O laudo da necropsia de Henry Borel voltou ao centro do debate judicial após a defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, entrar na Justiça para impedir que o documento seja utilizado no tribunal do júri. O pedido foi apresentado poucos dias antes do julgamento do caso, que completa cinco anos neste domingo.
Na petição protocolada, os advogados afirmam que o médico legista responsável pelo exame teria alterado o documento em diferentes momentos ao longo da investigação. Segundo a defesa, o laudo teria sido modificado ao menos seis vezes.
Os defensores alegam que mensagens encontradas no celular de Leniel Borel, pai da criança, indicariam mudanças no conteúdo do documento durante o andamento do inquérito.
Além disso, a defesa menciona a participação de uma perita da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro identificada como Gabriela Graça. De acordo com o pedido apresentado, ela teria sido convidada de forma reservada para auxiliar a acusação antes das alterações feitas no documento elaborado pelo Instituto Médico Legal.
Diante dessas suspeitas, os advogados informaram que acionaram a Corregedoria da Polícia Civil e também o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro. O órgão profissional abriu uma sindicância para apurar a conduta do médico legista responsável pelo exame.
As acusações, no entanto, foram contestadas por pessoas ligadas ao caso. Leniel Borel afirmou que a iniciativa da defesa busca atrasar o andamento do processo.
“Esse movimento da defesa tenta tumultuar o processo e adiar o julgamento”, declarou Leniel.
Em nota, a Polícia Civil informou que todos os procedimentos da investigação seguiram critérios técnicos e que exames complementares foram realizados após a elaboração do primeiro laudo pericial.
Dr. Jairinho está preso preventivamente desde abril de 2021 e responde pela morte do enteado, que tinha quatro anos na época do crime.
Segundo o exame realizado pelo Instituto Médico Legal, Henry Borel morreu em decorrência de hemorragia interna causada por laceração no fígado provocada por ação contundente. Os peritos identificaram ao todo 23 lesões no corpo da criança.
Com a proximidade do julgamento, novos pedidos e questionamentos devem continuar sendo apresentados pelas partes envolvidas, enquanto o caso segue despertando grande atenção pública e expectativa sobre os desdobramentos na Justiça.





