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Há oito décadas ao lado de quem enfrenta o câncer pelo SUS na Zona Norte do Rio

Foto: Divulgação
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Fundado em 1944 por Mário Kroeff idealizador do Serviço Nacional de Câncer, que deu origem ao INCA. O Hospital Mário Kroeff é a maior prestadora privada e filantrópica de serviços oncológicos ao SUS no estado do Rio e bateu recorde de atendimentos em 2025, sustentado por uma equipe multidisciplinar que cuida do paciente muito além do diagnóstico.

Rio de Janeiro, julho de 2026 — Na Penha, Zona Norte do Rio, funciona um dos endereços onde o tratamento do câncer chega a quem mais depende do sistema público. É ali que fica o Hospital Mário Kroeff, instituição filantrópica fundada em 1944 e hoje a maior prestadora privada e filantrópica de serviços oncológicos ao SUS no estado do Rio de Janeiro, com 100% da capacidade voltada ao atendimento público. Em 2025, o hospital registrou o maior volume de atendimentos de sua história: mais de 70 mil procedimentos, entre cirurgias, radioterapias, quimioterapias, consultas clínicas e exames.

Entre os números do ano, um se destaca: as primeiras consultas oncológicas, quando o paciente chega para enfrentar o diagnóstico pela primeira vez, cresceram 165,69% em relação a 2024. O avanço reflete a retomada da capacidade do hospital após um processo de reestruturação e, principalmente, mais gente conseguindo começar o tratamento a tempo, o que, na oncologia, costuma ser a diferença entre a cura e o cuidado paliativo.

Um legado que nasceu com a luta contra o câncer no Brasil

A história do hospital começa em 1891, no Rio Grande do Sul, com o nascimento do médico Mário Kroeff, que dedicou a vida ao combate ao câncer numa época marcada por silêncio e estigma em torno da doença. Ele dirigiu o primeiro centro oficial de combate ao câncer do país que deu origem ao INCA e, em 1944, fundou na Penha o Asilo dos Cancerosos, instituição que décadas depois passaria a levar seu nome.

Hoje sob gestão da Fundação Severino Sombra (FUSVE), o Mário Kroeff passou nos últimos dois anos por uma reestruturação que recuperou sua capacidade de atendimento. Em 2025, as consultas cresceram 72,22%, as cirurgias pelo SUS 27,66%, a quimioterapia 40,88%, a hormonioterapia 7,59% e a radioterapia 32,63%, resultado de uma estrutura que reúne Oncologia, Mastologia, Ginecologia, Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Urologia e Cirurgia Geral e Plástica, integradas a Psicologia, Nutrição, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Serviço Social

Nossa missão vai além de oferecer o que há de mais moderno na medicina para os pacientes com câncer. No Mário Kroeff, o acolhimento é uma ferramenta terapêutica tão importante quanto a tecnologia. Sabemos que o tratamento eficaz nasce de um atendimento humanizado, no qual o paciente é visto em sua totalidade”, afirma o Dr. Silvio Silva Fernandes, diretor clínico do hospital.

Na prática, o cuidado não termina na prescrição. Enquanto o oncologista define o tratamento, a psicologia acompanha o impacto do diagnóstico, a nutrição sustenta o corpo durante a quimioterapia e a radioterapia, a fisioterapia cuida da recuperação, a fonoaudiologia atua nos casos de cabeça e pescoço e o serviço social ajuda a família com a burocracia e as dificuldades que o câncer impõe. É o que a instituição chama de olhar 360º sobre o paciente.

Meiry Candido, 38 anos, carinhosamente apelidada de Meyrinha, é uma das pacientes atendidas pelo Hospital Mário Kroeff e resume, em poucas palavras, a força do acolhimento oferecido pela equipe multidisciplinar da instituição. Diagnosticada com câncer de mama metastático, ela encontrou no hospital em dezembro de 2025 não apenas tratamento, mas também esperança e a força para seguir em frente. Confira o depoimento da paciente:

“Que Deus me dê uma luz. Assim que nasci, ele já disse: essa menina vai longe!E quando achei que estava voando, fui travada pelo diagnóstico. Conheci um lado meu que eu não conhecia, que hoje apelido de força. Quando você escuta a palavra ‘não tem cura’, o mundo desaba. Você fica se perguntando: vou morrer amanhã? E quando cheguei aqui, foi totalmente o contrário. Fui recebida pelo Dr. Lucas, meu oncologista, que me disse: ‘Meiry, se você voltar para casa hoje e se entregar, você realmente vai morrer amanhã. Mas se continuar com essa força de viver, minha filha, eu vou te ver aqui por muito tempo.’ Saí dali feliz.

Quando comecei o tratamento, a equipe de enfermagem foi essencial, sou muito grata a todos que me deram esse suporte emocional, porque quando a gente chega aqui, chega abalada, destruída, achando que vai morrer amanhã. Vai ter medo, sim. A gente desaba, mas não é o fim. Parei de me perguntar e comecei a dizer: ‘Tá bom, Senhor, vamos lá. O que o Senhor quer que eu faça?’ Passei pelas quimioterapias, que não foram fáceis. Perdi o cabelo, fiquei quase careca. Mas cada fio que nasce de novo tem um nome, chamado de Manu, de Alice, de Sônia. Cada etapa teve um nome. É sinônimo de força mesmo.

E hoje tiro fotos sem medo, sem vergonha, porque aqui em cima está nascendo cabelo novo. Para mim, é uma vitória. O meu nome agora é gratidão muito obrigada a todos, ao hospital, a todos que me receberam aqui com tanto amor.”

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