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Fundação Saúde começa a assumir unidades hospitalares do estado do Rio

A Fundação Saúde, entidade vinculada à Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro, vai começar a assumir a administração das unidades de pronto atendimento (UPAs) e dos hospitais do estado no lugar das organizações sociais (OSs).

Segundo o cronograma de substituição das OSs apresentado hoje (4) pelo secretário estadual de Saúde, Alex Bousquet, a partir do dia 28 deste mês, a Fundação Saúde assumirá a gestão do Hospital Estadual Alberto Torres, do Complexo João Cáffaro e da UPA Colubandê, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. A partir de dezembro, a fundação vai administrar o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na zona norte do Rio.

Para o secretário, o modelo de gestão na saúde por meio de organizações sociais adotado há mais de 10 anos se esgotou. “A secretaria está adotando um novo modelo de gestão que vai dar transparência, eficiência na prestação de serviços e eficiência financeira para o estado do Rio.”

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Desembargador suspende investigação sobre Guedes

O desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), suspendeu hoje (14) as investigações abertas pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar supostos prejuízos em fundos de pensão por uma gestora de investimentos que foi administrada por Paulo Guedes, antes de ele tomar posse no cargo de ministro da Economia.

Na decisão, o desembargador atendeu ao pedido de defesa de Guedes para suspender a investigação, que tramita no âmbito da Operação Greenfield, que apura desvios em fundos de pensão desde 2016.

Ney Bello considerou plausíveis as alegações dos advogados de que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) arquivou as mesmas suspeitas do MPF e que os investimentos com recursos dos fundos foram superavitários e geraram ganhos de capital. Além disso, a aprovação dos investimentos teria sido feita por um conselho de investidores.

“A gestão temerária não é aquela gestão arriscada, aquela atitude de mercado que, objetivando ganhos, arrisca praticar atos heterodoxos. O mercado financeiro é sempre arriscado e impõe atitudes claras em atos de vanguarda. Para a configuração da gestão temerária é necessário a prática de ato para além da normalidade”, decidiu.

A decisão suspende os procedimentos investigatórios por 40 dias, período previsto para que o caso seja levado para julgamento definitivo na Terceira Turma do tribunal.

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Comércio Saara tem queda de 50% nas vendas do comércio

Uma crise que já vinha lentamente durante alguns anos, com a pandemia, só acelerou o processo na cidade do Rio. Com esquema de home office, as vendas caíram mais de 50% ressalta Eduardo Blumberg, presidente do Polo Saara.

A mesma situação se repete em outros bairros. Em Copacabana, Zona Sul, pequenos comércios ainda não retomaram o funcionamento. Em toda a Avenida Nossa Senhora de Copacabana e na Rua Barata Ribeiro, portas fechadas e anúncios de “aluga-se”. Comerciantes da região dizem que o movimento de clientes caiu em torno de 60% e que apenas as farmácias e os supermercados seguiram com o mesmo faturamento.

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Um Rio à deriva

Por Alessandro Monteiro

Como denunciado anteriormente, o esquema bilionário de corrupção envolvendo a pasta da saúde no governo estadual parece não ter fim. O governo de Witzel, que deveria ser marcado pela excelência, recebe novas denúncias de favorecimento as prefeituras com liberação de valores especiais do Fundo Municipal de Saúde, destinado para atender as demandas emergenciais de saúde dos municípios.

As verbas cedidas pelo governo do estado parecem não corresponder às demandas dos municípios e sim, as relações pessoas do governador Witzel, como por exemplo o repasse feito à prefeitura de Duque de Caxias, que recebeu mais de R$ 1milhão de reais, em relação a prefeitura do Rio em tão pouco tempo.

É perceptível a forte de relação de amizade de Witzel e Washington Reis, atual prefeito de Duque de Caxias, e tudo indica que essa aproximação e apoio de Reis ao governo do Rio, favorece bastante o caixa.

Relembrando, que o município de Caixas, cruzou os braços para ações de controle da pandemia do novo coronavírus, tendo Reis, como seu maior incentivador que estaria tudo no controle.

Os municípios de Valença, Volta Redonda também foram beneficiados com verbas especiais, reforçando ainda mais a certeza do “coronelismo” instalado no governo.

Witzel que tenta sobreviver ao processo de impeachment instaurado na Assembleia Legislativa do Rio, tenta ganhar fôlego negociando cargos de secretarias do estado e buscando estabelecer também uma relação mais próxima com André Ceciliano, atual presidente da Alerj.

Na última terça-feira (28), a Alerj recorreu a decisão do ministro Dias Toffoli (STF), que desmontou a comissão especial formada para analisar o processo de impeachment de Witzel. O ministro entendeu que 25 deputados formado para elaborar um parecer sobre o afastamento desrespeitou entendimentos estabelecidos pela Corte.

 

Foto: Reprodução

O relator do pedido na Corte é o ministro Luiz Fux, que é carioca e tem boa interlocução com a classe jurídica fluminense – Witzel é ex-juiz.

“A Casa vai argumentar que o rito estabelecido pela Lei 1079/50 (Lei do Impeachment) está sendo respeitado, com a representação de todos os partidos na comissão especial que analisa a denúncia e a garantia da ampla defesa do governador”, afirmou a Alerj, em nota. “Uma reunião entre os líderes partidários será realizada na tarde de hoje para definir a data em que será impetrado o recurso.”

Em rápida análise, a decisão do ministro retroage o processo, que retorna a fase inicial, exigindo a formação de uma nova comissão e mais fôlego para Witzel, que bom conhecedor das leis e estrategista, luta para não ter a cabeça cortada de vez, que para população, seria um alívio e a certeza da eficácia da justiça, em resposta aos esquemas de corrupção.

Um Rio de mazelas

Importante relembrar também a compra que a compra milionária de equipamentos importados da China pela Organização IABAS para atender a demanda dos hospitais não serviram para nada, permanecem encaixotados no Aeroporto Internacional Tom Jobim, que logo se tornaram sucatas do dinheiro público.

Na última quarta-feira (29), o Governo do Estado anunciou que até 12 de agosto, todos os hospitais de campanha serão desativados e não informou qual destino terão os equipamentos, leitos e tudo mais que tenha sobrado desse pesadelo.

Por outro lado, profissionais do SAMU denunciaram a precariedade no atendimento a população, a falta de salário que entra no quarto mês, a falta de manutenção das ambulâncias e insumos básicos para atendimento à população. No início da sexta-feira (31), os funcionários anunciaram a paralização e decidiram lutar para reaver salários, exigindo melhores condições de trabalho e manutenção dos equipamentos.

Foto: Reprodução

Os repasses foram interrompidos por suspeitas de fraudes nos repasses a empresa Ozz Saúde – Eireli, responsável pela operação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) na cidade do Rio. A ordem partiu do ministro João Otávio de Noronha, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, que após analisar parte do processo, ficou surpreso com o aumento num contrato emergencial sem licitação, passa de R$ 27 milhões para R$ 166 milhões durante a pandemia.

Tantos esquemas bilionários envolvem cada vez mais a cidade em escândalos e transformam o cenário de belezas naturais, num buraco sem fundo, que políticos usam o artifício de só “passar o anel”, sendo responsável por centenas de óbitos e graves deficiências no sistema e gestão governamental. Para muitos, uma fonte de renda, para outros milhares, a certeza de estagnação, impunidade e a interrupção de famílias, sonhos e o mínio de qualidade de vida.

A política atual do Brasil, serve apenas para beneficiar aqueles eleitos pelo povo, prevalecendo os interesses pessoais, sendo todos dominados pelo “vil metal”. Não seria difícil reunir todos esses poderes, com objetivo único, de melhorar e amenizar tantos impactos negativos e sofrimento a população, que agoniza.

O prefeito Marcelo Crivella resolveu liberar o banho de mar nas praias da cidade e também a venda de produtos industrializados por ambulantes no sábado (1). As medidas fazem parte da quita fase de flexibilização. Em alguns pontos da cidade, pessoas aglomeradas não cumpriam as recomendações de distanciamento, fato que preocupa bastante a direção da Fiocruz, que publicou na semana passada, um boletim com números expressivos ao novo processo de contaminação.

Caso tenhamos uma “segunda onda” de contágio, o sistema público de saúde de fato, entrará em colapso por tantas deficiências, pela corrupção e a grande falta de responsabilidade e respeito com a população. É necessário estreitar os diálogos entre os governos para que efetivamente, o estado consiga se reerguer, ao contrário disso, “seja lá, o que Deus quiser”.

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Um Rio que desce ladeira abaixo

Por Alessandro Monteiro

Funcionários do Hospital Estadual Anchieta, organizado para ser referência no tratamento da Covid-19 voltaram a denunciar a falta de salários, auxílio transporte, medicamentos e condições básicas para atendimento aos pacientes infectados.

Parece um caminho sem fim, a incompetência dos governos Estadual e Municipal, quando assunto é Gestão Pública. Além dos esquemas de corrupção denunciados e a dança das cadeiras nos cargos do secretariado público, é gritante as mazelas causadas a população nesses três meses de quarentena.

A falta de transparência de ambos também só gera mais polêmicas e sequelas ao povo que também sofre com o desemprego e fome. Na última semana, os dados oficiais do governo que emite o boletim diário da pandemia foram retirados do ar pela manipulação e a falta de transparência dos números divulgados.

Na última terça-feira (09), a Polícia Federal cumpriu 25 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrar novo esquema de fraudes em licitações do Fundo Municipal de Saúde. A investigação identificou que as fraudes ocorreram em despesas de licitação realizadas para aquisição de medicamentos, EPIs (equipamentos de proteção individual), testes rápidos para detecção do covid-19, locação de equipamentos e insumos hospitalares e contratação de empresa para montagem de hospital de campanha.

Até o momento, o prejuízo aos cofres públicos do estado já ultrapassa R$ 4,7 milhões de reais. Os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos na Prefeitura Municipal de Carapebus, na Secretaria Municipal de Saúde e no endereço do Fundo Municipal.
Crivella e Witzel parecem brincar com dinheiro público e elevar ainda mais a crise no Estado. Além de tudo que já falamos nas edições anteriores, essa semana também foram descobertas compras irregulares de medicamentos que conforme análise, não possuem eficácia por terem sido adulterados.

As Upas continuam entregues ao milagre. Nos bairros de Copacabana, Botafogo, Madureira e Barra, falta tudo, desde soro até profissionais para atendimento e consequentemente diagnósticos, exames e encaminhamentos. A falha também acontece nos testes para detecção do coronavírus que escassos, viraram o grande calcanhar de Aquiles do enfrentamento da epidemia pela baixa, comparada a outros países.

A Organização Social (OS) Instituto de Atenção Básico à Saúde (Iabas) foi afastada da construção de hospitais de campanha no Rio de Janeiro na quarta-feira (03), que por determinação de Witzel por meio decreto, anula o contrato e todos os termos aditivos suspeitos de irregularidades.

No início desta semana, 69 deputados da Assembleia Legislativa do Rio votaram favorável pela abertura de um processo de Impeachment com base nas denúncias contra o Estado até o momento e após reunirem novos dossiês na segunda-feira (08), que trazem mais irregularidades de superfaturamento, compras irregulares e desvio de verba pública.

A votação está prevista para aqui um mês e meio. Porém já surgem boatos nos corredores do Palácio Guanabara sobre uma possível renúncia do atual governador Witzel. Aguardamos então, as cenas dos próximos capítulos de mais um esquema milionário de corrupção no Rio.

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Economia

Pandemia afeta drasticamente a economia, mas pior ainda está por vir

Da Redação

População desempregada ou com renda reduzida, sem ‘bicos’ em tempos de distanciamento social. Famílias consumindo menos e empresas reduzindo a produção. No cenário político, muita a confusão política. Tudo isso agrava os efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia, gerando ainda mais incerteza sobre quando e se as coisas voltarão ao “normal’.

Vendo o presente, a situação é muito ruim. E isso já fica claro nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, divulgados no dia 29 de maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para diversos economistas, no entanto, o que é ruim vai ficar pior, principalmente no PIB do segundo trimestre, referentes a abril, maio e junho, justamente na fase mais aguda da pandemia.

O PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país, caiu 1,5% entre janeiro e março, na comparação com o trimestre anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve queda de 0,3%. O resultado, segundo o IBGE, marca o menor resultado para o período desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%). Com isso, o PIB está em patamar semelhante ao que se encontrava no segundo trimestre de 2012.

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a retração da economia foi causada, principalmente, pelo recuo de 1,6% nos serviços, setor que representa 74% do PIB. A indústria também caiu (-1,4%), enquanto a agropecuária cresceu (0,6%). “Aconteceu no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países afetados pela pandemia, que foi o recuo nos serviços direcionados às famílias devido ao fechamento dos estabelecimentos. Bens duráveis, veículos, vestuário, salões de beleza, academia, alojamento, alimentação sofreram bastante com o isolamento social”, explica.

Os dados do IBGE mostram que, já no início da crise, houve retração forte de 2% no consumo das famílias. A covid-19 encontrou no Brasil um cenário de vulnerabilidade social: no final de fevereiro, havia um total de 38 milhões de trabalhadores informais e 12,2 milhões de desempregados, que dependiam do trabalho de cada dia para seu sustento.

“Foi o maior recuo [do consumo das famílias] desde a crise de energia elétrica em 2001”, diz Rebeca Palis, acrescentando que o consumo das famílias pesa 65% do PIB. O consumo do governo ficou praticamente estável (0,2%) no primeiro trimestre deste ano, mesmo patamar do último trimestre de 2019.

“Poderia ser menos pior, e poderíamos pensar em um segundo semestre melhor [para a economia] se tivéssemos um momento de mais união política”, diz a economista Silvia Matos, que elabora o boletim macroeconômico do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas. A projeção do Ibre para 2020 é de que o consumo das famílias caia 8%, o investimento seja reduzido em 15,7% e o setor de serviços retraia 4,3%.

Enorme contingente de desempregados

“Janeiro e fevereiro já não tinham sido brilhantes”, concorda o economista Sergio Vale, da Consultoria MB Associados. “Havia toda aquela lenda no final do ano passado de que a economia ia começar a decolar. O governo falou muito disso no terceiro trimestre, quando os números haviam vindo melhores, mas o quarto trimestre foi um banho de água fria e o primeiro trimestre caminhava para isso também. Em 2020, tirando a agricultura e o consumo do governo, praticamente todos os setores terão quedas significativas”.

Nessa triste realidade, o mais provável é que o número de desempregados já tenha começado a aumentar. A aparente redução, de 12,7% no primeiro trimestre de 2019 para 12,2% no mesmo período de 2020, esconde distorções, principalmente o desalento, que, em meio à quarentena, faz muitos desistirem de procurar oportunidades. Assim, a estatística oficial de desemprego só não se elevou mais rapidamente porque menos pessoas procuraram emprego, provavelmente em consequência das medidas de distanciamento social.

O Ibre prevê taxa de desemprego média de 18,7% em 2020, com redução de 3% no número de pessoas que procuram emprego. Uma peculiaridade perversa da crise da pandemia é que, diferentemente do que costuma acontecer em recessões no Brasil, os trabalhadores desempregados não podem recorrer aos ‘bicos’, como a venda de comida ou serviços de construção civil. Desta vez, essa é uma opção muito difícil. Por isso, desta vez, a queda do consumo será tão grande, de acordo com as projeções.

“Agora o efeito é mais devastador no contexto de informalidade, uma vez que o cara não pode procurar emprego. Nem adianta ele ofertar trabalho. Antes ele ofertava trabalho, mesmo com a demanda fraca”, diz Silvia Matos, do Ibre.

A partir dos cálculos do economista Sérgio Vale, não se pode imaginar que a retomada da economia será rápida ou sequer simples. Em uma suposição otimista, ele simula como seria uma retomada em que a atividade da indústria voltasse, em outubro, a 80% do ritmo em que ela estava em fevereiro. “Supondo um resultado cinco vezes melhor do que tivemos nos últimos anos, levaremos cinco anos para voltar ao pré-crise”, prevê Vale.

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Brasil Destaque

Brigas entre Executivo e Judiciário se agravam

Por Sandro Barros

Em Brasília, como se diz no popular, “a chapa está quente”. Dessa forma está a relação entre o governo federal e o Supremo Tribunal Federal (STF). Com muitas acusações de ambos os lados, a constitucional harmonia entre os Poderes ficou apenas no papel.

O presidente Jair Bolsonaro deu voz à reação do Palácio do Planalto à operação policial, realizada em 27 de maio, contra empresários, políticos e blogueiros ligados ao governo. Ele defendeu os alvos da Polícia Federal, fez uma crítica velada aos ministros Celso de Mello e Alexandre de Moraes, ambos do STF, reclamando de decisão “quase que pessoal”, e disse ter chegado ao limite: “Estou com as armas da democracia na mão”, afirmou, sem especificar ao que se referia.

O governo já havia reagido com um gesto político, ao apresentar de um pedido de habeas corpus para os investigados e o ministro da Educação, Abraham Weintraub. A petição foi assinada pelo ministro da Justiça, André Mendonça. Enquanto isso, no Supremo, o ministro Edson Fachin pediu ao presidente de Corte, Dias Toffoli, para levar ao plenário o pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, de suspensão do inquérito que apura as fake news, origem da operação do dia 27. Fachin também foi sorteado relator do habeas corpus de Weintraub.

Em paralelo, Aras se manifestou contra a apreensão dos celulares de Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, outro foco de tensão na relação entre os Poderes. Em contrapartida, Celso de Mello encaminhou à Procuradoria Geral da República (PGR) ações que acusam ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, de crime de responsabilidade.

Ao que tudo indica, há uma relativa ‘paz’ entre o governo e o Congresso Nacional, em particular a Câmara dos Deputados, desde que Bolsonaro recentemente decidiu se aliar ao Centrão ─ setor mais conservador e parasitário do parlamento. No entanto, quando se trata do Judiciário, a relação segue virulenta.

’Onze togas e um destino: governar o Brasil’

Para muitos, no centro dessa crise entre governo e STF está a disputa pelo espaço nas decisões sobre os rumos do país. Conversamos com Carlos Augusto Aguiar (Carlão) ─ advogado, militante sindical, jornalista e colunista do Diário do Rio ─ para que ele nos falasse um pouco mais sobre essa opinião.

O STF está de fato extrapolando o seu papel?
Acredito que sim! Em nome de combater supostas ilegalidades praticadas pelo Poder Executivo e por manifestações populares, o Supremo vem tomando decisões que não se amparam na Constituição Federal. Proibir manifestações, sejam elas de orientações de esquerda ou de direita, são práticas comuns em um regime militar. Dessa forma, as liberdades democráticas estão ameaçadas.

Isso é o que se chama de ditadura de toga?
Certamente. Chegamos a um ponto onde 11 ministros do Supremo estão governando o Brasil. Estão mandando mais do que o presidente eleito nas urnas, mais que as leis do país. Por eles, não se pode mais fazer protestos em frente à sede do STF, do Congresso, do Senado e chamá-los de corruptos. Antes podíamos e agora não? Não se pode mais chamar um político corrupto de corrupto? Isso é um retrocesso e só está sendo possível porque o Brasil passa por uma grave crise de governabilidade, em que o Poder Judiciário quer substituir o governo.

Porque você afirma que temos esse tipo de ditadura?
Veja bem, durante os anos de chumbo da ditadura militar não se podia fazer nada contra o regime. Mesmo assim haviam manifestações. Toda manifestação popular contra o regime era sufocada com prisões, torturas e assassinatos. Já no período pós-ditadura, por volta de 1977/78, com a abertura política, o povo e a sociedade organizada voltaram às ruas para exigir anistia ampla, geral e irrestrita. Com nossas bandeiras vermelhas (com a estrela, com a foice e o martelo), tomamos as ruas por diretas já, nova Constituinte, fora Collor, fora FHC, cartão vermelho para o STF, fizemos manifestações contra as privatizações, etc. Recentemente, nas inúmeras manifestações violentas praticadas pelos ‘black blocs’, havia uma quebradeira geral. Tivemos também as manifestações que pediam o impedimento da Dilma Rousseff. Entretanto, em nenhuma delas o STF se manifestou. Nenhuma delas foi classificadas como “atentado à democracia ou às instituições democráticas”. Durante o episódio do impedimento da Dilma, o presidente da CUT falou em pegar em armas para defender a ex-presidente. Então, a atitude dos 11 de togas é, no mínimo, uma hipocrisia. Como cidadão, ao longo dos meus 66 anos, estou muito preocupado com os rumos do país. Chegamos ao absurdo de que usar as cores da nossa bandeira está sendo interpretado como um atentado à democracia e às instituições democráticas!

E sobre as denúncias acolhidas contra o atual governo?
Todas devem ser investigadas, sem dúvida alguma. Mas há também, e isso é inegável, uma movimentação do STF em acolher investigações sem base jurídica alguma. Ora, se Bolsonaro e sua família estão envolvidos em casos de corrupção e desmandos todos nós, pessoas honestas, queremos que se passe a limpo. Mas, alerto, em base a fatos reais e não especulações. Por outro lado, o mesmo STF manda soltar vários políticos corruptos já condenados. Não estou defendendo nenhum governante ou ex-governante, mas é um absurdo que a mais alta Corte do país haja com dois pesos e duas medidas.

Qual a consequência disso nesse momento de pandemia?
O resultado é péssimo. Se os Poderes estão em atrito, tudo fica mais fragilizado, inclusive as vidas das pessoas e os seus empregos ─ os institutos de pesquisas apontam cerca de 15 milhões de desempregados em consequência da pandemia. Se as instituições do país não se comportam como deveriam, em harmonia, isso acaba inevitavelmente resvalando na economia, na saúde, na educação, por exemplo. Enquanto o povo está preocupado em se defender da covid-19, em manter seus empregos, em colocar comida na boca de seus filhos, eles estão brigando pelo poder e por interesses pessoais. Realmente não é momento para esse tipo de disputa. Atentado à democracia, no meu entender, é a corrupção em todos os níveis que aprofunda e amplia a miséria e a fome de milhões de brasileiros. Esses corruptos é que devem ser enjaulados e terem seus bens confiscados. Esse é o verdadeiro papel do STF!

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Witzel diz que Flávio Bolsonaro deveria estar preso e Brasil vive ditadura

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, afirmou, nesta terça-feira (26), que o senador Flávio Bolsonaro deveria estar preso e que o presidente Jair Bolsonaro tenta ser “mais um ditador na América Latina”. Ele fez as declarações em coletiva de imprensa convocada para comentar a Operação Placebo, que mira supostas fraudes em contratos de hospitais de campanha no Rio de Janeiro.

Um dos alvos é Witzel, que teve o sigilo telefônico e telemático quebrado por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Celulares e computadores do governador foram apreendidos no Palácio das Laranjeiras nesta manhã. Witzel afirma que o  STJ foi induzido ao erro e que ele é alvo de perseguição política por parte do presidente Jair Bolsonaro. “Esse é um ato de perseguição política que se inicia nesse país e isso vai acontecer com governadores inimigos”, disse Witzel.
Ele alega que não foram encontradas provas materiais de atos de corrupção e desvios de dinheiro, como apontam investigações. “Não foram encontrados valores, não foram encontrados joias. Se encontrou, foi apenas a tristeza de um homem e de uma mulher pela violência com que esse ato de perseguição política está se iniciando no nosso país. O que aconteceu comigo vai acontecer com outros governadores que forem considerados inimigos. Narrativas fantasiosas, investigações precipitadas, um mínimo de cuidado na investigação do processo penal, levaria aos esclarecimentos necessários”, ressaltou.
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Witzel diz que socorro da União não é suficiente para estado do Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse que o socorro financeiro da União ao estado é importante, mas insuficiente para repor as perdas sofridas neste período de pandemia.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Witzel destacou que o Rio perdeu um R$1,3 bilhão em receita tributária nos meses de abril e maio deste ano.

Neste cenário, o governador solicitou uma reunião específica para discutir a situação financeira do estado. O pedido foi feito após reunião por videoconferência com o presidente Jair Bolsonaro durante o Fórum dos Governadores.

Durante o Fórum, Bolsonaro prometeu sancionar o projeto que prevê socorro financeiro do governo federal no valor de R$60 bilhões, em quatro parcelas, para estados e municípios. Os recursos devem ser usados em ações de enfrentamento à Covid-19 e para minimizar o impacto das medidas restritivas de combate à pandemia.

 

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Economia Notícias do Jornal

O colapso da falta de entendimento

Por Alessandro Monteiro

Ainda na fase de pandemia causada pelo novo coronavírus, o mundo volta a refletir sobre as questões econômicas, buscando soluções que possam amenizar o impacto e gerar mais crise.

Os Estados Unidos, a maior potência mundial, já registram quase 15% de desemprego, o que representa mais de 20 milhões de pessoas que perderam seu trabalho no mês de abril. Governos de todo o mundo, decidem de forma prática, congelar suas economias para frear a propagação do coronavírus e amenizar a demanda de demissões, que obriga milhões de trabalhadores a recorrerem às ajudas do governo para garantir o mínimo de sobrevivência.

No Brasil, a situação é altamente preocupante, visto que o país não consegue criar meios de recuperação econômica por vários motivos. A corrupção infiltrada no sistema, é a grande responsável pelo grande rombo nos caixas públicos do governo, que a cada dia, parece um poço sem fundo.

Durante a pandemia, já foram descobertas fraudes que somam mais de R$ 520 milhões envolvendo compra de equipamentos piratas, empenhos pagos pelo governo a empresas fantasmas e por aí segue o Brasil.

Por outro lado, o Governo federal também não consegue dialogar internamente, no intuito de buscar soluções práticas que possam trazer respostas de imediato.  O ministro da Casa Civil, Walter Baga Neto, lançou as linhas gerais de um plano de recuperação econômica para superar a crise, que prevê, a retomada de obras públicas com recursos do Tesouro Nacional, como tentativa de frear o desemprego.

No entanto, o projeto sem participação direta do Ministro da Economia Paulo Guedes, que tenta convencer a ala de militares do governo abortar o plano. Como justificativa, Guedes alega que o novo projeto aumentará em larga escala os investimentos, e defende a ideia de focar no programa de descentralizações, afirmando a possibilidade de atrair cerca de R$ 150 bilhões em investimento privados.

Guedes, que defende o sistema de privatizações, como plano do governo de passar empresas públicas para o investimento privado e congelar por 2 anos, os salários dos servidores. O presidente Jair Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o assunto e reforça a fala que – o posto Ipiranga do governo é o Guedes. Logo, já prevemos aí, mais um novo desgaste do governo para salvar parte da economia do país.

De acordo com especialistas, a crise causada pela pandemia vai se estender até meados do ano que vem, afirmando a importância de repensar a atual política de ajuste fiscal, visto que as medidas lançadas que giram em torno dos R$  300 bilhões, servem apenas como analgésicos paliativos da grande onda, que temos que enfrentar ainda pela frente.