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Versos & Diversos: Sopro

Reprodução Internet

Entre ciclos de escassez e renovação, a vida se manifesta na simplicidade do cotidiano. No poema a seguir, com sensibilidade, transformamos o cenário de um quintal em uma metáfora sobre a resiliência e a esperança. Mesmo diante das intempéries e do tempo, o mundo lá fora cobra seu preço em constantes ventos fortes, arrancando folhas e jogando ao chão nossos frutos. No meio desse cenário devastado, a sensibilidade se levanta, recusando-se a entregar os pontos para a tristeza, e a natureza ensina que o amanhã guarda a promessa de novos frutos. A poesia abaixo é um grito silencioso de resistência, um lembrete doloroso e belo de que, não importa o tamanho da tempestade de hoje, o amanhã sempre trará de volta a vida. Convidamos o leitor a ler a poesia, pensar, meditar e escrever sobre seus pensamentos.

Sopro

A velha goiabeira,

aparência ressecada,

quase não dá frutos.

Nela pássaros descansam,

cantam, tagarelam,

matam a fome.

O cão aproveita-se da sombra.

Admiro os frutos restantes

na leveza dos raios de sol.

Escrevo vendo o vento

derrubar as folhas,

inda que bom tempo.

É madrugada.

Chega vendaval,

as poucas goiabas vão ao chão.

No próximo ano,

nesta terra santa,

frutificará novamente.

Belos frutos nascerão.

Penso afastando a tristeza.

Certamente linda colheita teremos.

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