O Rio de Janeiro é o estado mais feminino do Brasil. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 52,8% da população fluminense é formada por mulheres — 8,4 milhões de 16 milhões de habitantes. No país, a média é de 51,5%.
Esse rosto feminino também aparece nos negócios. O Rio lidera o percentual de mulheres empreendedoras: são 40% dos empreendedores fluminenses e 57% dos microempreendedores individuais. Em 2025, 44% das empresas abertas no estado foram lideradas por mulheres — o maior índice do país.
Mas a receita não acompanha o protagonismo. Segundo o Sebrae, o rendimento médio das empreendedoras foi de R$ 2.867 no fim de 2024, contra R$ 3.793 dos homens — 24,4% menos. Entre os MEIs, só 16,3% das mulheres faturam acima de R$ 4 mil, contra 33,1% dos homens.
Há outro dado que me incomoda. Pesquisa da Secretaria de Estado da Mulher aponta que 47% das empreendedoras fluminenses operam na informalidade. Empreendem por necessidade, garantem o sustento da família, mas não escalam. Muitas seguem como MEI quando já teriam estrutura para abrir uma empresa de pequeno porte.
Vejo isso com apreensão. A reforma tributária que se aproxima não vai perguntar se o negócio nasceu da paixão ou da necessidade: vai cobrar de quem não sabe gerir. Não basta escolher uma atividade por amor. É preciso dominar o que acontece atrás da venda — precificação, fluxo de caixa, ROI, regimes tributários e gestão de pessoas.
Nos movimentos femininos, os temas são autoestima e crenças limitantes — fundamentais, eu sei. Mas profissionalização também é. Sou CEO há 16 anos e defendo esses movimentos. Já podemos subir de nível: eventos com informação simples e eficiente para abrir e gerir um negócio formal, inclusive com as tecnologias que muitas mulheres da minha geração, as 50+, ainda não usam.
Quando a mulher se capacita para gerir, o lucro deixa de ser um número e vira crescimento: mais contratações, cadeia produtiva mais forte, produtos que alcançam mais gente. Uma empresa bem conduzida por uma mulher emprega outras mulheres, movimenta a economia local e devolve à sociedade uma profissional que deixou de sobreviver do trabalho para gerar oportunidade para outras.





