O transplante de córnea no Rio passou a ser realizado pela rede municipal de saúde, marcando um avanço significativo no atendimento oftalmológico da cidade. O procedimento foi realizado pelo Centro Carioca do Olho (CCO), localizado em Benfica, na Zona Norte, após a unidade receber habilitação para oferecer cirurgias de alta complexidade.
Considerado o maior centro oftalmológico da América Latina, o CCO integra o complexo do Super Centro Carioca de Saúde e se torna a primeira unidade municipal a disponibilizar o transplante de córnea. A cirurgia consiste na substituição parcial ou total da córnea por um tecido saudável de doador, sendo indicada para restaurar a visão em casos graves, como ceratocone avançado, cicatrizes e infecções.
A primeira paciente a passar pelo procedimento foi Aline Domingues, de 45 anos, diagnosticada com ceratocone. Durante cerca de dez anos, ela buscou atendimento em diferentes unidades especializadas e chegou a entrar na fila para a cirurgia sem ser chamada. Neste ano, foi encaminhada ao CCO, onde exames e consultas confirmaram a necessidade do transplante em ambos os olhos.
A cirurgia foi realizada no dia 10 de março e teve duração aproximada de uma hora e meia. A paciente recebeu alta pouco depois do procedimento e continuará sendo acompanhada ambulatorialmente pelos próximos meses. Em depoimento, Aline destacou a importância do tratamento: “Meu problema de visão trouxe outras doenças, tive que parar de trabalhar e ser dependente das pessoas ao meu redor. Agora, tenho tratamento de excelência. Eu vou ter a chance de voltar a viver, sair sozinha, não pegar ônibus errado por não conseguir enxergar, poder retomar aos poucos a normalidade da minha vida.”
Para a realização do transplante, o Centro Carioca do Olho precisou atender a critérios técnicos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes, vinculado ao Ministério da Saúde. Entre as exigências estão a presença de equipe especializada, estrutura cirúrgica adequada, rastreabilidade do tecido, integração com banco de olhos e acompanhamento pós-operatório.
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado, ressaltou o impacto da iniciativa para o Sistema Único de Saúde (SUS). “Estamos falando de um dos procedimentos com maior taxa de êxito no pós-cirúrgico do paciente, capaz de transformar vidas, e que agora é oferecido na rede municipal. Trata-se de um avanço fundamental para o Sistema Único de Saúde da cidade.”
No estado do Rio de Janeiro, a regulação dos transplantes é realizada pelo Programa Estadual de Transplantes, responsável pela distribuição dos tecidos às unidades credenciadas. Por protocolo, o procedimento é realizado em um olho por vez.
O coordenador geral do Super Centro Carioca de Saúde, Alexandre Modesto, destacou que a ampliação da capacidade cirúrgica do CCO contribui para reduzir o tempo de espera dos pacientes. “O grande desafio do estado é a captação do tecido, mas, sem dúvida, a disponibilidade das dez salas cirúrgicas do Centro Carioca do Olho para a realização desta cirurgia amplia a agilidade, a qualidade e a segurança dos transplantes.”
Para ter acesso ao procedimento, o paciente deve ser inserido no Sistema Nacional de Transplantes por indicação médica, após avaliação clínica especializada. A porta de entrada é a rede de Atenção Primária, composta por centros municipais de saúde e clínicas da família, onde o paciente é encaminhado para exames e consultas necessárias.





