Em 4 de outubro, mais de 150 milhões de brasileiros irão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais ou distritais. Serão seis escolhas diante da urna. Mas existe uma sétima pergunta, talvez a mais importante: quem sabe administrar o dinheiro que sai do meu bolso?
A eleição de 2026 não deveria ser apenas uma disputa entre nomes, partidos, ideologias ou promessas. Deveria ser também uma auditoria do eleitor. Antes de votar em quem promete gastar mais, contratar mais ou criar novos programas, é preciso perguntar: quanto isso vai custar — e quem vai pagar? A resposta é simples: nós.
Em 2025, a carga tributária bruta do governo geral chegou a 32,40% do PIB, segundo o Tesouro Nacional. Mas a conta não termina no imposto.
Ela aparece quando uma obra é abandonada e precisa ser refeita; quando uma estrada ruim encarece o transporte; quando a burocracia consome horas de trabalho; quando um serviço público demora; quando recursos escassos produzem resultados pequenos. Desperdício também é imposto.
Existe, porém, uma diferença entre governo caro e governo que entrega valor. Saúde, educação, segurança, previdência e infraestrutura custam dinheiro. O problema não é simplesmente gastar. É gastar mal, sem prioridade, avaliação e responsabilização.
Em 2026, a despesa total do Governo Central está na casa dos R$ 2,6 trilhões. Em uma máquina dessa dimensão, pequenas ineficiências, multiplicadas por milhões de decisões, podem gerar uma conta monumental.
Há ainda o custo do desequilíbrio fiscal. Em junho, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 48,2 bilhões. Quando receitas e despesas se afastam persistentemente, a conta não desaparece: pode virar dívida, juros, menor investimento ou pressão por mais impostos.
É aqui que a eleição ganha outra dimensão.
O eleitor costuma perguntar: “O que você vai fazer por mim?” Talvez devesse perguntar também: “Quanto vai custar?”
E mais: de onde virá o dinheiro? Qual será o resultado? Como será medido? O que será cortado para financiar a promessa? O que acontecerá se a arrecadação não crescer como previsto?
Essas perguntas podem parecer menos emocionantes que um discurso inflamado. Mas são muito mais importantes para a vida real. Porque promessa eleitoral é gratuita apenas até o dia da eleição. Depois, chega a fatura.
O cidadão sente essa fatura no supermercado, no aluguel, nos juros, no transporte, na qualidade dos serviços públicos e nas oportunidades que deixam de existir. Muitas vezes, nem percebe que parte do custo está relacionada a decisões tomadas longe de sua casa.
Por isso, 2026 pode ser uma oportunidade para mudar a lógica do voto. Não se trata de escolher quem promete um Estado maior ou menor, mas quem demonstra capacidade de fazer mais e melhor com o dinheiro disponível.
Quem promete gastar precisa explicar. Quem promete benefícios precisa apresentar a conta. Quem defende aumento de impostos precisa mostrar o retorno. E quem promete cortar despesas precisa dizer onde, como e com quais consequências.
Isso é responsabilidade fiscal. Mas é, sobretudo, responsabilidade democrática.
O orçamento público não pertence ao governo. Pertence à sociedade.
O dinheiro não nasce em Brasília, nos palácios estaduais ou nas prefeituras. Vem do trabalho, do consumo, da produção e dos impostos pagos por milhões de brasileiros.
Em outubro, o eleitor não estará apenas escolhendo governantes. Estará escolhendo quem terá a chave do cofre.
E talvez a pergunta mais importante diante da urna seja a mais simples:
A conta da má gestão já está cara demais. Quanto você está disposto a continuar pagando?





