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Por que a gasolina não para de subir? Combustível já teve 5 reajustes no ano e está 41% mais caro

Por Alan Alves

Nos últimos meses, os brasileiros têm sido bombardeados com os aumentos dos combustíveis. Somente a gasolina teve cinco aumentos nas refinarias no ano e já acumula alta de 41% em 2021. O óleo diesel, com quatro elevações de preço desde janeiro, e o gás de cozinha também sobem desenfreadamente — acumulam altas de 33% e 17% no ano, respectivamente.

Só para se ter ideia do salto nos valores, em dezembro, o litro da gasolina custava em média R$ 1,84 nas definharias e o diesel R$ 2,02. Agora, depois do reajuste mais recente, na terça-feira (2), o litro da gasolina passou a custar R$ 2,60 para a venda às distribuidoras e o preço do óleo diesel R$ 2,71.

Os preços reajustados pela Petrobras se referem ao produto vendido às distribuidoras. Até chegar ao consumidor final, o valor sofre ainda acréscimo de impostos estaduais e federais, custo para a mistura de biocombustíveis, custo de manutenção dos postos e as margens de lucro das revendedoras.

E o que sobra para o consumidor são os valores astronômicos. Além disso, como toda a cadeia produtiva depende de combustível, insumo básico para a economia, a elevação de preços reflete em outros setores. Contribui para a alta dos alimentos, já que que impacta na produção agropecuária e no escoamento, uma vez que os combustíveis são essenciais para o deslocamento dos itens até os consumidores. Há impacto ainda no valor dos transportes, frete de encomendas, remédios etc.

Política de paridade com mercado internacional da Petrobras encarece combustíveis. (Foto: ABr)

Os reajustes seguem ordem do presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, que está prestes a deixar a empresa. Incomodado com a alta dos preços, Bolsonaro já anunciou a destitutição dele e a indicação do general Joaquim Silva e Luna para o cargo. A substituição deve acontecer após Assembleia Extraordinária da Petrobras, ainda sem data.

Para tentar segurar os preços, Bolsonaro ainda suspendeu a cobrança de PIS e Cofins sobre o diesel (em março e abril) e o gás de cozinha (por tempo indeterminado), o que provocará uma perda de cerca de R$ 3,65 bilhões na arrecadação federal. Para compensar o rombo, o governo aumentou impostos sobre bancos — a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobe de 20% para 25%.

Bolsonaro zerou impostos para tentar conter alta dos combustíveis. (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Mas porque mesmo com a autossuficiência na produção de petróleo, após as descobertas gigantes no pré-sal, e com 17 refinarias no Brasil (com capacidade para processar 2,4 milhões de barris por dia), a Petrobras não baixa o preço dos combustíveis?

O primeiro motivo está na falta de investimento em tecnologia para as refinarias, que não conseguem refinar todo o petróleo que a gente produz. O petróleo brasileiro é do tipo pesado, mais denso e difícil de refinar e, com isso, as refinarias precisam mistura-lo com o óleo leve, importado países como Nigéria e Arábia Saudita, para conseguir fazer o processo. Como o óleo pesado é mais barato, se ganha menos com a exportação e gastamos mais com a importação. E isso, claro, impacta no preço.

Presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, está prestes a deixar cargo. (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

A política de preços da Petrobras, de competir de acordo com as condições de mercado, seguindo a cotação internacional e o câmbio, viabiliza inda a importação de derivados, como diesel e gasolina. A paridade internacional permite que produtos de fora tenham preços competitivos com os do mercado interno. Alem disso, a combinação de dólar alto e aumento da cotação internacional do petróleo, como agora na pandemia, sempre vai pesar no bolso no consumidor — e, segundo os especialistas, há espaço para mais reajustes, já que os preços no Brasil ainda estão menores que os cobrados no exterior.

Essa política, que agrada e beneficia somente aos acionistas, deixa a sociedade brasileira a mercê de preços internacionais, mesmo sendo a Petrobras uma empresa brasileira, que explora o petróleo nacional e tem grande parte dos seus custos fixados em reais.

Na prática, é como se a empresa, que encerrou o quarto trimestre de 2020 com lucro recorde de R$ 7 bilhões, apesar do momento de crise, não fosse brasileira e não pertencesse aos brasileiros. A expectativa é que a troca de comando na estatal possa mudar um pouco essa ideologia de mercado.