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Moradores de Santa Teresa caminham por saúde

Por Franciane Miranda

Durante o período de quarentena, muitos moradores aproveitam para colocar a saúde física e mental em dia. A corrida e a caminhada, que já faziam parte da rotina dos moradores de Santa Teresa, se tornaram mais presente. Qualquer hora do dia, na Rua Almirante Alexandrino, uma das vias mais movimentadas do famoso bairro carioca, você encontra pessoas se exercitando, mas sem aglomerações.

Localizado às margens da floresta da Tijuca, Santa Teresa encanta seus moradores e turistas de todas as partes do mundo. Cercado de um verde esplendoroso, com lindas vistas para vários pontos do Rio e também para os principais cartões postais da Cidade Maravilhosa.

Para quem curte uma vida saudável, o bairro oferece um estilo de vida mais calmo, com uma conexão única entre a natureza e a prática de exercícios. O local é ótimo para aliviar o estresse causado pelo isolamento, respirar ar fresco e limpo. Ideal para renovar as energias e nos dar uma injeção de ânimo para seguirmos em frente com nossas vidas.

Além de ser um programa saudável, o passeio se torna cheio de surpresas: são micos, tucanos, pássaros, cachoeiras, fontes e claro, muita história, contada nas placas sobre o local. Admirar e contemplar a majestosa floresta faz parte do pacote gratuito. Para os mais aventureiros que conhecem à área, opções não faltam: trilhas e ciclismo também são esportes muito praticados.

Clima agradável

Edineide Silva sempre caminha com sua prima Ivanilda, pois se sente mais segura estando acompanhada. Para ela, a atividade tem ajudado a viver menos estressada, distraindo a mente. “Caminhar melhora tudo em mim: a forma física e metal, me deixa mais leve”. A secretária diz que adora andar em Santa, pois é um lugar calmo. “Chama a minha atenção a linda paisagem, o ar fresco e os animais que se encontram ao redor da floresta”, detalha.

O público de várias idades não se intimida com os buracos da pista. Para os que não estão acostumados com o percurso longo, há vários bancos no decorrer da via para descansar. Quem sabe uma pausa para aquela linda foto? Para os animais, a diversão também está garantida: é comum encontrar donos de pets correndo com seus bichinhos de estimação.

Um exemplo de superação! Assim ficou conhecido Igor Silva, que no início não costumava se exercitar. Ele lembra que foi obeso e já chegou a pesar 120 kg, mas graças aos exercícios conseguiu emagrecer 40 kg em oito meses. Sempre correndo só, ele nos informa que há sete anos esta é sua paixão. O técnico de refrigeração diz que o esporte tem ajudado muito neste período, pois não consegue ficar muito tempo preso dentro de casa. “A corrida para mim é uma terapia”, afirma.

“Visual e o clima agradável”, detalha Igor sobre o trajeto que faz. Ele também está consciente sobre os riscos da pandemia e tenta usar máscaras, mas elas dificultam a respiração, fazendo com que tome outras precauções. “Procuro mudar de lado quando vou passar por alguém que esteja caminhando ou correndo”, finaliza o jovem.

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Pelos Bairros Rio

Moradores de Santa Teresa reclamam da falta de ônibus à noite

Por Franciane Miranda

Voltar para casa deveria ser algo fácil, mas no bairro de Santa Teresa, área central do Rio, a tarefa é mais difícil do que se imagina. O motivo é o transporte público da região que não atende às demandas da população à noite. Quando chove, e aos finais de semana, a situação fica mais complicada. Mas o drama é ainda pior, pois muitos motoristas de aplicativos e taxistas recusam com frequência a viagem.

As pessoas que trabalham à noite, ou que saem tarde do serviço, são as que mais sofrem com este descaso. Após um dia de trabalho e cansados, muitos não querem esperar tanto tempo pelo ônibus. A grande maioria acaba tendo um gasto extra com transporte, o que fica bem complicado para quem recebe um salário mínimo. A maior parte dos moradores residem em comunidades do bairro e este gasto a mais faz toda diferença no orçamento familiar.

A vendedora Aline Maciel destaca sua insatisfação com os serviços prestados pela companhia. “Quero dar ênfase no quesito serviço, pois a empresa Transurb [responsável monopolista pelo transporte em Santa Teresa], na verdade presta um desserviço, agindo de forma negligente, arbitrária, desrespeitosa, sem idoneidade moral para com os passageiros há anos”. Outras reclamações são com relação à falta de fiscalização e conservação dos veículos.

A moradora Rejane Sousa classifica a qualidade do transporte público como péssima. A autônoma explica que sempre pega o ônibus no período da noite e leva em média uma hora na volta para casa. Quando não consegue, usa táxi para retornar.

Os moradores já fizeram até grupo no Whatsapp para facilitar o dia a dia e ajudar os moradores que precisam do ‘bacurau’ (nome dado ao veículo que presta o serviço à noite). “Nele é possível saber os horários, onde está, quanto tempo vai demorar para chegar em determinado ponto, se foi retirado pela empresa ou mandado para a garagem por avaria, se está circulando com muitos atrasos devido à superlotação, entre outros”, afirma Aline.

A vendedora explica que após os últimos ônibus serem retirados, o ‘bacurau’ circula superlotado, com atrasos e não há horário certo para chegar em casa, principalmente quando o carro quebra. “Sou obrigada a depender de transportes alternativos, se tiver dinheiro para isso, ou esperar até 5h na rua pelo primeiro ônibus de cada linha que irá começar a circular; Já aconteceu isso comigo, não é invenção, nem mentira, afinal não é sempre que tenho dinheiro para pagar outro transporte, uma vez que preciso utilizar o Bilhete Único obrigatório oferecido pelas empresas e aceito apenas nos transportes coletivos credenciados”, conta.

Alguns taxistas que conhecem a dificuldade dos moradores começaram a fazer o trajeto do ônibus. Cada passageiro paga R$ 5 para voltar para casa. O que tem ajudado muito, mas não é a solução do problema, pois eles não aceitam o Bilhete Único e as pessoas continuam gastando dinheiro extra com transporte. O cenário não muda nos aplicativos e o usuário perde muito tempo tentando achar algum motorista que confirme a corrida. Vários aceitam, mas quando percebem que o destino é a região acabam recusando.

Os taxistas também não gostam de frequentar o bairro. São muitos os motivos da recusa: os trilhos do bondinho; reclamam que não existe sinal de área quando o pagamento é com cartão; ou o local é considerado área de risco. Muitas vezes, o passageiro precisa parar vários taxistas para conseguir seguir viagem. Os que confirmam a corrida revelam que aceitaram, pois já conhecem à área.

A reportagem do Diário do Rio entrou em contato com a empresa. Em nota e por mensagens via Whatsapp, a Transurb informa que as linhas 007 (Silvestre x Central), 507 (Largo do Machado x Silvestre), 014 (Paula Matos x Castelo) e 006 (Castelo x Silvestre) operam em dias normais das 4h às 23h, e aos finais de semana e feriados das 5h às 22h. Disse ainda que segue o acordo determinado pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). A empresa esclarece que os passageiros busquem a linha SN 006 (Silvestre x Castelo), que opera com regularidade das 23h às 4h.

A Transurb e a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) precisam ouvir a população para entender a real necessidade do bairro e, juntos, criarem um plano que atenda a todos. “Precisamos de ajuda dos órgãos competentes urgentemente”, finaliza Aline, que pede o devido apoio.

Fotos: Diário do Rio