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Biólogos acham planta do Rio não vista há 39 anos e outra também ameaçada de extinção

Por Alan Alves

Biólogos do Rio de Janeiro fizeram importantes descobertas botânicas em 2021 relacionadas a duas plantas exclusivas do estado que estão criticamente ameaçadas de extinção. Um delas, a Chionanthus fluminensis, ou Azeitona da Mata Atlântica, foi localizada esta semana no Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), em Niterói. Outra espécie, a Pleroma hirsutissimum, pertencente à família das quaresmeiras e que não era vista na natureza desde 1982, foi achada em fevereiro no Parque Estadual da Costa do Sol, Região dos Lagos.

As descobertas são fruto de um projeto que busca proteger espécies ameaçadas e que não contam com instrumentos de conservação.

A Azeitona da Mata Atlântica foi vista no Costão de Itacoatiara por equipes do Plano de Ação Nacional para Conservação da Flora Endêmica (PAN) e da unidade de conservação, administrado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Caracteriza-se como uma árvore ou arbusto de cerca de três metros de altura, com folhas de cabo curto. Suas flores são claras (creme) e o fruto azulado, quase negro. A planta só é vista na cidade do Rio e em Niterói.

Azeitona da Mata Atlântica foi encontrada em parque de Niterói. (Foto: Divulgação/Governo do Rio)

“A espécie pertence à família da azeitona que comemos e só ocorre na Mata Atlântica, o que explica a razão de a batizarmos popularmente de Azeitona da Mata Atlântica. Ainda serão feitos estudos para descobrirmos se o seu fruto é comestível, pois pode ser que tenha alguma propriedade de relevância científica”, explica a consultora coordenadora do PAN para a WWF-Brasil e Seas, Inara Batista.

Para buscar a espécie, as equipes fizeram levantamento em herbários, coleções de plantas identificadas, para identificação das localidades de ocorrência. Descobriu-se que a única unidade de conservação do estado que tem registro da planta é o Parque Estadual da Serra da Tiririca.  Em outubro de 2020, foi realizada uma expedição de campo ao parque administrado pelo Inea, onde um exemplar da planta foi encontrado no final da missão. Depois, novos exemplares foram identificados, desta vez com frutos. As unidades encontradas foram encaminhadas para o Horto Florestal de Guaratiba, do Inea, onde foram iniciados estudos para a produção mudas.

Descoberta após 39 anos

Já espécie Pleroma hirsutissimum, que não era vista há 39 anos, foi achada na unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) na Região dos Lagos. A identidade da espécie, que só ocorre em Cabo Frio, foi confirmada pelo pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio Paulo Guimarães.

A planta pode atingir um metro de comprimento, tem muitos pelos e, quando desabrocha, exibe belas e exuberantes flores roxas. “Este achado é de extrema relevância para a flora do estado do Rio, uma vez que, quando redescobrimos uma planta, podemos promover ações diretas em prol da conservação da espécie”, destaca Inara.

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Brasileiro com muito Orgulho

Mayana Zatz, geneticista premiada no Brasil e no exterior

Por Sandro Barros

Mayana Zatz é uma cientista respeitada, com a descoberta de alguns genes importantes assinalada em seu currículo, premiada no Brasil e no exterior, e declara com todas as letras que adora o que faz. Mais: considera uma sorte muito grande poder trabalhar naquilo que gosta. É também uma mulher capaz de se engajar com paixão nas causas em que acredita e lutar com muita garra por seus pontos de vista.

Nascida em 1947, desde a infância interessou-se por Biologia e começou a dirigir preferencialmente sua atenção para este campo ainda no curso primário. Em 1967 teve seu primeiro contato com a genética humana durante um estágio de dois meses. O incentivo que recebeu do seu mestre, o doutor Oswaldo Frota-Pessoa, que lhe mostrou as perspectivas de pesquisa neste campo, levaram-na a optar por esta especialidade.

Em julho de 1968, ainda como aluna de graduação, iniciou seu trabalho de pesquisas no Laboratório de Genética Humana do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). Em 1970, defendeu seu Mestrado em distrofias musculares progressivas. Na fase de doutoramento, defendido em 1974, ampliou este projeto, abrangendo estudos de ligação do gene da distrofia com outros marcadores do cromossomo X.

De 1975 a 1977 realizou seu pós-doutoramento na Universidade da Califórnia (UCLA), em genética de doenças neuromusculares. De volta ao Brasil, em fins de 1977, implantou aqui as novas técnicas aprendidas nos Estados Unidos, montou um laboratório de pesquisas em miopatias hereditárias e começou a orientar alunos de Mestrado e Doutorado.

Em 1981, Mayana fundou a Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abdim), com a finalidade de lutar para melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados por distrofias musculares e seus familiares. Atualmente, a Abdim atende mais de 100 crianças afetadas por distrofias, a maioria de baixa renda.

Prêmios e trabalhos científicos

Em 1989, implantou a tecnologia de Biologia Molecular no Centro de Miopatias, o que permitiu um salto qualitativo no estudo das miopatias hereditárias. Com a implantação destas novas técnicas, tem sido possível realizar pesquisas correlacionando o genótipo e o fenótipo ─ em nível molecular, proteico e quadro clínico ─, o que é fundamental na compreensão dos mecanismos moleculares responsáveis pelas doenças genéticas.

Em 1995 tornou-se pioneira ao localizar um dos genes ligados a um tipo de distrofia dos membros, junto com Maria Rita Passos-Bueno e Eloísa de Sá Moreira. Juntas, também foram responsáveis pelo mapeamento do gene responsável pela síndrome de Knobloch. Em 1996 ingressou na Academia Brasileira de Ciências.

Em agosto de 2000 foi condecorada com a grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. No mesmo ano, recebeu a Medalha de Mérito Científico e Tecnológico do Governo do Estado de São Paulo. Em 28 de fevereiro de 2001, em Paris, recebeu o prêmio latino-americano dos Prêmios L’Oréal-Unesco para mulheres em ciência. Em 2009, ganhou o Prêmio México de Ciência e Tecnologia 2008. Em setembro do mesmo ano, Mayana ganhou o Prêmio Walter Schmidt, conferido pela empresa Fanem para destacar personalidades que promoveram o desenvolvimento do setor da saúde brasileira. E, em 2011, recebeu o Prêmio Conte Gaetano por trabalhos sociais.

Além da publicação de algumas dezenas de trabalhos científicos, esses achados têm sido fundamentais na prevenção de novos casos através da identificação de casais em risco e diagnóstico pré-natal. Desde o início da carreira, Mayana publicou quase 400 trabalhos científicos e atendeu mais de 11 mil pessoas pertencentes a famílias afetadas por neuropatias hereditárias.