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Câncer de mama supera o de pulmão e passa a ser o mais comum no mundo

O câncer de mama já supera o de pulmão e passou a ser o mais comum em todo o mundo, segundo a Agência Internacional para a Investigação do Câncer, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Conforme o órgão, o número de novos casos de câncer de mama em 2020 representou 11,7% do total de todos os diagnósticos da doença no ano.

A Agência aponta que em todo o ano passado foram diagnosticados mais de 2,2 milhões casos de câncer de mama, que acontece devido à multiplicação de células anormais no tecido mamário.

A doença acomete quase que exclusivamente mulheres, mas os homens também podem apresentar. Embora muitos tipos de câncer de mama possam apresentar-se como um nódulo, nem todos o fazem dessa forma. Existem outros sinais e sintomas que, quando percebidos, devem ser comunicados imediatamente ao médico. O diagnóstico precoce é essencial para a cura da doença.

Com 11,4% do total, o câncer de pulmão aparece agora como o segundo mais diagnosticado, mas continua a ser o tipo de câncer que mais mata pessoas em todo o mundo.

Em 2020, o câncer de pulmão foi responsável pela morte de quase 1,8 milhão de pessoas, 18% do total de mortes por câncer. E se o da mama foi o mais diagnosticado em 2020, é apenas o quinto na lista dos que mais matam, depois do de pulmão, colorretal, fígado e estômago.

Conforme os especialistas, uma das razões para que o câncer de mama tenha se tornado de maior incidência pode estar relacionado a fatores sociais como o envelhecimento da população, a maternidade cada vez mais tardia ou outras situações como a obesidade, o sedentarismo, consumo de álcool ou dietas consideradas inadequadas.

De acordo com os dados da OMS, é possível verificar que o câncer de próstata foi, no ano passado, o terceiro mais diagnosticado. A doença é, no entanto, a oitava em relação ao número de mortes. No ano passado perderam a vida com câncer de próstata 370 mil pessoas.

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Morre aos 28 anos de idade, voluntário brasileiro que participava dos testes da vacina contra Covid-19 em Oxford

O médico brasileiro João Pedro Feitosa voluntário dos testes clínicos da vacina desenvolvida pela Universidade Oxford e pelo laboratório AstraZeneca, morreu por complicações de covid-19 na última quinta-feira (15), segundo informou o jornal O Globo nesta quarta (21).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi informada oficialmente da morte nesta segunda (19). Até o momento, não foi divulgado se o voluntário recebeu uma dose placebo ou uma dose do imunizante desenvolvido pelo laboratório.

O médico voluntário tinha 28 anos e, desde março, participava do atendimento de pacientes infectados pelo novo coronavírus em UTIs e emergências de um hospital privado e em outro da rede municipal no Rio de Janeiro. João Pedro não tinha comorbidades e, segundo o jornal O Globo, tomou uma dose da AstraZeneca/Oxford no fim de julho. Ele ficou doente em setembro, o quadro se agravou e ele morreu no mês de outubro.

Ex-aluno de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde se formou em 2019, ele era muito querido por colegas e professores.

Investigação
A Anvisa informou que o caso está sob investigação. O Comitê Internacional de Avaliação de Segurança sugeriu o prosseguimento dos estudos com a vacina.
Em nota, a Anvisa disse que “com base nos compromissos de confidencialidade ética previstos no protocolo, as agências reguladoras envolvidas recebem dados parciais referentes à investigação realizada por esse comitê, que sugeriu pelo prosseguimento do estudo. Assim, o processo permanece em avaliação.”
Com informações: Correio2hh

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Cirurgia Robótica – Especialista explica as vantagens em tempos de pandemia

Por Alessandro Monteiro

A cirurgia robótica na urologia é hoje uma técnica importante que reduz o tempo de permanência do paciente em um centro cirúrgico, é menos invasiva e garante uma recuperação mais rápida. O mercado de cirurgia robótica no país apresenta números importantes. No Brasil, em 2018, foram realizados mais de 8 mil procedimentos em todo o território nacional antes 450 cirurgias realizadas em 2011, aponta o estudo da Intuitive Surgical.

Especialista no assunto, o Dr. Raphael Rocha é um dos pioneiros da técnica no país. Rocha participou da implementação da cirurgia robótica no Hospital Samaritano, estabelecendo o pioneirismo da técnica no Rio de Janeiro. Hoje, acumula experiência de mais de 1.000 procedimentos robóticos realizados com total segurança para os pacientes.

  • Quais as aplicações da Cirurgia Robótica na medicina?

A cirurgia robótica hoje basicamente é utilizada para fazer as principais cirurgias das diversas especialidades médicas, entre elas ginecologia, cirurgia geral, coloproctologia, cirurgia torácica e na minha especialidade, a urologia. Essas cirurgias, as principais feitas por robô, são as cirurgias oncológicas e, na urologia, a principal de tratamento de próstata, que é a remoção feita por robô. Mas é uma tecnologia usada para remoção de outros tipos de câncer, como intestino ou útero e cirurgias reconstrutivas dentro da cavidade abdominal e dentro da cavidade torácica.

  •  Afinal, o Robô opera sozinho?

O robô não opera sozinho. Na verdade, ele é um instrumento tecnológico que reproduz com precisão todos os movimentos da mão do cirurgião na ponta de pinças bastante delicadas, além de prover uma visão tridimensional do campo cirúrgico, onde o cirurgião consegue enxergar dentro da cavidade abdominal ou torácica.

  • A Cirurgia Robótica pode ser utilizada em qualquer cirurgia da Urologia?

A cirurgia robótica pode ser usada em câncer de rins, próstata, bexiga, na cirurgia reconstrutiva. Hoje se consegue por meio da cirurgia robótica quase todas as cirurgias da urologia. As únicas que não são feitas por robô são as cirurgias de cálculo renal, que são feitas por via endoscópica.

  • Quais os principais benefícios do uso da Cirurgia Robótica?

Os principais benefícios da cirurgia robótica são, por exemplo, o de promover melhor efeito cosmético se comparado a uma cirurgia convencional, já que são feitos “furos” de oito milímetros no abdômen para o procedimento. Há, claro, o benefício médico, com menor sangramento e menor tempo de hospitalização, além de uma recuperação mais precoce e um retorno mais precoce às atividades laborais. Outro ponto positivo está no fato de haver menos dor, menos chances de hérnia. Nas cirurgias de retirada de próstata temos também trabalhos demonstrando melhor benefício em relação ao retorno precoce dos resultados funcionais.

  • Quais as limitações na utilização desse tipo de cirurgia?

As limitações para esse tipo de procedimento, do ponto de vista de acesso, seriam mais pelo fato de o paciente não ter um convênio que interne em um hospital que tenha o robô e também a limitação de um cirurgião. Existem cirurgias mais complexas e não são todos os cirurgiões aptos a fazer. No meu caso, faço todas as cirurgias que podem ser feitas por robô.

  • É possível destacar alguma outra tecnologia de ponta vindo por aí?

Em relação a tecnologias que estão vindo, vale dizer que o robô é uma plataforma integrativa e não só uma ferramenta cirúrgica. Há uma grande inteligência artificial vindo, plataformas de realidade aumentada, softwares programados para que o exame do paciente seja integrado dentro do robô, de forma que, durante a cirurgia, você consiga ver em tempo real e em sobreposição de imagens, por exemplo, o tumor do paciente, diminuindo a chance de complicações.

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Após seis meses, o que se sabe sobre a covid-19?

Por Sandro Barros

As autoridades chinesas anunciaram pela primeira vez que um novo vírus estava se propagando na cidade de Wuhan na segunda semana de janeiro desse ano. Passados seis meses, trazemos um levantamento sobre a evolução do vírus Sars-Cov-2 em pandemia e os esforços para debelar a covid-19.

A origem

Quando as autoridades anunciaram a existência do vírus, a primeira infecção de uma pessoa por um vertebrado já havia acontecido há várias semanas.

Inicialmente, as autoridades aparentemente tentaram eliminar pistas. Até hoje, não está claro exatamente quando e onde o vírus passou de um animal para humanos. É possível que a transmissão tenha acontecido de um morcego para um hospedeiro intermediário, talvez um cão-guaxinim, e depois para os humanos.

O vírus

Os virologistas chineses decodificaram as informações genéticas do patógeno em tempo recorde. Já em 21 de janeiro, eles publicaram a estrutura do genoma e, três dias depois, uma descrição exata do vírus. Isso permitiu que médicos e microbiologistas em todo o mundo começassem o desenvolvimento de remédios e vacinas.

A característica do vírus é a enzima conversora de angiotensina ACE-2 ─ sigla do nome em inglês ‘angiotensin-converting enzyme 2’ ─, que está em sua superfície. Essa proteína é crucial para a ligação à célula hospedeira. Por isso, grande parte da busca por medicamentos e vacinas concentra-se na forma de tornar esta proteína ineficaz.

A transmissão

Estudos concluíram que o vírus se aloja particularmente na garganta e nos pulmões. Os maiores riscos de contaminação são o contato e aerossóis. Especialmente sistemas de ar condicionado são perigosos. Também salas fechadas com muitas pessoas devem ser evitadas. É por isso que as medidas de isolamento, com o fechamento de locais de entretenimento, o cancelamento de feiras e eventos importantes, também foram utilizadas para conter a epidemia. As cadeias de infecção maiores podem ser rastreadas até os chamados eventos de contaminação super-rápida ─ ‘superspreader’, do inglês.

O uso da máscara bucal foi adotado em quase todos os países do mundo. No entanto, muitos médicos questionam se a maioria das pessoas é realmente capaz de usá-la na vida cotidiana de forma a impedir uma possível transmissão do vírus. Lavar as mãos com frequência, manter distância de outras pessoas e ventilar os locais em que nos encontramos continuam sendo medidas importantes. Mesmo que alguns animais de estimação, como gatos, possam se contaminar com humanos, eles não desempenham um papel relevante nas cadeias de infecção.

Sintomas e grupos de risco

Inicialmente, circulou a tese de que o novo coronavírus não é mais perigoso do que uma gripe sazonal. Hoje, no entanto, sabe-se que a covid-19 se assemelha à devastadora gripe espanhola de 1918. Embora muitas pessoas contaminadas não apresentem sintomas da doença, a infecção por Sars-Cov-2 pode atingir outros pacientes de forma arrasadora, causando sua morte. Os grupos de risco são pessoas com doenças anteriores, idosos, portadores do grupo sanguíneo A e homens.

Patologistas que examinaram as vítimas de covid-19 confirmaram que pressão alta, diabetes, câncer, insuficiência renal, cirrose hepática e doenças cardiovasculares estão entre as doenças pré-existentes mais perigosas.

Curso da doença

Formas leves de covid-19 podem se manifestar como um resfriado. Típicos são dor de garganta, problemas respiratórios e perda do olfato e do paladar. Por outro lado, os casos mais graves podem levar a uma falência múltipla dos órgãos. Estes geralmente levam à septicemia, uma reação exagerada do sistema imunológico, atacando os próprios tecidos e órgãos.

No decurso grave da doença, é muito importante de que forma o sistema imunológico reage ao patógeno.

O tratamento

No início da pandemia de coronavírus, muitos pacientes graves foram colocados em máquinas respiratórias precocemente e mesmo assim morreram. Atualmente, as unidades de terapia intensiva abdicaram da ventilação padrão porque os pneumologistas viram que a respiração artificial sob pressão nos pulmões mais prejudica do que ajuda. Enquanto os pacientes conseguem respirar, eles recebem oxigênio sem serem conectados a um aparelho respiratório. A intubação é apenas uma opção em emergências extremas.

Em muitos casos, se os rins forem severamente danificados pela covid-19, torna-se necessária a hemodiálise. Os cuidados intensivos exigem uma atenção maior também aos outros órgãos atingidos.

Em clínicas especializadas, a cura pode ser acelerada com a administração de anticorpos do sangue de pacientes que se recuperaram de covid-19. Nesse caso, o sistema imunológico inicia a luta contra o vírus no corpo do paciente que recebeu o sangue. Basicamente, após o tratamento intensivo, os pacientes ainda precisam passar por longas medidas de reabilitação personalizadas, que também consideram as doenças prévias específicas e possíveis danos aos órgãos.

A medicação

Para muitos infectologistas, o único remédio que consegue encurtar o curso da doença é o Remdesivir, que por isso ficou muito concorrido no mercado farmacêutico. Ele consegue reduzir em alguns dias o processo de cura em pacientes que recebem oxigênio, mas isso não quer dizer que ele aumente as chances de sobrevivência.

Entre outros medicamentos em teste estão o anti-inflamatório Dexametasona, o antiviral Avigan e o medicamento para malária cloroquina. A eficácia e a segurança dos dois primeiros medicamentos ainda não foram comprovadas de maneira conclusiva, e ainda existem fortes dúvidas sobre o terceiro.

Quando ocorre a imunidade de grupo?

Cada vez mais gente em volta do mundo está sendo infectada. No final de junho, eram cerca de dez milhões de pessoas. Entretanto, a população mundial de 7,8 bilhões de habitantes ainda está muito longe de uma imunidade relevante.

Também não está claro se os pacientes recuperados permanecerão imunes ao vírus para sempre, mas ao menos um teste sanguíneo ou com a saliva podem fornecer clareza sobre se alguém tem a doença ou se pode contagiar outras pessoas.

Em busca da vacina

Pelo menos 160 pesquisas com vacinas foram iniciadas em todo o mundo até 29 de junho de 2020. Eles são essencialmente divididos em três tipos de vacina: vacinas vivas, vacinas mortas e vacinas de ácido ribonucleico (ARN), baseadas em genes. Este último, no entanto, é um estudo pioneiro porque ainda não existem vacinas permitidas nesse campo.

Há ainda uma vacina contra tuberculose já aprovada, que, no entanto, não é direcionada especificamente contra o Sars-Cov-2, mas fortalece a imunidade básica inata dos seres humanos. Cientistas do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções, em Berlim, estão otimizando geneticamente esta vacina.

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), no final de junho, cinco vacinas estavam na primeira fase de testes em humanos em todo o mundo. A fase 1 é a que trata da segurança da vacina. Sete estão em testes combinados de fase 1 e fase 2, em que também é testada a resposta imune. E apenas uma vacina já está na fase 3, que trata de demonstrar a eficácia contra o patógeno na prática.

Mas quando ela chegará?

Os otimistas esperam que uma vacina viável esteja no mercado até o final do ano. Outros acreditam que isso só acontecerá no próximo ano. De fato, ainda não está claro se e quando será lançada uma vacina contra a covid-19 que seja adequada ao maior número possível de pessoas.

Assim que uma vacina é aprovada, outro desafio é a produção em massa. E aí as vacinas ARN, baseadas em genes, têm a vantagem de poderem ser produzidas relativamente rápido. Empresas farmacêuticas relevantes, como a Serum Institute of India, já estão preparando maiores capacidades de produção, mesmo que ainda não saibam qual ingrediente ativo irão fabricar. (com informações da agência estatal alemã Deutsche Welle)

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A dura rotina dos fisioterapeutas na pandemia

Por Alessandro Monteiro

O Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado do Rio de Janeiro vem buscando levar ao conhecimento da sociedade, a Importância dos fisioterapeutas na linha de frente do combate ao Coronavírus.

Sem esse profissional para manusear o respirador, o paciente pode piorar e até chegar ao óbito. Além disso, no aspecto físico a sua paramentação, ao usar os Epi’s causam muitas dores orelha, nariz e face como um todo, devido ao tempo de uso.

Além das péssimas condições de trabalho, os profissionais também ficam quase seis horas sem ir ao banheiro, para não ter que tirar e colocar toda a roupa de proteção novamente. Na China e Itália por exemplo, muitos profissionais se contaminaram neste momento.

No aspecto mental, os seus receios, medos e ansiedades a flor da pele. Será que hoje eu me contaminei? Posso estar levando hoje risco aos meus familiares? Sabe-que 40% dos profissionais da Europa foram contaminados, e a grande tendência, é que no Brasil isso também ocorra.

Foto: Reprodução

O Crefito-2 vem trabalhando em notificar as autoridades como Presidente, Governador, Ministério Público, Secretarias do Estado e Municipal para mais contratações de Fisioterapeutas e melhores condições de trabalho. De acordo com a Portaria 930 MS, Portaria 895 MS, RDC07 ANVISA, o certo é termos na unidade Intensiva 1 x 10 no cuidado intermediário 1 x 1 (e não estamos tendo essa quantidade), explica Dr. Wilen Heil e Silva, presidente do Conselho.

A dificuldade para esses profissionais só aumenta. Com salários atrasados, plantões sobrecarregados, falta de equipamentos de prevenção, escassez de mão de obra e a omissão da atuação desses profissionais pela mídia, talvez por total desconhecimento de sua importância no controle de pacientes sob ventilação mecânica.

O Jornal Diário do Rio, também fez um bate bola com o Dr. Leonardo Cordeiro – Membro da Câmara Técnica de Fisioterapia Respiratória. Entenda melhor a linha de atuação desses profissionais:

  1. Como visualizar o sucesso da atuação fisioterapêutica para estabelecer um melhor prognóstico para pacientes gravemente enfermos?

R: Recentemente, um estudo publicado no Journal of Critical Care por Oriol Roca et al., sobre um novo índice chamado ROX, que demonstrou a forma de monitorar o desempenho da utilização do CNAF nos casos mais graves de COVID-19 com uma área sob curva ROC  de 0,87 após 12 – 24 horas, quando o valor do índice for igual ou superior a 4,88.

Estamos aplicando esse índice e o mesmo está ajudando a equipe a tomar decisões sobre sucesso e falha da terapia.

  1. A função da fisioterapia mais predominante nessa pandemia é a reabilitação?

R: Durante esse período de pandemia, a maior frente de trabalho está sendo travada pela fisioterapia nas unidades de terapia intensiva nas formas mais graves da doença para evitar a ventilação mecânica como descrito nas respostas anteriores, e também no gerenciamento da ventilação mecânica (VM) para os pacientes que falharam nas condutas de oxigenioterapia ou ventilação não invasiva (VNI). Porém, os pacientes sobreviventes da VM que permaneceram por mais de 7 dias apresentam geralmente miopatias graves, e necessitaram de períodos de reabilitação diariamente por várias semanas.

  1. Como vem sendo a luta para o enfrentamento dessa pandemia?

 R: Acredito que esse período de enfrentamento do coronavírus está ensinando a todos os profissionais a ter mais compaixão, respeito, solidariedade, união e resiliência. Acredito que o resultado será prospero pelo que vejo entre as equipes que participo. Nunca foi tão importante a troca de experiências e busca de novos conhecimentos, no qual resulta em um round multidisciplinar na UTI onde todos contribuem positivamente.

 

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Ana Cristina Campelo | Seus Direitos

Os médicos, direitos e deveres

É direito do médico exercer a Medicina sem ser discriminado por questões de religião, etnia, sexo, nacionalidade, cor, orientação sexual, idade, condição social, opinião política ou de qualquer outra natureza.

É dever do médico utilizar todos os meios disponíveis a seu alcance e orientar sobre sua condição, com a obrigação de “informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento” .

O médico tem o direito a: exercer sua profissão com autonomia, sem sofrer qualquer tipo de discriminação, e ter liberdade e independência para indicar e praticar os atos médicos necessários e os mais adequados e benéficos para os seus pacientes, para a comunidade ou para atender à Justiça; recusar-se a trabalhar em instituições que não ofereçam segurança para os pacientes e recursos mínimos para o desempenho ético e técnico da medicina; recusar-se a atender paciente que por motivos fortes não o queira fazê-lo, ressalvadas as situações de urgência e emergência, estando ele de plantão ou sendo ele o único médico presente na ocasião ou no lugar; recusar-se a pratica de ato médico que, mesmo permitido por lei, seja contrário aos ditames de sua consciência; assistir e tratar todos os doentes que o procurem em seu consultório médico, sem levar em conta seu(s) médico(s) habitual (ais) e as circunstâncias que tenham precedido à consulta; recusar-se a praticar ato médico de responsabilidade de outro médico estando este presente, capacitado e habilitado para fazê-lo na ocasião; intervir em ato médico que esteja sendo realizado ou conduta médica que esteja sendo planejada, ao verificar possibilidade evidente de erro médico e/ou prejuízo e dano ao paciente, sobretudo se mais experiente ou capacitado; recusar-se a atestar falsamente, seja ele médico civil ou militar; manter segredo de paciente seu, somente revelando-o por justa causa, dever legal ou autorização expressa do paciente; orientar outro médico cuja conduta não esteja de acordo com a ética médica e, se necessário, denunciá-lo à Comissão de Ética do hospital ou ao Conselho Regional de Medicina da jurisdição onde o fato se der; ser tratado dignamente e com apreço e consideração pela sociedade; Solidarizar-se com os movimentos de classe evitando, no entanto, prejudicar a assistência médica aos pacientes; assumir a direção técnica e a direção clínica dos estabelecimentos de assistência médica, governamentais ou particulares, civis ou militares. Este é um direito exclusivo dos médicos; receber remuneração digna e justa pelo seu trabalho, seja na forma de salário ou de honorários; ensinar a Medicina nas suas disciplinas básicas, pré-clínicas ou clínicas.

O médico tem o dever de: lutar pelo perfeito desempenho ético da Medicina, pelo prestígio e bom conceito da profissão, aprimorando continuamente seus conhecimentos científicos em benefício dos pacientes, da prática e do ensino médicos; manter absoluto respeito pela vida humana, atuando sempre em benefício do paciente, nunca se utilizando dos seus conhecimentos para gerar constrangimentos ou sofrimentos físicos ou morais ao ser humano; exercer a medicina com ampla autonomia, evitando que quaisquer restrições ou imposições possam prejudicar a eficácia e correção do seu trabalho; evitar que a medicina seja exercida como comércio e que o seu trabalho seja explorado por terceiros, com objetivo de lucro ou finalidade política ou religiosa, prestando especial atenção ao seu trabalho em instituições intermediadoras do trabalho médico, sobretudo naquelas, condenáveis, que estão a serviço do lucro nas medicinas de grupo; manter o sigilo profissional, ressalvadas as situações previstas na Lei ou no Código de Ética Médica; lutar por melhor adequação das condições de trabalho do ser humano, eliminando ou controlando os riscos de poluição ou deterioração do meio ambiente; empenhar-se para melhorar as condições de saúde da população e os padrões dos serviços médicos, assumindo sua parcela de responsabilidade em relação à saúde pública, à legislação e educação sanitárias; solidarizar-se com os movimentos de defesa profissional, sem descurar de assistir a seus pacientes, nunca esquecendo a natureza essencial do seu trabalho; assegurar as condições mínimas para o exercício ético-profissional da medicina, se investido na função de direção; manter para com seus colegas e demais membros da equipe de saúde o respeito, a solidariedade e a consideração, sem no entanto eximir-se de denunciar atos que contrariem os postulados éticos; respeitar as crenças de seus pacientes, tolerando-lhes seus caprichos e fraquezas, evitando alarmá-los por gestos, atos ou palavras; não abandonar os pacientes crônicos ou incuráveis, os tratamentos difíceis ou prolongados e, se necessário, pedir ajuda a outro colega; deixar pacientes em tratamento encaminhados a outro colega, quando ausentar-se; pautar sempre sua conduta às regras da circunspecção, da probidade e da honra; evitar a propaganda imoderada ou enganosa, combater o charlatanismo e evitar associar-se com quem pratique a mercantilização da Medicina; denunciar quem pratique ilegalmente a medicina; cobrar honorários profissionais de quem possa pagá-los, salvo em situações muito especiais ou particulares, não devendo praticar a concorrência desleal; evitar ser perito de paciente seu.

Ao atender um paciente o médico exerce, obrigatoriamente e ao mesmo tempo, seus direitos e deveres. As obrigações do médico para com seu paciente são apenas obrigações de meios, de zelo e de prudência e não de resultados. Esta situação nada mais é do que uma obrigação contratual e para demonstrar que, não cumpridas tais obrigações, o doente deverá provar que houve imprudência ou negligência e o médico procurará verificar se o paciente cumpriu com sua parte no contrato, ou seja, se acatou sua prescrição e recomendações que levariam ao resultado positivo esperado, assim descrito no Manual de Ética Disciplinar.

Em tempos de pandemia a categoria dos médicos tem sido solicitada diariamente a fim de socorrer enorme gama de pessoas contaminadas por este vírus que ainda não tem vacina para combatê-lo. Sabe do imenso valor que esta atividade tem para o ser humano, de um modo geral e, em tempos como os que vivemos, mais ainda.

Estamos a prestar diariamente toda sorte de homenagens a essas pessoas, que abdicando da segurança de suas casas, da companhia de seus familiares, expondo-se a toda sorte de perigos, estão colocando todos os seus esforços para debelar esta maldita doença que literalmente paralisou o mundo inteiro.

O mesmo se diga da valorosa categoria dos enfermeiros, sem os quais na retaguarda das atividades dos médicos esse enfrentamento não poderia ter um desfecho bem-vindo que se espera.

Entretanto, cabe aqui deixar registrado que estes médicos, bem como estes enfermeiros, há muito tempo lidam com hospitais sucateados, sem infraestrutura, totalmente deficitários em todos os sentidos. Não é de hoje que se têm notícias de pessoas internadas, hospitalizadas, durante dias sentadas em cadeiras. A falta de medicamentos, de aparelhos, de leitos, de banheiros limpos e de corredores asseados é realidade por todos nós conhecida de longa data

Estes profissionais, festejados como verdadeiros heróis que são, estão diariamente trabalhando em condições absolutamente precárias, principalmente nas redes públicas federal, estaduais e municipais. Sofrendo toda sorte de restrições, trabalhando sem os equipamentos de proteção (EPI’s), passando horas sem poder ir ao banheiro, sem se alimentar, beber água, sem pausa, sem descanso, sem dormir.

Há ainda conhecimento de que alguns hospitais, tanto da rede privada quanto da rede pública, não estão efetuando o pagamento dos salários, gratificações e vantagens corretamente destas duas categorias. Ao contrário de outro trabalhador, o médico ou enfermeiro que se negam a continuar o trabalho por já ter dado o seu plantão, por já estar trabalhando mais de 12 horas contínuas, sem se alimentar, sem descansar, sem usar o banheiro, são veementes repreendidos pela administração, com ameaças de demissões, retaliações e supressão de pagamentos.

Tem-se conhecimento também de que funcionários, médicos e enfermeiros, passam horas vestidos em seus uniformes, sem a possibilidade de retirá-los para ir ao banheiro, ou mesmo beber um simples copo de água, pois o risco de contaminação é de quase 100%.

Já se tem notícias de vários profissionais da saúde que se contaminaram e alguns faleceram justamente pela ausência dos equipamentos de proteção individual e da completa ausência também de mecanismos que possibilitem exercer o seu mister com o mínimo de segurança possível. São os heróis desta pandemia, são heróis deste caos, são os heróis de todos nós e estão sendo mal remunerados, trabalhando em situação de extrema precariedade ─ como sempre foi ─ e merecem muito mais que os nossos aplausos, muito mais que a nossa admiração. Merecem não ser contaminados, merecem direito a repouso, a descanso, a alimentação, ao retorno em segurança para sua casa.

Merecem respeito, dignidade e salário justo!

Além da situação perversa que estes profissionais-trabalhadores estão covardemente expostos e submetidos, principalmente por conta de sua obrigação profissional, a contaminação, o adoecimento e o falecimento gerarão ainda direito a indenizações de todas as naturezas. Fique de olho!

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Alessandro Monteiro | Circuito Carioca

Fabiano Barcellos, atual referência em empreendedorismo lança novo livro

Autor do recém-publicado “Coragem para vencer” (editora Planeta), Fabiano Barcellos, 40 anos, viu seu livro atingir o quarto lugar entre os mais vendidos do país, na categoria autoajuda, logo na primeira semana de lançamento. Médico cardiologista, o autor é conhecido por ser referência em liderança, desenvolvimento de vendas e empreendedorismo e especialista em palestras sobre como concretizar objetivos, administrar bem o tempo, superar adversidades e desafios, além de encorajar às pessoas a correrem atrás dos seus sonhos.

 

Focado em vencer na vida, optou pela medicina. “A carreira surgiu, pois vi nela a melhor possibilidade de transformar o mundo por meio do meu trabalho. Tinha como referência um tio, que era médico e praticava uma medicina preocupada em entender o lado humano, de fazer o bem e isso despertava os  desejos de seguir”, conta ele, que exerceu a atividade por cinco anos.

 

Durante essa trajetória, percebeu que a profissão voltada para a ajuda humanitária, como a qual sempre sonhou, não condizia com a realidade. “Não queria ser um profissional qualquer e o que encontrei, não foi a que idealizei e isso me deixou triste. Mas tentar mudar de vida era algo que jamais passou pela minha cabeça, continuei praticando e atingi a tão sonhada e esperada realização financeira”, relembra.

 

Apesar do sucesso como médico, algo o inquietava.“A morte, aos 30 anos, de um amigo de profissão, mexeu comigo. Trabalhava horas e horas para dar conforto para a minha família, mas ficava cada vez mais longe de casa e me perguntava o que estava fazendo e qual era a minha qualidade de vida.

 

Não me sentia feliz. O trabalho e o dinheiro são importantes, mas a vida não se constrói apenas com base nisso, por isso, é preciso ter coragem para assumir para si e para o resto do mundo a necessidade de se dedicar a uma atividade que te dê prazer, mais renda e consuma menos tempo. Comecei a fazer tudo diferente e cheguei até aqui”, comenta o autor, que decidiu alcançar vôos mais altos com o empreendedorismo.

Ao lado de Chico Faria, filho do falecido cantor Rui Faria, do grupo MPB4, compôs a canção `Coragem´. A música está em todas as plataformas digitais como Spotify e Google Play e todos os direitos autorais serão revertidos para a `Voluntários engajados´ – que tem o objetivo de levar amor e alegria para as crianças carentes internadas em alguns dos hospitais públicos da cidade do Rio de Janeiro – e à ABRAPAC (Associação Brasileira de Apoio aos Pacientes com Câncer).

 

O autor também é co-fundador e idealizador de alguns movimentos no mundo business, como a `Escola de Negócios do Rio´, evento voltado para palestras com empreendedores e com o objetivo de enriquecimento de networking na cidade carioca.