Categorias
Brasil Destaque Notícias do Jornal Saúde

Novembro Azul: menos preconceito e mais prevenção

Chegamos ao mês de novembro, o penúltimo do ano, o qual traz com ele a já conhecida campanha do Novembro Azul.

A campanha teve sua origem na Austrália, no ano de 1999, quando um grupo de amigos resolveu deixar o bigode crescer para chamar atenção quanto ao cuidado com a saúde masculina, principalmente no que concerne ao câncer de próstata. Nesse sentido, um dos atos do grupo de amigos foi realizar a arrecadação de fundos para instituições de caridade.

O mês de novembro foi escolhido, pois no dia 17 é comemorado o Dia Mundial do Combate ao Câncer de Próstata e no dia 19 é comemorado o Dia Internacional do Homem (no Brasil é comemorado em 15 de julho).

Em 2003, foi criada a Movember Foundation Charity, sendo a palavra “Movember” a junção de Moustache (bigode) e November (novembro). Dessa forma, o Novembro Azul ficou conhecido com o símbolo do bigode e da cor azul.

Em vários países, o Movember é mais do que uma simples campanha de conscientização. Há reuniões entre os homens com o cultivo de bigodes cheios (símbolo da campanha). São debatidos além do câncer de próstata, outras doenças como: o câncer de testículo, depressão masculina, cultivo da saúde do homem, entre outros.

No Brasil, o Novembro Azul só teve inicio no ano de 2008, através de ação conjunta realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia e o Instituto Lado a Lado pela Vida. Realizada e apoiada por diversas entidades da sociedade, a campanha tem como o objetivo a preservação da saúde masculina com foco maior na prevenção ao câncer de próstata.

Ao longo dos 13 anos em que existe no Brasil, a campanha ainda enfrenta a resistência de parte da sociedade. É comum que muitos homens deixem de se consultar com um urologista por conta preconceito decorrente do exame de toque retal. Tudo isso é resquício do machismo estrutural que permeia a sociedade brasileira desde a sua fundação.

Segundo o Sistema de Informação Ambulatorial, de 2016 a 2020, a procura de homens por uma consulta ao médico aumentou em 49,96%, sendo de 425 milhões de atendimentos para 637 milhões. Mesmo assim, ainda não são tantos os que marcam os exames. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum em pessoas com sistema reprodutor masculino.

Por que fazer o exame de toque?

O exame de toque se tornou o melhor meio de se diagnosticar o câncer de próstata graças a sua velocidade (menos de 10 segundos). Além do câncer de próstata, o exame de toque retal ajuda a identificar outros sinais de doenças na próstata, como por exemplo: prostatite (inflamação da próstata) e hiperplasia (aumento da próstata). O médico pode também examinar o paciente a fim de identificar problemas como fissuras anais, hemorroidas e outras alterações no reto, uretra e ânus.

Além da velocidade, o exame de toque não requer nenhum procedimento de preparo e é indolor, podendo o paciente retornar as atividades normalmente após o fim do exame.
Este pode ser realizado através do Sistema Único de Saúde, necessitando apenas da solicitação de um urologista ou de um proctologista.

Categorias
Destaque Saúde

Câncer de próstata: prevenção é melhor arma

O movimento Novembro Azul teve início em 2003, na Austrália, com o objetivo de chamar a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças que atingem a população masculina, com ênfase na prevenção do câncer de próstata.

De acordo com o Ministério da Saúde, 42 homens morrem diariamente em decorrência do câncer de próstata e, aproximadamente, 3 milhões vivem com a doença. Conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), foram diagnosticados 68.220 novos casos de câncer de próstata e cerca de 15 mil mortes/ano em decorrência da doença no Brasil, para cada ano do biênio 2018/2019.

Depois do câncer de pele, esse é o tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros e acomete geralmente  em homens mais velhos – cerca de 6 em cada 10 casos são diagnosticados em pacientes com mais de 65 anos.

“Os fatores de risco para câncer de próstata são: idade, raça negra, obesidade, hábitos alimentares ricos em gorduras, sedentarismo e fator familiar (quando se tem um parente de primeiro grau com câncer de próstata, a probabilidade é até duas vezes maior; e para aqueles que tem dois parentes de primeiro grau, essa probabilidade é até seis vezes maior)”, explica o urologista Marco Lipay.

Foto: Reprodução Pessoal

O médico afirma que, quando os sintomas começam a aparecer, 95% dos casos já estão em fase adiantada. “Não é possível evitar a doença, mas é possível diagnosticá-la precocemente e, desse modo, as chances de cura são superiores a 90%”, diz . O ideal é buscar acompanhamento com o urologista a partir da quarta década de vida.

Medo ou vergonha?

Sandra Hott, psicanalista e professora 

Muitas vezes o machismo e o preconceito do homem atrapalham a procura por atendimento para o cuidado da própria saúde. Existe a ideia de que o sujeito forte é aquele inabalável, que não tem nenhum problema de saúde, a falácia de que o homem não deve sentir dor. Esse pensamento é muito mais comum em gerações passadas, nas quais alguns homens se gabavam de nunca terem ido ao médico.

A prevenção de câncer feminino entre as mulheres, ao contrário do que ocorre com a população masculina, já é um assunto corriqueiro. O mesmo ainda não ocorre no que diz respeito à saúde masculina É incomum que os homens falem com seus filhos e mesmo entre si a respeito do tema. Contudo, essa cultura vem mudando ao longo do tempo e campanhas como Novembro Azul têm sido fundamentais para alertar sobre a doença.

Foto: Reprodução Pessoal

Cabe ressaltar que as diversas funções da presença feminina – mãe, esposa, amiga, namorada – podem representar uma força determinante na desconstrução da pretensa invulnerabilidade masculina.

Um percurso de psicanálise pode ser de auxílio fundamental para ressignificar esse aprisionamento masculino de modo individual. A informação adequada replicada ao longo do tempo no tecido social pode naturalizar os cuidados à saúde masculina como ocorre com a saúde da mulher.

Por: Claudia Mastrange