Por Fernanda Lessa
A tarde caía mansa em Botafogo; mas, no interior do salão, o tempo parecia ter suspendido o seu curso natural para dar lugar à pura comunhão estética. Não era apenas uma reunião formal do Rede Sem Fronteiras, tampouco um protocolo a ser cumprido; era um banquete lírico, no qual as palavras e as notas musicais foram servidas como o mais fino deleite para a alma.
Desde o primeiro instante, a atmosfera foi tomada por uma elegância sutil e acolhedora. A presidente, com sua postura irretocável e sensibilidade aguçada, ao selecionar os convidados que formaram a mesa, tinha um objetivo: fazer cada presente emocionar-se com tantas produções literárias por aqueles apresentadas. Fomos todos nós reportados para um universo onde habitam sentimentos sublimes dos principais poetas portugueses. Pela impecável atuação de Valentim, adentramos o universo de Florbela Espanca e de Fernando Pessoa. Idalina Gonçalves, com seu lindo sotaque português, falou de Cecília Meireles e até de Timor-Leste. Aproveitou o momento para enfatizar o respeito que devemos ter tanto ao hino quanto à bandeira nacional. Com ela concordo em número e grau.
Em seguida, Angela Guerra, acompanhada por Antônio, presenteou-nos com uma belíssima apresentação de fados. Senti-me lisonjeada em receber tamanho banquete em meu aniversário! E com todos partilhei minha surpresa em conhecer mais um dos múltiplos dons de nossa Presidente Ângela Guerra, uma cantora excepcional!
E o que dizer de Nina Fernandes e de sua voz magistral? Igual a ela nunca vi igual!
Esse banquete celestial aguçou em muitos dos presentes a vontade de também ir à frente declamar poemas e canções envolventes.
Na voz da ilustre CEO, Ana Cristina Campelo, Maria Bethânia surgiu. As apresentações só cresciam, com direito à leitura de produções autorais cujo tema era a mãe. A emoção reinou naquelas mais de duas horas em que a vida lá fora perdeu o sentido. Nesse misto de emoções, todos nós saímos inebriados e com a certeza de que “juntos, somos mais fortes”.





