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Diário do Rio Responde

Diário do Rio Responde _ Edição nº 55

MATHEUS AUGUSTO LUNDBERG NEVES, ADVOGADO
diariodorioresponde@diariodorio.com.br

O prazo de entrega não foi respeitado. E agora?
Marisa Ribeiro, Madureira

DIÁRIO DO RIO −“O consumidor pode, a seu critério: I) exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade; II) aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente; III) rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos”.

O comerciante pode recusar receber cartão para produtos de baixo custo, como cigarro, balas ou sorvete?
Douglas da Silva, Catete

DIÁRIO DO RIO − Não. Se um estabelecimento aceita pagamento com cartão de crédito ou débito, o mesmo deve aceitá-lo em qualquer valor de compra e para qualquer produto.

RÔMULO LICIO DA SILVA, ADVOGADO
diariodorioresponde@diariodorio.com.br

Estou aposentada por tempo de serviço desde 2002 e por seis anos trabalhei para duas empresas privadas ao mesmo tempo. Posso pedir revisão para ver se a forma do cálculo está correta?
Denise Figueiredo, Flamengo

DIÁRIO DO RIO – Lamentavelmente você não poderá requerer a revisão do seu benefício em razão da fluência do prazo decadencial de 10 anos, contado desde a data de concessão seu benefício. Dessa forma, seu pedido de revisão somente poderia se requerido até o ano de 2012.

Fui empregada de uma empresa por oito anos sem a carteira anotada. Quando saí fui à Justiça do Trabalho e o juiz condenou a empresa a anotar minha carteira por todo o período, pagar o FGTS, férias e rescisão. Porém, estive no INSS e não aparece esse período trabalhado. O que devo fazer?
Selma Reis, Andaraí

DIÁRIO DO RIO – Esse fato se dá porque a Justiça do Trabalho não pode exigir da empresa o recolhimento das contribuições previdenciárias de todo o período trabalhado. O INSS deveria efetuar a cobrança na Justiça federal e não o faz. Com isso o segurado é quem sofre. Como se não bastasse, o INSS não aceita “apenas” a sentença da Justiça do Trabalho e exige que a sentença tenha se baseado em início de prova material e não somente em testemunhas para comprovação daquela prestação de serviços. Nesse caso, se a sentença tiver sido proferida com base em outros elementos e você possuir outros documentos que comprovem a prestação de serviços, poderá levá-los ao INSS junto com a sentença para que se promova o acerto de seus dados. Contudo, se não houver documentos ou se o INSS não os aceitar deverá ajuizar ação contra o INSS objetivando a inserção desse período trabalhado como tempo de contribuição na base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais.

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No Barquinho da Paciência

A transformação começa em nós mesmos

Da Redação

Falamos o tempo todo sobre a falta de honestidade de muitas pessoas. Apontar os erros dos outros é uma tarefa muito fácil, difícil mesmo é reconhecer o nosso. O famoso ‘jeitinho brasileiro’ está enraizado na cultura do nosso país. E pode ser visto como algo positivo, ou negativo, dependendo da situação. Podemos, diariamente, com iniciativas positivas, mudar este conceito, dando bons exemplos para futuras gerações.

A empregada doméstica Claudete Maria Rosa da Silva foi detida em flagrante, no dia sete de fevereiro, após fingir estar com sintomas do novo coronavírus. A mulher, de 39 anos, buscou uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), em Copacabana. Em depoimento, contou que mentiu sobre a doença para ter preferência no atendimento. O famoso ‘jeitinho brasileiro’ não deve virar desculpa para falta de respeito ou honestidade com o próximo. Precisamos refletir sobre a importância do nosso papel para a construção de um mundo melhor.

Todos os dias presenciamos vários exemplos negativos relacionados à falta de ética e educação: não respeitar o assento preferencial, burlar a fila de poucos itens no supermercado, jogar o seu lixo na rua, furar a fila e não respeitar o pedestre. Necessitamos pensar sobre os motivos que nos fazem cometer tais erros. É necessário questionar nossa postura quando fazemos algo desta natureza e achamos que não está errado.

Vamos mudar este cenário fazendo nossa parte. Respeitar estas simples atitudes fazem toda diferença e podem ajudar a despertar o gatilho para o bom senso em outras pessoas. O meu direito começa, quando o seu termina! E enquanto muitas pessoas não desenvolverem esta consciência, haja paciência!

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Destaque O Rio que o Carioca Não Conhece

Rodas de samba em que você não paga para entrar

Por Sandro Barros

O Carnaval está aí, mas muitos curtem samba o ano inteiro. Para estes, há várias excelentes opções de rodas de samba espalhadas pelo Rio de Janeiro, onde você pode conhecer pessoas, curtir com amigos, namorar e, é claro, sambar.

Nesses tempos de crise econômica, fica uma pergunta: mas como desfrutar disso com pouca grana? Segue agora uma seleção que o Diário do Rio preparou com sete rodas em que você não paga para entrar. Divirta-se então ao som dessa música genuinamente carioca!

Samba da Ouvidor
As rodas de Samba da Ouvidor (foto acima) acontecem sempre na esquina da Rua da Ouvidor com a Rua do Mercado, normalmente um sábado por mês. O evento, que deu novos ares à Praça XV, tem o objetivo principal de contribuir para que o samba continue eterno. Pela página do Samba da Ouvidor, no Facebook, é que o evento é agendado e divulgado.

Samba de Lei
Na quinta-feira tem Samba de Lei no Arco do Teles, ali ao lado da Praça XV, no Centro. É na rua, tem DJ nos intervalos e acontece mesmo nos dias de chuva. Samba da melhor qualidade em um maravilhoso ponto histórico. Começa às 19h e o endereço é Travessa do Comércio, 18.

Gloriosa Roda de Samba

Realizada todo terceiro domingo do mês na Feira Popular da Glória, a Gloriosa Roda de Samba é comandada pelo grupo Mesa da Diretoria, o Bloco Arteiros da Glória e o músico Paulão 7 Cordas.

O repertório privilegia clássicos do samba brasileiro. Sempre no terceiro domingo do mês, a partir das 15h. A feira fica na Avenida Augusto Severo.

 

 

Samba do Barão
Em Vila Isabel, acontece Roda de Samba do Barão aos domingos, com a proposta de reverenciar músicos e compositores tradicionais do samba e do choro. Nos intervalos, DJ’s tocam charme, soul, balanço e MPB. E tem anda muitos petiscos nas barracas organizadas pelos próprios moradores. Domingo, de 15 em 15 dias, a partir das 13h, na Praça Barão de Drummond.

Samba da Feira

Sábado, a partir das 17h, é dia de Samba da Feira. O evento acontece nos Armazéns do Engenhão, localizados na parte externa do Estádio Nilton Santos — Rua José dos Reis, 189, no Engenho de Dentro.

A roda, que começou despretensiosamente no quintal de uma casa em Piedade, agora é programa certo para famílias inteiras: são mais de duas mil pessoas por sábado.

 

Pedra do Sal
Toda segunda, das 19h30 às 23h, tem Roda de Samba da Pedra do Sal. Com o lema “Aqui se Respeita o Samba”, o evento, que acontece aos pés do Morro da Conceição, traz o melhor do samba histórico e de raiz num movimento de resgate e preservação da memória ancestral. Endereço: Rua Argemiro Bulcão, 38, no Largo João da Baiana, Saúde.

Feira das Yabás

A Feira das Yabás — termo que designa todos os orixás femininos — reúne o melhor da música e gastronomia afro-brasileiras no segundo domingo do mês. As rodas de samba são comandadas por Marquinhos de Oswaldo Cruz.

Nas barracas, delícias que não deixam a culinária negra carioca cair no esquecimento. A partir das 13h, na Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz.

Fotos: Divulgação

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Rio

Crise da água segue e população paga caro por água engarrafada

Por Sandro Barros

Quando se fala em água na cidade do Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, a população fica estarrecida. E não é por menos. Primeiro a água estava suja. Depois com detergente e até gordurosa. Os moradores do Rio de Janeiro sofrem com essa tosca realidade, vendo uma água de péssima qualidade sair de suas torneiras, no mais recente problema ambiental do país. E tudo isso vem acompanhado, e com razão, de preocupação e revolta.

Há mais de um mês começaram as queixas generalizadas denunciando a qualidade da água, que apresentava cor marrom e odor. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), que gerencia a água no estado, declarou que a sua qualidade foi afetada pela presença da geosmina, uma substância química gerada por algas. Desde que o fato foi anunciado, a Cedae demitiu o diretor de Guandu — sua principal estação de tratamento — e, mais recentemente, o próprio presidente da empresa foi demitido.

A Cedae chegou a afirmar em janeiro que usou carvão ativado para retirar a geosmina e informou aos moradores afetados que era seguro beber essa água. Entretanto, no dia 3 de fevereiro ela fez outro anúncio: a água do seu principal reservatório registrou altos níveis de detergente — até o momento de origem desconhecida —, obrigando as autoridades a suspender o abastecimento à população. Esse é mais um das trapalhadas da Cedae e do próprio governo diante dessa crise.

A estação do Guandu é responsável por distribuir água para nove milhões de pessoas e essa suspensão do abastecimento por 14 horas afetou uma importante parcela da população, ainda mais por se tratar de uma época de muito calor. A falta de água potável obrigou as autoridades a adiarem o início do período escolar por um dia em mais de 1.500 escolas públicas, além de colocar em dúvida se será possível curtir o carnaval em meio a uma crise hídrica.

Segundo dados divulgados à imprensa, os problemas na qualidade da água atingem mais de 70 bairros da capital fluminense e diversos municípios da região metropolitana. À medida que o desespero cresce na população, fornecedores de água engarrafada atendem uma demanda absurda. Desde o início da crise até agora, as entregas de água potável quadruplicaram. Muitos supermercados ficam desabastecidos ou optam por limitar a compra por cliente.

Em meio ao caos, diversos comerciantes se aproveitam da capitalista “lei da oferta e da procura” e estão faturando alto, até mesmo triplicando os preços: uma garrafa de água mineral de 1,5 litro chega a custar R$ 6. Até mesmo nas favelas, onde a população possui menor renda, a compra de água mineral se tornou comum. E, para fiar pior, a água engarrafada está em falta em diversos locais.

Apesar disso tudo, o governador do Rio, Wilson Witzel, negou minimizar os danos financeiros dos consumidores através de um desconto da conta de água. No entanto, a Defensoria Pública (DPRJ) e o Ministério Público do Estado (MPRJ) se reuniram, em 31 de janeiro, com a direção da Cedae e esta sinalizou naquele momento a dessa forma de indenização aos moradores prejudicados com a má qualidade da água. Só que essa indenização até agora não foi formalizada e os consumidores seguem tendo enormes prejuízos.

Privatização na mira

O governador do Rio, Wilson Witzel, é acusado de tentar ‘desmontar’ a Cedae como forma de minar o prestígio da companhia e reforçar a necessidade de privatizá-la. Conforme informamos na edição anterior do Diário do Rio, a empresa foi colocada como garantia do empréstimo de R$ 2,9 bilhões ao estado junto ao Banco BNP Paripas, onde o governo terá que pagar R$ 3,9 bilhões no final desse ano. Detalhe importante: somente o patrimônio líquido da Cedae ultrapassa os R$ 7 bilhões.

A desmoralização da empresa junto à população, com o atual serviço de baixíssima qualidade, faz todo sentido: está em andamento uma estratégia a serviço da entrega do patrimônio público ao setor privado sem grandes questionamentos, consumindo-se assim uma verdadeira ‘doação’. Para muitos, o que vivenciamos nesse momento poderia até mesmo ser intencional.

Deixando possíveis teorias da conspiração à parte, certo é que a crise hídrica segue, cercada por ditos e não ditos das autoridades. Enquanto isso, os moradores afetados continuam repletos de incertezas que, ao que tudo indica, não têm prazo para terminar.

Fotos: Fotos Públicas

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Pelos Bairros

Pelos Bairros: Jacarepaguá e linha 584

Da Redação

Novo Centro de Trabalho em Jacarepaguá

Já está funcionando o novo Centro Municipal de Trabalho e Emprego. A unidade, inaugurada em janeiro pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação (SMDEI) da Prefeitura do Rio, funciona dentro do Quality Shopping (Av. Geremário Dantas, 1400, salas 101 e 102, Freguesia), de 9h às 17h. O espaço tem salas para entrevistas de emprego, cursos de capacitação e qualificação. Os empregadores também podem procurar a Central de Captação de Vagas, através do telefone (21) 2976-7368, para disponibilizar suas oportunidades.

Ônibus da linha 584 em péssimo estado

Alguns ônibus que fazem o trajeto da linha 584 (Cosme Velho x Leblon) estão circulando em péssimo estado de conservação. Passageiros reclamam que não podem sentar, pois cai água do teto. Muitos viajam em pé com cadeiras inadequadas para uso. Além do total descaso com os passageiros, há bancos quebrados, sujeira e muitas peças internas do veículo danificadas. Pagamos uma das tarifas mais altas do mundo, em um transporte que deveria ser público, e não recebemos o retorno com as melhorias necessárias. Daí fica a pergunta: até quando vivenciaremos esta vergonha?

Foto: Reprodução

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Pelos Bairros Rio

Respeita Paquetá!

Por Alessandro Monteiro

A decisão do juiz Eduardo Antônio Klausner, da 6ª Vara de Fazenda do Rio, que definiu uma nova grade de horários para a travessia das barcas, aplicada no último dia 25 de janeiro, prejudicou diretamente os moradores de Paquetá, que não conseguem acordo com a concessionária CCR, responsável pela operação.

Após análise realizada pelo atual secretário de Transportes do Rio de Janeiro, Delmo Pinho, a CCR está operando com prejuízos e, até o momento, não existe interesse do governo em renovar o contrato. Logo, 25% da população que trabalha no Centro do Rio e utiliza o transporte diariamente sofre com a redução de horários e a necessidade de locomoção.

Ialê Falleiros, representante da Associação de Moradores de Paquetá, afirma que “a mudança impacta diretamente a vida profissional e escolar de muitos residentes, que estão perdendo seus empregos e deixando as escolas por não conseguirem cumprir com os horários”, pois diminuíram de 25 para 12 viagens, ou seja, houve uma redução de sete viagens por dia.

Uma das preocupações é com o turismo da cidade que, nos finais de semana, recebe boa quantidade de turistas que buscam o tom bucólico e charmoso da Ilha. Além das feiras de artesanato e restaurantes, as pousadas já sentem o reflexo da mudança.

A CCR teria um contrato a ser cumprido até 2023. No entanto, representantes reclamam da baixa de usuários durante as viagens e do prejuízo em cada operação. Em 2015, a empresa informou ao governo que não tinha mais interesse em manter o contrato, pedido este que não foi atendido pelo governo.

Na última semana de janeiro, moradores tiveram uma reunião pública na Alerj, juntamente com as partes envolvidas no caso, porém, nada ainda foi decidido. Após ouvir moradores locais, o governo prometeu rever, após o carnaval, as condições atuais e buscar novas alternativas para o caso.

Foto: Reprodução

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Pelos Bairros Rio

Moradores de Santa Teresa reclamam da falta de ônibus à noite

Por Franciane Miranda

Voltar para casa deveria ser algo fácil, mas no bairro de Santa Teresa, área central do Rio, a tarefa é mais difícil do que se imagina. O motivo é o transporte público da região que não atende às demandas da população à noite. Quando chove, e aos finais de semana, a situação fica mais complicada. Mas o drama é ainda pior, pois muitos motoristas de aplicativos e taxistas recusam com frequência a viagem.

As pessoas que trabalham à noite, ou que saem tarde do serviço, são as que mais sofrem com este descaso. Após um dia de trabalho e cansados, muitos não querem esperar tanto tempo pelo ônibus. A grande maioria acaba tendo um gasto extra com transporte, o que fica bem complicado para quem recebe um salário mínimo. A maior parte dos moradores residem em comunidades do bairro e este gasto a mais faz toda diferença no orçamento familiar.

A vendedora Aline Maciel destaca sua insatisfação com os serviços prestados pela companhia. “Quero dar ênfase no quesito serviço, pois a empresa Transurb [responsável monopolista pelo transporte em Santa Teresa], na verdade presta um desserviço, agindo de forma negligente, arbitrária, desrespeitosa, sem idoneidade moral para com os passageiros há anos”. Outras reclamações são com relação à falta de fiscalização e conservação dos veículos.

A moradora Rejane Sousa classifica a qualidade do transporte público como péssima. A autônoma explica que sempre pega o ônibus no período da noite e leva em média uma hora na volta para casa. Quando não consegue, usa táxi para retornar.

Os moradores já fizeram até grupo no Whatsapp para facilitar o dia a dia e ajudar os moradores que precisam do ‘bacurau’ (nome dado ao veículo que presta o serviço à noite). “Nele é possível saber os horários, onde está, quanto tempo vai demorar para chegar em determinado ponto, se foi retirado pela empresa ou mandado para a garagem por avaria, se está circulando com muitos atrasos devido à superlotação, entre outros”, afirma Aline.

A vendedora explica que após os últimos ônibus serem retirados, o ‘bacurau’ circula superlotado, com atrasos e não há horário certo para chegar em casa, principalmente quando o carro quebra. “Sou obrigada a depender de transportes alternativos, se tiver dinheiro para isso, ou esperar até 5h na rua pelo primeiro ônibus de cada linha que irá começar a circular; Já aconteceu isso comigo, não é invenção, nem mentira, afinal não é sempre que tenho dinheiro para pagar outro transporte, uma vez que preciso utilizar o Bilhete Único obrigatório oferecido pelas empresas e aceito apenas nos transportes coletivos credenciados”, conta.

Alguns taxistas que conhecem a dificuldade dos moradores começaram a fazer o trajeto do ônibus. Cada passageiro paga R$ 5 para voltar para casa. O que tem ajudado muito, mas não é a solução do problema, pois eles não aceitam o Bilhete Único e as pessoas continuam gastando dinheiro extra com transporte. O cenário não muda nos aplicativos e o usuário perde muito tempo tentando achar algum motorista que confirme a corrida. Vários aceitam, mas quando percebem que o destino é a região acabam recusando.

Os taxistas também não gostam de frequentar o bairro. São muitos os motivos da recusa: os trilhos do bondinho; reclamam que não existe sinal de área quando o pagamento é com cartão; ou o local é considerado área de risco. Muitas vezes, o passageiro precisa parar vários taxistas para conseguir seguir viagem. Os que confirmam a corrida revelam que aceitaram, pois já conhecem à área.

A reportagem do Diário do Rio entrou em contato com a empresa. Em nota e por mensagens via Whatsapp, a Transurb informa que as linhas 007 (Silvestre x Central), 507 (Largo do Machado x Silvestre), 014 (Paula Matos x Castelo) e 006 (Castelo x Silvestre) operam em dias normais das 4h às 23h, e aos finais de semana e feriados das 5h às 22h. Disse ainda que segue o acordo determinado pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). A empresa esclarece que os passageiros busquem a linha SN 006 (Silvestre x Castelo), que opera com regularidade das 23h às 4h.

A Transurb e a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) precisam ouvir a população para entender a real necessidade do bairro e, juntos, criarem um plano que atenda a todos. “Precisamos de ajuda dos órgãos competentes urgentemente”, finaliza Aline, que pede o devido apoio.

Fotos: Diário do Rio

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Brasileiro com muito Orgulho Rio

Tia Surica: uma história de amor pelo carnaval

Por Franciane Miranda

Conhecida carinhosamente por todos como Tia Surica, a sambista Iranette Ferreira Barcellos, tem história para contar. Com o sangue azul e branco correndo em suas veias, tornou-se um dos nomes mais respeitados na história do samba e da Portela. A matriarca fez da escola sua casa e sua família. Já desfilou como baiana e passou por vários setores elevando o nome da sua escola do coração.

Começou sua carreira musical na década de 50, ao fazer parte do coro do LP ‘A Vitoriosa Escola de Samba da Portela’. Dona de uma voz inigualável, a sambista mostrou que seu lugar era na avenida. Em 1966, foi convidada para puxar o samba-enredo ‘Memórias de um Sargento de Milícias’, de autoria de Paulinho da Viola, ao lado de Catoni e Maninho. Naquela época, não era comum uma mulher assumir um papel tão importante. Ela brilhou e fez a escola vencer naquele carnaval.

Nascida e criada no bairro de Madureira, o samba entrou em sua vida em 1944, ainda criança, aos quatro anos de idade. Foi amor à primeira vista e, desde então, não largou mais e o casamento dura até hoje. Após a morte dos seus pais, a sambista foi criada pelos avós maternos José e Amélia, e também por sua mãe de criação, Evangelina. Conta que sua infância foi boa, com uma ótima formação e bons princípios. Seu apelido peculiar foi colocado por sua avó: segundo ela, Surica é caracterizado por algo pequeno e roliço e, por ser baixinha e forte, começou a lhe chamar assim.

Hoje, com idade avançada, já não tem mais tanto pique para o samba-enredo, que é mais acelerado. A portelense com todo o seu talento já se apresentou em todo Brasil. Rodou o mundo levando nossa música e cultura, cantando na Alemanha, Itália, Bélgica e França. Já fez coro com importantes nomes do cenário musical brasileiro como Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Marisa Monte e Zeca Pagodinho. Entrou para Velha Guarda na década 80 onde se dedica e concilia com sua carreira solo.

Tia Surica também é conhecida por sua feijoada inaugurada em 2004. O evento começou para reunir integrantes da Portela e hoje virou um momento onde todos se reencontram para comemorar a boa música e amizade. À frente da famosa festa, ela prepara tudo com muito carinho com suas famosas ‘suriquetes’. Seu tempero sempre regado com muito samba e convidados ilustres como Leci Brandão, Velha Guarda da Portela, Teresa Cristina, Candeia, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Dona Ivone Lara. Quem sabe o segredo do seu tempero é a alegria?

Foto: Divulgação

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Saúde

Pesquisadores testam vacina contra o Covid-19

Por Claudia Mastrange

O novo coronavírus, agora batizado Covid-10, continua sendo o foco das atenções das autoridades de saúde e populações em nível mundial. Pesquisadores da China, Estados Unidos, Austrália e Europa trabalham juntos contra o tempo para encontrar uma vacina que combata o vírus. Já estão sendo feitos testes em ratos. O Covid-19 foi detectado em dezembro de 2019 em Wuhan, capital da província chinesa de Hubei, na China. Até o dia 13 de fevereiro quase 60 mil pessoas haviam sido infectadas e número de mortes chegava a 1.368.

O número de casos subiu vertiginosamente por conta da mudança de metodologia na detecção. Agora os médicos analisam os sintomas dos pacientes, em conjunto com exames de imagem, como radiografia e tomografia. Assim os resultados ficam prontos mais rapidamente e, caso necessário, já se inicia um tratamento. Antes era necessário esperar o resultado de um exame de RNA (ácido ribonucleico) para comprovar a infecção por Covid-19. A mudança ocorre depois da decisão do governo chinês de trocar autoridades devido às falhas na resposta ao surto e também em meio à falta de kits de detecção.

No Brasil, até o fechamento desta edição, em 14 de fevereiro, haviam 11 casos de possível contaminação pelo Covid-19 sendo investigados. No Rio Grande do Norte, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) emitiu nota confirmando que está investigando o estado de saúde de um homem de 25 anos que afirmou ter tido contato com chineses na Praia de Pipa, em Tibau do Sul. Ele foi internado em isolamento no Hospital Giselda Trigueiro, em Natal. Já os brasileiros repatriados da China, que ficarão em quarentena em Anápolis, Goiás, até o dia 27 de fevereiro, foram submetidos a exames que deram resultado negativo para o Covid-19. Eles não apresentam sintomas.

No início de fevereiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS), que está acompanhando as atualizações recentes da China sobre os protocolos de definição e contagem de casos de Covid-19, reuniu mais de 300 especialistas em sua sede, em Genebra, para avaliar o risco de disseminação do vírus. A OMS reconhece que o mundo enfrenta uma escassez de trajes, máscaras, luvas e outras formas de proteção para se prevenir contra o surto do novo coronavírus e anunciou que enviará equipamentos para nações mais vulneráveis. “Profissionais da saúde devem ter prioridade para receber estes materiais. Em segundo lugar estão os doentes e seus cuidadores”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Fotos: Reproduções

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Saúde

Infarto em mulheres jovens: fatores de risco e prevenção

Por Claudia Mastrange

Aos 38 anos, Priscila Nocetti, ex-apresentadora da Furacão 2000, sofreu um infarto quando estava em casa com a filha. Levada ás pressas ao hospital Rio Mar, na Barra da Tijuca, foi submetida a cateterismo e passa bem. Em seu Instagram ela revelou ser hipertensa desde a gestação de Yasmin, há 12 anos. “Comecei a sentir uma forte dor no meio do peito. Depois, meu braço esquerdo começou a doer. Percebi que poderia estar infartando. Chamei o Rômulo [Costa, seu marido] e pedi que ele me levasse à emergência. Chegando lá, fiz eletro e exame de sangue e foi constatado infarto no miocárdio”, declarou. A notícia chama a atenção para o fato não tão frequente de uma mulher jovem ser acometida por um infarto.

“Não é comum mulheres terem infarto na idade jovem. As mulheres, em geral, são acometidas por infarto entre os 40 e 50 anos, que é o período das alterações hormonais, da entrada na menopausa. O que pode causar o infarto em uma mulher mais jovem é, além da hipertensão, ter outros fatores de risco importantes, como a história familiar — que pesa muito —, se ela é fumante, se tem diabetes insulino-dependente e sofre há muito tempo com essa doença. O uso de drogas, como a cocaína, também é um fator de risco importante, independente da idade do paciente, porque causa o comprometimento do endotélio vascular causando o processo da ateroesclerose”, explica o cardiologista Mohamed Wafae Filho, chefe da Unidade Pós-Operatório em Cirurgia Cardíaca do Hospital São Francisco na Providência de Deus, no Rio.

Priscila Nocetti ao lado do marido: susto, aos 38 anos (Reprodução)

Mas é verdade que as mulheres apresentam sintomas diferenciados quando infartam, como dor no estômago e cansaço? “Sim. As mulheres, assim como os idosos e os pacientes diabéticos ou que já foram submetidos à cirurgia cardíaca, pertencem a um grupo em que os sintomas de infarto podem ser diferentes daqueles clássicos, como a dor no peito irradiada para a mandíbula ou para o braço esquerdo, suor frio. Os pacientes desse grupo precisam ficar atentos a alguns sintomas como mal estar, náuseas, vômitos, especialmente a mulher que apresenta fatores de risco”, afirma o cardiologista Alexandre Scotti, coordenador da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Badim, no Rio.

O médico lembra que, até os 55 anos, as mulheres contam com uma proteção a mais, em relação aos homens: o hormônio feminino estrogênio, que reduz as chances de um evento cardiovascular. “Porém, após os 55 anos, as mulheres começam a apresentar percentuais de infarto agudo coronariano bem semelhantes aos dos homens”, explica o cardiologista.

PAPO RETO COM O DOUTOR

Por que vem aumentando o percentual de mulheres que são acometidas por problemas cardíacos?

Os homens sempre foram mais acometidos por infarto do que as mulheres, mas com pouca diferença. Isso porque o homem era o provedor da casa, então era submetido a um estresse exagerado. De 30 a 20 anos para cá, as mulheres passaram a ter as mesmas responsabilidades que antes eram quase que exclusivas dos homens. Com essa mudança, veio o estresse, que leva à hipertensão. A pessoa passa a se alimentar mais fora de casa, de maneira irregular. Contribui para isso o tabagismo e hoje vemos que as mulheres fumam mais do que os homens. Além disso, elas acumulam com o trabalho fora a responsabilidade de cuidar da casa, a jornada dupla. Nos últimos anos, então devido às mudanças na sociedade, há um equilíbrio entre os infartos em homens e mulheres.

Cardiologista Mohamed Wafae Filho

 

Como prevenir o infarto?

A principal forma de evitar um evento coronariano, especialmente em uma faixa etária precoce, é tratar os fatores de risco. Parar de fumar, fazer o controle dos níveis de pressão arterial, tomar regularmente as medicações e manter uma dieta com pouco sal, no caso de pacientes com hipertensão. As pessoas obesas devem fazer atividades físicas e adotar uma dieta adequada, assim como as pessoas com diabetes devem manter controlados os níveis glicêmicos. Os pacientes devem ficar atentos aos níveis de colesterol e seguir à risca o tratamento indicado pelo médico.

Cardiologista Alexandre Scotti