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Cultura Destaque Rio

Celebrando os 120 anos Paulo da Portela, jovens artistas criam projeto social, em homenagem ao Mestre.

Batizado como Oficina de Artes Paulo Benjamin de Oliveira (Paulo da Portela), o projeto ganha vida hoje quinta-feira, dia 24.

Com intuito oferecer e incentivar a arte de um modo geral, a Oficina de Artes Paulo Beijamin de Oliveira, terá como principais atividades aulas teatro, dança, canto, maquiagem e artes visuais, de forma totalmente gratuita.
Foto: Divulgação

A proposta do projeto, idealizado pela Rainha da Majestade do Samba, Bianca Monteiro, tem como coordenação os jovens artistas Isaac Belfort e Gabriel Barbosa, que irão promover as oficinas ministradas por uma equipe de profissionais formados na área de casa modalidade artística.

“A ideia é de continuar o legado, ter artistas, sambistas da própria comunidade, para valorizar suas raízes.” Declarou a Rainha, Bianca.
As oficinas serão realizadas na Portelinha, a primeira quadra da G.R.E.S PORTELA, no Bairro de Oswaldo Cruz – Rio de Janeiro, por um período de seis (6) meses. O projeto irá atender adultos e adolescentes a partir de 13 anos de idade, com a finalidade de resgatar a comunidade da Portela.
As seletivas para participar da oficina, estarão disponíveis em breve, então fiquem atentos nas redes sociais da Oficina.
Para mais informações: @oficinapaulodaportel
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Cultura Rio Saúde

Prefeitura inaugura posto de vacinação na quadra da portela

 

 

 

Novo ponto funcionará de segunda a sexta-feira. A meta é imunizar 25 mil pessoas da região

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro inaugurou, nesta terça-feira (20), mais um ponto de vacinação (PV) na campanha contra a covid-19 na Zona Norte da cidade: na quadra da Portela, em Madureira. O novo posto irá funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, atendendo aos públicos definidos no calendário de vacinação do município.

Edu Kapps/Ascom-SMS

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, destacou a importância de um PV na região de grande movimento e circulação de pessoas, para ampliar e facilitar o acesso à vacinação dos grupos prioritários.

Nossa expectativa é vacinar 25 mil pessoas do entorno de Madureira e ampliar a capacidade de vacinação da região. A parceria entre a SMS e a Portela permitiu a abertura de mais esse PV, justamente na semana mais importante para a vacinação contra a covid-19 na cidade, quando vamos finalizar a imunização das pessoas a partir de 60 anos, disse Soranz.

O primeiro vacinado do PV da Portela foi Carlos Ribeiro, diretor de destaques da escola de samba de Madureira, que se emocionou ao receber a primeira dose da vacina: “Espero que o enredo deste ano seja comemorando a vacinação para todos”.

Edu Kapps/Ascom-SMS

Calendário de vacinação

Mais de 1,2 milhão pessoas já receberam a primeira dose da vacina contra covid-19 no Município do Rio, representando cerca de 19% da população carioca e 87,3% dos idosos da cidade. Até o próximo sábado, todas as faixas de idades a partir dos 60 anos terão sido alcançadas pelo calendário de vacinação.

A Prefeitura do Rio tem aplicado as vacinas com o menor tempo possível, com todas as unidades de saúde vacinando intensamente. Estamos perto do índice de 90% dos idosos da cidade vacinados. Esse é o momento de se proteger, porque a covid-19 pode ser muito grave, principalmente para esse público dos idosos. Então, quem conhecer alguém mais de 60 anos que ainda não se vacinou, recomende procurar uma unidade básica de saúde, frisou o secretário de Saúde, Daniel Soranz.

A partir desta terça-feira até o fim da campanha, também poderão receber a vacinação gestantes com comorbidades preexistentes, de qualquer idade, e que tenham recomendação médica para a imunização. Já na próxima segunda-feira, 26 de abril, inicia o atendimento a outros grupos prioritários, incluindo algumas categoriais profissionais, como trabalhadores da educação (pública e privada) e de forças de segurança, sempre com escalonamento por idade, conforme calendário anunciado.

Para quem já tomou a primeira dose, é importante não faltar à data marcada para o recebimento da segunda dose da vacina, sempre na mesma unidade de saúde. O dia do retorno é informado após a pessoa tomar a primeira dose e é anotado a lápis no comprovante de vacinação.

Os calendários oficiais e locais de vacinação contra a covid-19 no município do Rio estão disponíveis no link: https://coronavirus.rio/vacina

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Brasileiro com muito Orgulho

Vilma Nascimento – O eterno Cisne da “Passarela”

Considerada a maior porta-bandeira da história de todos os tempos, Vilma Nascimento, aos 82 anos de vida e 74 de carnaval, entrou para anais do carnaval, intitulada o “Cisne da Passarela”.

Na década de 60 foi um dos principais nomes da agremiação e mantém seu reconhecimento até hoje, não somente pelos componentes da escola, mais também, pelo reconhecimento de patrimônio da Cultura Brasileira.

Desfilou pela primeira vez, ainda criança, no bloco Unidos de Dona Clara. Estreou como porta-bandeira defendendo a União de Vaz Lobo, escola de sua mãe.  Vilma na época trabalhava como dançarina da boate Night and Day, na Cinelândia, e a partir daí, começou então a chamar a atenção do Sr. Natal da Portela, que a convidou para a Portela.

Inicialmente, recusou os primeiros convites, mas acabou cedendo pouco antes de se casar com Mazinho, filho de Natal. Em 1957, assumiu a bandeira azul e branca, substituindo Dodô, que passou a atuar como segundo porta-bandeira.

Defendida por Vilma, a Portela conquistou quatro campeonatos seguidos, de 1957 a 1960. Também ganhou do jornalista Valdinar Ranulfo o apelido de Cisne da Passarela devido à elegância com que mudou o estilo de dança das porta-bandeiras, que nessa época passaram a ser um dos quesitos julgados no desfile.

Em 1969, Vilma passou o posto de primeira porta-bandeira para Irene e passou a desfilar como destaque. Retomou a função de 1977 a 1979.

Em 80, fez parte do grupo que se afastou da escola para fundar a Tradição, e só retornou a azul e branco em 2007. A Porto da Pedra lhe rendeu homenagem como uma das “Majestades do Samba”, no desfile de 2014.

Vilma, também ganhou o “Estandarte de Ouro” três vezes seguidas, no período de 1977 a 1979, e mais um pela Tradição em 1989.

Hoje, Vilma é sem dúvida, parte fundamental da história da Portela, estando sempre presente nos eventos e desfiles da escola. O legado construído segue com a Danielle, que foi porta-bandeira da escola até o carnaval 2017 e, neste ano, foi nota máxima no Paraíso do Tuiuti.

A neta Camylinha é a segunda porta-bandeira da Portela e será a primeira da Unidos da Ponte no próximo carnaval. A bisneta, Clarice, de 10 anos, já faz aulas para seguir o nome, e a raiz da ancestralidade.

 

Foto : Reprodução

 

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Brasileiro com muito Orgulho Rio

Tia Surica: uma história de amor pelo carnaval

Por Franciane Miranda

Conhecida carinhosamente por todos como Tia Surica, a sambista Iranette Ferreira Barcellos, tem história para contar. Com o sangue azul e branco correndo em suas veias, tornou-se um dos nomes mais respeitados na história do samba e da Portela. A matriarca fez da escola sua casa e sua família. Já desfilou como baiana e passou por vários setores elevando o nome da sua escola do coração.

Começou sua carreira musical na década de 50, ao fazer parte do coro do LP ‘A Vitoriosa Escola de Samba da Portela’. Dona de uma voz inigualável, a sambista mostrou que seu lugar era na avenida. Em 1966, foi convidada para puxar o samba-enredo ‘Memórias de um Sargento de Milícias’, de autoria de Paulinho da Viola, ao lado de Catoni e Maninho. Naquela época, não era comum uma mulher assumir um papel tão importante. Ela brilhou e fez a escola vencer naquele carnaval.

Nascida e criada no bairro de Madureira, o samba entrou em sua vida em 1944, ainda criança, aos quatro anos de idade. Foi amor à primeira vista e, desde então, não largou mais e o casamento dura até hoje. Após a morte dos seus pais, a sambista foi criada pelos avós maternos José e Amélia, e também por sua mãe de criação, Evangelina. Conta que sua infância foi boa, com uma ótima formação e bons princípios. Seu apelido peculiar foi colocado por sua avó: segundo ela, Surica é caracterizado por algo pequeno e roliço e, por ser baixinha e forte, começou a lhe chamar assim.

Hoje, com idade avançada, já não tem mais tanto pique para o samba-enredo, que é mais acelerado. A portelense com todo o seu talento já se apresentou em todo Brasil. Rodou o mundo levando nossa música e cultura, cantando na Alemanha, Itália, Bélgica e França. Já fez coro com importantes nomes do cenário musical brasileiro como Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Marisa Monte e Zeca Pagodinho. Entrou para Velha Guarda na década 80 onde se dedica e concilia com sua carreira solo.

Tia Surica também é conhecida por sua feijoada inaugurada em 2004. O evento começou para reunir integrantes da Portela e hoje virou um momento onde todos se reencontram para comemorar a boa música e amizade. À frente da famosa festa, ela prepara tudo com muito carinho com suas famosas ‘suriquetes’. Seu tempero sempre regado com muito samba e convidados ilustres como Leci Brandão, Velha Guarda da Portela, Teresa Cristina, Candeia, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Dona Ivone Lara. Quem sabe o segredo do seu tempero é a alegria?

Foto: Divulgação

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Alessandro Monteiro | Circuito Carioca Colunas

Talita Fontainha estreia na Marquês de Sapucaí

Morando no país da Oceania, onde dá aulas, a coreógrafa e dançarina carioca desfila numa escola de samba pela primeira vez, desconstruindo padrões impostos.

Este carnaval não vai ser igual àquele que passou – esta é uma certeza da coreógrafa e dançarina Talita Fontainha. Escolhida para ser musa da G.R.E.S. Renascer de Jacarepaguá e destaque no carro abre-alas da G.R.E.S. Portela, a carioca criada em Realengo desfila pela primeira vez. Coroada em 2019 pelo concurso Australiasian Samba Queen, que acontece anualmente com participantes da Austrália, Nova Zelândia e Ásia, a estreia na Renascer acontece com a fantasia “O terço e flores da cura”, representa toda a fé empregada nestes instrumentos e, por consequência, a cura das enfermidades. Coincidentemente, faz um link com sua trajetória pessoal. Quarta geração de uma família de pastores da Assembleia de Deus, a moça de 32 anos mostrou desde cedo que, embora respeitando sua fé e as tradições de sua família, desconstruiria os padrões.

“Eu sou o ‘patinho feio’ da família. Geralmente as pessoas se convertem e abandonam as festas não religiosas, mas eu fiz o caminho contrário. Fui criada indo à igreja, mas rompi com tudo quando senti o chamado da dança. Meu bisavô, avô e pai foram pastores da Assembleia de Deus. Minha mãe não usava calça, não tinha orelha furada…”, relembra Talita, que conheceu o marido, o biólogo,  na internet.

 

Foto: Divulgação

O contato com a dança aconteceu aos 12 anos nas aulas de jazz e balé contemporâneo, quando ganhou uma bolsa de estudos no Centro Artístico Daniela Marcondes, em Realengo, onde morou até a adolescência. “Fiz o teste para ser bolsista escondida da minha mãe. Quando passei, ela descobriu e não gostou, mas considerou que eu poderia exercer a arte na igreja. Segui meus estudos e, em pouco tempo, participei do meu primeiro grupo, o Grupo de Dança Paulo Gissoni, na Universidade Castelo Branco. Não parei mais”, pontua.

Ao se mudar pra Tijuca, conseguiu uma nova bolsa – dessa vez, no Centro de Movimento Deborah Colker. “Lá realizei meus primeiros trabalhos profissionais: em vinhetas de dança massiva e integrando um grupo fictício de dança que existia na novela ‘Páginas da Vida’, ambos na TV Globo” ressalta. Foi nessa mesma época, aos 17 anos, que participou de uma audição para um show latino em Israel. “Não avisei a ninguém pra evitar torcida contra (risos). Passei, e avisei a minha família apenas duas semanas antes de embarcar, porque precisava de autorização para tirar o passaporte”, diverte-se.

No último dos dois anos que ficou no Oriente Médio, foi convidada a coreografar os Jogos Mundiais Militares 2011 no Rio de Janeiro. O passo seguinte foi o trabalho como coreógrafa no “Dança da Galera”, extinto quadro do Domingão do Faustão, onde atuou por dois anos. “Nessa época, aceitei o convite para coreografar a cerimônia de encerramento das Olimpíadas 2012 e me mudei pra Londres. O trabalho repercutiu e me rendeu o convite para coreografar as cerimônias de abertura e encerramento da Copa das Confederações, da FIFA, aqui no Brasil”, enumera.

Foi na fase em que trabalhou professora de dança responsável pelas coreografias fase que surgiu o contato mais próximo com o carnaval. “Ainda existe esse estigma que, por eu ser negra e carioca, teria que saber sambar, por isso o convite. Eu ainda não sambava tão bem, meus carnavais eram nos retiros da igreja, eu não frequentava o samba. Mas me joguei e fui dar aula do ritmo no navio. O que eu ensinava lá era algo mais intuitivo”, reflete Talita, que hoje mora em Adelaide, na Austrália. “Achava que minha fase de dançar havia passado. Tentei trabalhar num escritório, mas não aguentei e voltei pra dança”, suspira a dançarina.

 

 

Sem perfil para desistir, fez aulas on line com uma professora brasileira para aperfeiçoar seu gingado e, mais segura, aplica-lo na função de professora de uma das melhores escolas de dança do local. Mesmo sem estar tão à vontade com o ritmo, Talita se desafiou mais uma vez, participando – e vencendo – o concurso Australiasian Samba Queen. Foi aí que a chave virou. “O samba é nossa cultura. Eu sou afro-brasileira e o percebo como uma herança direta que não envolve, necessariamente, as minhas crenças”, pontua.

Atualmente dando aulas na Austrália de hip hop, jazz, samba e funk, é apenas com o trabalho que ela mantém a boa forma. E a ansiedade para o desfile, como está? “No ensaio de rua meu coração já batia mais forte, me senti nas nuvens! Não tenho palavras para este momento, só espero a hora de desfilar. Estou super feliz, virei como destaque de chão, sambando pra valer. Quem quiser me acompanhar, venha comigo”, encerra.