante de uma pandemia.

DR1 – E quanto ao patrocínio. Acha que as empresas ainda estão receosas de investir na arte ou o momento que vivemos agrava tudo?

Beto Corrêa – É um momento muito complicado para as empresas investirem em projetos, já que precisam se reestabelecer pelo prejuízo causado por conta da pandemia. O último evento que produzi em Teresópolis foi em 2013 e não senti dificuldade alguma em conseguir patrocínios e apoiadores. Mas agora, não é muito propício. Graças à aprovação na Lei Aldir Blanc, conseguimos uma verba para realizar a 1ª edição do Esqueterê. Para complementar essa verba, buscamos apoios em estabelecimentos que não sofreram tanto com a pandemia, como supermercados.

DR1 – Como será a programação, será aberta ao público?

Beto Corrêa – Sim. Será o Esqueterê Mostra Convida, que acontecerá no dia 27 de março às 20h. Serão 6 apresentações de artistas de Teresópolis, que terão um espaço de 5 a 10 minutos para mostrarem seus lindos trabalhos. Na programação teremos diversas linguagens como fotografia, dança de rua, cinema, música etc. Toda a programação será transmitida ao vivo pela plataformas digitais, aberta para quem quiser assistir.

DR1 – Como será a dinâmica da apresentação das esquetes selecionadas?

Beto Corrêa – Serão 24 esquetes selecionadas e dividimos as apresentações em 3 dias: 24, 25 e 26 de março, 8 esquetes por dia. Para selecionar as 24 esquetes, a curadoria levou em consideração a diversidade, a relevância dos temas, a pesquisa, entre outros fatores. Dessas 24 esquetes, 8 serão selecionadas pelos nossos jurados para a final, que será realizada no dia 28 de março. Toda a programação será transmitida on-line pelas plataformas digitais com início às 20h.  Os links estarão disponíveis no site www.esquetere.com.br

Foto: Divulgação