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Prefeitura anuncia novo calendário de vacinação de profissionais de saúde entre 50 e 59 anos

Foi divulgado o calendário de vacinação para os profissionais de saúde entre 50 e 59 anos, que seguirá em paralelo ao cronograma dos idosos.

Nas etapas anteriores já foram vacinados os profissionais de saúde da linha de frente, os diretamente envolvidos na campanha de vacinação e aqueles com 60 anos ou mais.

Os calendários de vacinação contemplando os próximos grupos prioritários serão divulgados futuramente, conforme novos aportes de vacinas forem chegando ao município.

Abaixo o calendário:

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Profissionais da saúde: a dura realidade por trás dos heróis

Por Franciane Miranda

O Diário do Rio entrevistou a doutora Adriana da Silva Diaz André, pediatra especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. A médica falou sobre a difícil rotina dos profissionais da saúde e a falta de valorização da categoria, que trabalha na linha de frente da pandemia.

O que os médicos estão enfrentando todos os dias?
Os médicos e profissionais de saúde de um modo geral estão enfrentando dias difíceis, com uma sobrecarga de trabalho, o estresse de lidar com uma doença pouco conhecida, além do medo de adoecerem e também transmitirem a doença para seus familiares.

Qual a verdadeira realidade por trás dos heróis?
Por trás dos heróis existem seres humanos que sofrem, que têm medos e ansiedades como todos, existem suas famílias. E uma coisa que ninguém fala é que quase todos trabalham sem garantias trabalhistas.

Eles possuem algum direito trabalhista quando são afastados por motivo de saúde?
Na verdade, a relação trabalhista dos profissionais de saúde não é homogênea. Alguns poucos trabalham com suas carteiras assinadas e gozam dos seus direitos, como o afastamento remunerado em caso de doença. Mas o que vem acontecendo já há algum tempo é a contratação desses profissionais na forma de pessoa jurídica (PJ).

E o que acontece com eles?
Eles são obrigados a abrirem uma firma e assim prestar serviços para os hospitais e empresas de saúde. Com isso, o hospital se isenta de pagar os direitos trabalhistas. Na prática, existem alguns acordos que são feitos como um valor às vezes maior do salário, férias, décimo terceiro, todos acordados entre o hospital e o profissional. Acontece que, como não existe obrigação legal, cada hospital age de uma maneira, uns não pagam nada mais além do salário, outros pagam uma parte em caso de afastamento e outros pagam integral. Essa falta de estabilidade gera um estresse ainda maior porque, além do medo de adoecer e ter uma evolução desfavorável. Existe também o medo de não poder cumprir com seus compromissos financeiros em caso de afastamento.

Faz tempo que isso acontece?
Essa situação já vem acontecendo há algum tempo não só com médicos, mas também outros profissionais de saúde, como enfermeiros e fisioterapeutas. Isso me chama mais atenção nesse momento e me deixa indignada porque não vejo ninguém defender melhores salários para estes profissionais que deveriam estar ganhando, no mínimo, o dobro nesse momento. Parece que as pessoas pensam que aplausos e homenagens são suficientes.

E na rede pública?
Na rede pública existem duas situações: a dos médicos concursados, que são os estatutários, e a dos médicos contratados. As contratações normalmente são feitas por Organizações Sociais (OS), que têm parcerias com o poder público. Particularmente vejo isso como a relação do atravessador. Normalmente os estatutários, que estão em extinção, já que praticamente não existem mais concursos para esta situação, recebem salários menores e gozam das garantias do servidor público. No caso dos contratados, o tratamento é semelhante ao que ocorre na rede privada, ou seja, o salário é melhor, mas se adoecer não recebe nada.

Qual a solução?
Acho que a solução para toda essa problemática será a aprovação do plano de cargos e salários para os médicos, que já está para aprovação, mas ninguém se interessa. Medicina tinha que ser carreira de Estado. Nós, médicos, precisamos trabalhar inteiramente para nossos pacientes e não para empresários. Nem falei da burocratização da Medicina, com excesso de exigências e protocolos que nos engessam cada vez mais, e que é uma das principais causas do Burnout entre os médicos do mundo inteiro.

E o que é Síndrome de Burnout?
É um tipo depressão por esgotamento físico e psíquico que leva muitos médicos a serem infelizes na profissão, chegando ao suicídio em alguns casos.

Já faltam médicos nos hospitais?
Atualmente não acho que estejam faltando médicos. O que vem acontecendo é que, como vários médicos estão adoecendo, alguns plantões são desfalcados. Mas normalmente se consegue algum substituto. Eventualmente algum médico precisa dobrar o plantão, o que aumenta o estresse.

Como os médicos estão lidando com esta pressão?
Na verdade, acho que nesse momento ninguém está parando para pensar. Todos só trabalham, trabalham e pronto! É triste ouvir alguns comentários como: ‘não tem jeito, ninguém vai fazer nada mesmo’. Uns ainda dizem: ‘pelo menos o valor do salário é maior’. Só que ninguém consegue enxergar que isso é um tratamento injusto e desumano. Não conseguem pensar que, enquanto estão produzindo, tudo vai bem. Mas se adoecerem ou até mesmo diminuírem sua produção pelo próprio envelhecimento, o que irá acontecer? E em caso de falecimento, como ficarão suas famílias? Me parece que os médicos estão sendo explorados de uma maneira cruel sem perceber.

Qual sua mensagem que aos profissionais que estão passando por esta situação difícil?
A mensagem que deixo é de coragem. Que sejam corajosos, que procurem fazer o melhor pelos pacientes, que cumpram honrosamente e amorosamente seus juramentos, mas não se esqueçam que são seres humanos como qualquer outro e com as mesmas necessidades e fraquezas. Todo conhecimento e capacitação são frutos puramente de sua dedicação e esforço. Não se deixem explorar pelos ‘empresários’ da Medicina. Exijam seus direitos, seus EPIs adequados e cuidem-se! Todos precisam de vocês. Que Deus os abençoe e proteja! Finalizo com um poema de Eduardo Alves da Costa para reflexão: ‘Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, roubam-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arrancam-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada’.

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Rio vai entregar cinco mil máscaras para profissionais de saúde do estado

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) do Rio de Janeiro começou a distribuir ontem (1º) cinco mil máscaras do tipo Face Shield (máscaras-escudo) para hospitais e unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Os equipamentos, considerados pela comunidade acadêmica e científica um importante Equipamento de Proteção Individual (EPI) no combate ao Covid-19, para uso e segurança dos profissionais de saúde. O material foi doado pelo Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA) e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

“Todo material será doado a unidades de saúde, e tenho absoluta certeza que esse apoio terá um grande impacto positivo no enfrentamento ao novo coronavírus. Com a sociedade mobilizada, vamos vencer essa guerra”, disse o secretário de Estado de Saúde, Edmar Santos Quero.

As primeiras máscaras foram entregues à direção do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, zona norte do Rio, uma das unidades de referência ao combate ao novo coronavírus no estado. Outras unidades hospitalares do estado contempladas são: Adão Pereira Nunes, Alberto Torres, Azevedo Lima, Carlos Chagas, Getúlio Vargas, Instituto Estadual do Cérebro, Hemorio, Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, Anchieta, Zilda Arns, São Sebastião, Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ari Parreiras, Hospital da Mulher Heloneida Studart, Roberto Chabo, João Baptista Caffaro, Pedro Ernesto e a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap).

As UPAs contempladas são: Marechal Hermes, Tijuca, Botafogo, Copacabana, Ricardo de Albuquerque, Realengo, Bangu, Colubandê, Magé, Fonseca, Santa Luzia, Campos, Caxias II (Sarapuí), Queimados, Campo Grande I e II, Nova Iguaçu I (Cabuçu), Mesquita, Maré, Irajá, Engenho Novo, Botafogo (em Nova Iguaçu), Santa Cruz, Itaboraí, Taquara, Caxias (Parque Lafaiete), Penha, Gericinó, Ilha do Governador e São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos.

Com informações da Agência Brasil