Wagner Moura diz ter medo do ICE e critica avanço do autoritarismo ao comentar o atual cenário político dos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal espanhol El País, o ator brasileiro afirmou que o clima de tensão tem mudado até mesmo sua forma de reagir diante de situações que considera injustas.
“Estamos atravessando um momento muito feio; até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, afirmou Wagner Moura, em entrevista ao El País.
Durante a conversa, o artista também traçou comparações entre o ambiente político norte-americano e o que o Brasil vivenciou nos últimos anos. Para ele, governos com inclinações autoritárias costumam adotar estratégias semelhantes ao atacar setores culturais e acadêmicos.
“Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades”, declarou ao El País. Segundo Moura, a construção da imagem de artistas como “inimigos do povo” foi um movimento que impactou o debate público no país.
O ator ainda refletiu sobre o papel das redes sociais na formação de narrativas políticas. Ele lembrou que, há cerca de uma década, existia uma expectativa positiva sobre o potencial dessas plataformas para democratizar a informação.
“Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita”, afirmou.
Apesar das críticas, Wagner Moura defendeu que grupos progressistas continuem disputando espaço no ambiente digital. “De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências”, concluiu ao El País.
As declarações do ator reacendem o debate sobre liberdade, política e o papel das redes sociais em tempos de polarização — um tema que promete continuar mobilizando opiniões dentro e fora do Brasil.



