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Nova prisão leva Rodrigo Bacellar para Bangu 8, presídio de políticos

Foto: Reprodução
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A prisão leva Rodrigo Bacellar para Bangu 8 após o ex-deputado estadual ser detido novamente em uma nova fase de investigações conduzidas pela Polícia Federal. A medida foi cumprida na última sexta-feira, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, e integra um desdobramento de apurações em curso.

A ordem de prisão foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que apontou indícios de envolvimento em organização criminosa e tentativa de interferência em investigações sigilosas. Após a detenção, Bacellar foi levado à Superintendência da Polícia Federal, na Zona Portuária, antes de ser encaminhado ao sistema prisional.

O destino foi o presídio de Bangu 8, na Zona Oeste, conhecido por receber políticos e figuras públicas investigadas em casos de grande repercussão. Ao longo dos anos, nomes como Sérgio Cabral, Anthony Garotinho, Eduardo Cunha e Roberto Jefferson já passaram pela unidade. Atualmente, o local também abriga Domingos Brazão, condenado como um dos mandantes da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A nova prisão ocorre dentro da terceira fase da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sobre ações policiais contra o Comando Vermelho. Além da prisão, agentes federais também cumpriram mandados de busca e apreensão.

Segundo as investigações, teria havido divulgação antecipada de operações, o que poderia ter comprometido o cumprimento de mandados judiciais e favorecido alvos das ações. O caso está inserido no contexto da ADPF das Favelas, que estabelece diretrizes para operações de segurança pública no estado.

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes destacou elementos que indicam possível atuação para frustrar investigações, incluindo orientação para remoção de provas e esvaziamento de locais que seriam alvo de ações policiais. O magistrado também apontou risco à ordem pública, considerando a influência política do investigado.

Outro fator considerado foi a recente cassação do mandato de Bacellar pelo Tribunal Superior Eleitoral, no contexto de investigações relacionadas ao escândalo do Ceperj. A perda do cargo foi apontada como um elemento que reforça a necessidade da prisão preventiva.

A decisão do TSE prevê a exclusão dos votos obtidos pelo ex-deputado nas eleições de 2022 e a realização de nova totalização, o que pode impactar diretamente a composição da Assembleia Legislativa do Rio.

Bacellar já havia sido preso anteriormente, em dezembro do ano passado, também no âmbito da mesma operação, mas acabou liberado poucos dias depois mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

A defesa do ex-parlamentar contesta a nova prisão. Em nota assinada pelos advogados Daniel Bialski e Roberto Podval, os representantes afirmaram que a medida é injustificada.

“A defesa desconhece completamente os motivos dessa nova prisão decretada, mas ainda assim a classifica como indevida e desnecessária, já que nosso cliente vinha cumprindo fiel e completamente todas as medidas cautelares impostas. Portanto, irá contestar e recorrer para que seja revista e revogada o quanto antes”, diz o comunicado.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, as investigações apontam que informações sobre operações contra o Comando Vermelho teriam sido repassadas ao Legislativo fluminense por um integrante do Judiciário. Bacellar é suspeito de vazar dados de uma ação da Polícia Federal para um dos principais alvos da operação.

E enquanto o caso avança na Justiça, novos desdobramentos podem surgir a qualquer momento e ampliar ainda mais o impacto político dessa investigação.

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