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Mãe Beata de Iemanjá: fé, cultura e resistência

Foto_ Reprodução_ Mazé Mixo Extra

Ialorixá, escritora e ativista baiana construiu no Rio de Janeiro uma trajetória marcada pela defesa da cultura afro-brasileira, dos direitos humanos e da liberdade religiosa

Beatriz Moreira Costa, conhecida como Mãe Beata de Iemanjá, foi uma das importantes lideranças do candomblé no Brasil. Nascida em 20 de janeiro de 1931, em Cachoeira de Paraguaçu, no Recôncavo Baiano, ela construiu uma trajetória marcada pela espiritualidade, pela preservação da cultura afro-brasileira e pela luta contra o racismo, o sexismo e a intolerância religiosa.

Ainda jovem, mudou-se para Salvador, onde passou a conviver com o universo do candomblé. Em 1956, foi iniciada por Mãe Olga do Alaketu, importante liderança religiosa da Bahia. A experiência com a tradição dos terreiros seria fundamental para sua formação espiritual e para o trabalho que desenvolveria nas décadas seguintes.

Em 1969, já separada e mãe de quatro filhos, Mãe Beata deixou a Bahia e foi para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Na nova cidade, trabalhou em diferentes atividades, como empregada doméstica, manicure, cabeleireira, costureira e artesã. Também trabalhou como figurante e costureira na televisão.

Sua história ganhou um novo capítulo em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em 1985, fundou o terreiro Ilê Omiojuarô, em Miguel Couto, que se tornou um espaço de preservação da cultura, da religião e dos saberes de matriz africana. O terreiro também passou a ser reconhecido por sua atuação social e pela resistência diante da discriminação religiosa e racial.

Além da liderança religiosa, Mãe Beata atuou em diversas causas sociais. Participou de ações relacionadas aos direitos humanos, à educação, à saúde, à defesa do meio ambiente e ao enfrentamento do racismo e do sexismo. Também presidiu a organização Criola, voltada à defesa dos direitos das mulheres negras.

A escrita foi outra forma encontrada por Mãe Beata para preservar conhecimentos transmitidos pela tradição oral. Entre suas obras estão Caroço de Dendê – a sabedoria dos terreiros, publicado em 1997, e As histórias que minha avó contava, de 2005. Seus livros ajudaram a registrar histórias, ensinamentos e memórias ligadas à cultura afro-brasileira.

Reconhecida por sua contribuição cultural e social, Mãe Beata recebeu homenagens ao longo da vida, incluindo o Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, em 2014, quando foi considerada Patrimônio Vivo. Em 2015, o terreiro Ilê Omi Oju Aro recebeu reconhecimento do Iphan como patrimônio cultural.

Mãe Beata morreu em 27 de maio de 2017, aos 86 anos, em Nova Iguaçu. Sua trajetória permanece como referência de resistência, preservação da memória e valorização da cultura afro-brasileira. Seu legado ultrapassa os limites do terreiro e permanece presente na literatura, na luta pelos direitos humanos e na defesa da liberdade religiosa.

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