Marcelly Malta Lisboa, uma das mais importantes vozes na defesa dos direitos da população trans no Brasil, faleceu no último sábado (4), aos 75 anos. A notícia foi confirmada pela ONG Igualdade, entidade que ela própria fundou no final da década de 1990, sendo um marco na luta por dignidade e cidadania.
Nascida em Mato Leitão, no Vale do Rio Pardo (RS), em 1951, Marcelly dedicou sua vida à causa dos direitos humanos, com foco especial na saúde e na cidadania de pessoas trans. Sua trajetória foi marcada pela participação ativa em debates e na criação de políticas públicas voltadas para a inclusão e o combate à violência.
A atuação de Marcelly na área da saúde, onde se formou como auxiliar de enfermagem e ingressou no serviço público em 1979, também foi fundamental. Sua experiência na Europa, no início dos anos 90, acompanhando a epidemia de Aids, contribuiu para suas ações de prevenção e conscientização no Brasil, conforme informação divulgada pela ONG Igualdade.
Um marco na retificação de nome e gênero
Um dos momentos mais significativos da jornada de Marcelly ocorreu em 2011. Na época, à frente do Conselho Municipal de Direitos Humanos de Porto Alegre, ela obteve na Justiça a autorização para a retificação de seu nome em seu registro civil. Este feito se tornou um **precedente importante**, abrindo portas para que outras pessoas trans pudessem realizar o mesmo processo, um passo crucial para o reconhecimento de sua identidade.
Essa conquista individual de Marcelly precedeu uma decisão maior do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018. O STF consolidou o entendimento de que pessoas trans têm o direito de alterar seu nome e gênero diretamente em seus registros civis, sem a necessidade de intervenções cirúrgicas ou autorização judicial, garantindo maior autonomia e respeito à dignidade.
Legado de coragem e resistência
Em nota oficial, a ONG Igualdade ressaltou a figura de Marcelly como uma liderança de imensa coragem e resistência. A organização relembrou sua incansável atuação no acolhimento e na defesa intransigente dos direitos da comunidade trans, destacando sua importância para muitas vidas. O velório e o enterro de Marcelly Malta Lisboa aconteceram no domingo (5), no Cemitário Jardim da Paz, em Porto Alegre.
A partida de Marcelly Malta Lisboa representa uma grande perda para o movimento LGBTQIA+ no Brasil. Seu legado de luta por direitos, reconhecimento e dignidade continuará a inspirar novas gerações de ativistas na busca por uma sociedade mais justa e inclusiva. A história de Marcelly é um testemunho do poder da perseverança e da dedicação em prol de um futuro com mais igualdade.





