Soube que, no dia 5 de maio, minha amiga Juliana Cochifel deu à luz a Eva, bebê arco-íris que está nos enchendo de alegria. Gerar um novo ser é sentir um misto de êxtase e de medos. Como farei para continuar a trabalhar? Será que serei uma boa mãe? Serei um bom exemplo para minha filha? Esses e muitos outros questionamentos povoam a mente de uma recém-mãe! Sim, como sempre gosto de abordar assuntos linguísticos, quero aqui empregar uma expressão que somente observo ser usada em relação ao recém-nascido. Pensei em inovar e em empregar, com a ajuda do processo de formação de palavras chamado derivação prefixal, o termo “recém-mãe”.
Relembro aos leitores a existência de processos de formação de palavras, que podem ser 1) por derivação, quando a um único radical acrescentamos afixos, ou seja, prefixo ou sufixo. Para exemplificar a derivação prefixal, há ” pré-natal, recém-nascido” . Já para exemplificar a derivação sufixal, trago “incansavelmente”, referindo-me à condição da mãe com a chegada do bebê. Um exemplo de derivação prefixal e sufixal, que povoa o campo semântico de uma mãe, é saber que ” infelizmente”, não será possível ver o “amanhecer” (exemplo de derivação parassintética, em que há junção do prefixo e do sufixo) depois de uma noite sem dormir. A recompensa é o “olhar” (derivação imprópria, em que o verbo”olhar” foi usado como substantivo) daquele tão frágil ser… O que dizer? 2) por composição, quando há união de dois ou mais radicais, formando um novo verbete, como em “má-criação (que infelizmente é frequente); arco-íris, que, neste contexto, se refere ao filho que nasce após a mãe perder um anterior, ou seja, o primogênito. Este vocábulo formado por (primeiro+ gênio/gerado) serve para apresentar a vocês, meus caros leitores, outro processo de formação chamado composição por aglutinação, quando há perda fonética de parte de um dos radicais. A composição é dividida em justaposição (arco-íris), e em aglutinação, como em ” embora”, que significa em+boa+hora, momento de alívio para os pais ao contarem a hora para certas visitas saírem.
Outros processos há, tais como a onomatopeia, exemplificada pelo ” tic-tac” do relógio, indicando a hora de amamentação do bebê; a abreviação ou redução, existente no hábito de fazer “foto” do dia a dia do recém-nascido; a siglonimização, ou seja, a formação de siglas, como em “CPF”, que atualmente consta da certidão de nascimento dos nupercidadãos (um outro caso de derivação prefixal); o neologismo, existente na palavra “deletar”, ato que precisa ser feito pela mãe, ao ouvir tantas orientações para suas dores e conflitos nessa fase tão delicada. Não importa o processo de formação usado, já que é sabido que “todas as mães são felizes”, segundo Cazuza, único filho de Lucinha Araújo. Ressalto que o adjetivo usado para os filhos únicos, em que incluo minha doce e amada Amanda, é “unigênito”, termo específico a Jesus Cristo, Filho único de Deus. Não à toa “ser mãe é padecer no paraíso”!





