Fundado por Amir Haddad, tradicional grupo de teatro do Rio realiza oficina gratuita de cordel, com vagas afirmativas para pessoas trans, pretas, indígenas, periféricas e com deficiência
De 12 de maio a 20 de junho, o Grupo Tá na Rua, um dos mais tradicionais coletivos de teatro popular do Rio de Janeiro, realiza a oficina “Cordel de Santo Antônio”, em sua sede, na Lapa. A atividade integra o projeto Tá na Rua 45 Anos – Reciclando as Estruturas, contemplado pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, e acontece às terças-feiras, das 19h às 22h, e nos sábados 23 de maio, 6 e 20 de junho, das 10h às 13h. Com vagas limitadas, a oficina contará com ações afirmativas destinadas a pessoas trans, travestis, não-binárias, pessoas pretas, indígenas, periféricas e pessoas com deficiência.
A proposta parte da tradição dos cordéis dentro da linguagem desenvolvida pelo Tá na Rua desde sua origem. Ao longo da oficina, os participantes irão mergulhar na construção do espetáculo “Cordel de Santo Antônio”, narrativa que mistura cultura popular, música, poesia e teatro de rua para contar a história de Antônia, jovem sertaneja que, após perder a mãe ainda na infância, parte em direção ao mar guiada por Santo Antônio em uma jornada marcada pelo encantamento, pelas transformações e pelas brincadeiras do destino.
Os cordéis ocupam lugar central na formação artística do grupo e fazem parte de seus processos criativos desde a fundação da companhia por Amir Haddad. Segundo a co-fundadora, coordenadora e curadora do Tá na Rua, Ana Carneiro, a linguagem do cordel dialoga diretamente com um dos pilares do coletivo: a presença do lúdico e do popular como formas de olhar para a vida e para a cena teatral.
“Um ponto importante da linguagem do Tá na Rua é a presença do lúdico, da brincadeira. E as histórias de cordel são sempre assim, transformando situações duras da vida dos personagens em histórias mirabolantes, cheias de reviravoltas, de acontecimentos que beiram o encantamento. São histórias que olham a vida como uma grande aventura, que às vezes é vivida até com sofrimentos, dores, mas sem drama. Porque se sabe que, de alguma forma, por algum caminho, a transformação virá”, pontua Ana Carneiro.
A oficina também reforça a relação histórica do Tá na Rua com a cultura popular brasileira. Os cordéis, tradicionalmente narrados em feiras e praças pelos poetas cordelistas, tornam-se elo fundamental entre o grupo e os saberes populares construídos na vida cotidiana.
“A relação com a cultura popular traz para o interior da cena a sabedoria que vem do povo, na lida com a vida, seja nos momentos de dor, seja na alegria das festividades. E o cordel é produto dessa cultura. Seus autores narram os acontecimentos por meio de seus cantares, em feiras e praças, em contato direto com os atores e com todos que assistem à apresentação”, explica Ana.
A oficina se encerra com a apresentação pública do espetáculo de rua “Cordel de Santo Antônio”, marcado pela musicalidade e pela interação direta com os passantes nas ruas da Lapa.
As inscrições, gratuitas, podem ser feitas pelo formulário: Link
SERVIÇO
Oficina “Cordel de Santo Antônio”
Data: 12 de maio a 20 de junho
Horário: terças-feiras, das 19h às 22h, e nos sábados 23 de maio, 6 e 20 de junho, das 10h às 13h
Local: Sede do Grupo Tá na Rua
Endereço: Av. Mem de Sá, 35 – Lapa
Inscrição: Link





