Atriz, dramaturga, professora e ativista, carioca dedicou mais de cinco décadas à valorização da população negra e à defesa dos direitos das mulheres
Thereza Santos, nome artístico de Jaci dos Santos, foi uma das importantes figuras da cultura negra brasileira. Nascida no Rio de Janeiro, em 7 de julho de 1930, ela construiu uma trajetória que passou pelo teatro, cinema, televisão, educação e militância política. Durante mais de 50 anos, atuou na defesa da população negra e dos direitos das mulheres, transformando a arte em uma ferramenta de reflexão e resistência.
Ainda jovem, Thereza ingressou na Faculdade Nacional de Filosofia, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e participou da União Nacional dos Estudantes (UNE). Nesse período, aproximou-se do teatro de rua e de movimentos políticos. Também integrou o Teatro Experimental do Negro, criado por Abdias do Nascimento, experiência que contribuiu para sua atuação na construção de uma representação negra mais forte nos palcos brasileiros.
Na década de 1960, sua carreira artística ganhou espaço no cinema e na televisão. Thereza participou de produções como Orfeu Negro e, posteriormente, de novelas da extinta TV Tupi, entre elas Nino, o Italianinho, A Fábrica, Signo da Esperança e Mulheres de Areia. No teatro, também se destacou como dramaturga e diretora.
Um dos trabalhos mais marcantes de sua trajetória foi a peça E agora… falamos nós, escrita em parceria com Eduardo de Oliveira e Oliveira e encenada por um elenco formado por atores negros. A obra surgiu em um período de forte repressão política e abordava questões relacionadas à experiência da população negra no Brasil.
Sua militância política também marcou profundamente sua vida. Ligada ao Partido Comunista Brasileiro, Thereza foi presa no início da década de 1970 durante a ditadura militar. Depois de ser libertada, deixou o Brasil e passou alguns anos na África, onde trabalhou como educadora e participou de projetos ligados à cultura e à luta de libertação de países como Angola e Guiné-Bissau.
De volta ao Brasil, continuou atuando na defesa da cultura afro-brasileira. Entre 1986 e 2002, trabalhou como assessora de Cultura Afro-Brasileira da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Também participou de ações ligadas ao carnaval e à organização de mulheres negras.
Em 2008, publicou Malunga Thereza Santos: a história de vida de uma guerreira, obra autobiográfica em que registrou experiências pessoais, políticas e culturais. Thereza morreu em 19 de dezembro de 2012, aos 82 anos. Seu legado permanece presente na história do teatro negro, na cultura afro-brasileira e na luta contra o racismo.





