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TrensRJ demite cerca de 100 funcionários e troca gestora de fundos

Foto: Digleison Silva
Foto: Digleison Silva

A TrensRJ anunciou a demissão de cerca de 100 funcionários e informou que vai trocar a gestora dos fundos de investimento ligados à concessionária. A decisão ocorre no início da operação definitiva do novo grupo responsável pelos trens metropolitanos do Rio de Janeiro.

Nesta segunda-feira (1º), o Consórcio Nova Via Mobilidade comunicou o rompimento do contrato com a Planner, corretora que administrava os fundos de investimento relacionados ao grupo vencedor da licitação dos trens.

A decisão foi tomada após a divulgação de informações sobre a relação da corretora com os novos operadores do sistema. A Planner é investigada por suspeita de envolvimento em operações financeiras ligadas ao Rioprevidência e a ativos do Banco Master.

Segundo apurações da Polícia Federal, as operações investigadas movimentaram cerca de R$ 4 bilhões. Os investigadores apuram se a corretora atuou como intermediária nas transações e se parte dos aproximadamente R$ 20 milhões pagos em taxas de corretagem teria retornado aos responsáveis por uma suposta fraude.

Com o fim da parceria, o consórcio informou que busca uma nova instituição para administrar os fundos que sustentam a operação da concessionária. A troca acontece no primeiro dia útil após a empresa assumir oficialmente a gestão da rede ferroviária, substituindo a SuperVia, que operou o sistema por quase três décadas.

Além da mudança financeira, a concessionária comunicou internamente o desligamento de cerca de 100 trabalhadores. Entre os profissionais demitidos estão maquinistas e funcionários da área de manutenção, setores considerados estratégicos para a operação ferroviária.

Em nota, o consórcio afirmou que os cortes representam menos de 2,5% do quadro total de empregados. A empresa declarou que a medida integra uma política voltada à preservação da maior parte dos postos herdados da antiga concessionária, ao mesmo tempo em que busca ampliar a eficiência operacional.

A nova operadora também divulgou os primeiros resultados do diagnóstico feito na malha ferroviária. De acordo com a TrensRJ, foram identificados 178 ferros-velhos localizados em um raio de até dois quilômetros das linhas férreas.

As informações foram enviadas à Polícia Civil, que investiga furtos de cabos, trilhos e outros materiais usados no sistema ferroviário. O objetivo é auxiliar as autoridades no combate a crimes que prejudicam a circulação dos trens.

Desde o início da operação definitiva, no último sábado (31), a concessionária também passou a monitorar 97 pontos considerados críticos da malha por meio de drones. A iniciativa busca ampliar a vigilância e reduzir ocorrências de vandalismo, invasões e furtos de equipamentos.

Apesar das mudanças nos bastidores, os passageiros não devem perceber alterações imediatas no serviço. A TrensRJ informou que, neste primeiro momento, horários, itinerários e estações atendidas pela rede ferroviária permanecem inalterados.

A estreia da nova concessionária ocorre sob pressão, entre a necessidade de reorganizar a operação e a expectativa de melhoria em um sistema que carrega anos de problemas estruturais.