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Vale das Princesas X Caminho do Imperador

O Brasil Colônia possuía uma importante rede de caminhos, aos quais era dado o nome de estrada real. Muitos desses caminhos eram antigas trilhas e veredas abertas pelos bandeirantes que se embrenhavam pelo sertão, na direção das Minas Gerais e goiás, à procura de ouro e pedras preciosas. Quem vinha da capital do Rio de Janeiro, tinha de ir em uma embarcação até Paraty, subir a Serra do Mar até Taubaté para encontrar o Caminho Velho e seguir adiante. Do Rio eram em média 100 dias de viagem, sendo 43 a pé ou a cavalo.

Localizado entre os Municípios de Miguel Pereira, Paty do Alferes e Petrópolis, o Vale das Princesas fica no encontro de duas das mais importantes áreas de Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro, as florestas das Serras do Órgãos e do Tinguá. Foi no Vale que surgiu a primeira via construída no início do século XVII ( época do Brasil Império) unindo o Rio de Janeiro e as Minas Gerais, utilizada por tropeiros e pelo Imperador Dom Pedro II que principalmente, no inicio do Ciclo de Ouro, a utilizava para alcançar as Minas Gerais. Razão pela qual , a via ficou conhecida por “Caminho do Imperador”. Devido ao seu relevo o local, foi denominado “Mar de Morros”, na sua região mais alta (1.100 metros de altitude) está a “Mesa do Imperador”, pedra de onde é possível avistar, em dias claros, a Ponte Rio-Niterói e o Cristo Redentor.

No início o Caminho do Imperador só podia ser percorrido à cavalos, várias passagens surgiram ligando Paty do Alferes a Córrego Seco. Mas com a criação de Petrópolis, em 1843, e depois com a chegada dos imigrantes alemães, surgiu a necessidade de uma estrada melhor para abastecer a colônia alemã. Assim os produtos seriam transportados com mais facilidade e em menor tempo, além de um estímulo para a fabricação de carruagens. A obra do caminho foi concluída, em 1858, com uma distância de 33 km a partir da Estrada do Contorno.

Esses caminhos que ligaram o interior ao litoral, promoveram uma unificação cultural e de esforços que resultaram na ocupação e no desenvolvimento de uma vasta região onde se instalaram fazendas, ranchos, pousos e vendas. Nesta época, também, teve início da atividade administrativa pública, organizada com o emprego de funcionários para o controle da zona mineira, como fiscais, carregadores, meirinhos (antigo magistrado de nomeação régia, correspondente ao atual oficial de justiça), criação dos registros ao longo dos caminhos, monetarização da economia, com a criação da Moeda, das Casas de Fundição e a formação, enfim, de uma classe média mais sólida, ao lado de outras como mineradores, artesãos, administradores, comerciantes, etc…

O Caminho do Imperador é perfeito para os que gostam de pedalar e tem disposição para o desafiador trajeto íngreme e com muitas ondulações. E, também, para aqueles que curtem a natureza que irão encontrar um cenário exuberante, de muitos riachos e cachoeiras espalhados ao longo do caminho.

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O fascínio das trilhas sobre duas rodas

As motos simbolizam juventude e, em algumas épocas, rebeldia. Um veículo que faz parte da imaginação das pessoas e para aqueles que gostam não representa tão somente, um meio de locomoção, mas uma devoção apaixonada por seus admiradores.

Pilotar uma moto, para muitos é uma satisfação e para os amantes deste meio de transporte, ser motociclista é um estilo de vida. Alguns optam pelo estilo esportista, participando de competições; outros a utilizam como meio de transporte e para um número, cada vez mais, crescente de pessoas considerados estradeiros, optam por viajarem
sozinhos ou por se juntarem a moto-clubes, para curtirem e se aventurarem nas estradas. Categoria de motos de aventura e trail tem aumentado ao longo dos anos para abranger motos de todas as formas e tamanhos, com um amplo espectro de aplicações pretendidas. Enquanto algumas motos são cuidadosamente projetadas para se sobressair na sujeira com o sacrifício do desempenho em rodovias, outras exibem os atributos inversos.

Por conta de sua Geografia, os motociclistas que desejam se aventurarem na região de Miguel Pereira, Paty do Alferes, Vassouras e Petrópolis tem a possibilidade de percorrer trilhas, extremamente, técnicas que cruzam a Mata Atlântica com sua exuberante beleza, fazer travessias por riachos e pedras, passar por plantações de tomates e pimentões, construções antigas e históricas, e por povoados rurais. Roteiros de terrenos acidentados, subidas e obstáculos naturais para se
percorrer, aproveitando o máximo cada quilômetro.

Existem vários grupos que se reúnem para fazer trilhas. A grande vantagem é que, geralmente, existem pilotos que podem dar dicas valiosas, assim com outros com diferentes habilidades (como médicos, enfermeiros, engenheiros, mecânicos, etc…) além, claro, de fazer novas amizades. É muito importante, também, que o primeiro e o último da fila sejam pilotos experientes, um pode mostrar o caminho e o outro pode prestar socorro a quem se acidentar.

É bom, sempre, lembrar que trilha não é competição, mas uma forma de se divertir e ficar mais perto da natureza. Por isso antes de pegar sua moto e sair por aí, deve-se tomar algumas precauções que poderão diminuir o risco de imprevistos e tornar o programa mais agradável.

Algumas dessas trilhas são roteiros consagrados, não somente para moto trail, mais também para cavalgadas, moutain bike e passeios a pé.

O Jornal DR 1 gostaria de agradecer a Paolo motos pelas informações

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Estrada de Ferro Mauá – Pioneira do Brasil

As ferrovias tem origem no Século XIX, quando a máquina a vapor começou a ser utilizada para movimentar composições por cima de trilhos. Passaram a ser desenvolvidas para o transporte de passageiros e definiram um novo padrão de transporte por via terrestre.

Por volta de 1776 os trilhos de madeiras, até então utilizados, começaram a ser trocados por trilhos de ferro, o que caracterizou a Rall Way, ou seja, a linha férrea.

Com mais força, as máquinas foram substituindo os cavalos, proporcionando o aumento do número de vagões e da qualidade de carga transportada pelas composições. A partir desta época foram ocorrendo diversas melhorias técnicas nos trilhos e nas locomotivas. As ferrovias estabeleceram uma perspectiva diferente sobre a ideia de transporte de cargas mais pesadas e por longas distâncias. Em razão das possibilidades de mobilidade, também, no meio urbano, as linhas férreas passaram a ser uma opção para transporte de passageiros. Neste sentido, a Inglaterra tomou a frente no que corresponde a essa modalidade, inaugurando em 1812, a primeira composição para transportar, exclusivamente, passageiros.

O ano de 1830 ficou marcado como o início da Era das Ferrovias, quando foi inaugurada, na Europa, a primeira linha férrea de longa distância para passageiros em escala comercial.

Ao contrário das nações ricas, onde as ferrovias foram construídas de maneira a integrar seus territórios, as ferrovias estabelecidas nos países explorados tiveram sua estrutura criada e planejada para interligar as áreas produtoras de matérias- primas em direção dos portos para facilitar o escoamento desses produtos.

No Brasil, não demorou para que as questões relacionadas à invenção da locomotiva e a construção de estradas de ferro fossem conhecidas. As primeiras iniciativas nacionais, no que diz respeito às ferrovias, data de 1828, quando o Governo Imperial autorizou por Carta de Lei a construção e exploração de estradas em geral.

O primeiro trem a circular no Brasil, foi puxado por uma locomotiva chamada Baronesa. A data histórica de sua primeira viagem foi o dia 30 de abril de 1854. Percorreu a distância de, aproximadamente, 15 km compreendida entre o Porto de Estrela, e a localidade de Raiz da Serra, em direção à cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro. Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, foi o responsável pela construção dessa ferrovia por uma concessão dada pelo Príncipe Regente D. Pedro II. A responsável pela obra foi a Empresa Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro Petrópolis de propriedade do Barão de Mauá. A Ferrovia ficou conhecida como Estrada de Ferro Mauá.

A Estrada de Ferro Mauá, permitiu a integração das modalidades de transportes aquaviário e ferroviário, introduzindo a primeira operação intermodal do Brasil. À embarcação fazia o trajeto inicial da Praça XV indo até o fundo da Baía de Guanabara, no Porto Estrela, e daí, o trem se encarregava do transporte até a Raiz da Serra, próximo a Petrópolis.

Quando da proclamação da República, em 1889, já existiam, no Brasil, cerca de 10.000 km de ferrovias, mas foi no inicio do Século XX que se deu um grande passo no desenvolvimento das ferrovias, tendo sido construídos entre 1911 e 1916 mais de 5.000 km de linhas férreas.

A Estrada de Ferro Central do Brasil foi um marco importante na história ferroviária brasileira. Foi a única ferrovia, verdadeiramente, nacional, já que ligava entre si 3 dos principais estados do Brasil: Rio de janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

Infelizmente, a atual malha ferroviária brasileira encontra-se em condições precárias, encontrando-se sucateada e esquecida.

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Cutelaria – Uma arte transmitida de geração a geração

A Cutelaria é uma arte, uma ciência de elegância. Maestria e know-how são os dois elementos indispensáveis à criação de um objeto de arte. O profissional transforma a matéria para criar um utensílio harmonioso, útil e refinado. Para cada peça, o artista utiliza, na sua totalidade, a matéria-prima de forma artesanal e independente antes de ser personalizada. O cuteleiro digno de seu nome faz opção somente por material não industrializado e selecionados com o maior cuidado para atender as exigências do oficio.

O Jornal DR1 foi ao encontro do profissional da forja Sr. Bruno Zagallo de Amorim para conhecer um pouco de seu trabalho e desse fantástico universo da arte de transformar, a Cutelaria.

Bruno em que instante a cutelaria despertou sua atenção e interesse?

Bruno: Quando comecei na Cutelaria não imaginei que se tornaria uma profissão de verdade. Estava no Maranhão trabalhando em um projeto, pelo Museu Nacional, de Conservação da Ictiofauna do Rio Tocantins coordenando a parte de campo com os pescadores locais. Eu ficava de 2 a 3 semanas por mês no Estado, muita das vezes sozinho e por conta desse trabalho e dessa estadia realizei minha primeira obra, uma espada de samurai, feita de forma arcaica, sem nenhuma técnica, desbastando, somente, um pedaço de aço cru. Depois fiquei, aproximadamente, 5 anos sem se quer forjar o metal.

Quem te inspirou e te iniciou! Verdadeiramente! Neste universo?

Bruno: Depois de um certo tempo, após o término do projeto, voltei para morar em Miguel Pereira. Foi, então, que fui apresentado ao Sr. Nelson Furtado, um mestre de oficina, aposentado da Rede Ferroviária Federal S.A., responsável pela minha iniciação no mundo da cutelaria. Foi o senhor Nelson quem me ensinou as técnicas da profissão e que me ajudou, através de livros que me emprestou, buscar conhecimentos
que me ajudaram a desvendar e me apaixonar pela arte. Aprendi a forjar com ele. Tornou-se uma grande amigo e mestre aos 86 anos. Forjando juntos e aprendendo e observando as artimanhas da forjaria e de outras artes.

Você segue um estilo ou uma linha na sua elaboração?

Bruno: Cada cuteleiro desenvolve seu próprio estilo, e, mesmo querendo “imitar” outros, isso não se traduz em sua obra final. Cada artesão tem uma marca própria, o jeito único que martela o aço quente, o jeito que aperta a lâmina contra a lixa, a forma que dá ao cabo, a forma que enxerga sua arte, tudo isso é único. Eu comecei utilizando
material reutilizável, capas de rolamento, molas de suspensão de automóveis, sucata em geral. Hoje, tenho fornecedores sérios com aço
certificado e de vários tipos: inoxidável, aço alto carbono, cada um bem específico para cada tipo de faca a ser fabricada.

Como é feita a escolha do design e o tipo de faca a ser confeccionada?

Bruno: A maioria das facas que produzo são por encomenda e, geralmente, converso com o cliente sobre suas preferências quanto ao uso do material, uso prático, suas vantagens, tamanho da lâmina, do cabo, material do cabo, etc…. Quando faço uma lâmina de criação própria busco inspiração em grandes mestres da cutelaria, geralmente, russos, japoneses e americanos. Mas, sempre, com meu estilo. Procuro, só “copiar” uma lâmina, quando solicitado por um cliente e mesmo assim costumo não chamar de cópia e sim se releitura.

São muitos os processos de elaboração da obra até a sua conclusão?

Bruno: A fabricação de uma lâmina requer vários processos minuciosos e o tempo para a execução de uma faca varia muito. Não só pelo tamanho, às vezes fazer uma faca pequena, mas elaborada, demora bem mais do que o tempo que se levaria com uma maior e rústica. Dependendo dos processos envolvidos, se vai ser de recorte ou se vai ser totalmente forjada à mão, tipo de cabo, espiga, integral, materiais utilizados. Como toda arte, demora, requer tempo humano e por isso são mais valiosas. Bem mais que um simples utensilio de cozinha, a faca é uma verdadeira obra de arte que não para de evoluir, através dos tempos. Desde a Idade Média a faca é passada de utensílio a objeto de coleção. Conservando, sempre, seu lugar sobre as mesas e de destaque dos grandes chefes de cozinhas, nacionais e internacionais.

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Sítio Araxá – Onde a natureza se vestiu de beleza para encantar e deslumbrar seus visitantes

Numerosos países, hoje, tem consciência da necessidade e o dever de se preservar os seus espaços naturais, suas fontes e, principalmente, despertar o desejo de uma sociedade mais justa e igualitária.

O pensamento de desenvolvimento sustentável começa a ser traduzido dentro de uma realidade para mudanças práticas e um modo de desenvolvimento que responde as necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder pelas suas necessidades. O desenvolvimento sustentável era uma ideia relativamente pouco conhecida até a metade do século XX.

O Jornal DR 1 esteve visitando, a convite do proprietário Sr. Ari Motta e de sua gentil e atenciosa companheira Sra. Lilian, o Sítio Araxá que está na família desde 1940, situado em Palmares, Distrito do Município de Paty do Alferes – RJ. Além de estar localizado em meio a exuberância da Mata Atlântica, ser um refúgio da vida silvestre é um exemplo do compromisso do casal com a sustentabilidade.

O Sitio é uma referência em agroecologia (estudo da agricultura a partir de uma perspectiva ecológica) e um dos pioneiros e precursores, com certificação, de orgânicos na região. A propriedade produz ,em escala comercial , húmus de minhoca (adubo natural, de baixo custo, resultante da decomposição de matéria orgânica digerida por esses anelídeos), cultiva frutas (que serve para consumo próprio e para a confecção de geleias e compotas comercializadas na delicatessen do
sítio) e vegetais, plantas medicinais e ornamentais que podem ser, também, adquiridas mudas no grande viveiro que eles mantem. O uso e reaproveitamento dos recursos naturais e materiais seguem, segundo o casal, as regras da biodiversidade animal e vegetal.

Preocupados, cada vez mais, em melhorar a qualidade de vida, os visitantes, naturalmente, recebem uma explicação educativa de como podemos valorizar e respeitar tudo aquilo que contribui para o nosso bem-estar. Despertando em nós, como cidadãos, uma reflexão, fundamental, sobre os melhores métodos a serem seguidos para
incluir, no nosso dia a dia, as considerações necessárias à nossa existência e das boas decisões a serem tomadas para evitarmos que a luz vermelha do nosso planeta se acenda.

O Sítio Araxá oferece, além de hospedagem, um turismo rural e pedagógico, uma cozinha típica caipira, oficinas agroecológica e para os amantes da ornitologia um local propicio e adequado para observação das mais de 70 espécies de aves já catalogadas . Para visitação, mediante agendamento, e para hospedagem os interessados devem entrar em contato com o tel. (21) 97964 6693 ou (24) 24856144.

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Eufrásia – Uma mulher do século XIX que trocou o papel de sinhá pelo de investidora financeira

Nascida em 15 de abril de 1850, em Vassouras – Estado do Rio de Janeiro, Eufrásia Teixeira Leite, filha caçula de Dr. Joaquim José Teixeira e Ana Esméria de Castro, neta paterna do Barão de Itambé, neta materna do Barão de Campo Belo, sobrinha do Barão de Vassouras e sobrinha neta do Barão de Aiuruoca. Tinha uma única irmã Francisca Bernardina Teixeira Leite e um irmão falecido na infância.

O pai atuou na política imperial como Presidente da Câmara Municipal de Vassouras e deputado da Província do Rio de Janeiro. Contudo sua principal atividade era a Casa Comissária de Café (equivalente, hoje, a um banco). Ganhava dinheiro com o café sem nunca tê-lo plantado; financiando os barões cafeeiros. Não possuíam nenhuma fazenda, somente uma chácara (Casa da Hera) e 5 escravos que os serviam. Recebia dos fazendeiros o café para ser vendido e exportado. O dinheiro arrecadado era mantido em crédito em uma conta do fazendeiro, da qual era debitado o valor dos mantimentos e outros pedidos que garantissem novas plantações. Eram as Casas Comissárias que financiavam as lavouras de café. O poder e a fortuna estavam nas mãos dos Comissários do café que controlavam os recursos financeiros para poderem investir e realizarem o processo produtivo. A garantia era a safra futura.
A residência da família era um dos principais palcos por onde transitavam homens e mulheres ilustres da época. A Casa da Hera, como ficou conhecida, foi cenário de festas, saraus e local onde se fazia comércio e se discutia finanças e política.

Com a morte dos pais (a mãe em 1871 e o pai em 1872), Eufrásia e sua irmã herdaram uma fortuna invejável em títulos públicos, apólices do Banco do Brasil e créditos de dívidas a receber. Logo depois, 1873, morre a avó materna (Baronesa de Campo Belo) e as irmãs veem seu patrimônio aumentado por uma soma considerável de dinheiro, na forma de títulos e escravos, herdados da avó. Jovens e solteiras as irmãs contrariando os costumes da sociedade patriarcal da época, não se casara e nem deixaram os tios à administração. O pai lhes havia ensinado matemática financeira e as preparado para serem grandes capitalistas. Venderam escravos, as ações, os títulos e a casa do Rio de janeiro, cobraram créditos, fecharam a Casa da Hera, deixando, apenas dois empregados incumbidos da conservarão e partiram, em 1873, para residirem em Paris.

Na França, Eufrásia, independente, hábil para os negócios e com um espírito empresarial de família investiu sua fortuna e de sua irmã em capital financeiro. Sabendo administrá-la e multiplicá-la com maestria no circuito mercantil internacional. Tornou-se acionista de diversas empresas de diferentes países. Comprou ações, no Brasil, do Banco do Comércio e Indústria de São Paulo, do Banco Mercantil do Rio de Janeiro, do Banco do Brasil, Cia Docas de Santos, Cia Mogiana de Estradas de Ferro, Cia Paulista de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, etc… Consta ter sido a primeira mulher a entrar no reci to da Bolsa de Valores de Paris. Frequentou a aristocracia francesa, ganhou admiradores e se relacionou alguns anos com o político pernambucano e abolicionista Joaquim Nabuco.

Eufrásia Teixeira Leite, após o falecimento de sua irmã, 1899, na França e de ter herdado toda a fortuna da irmã, que era solteira, retorna, definitivamente, para o Brasil em 1928, permanecendo uma temporada em Vassouras, na Casa da Hera. Viveu seus últimos anos, em um apartamento no Rio de Janeiro, cercada de empregados fiéis. Faleceu em 1930, aos 80 anos sem nunca ter casado e sem herdeiros.

Nos terrenos deixados por Eufrásia, em Vassouras, foram construídos o Instituto Feminino para moças pobres, o Colégio Regina Coeli, o Senai, o Fórum e outros prédios. O hospital Eufrásia Teixeira leite foi construído com os recursos deixados por ela. Uma das cláusulas do seu testamento pedia para conservarem a Casa da Hera com tudo que nela existia, não podendo ser ocupada por outros. Assim, a residência de seus pais, em Vassouras, é hoje o Museu Casa da Hera.

A Sinhá Eufrásia fugiu do tradicional papel feminino do século XIX impunha as mulheres subjugadas aos pais, aos maridos e a sociedade. A riqueza lhe garantiu emancipação econômica e sentimental. Era uma mulher bonita, inteligente, autoritária, refinada, culta, apaixonada e solitária.

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Matriz Santo Antônio da Estiva e sua história

Fernando de Bulhões, nasceu em Lisboa – Portugal em 15 de agosto de 1195. Foi ordenado padre em  1220 com o nome de Frei Antônio. Santo Antônio é um santo venerado por toda igreja católica. Foi canonizado pelo Papa Gregório IX em 30 de maio de 1232. Seu dia é celebrado no Brasil e em Portugal no 13 junho .

A primeira construção dedicada ao Santo foi erguida, por iniciativa de um devoto e morador Antônio da Silva Machado, em meados de 1897, quando Miguel Pereira era um vilarejo chamado Barreiros. A Capela construída  no outeiro de Barreiros foi consagrada pelo padre Leonardo Felipe Fortunato, vigário da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Paty dos Alferes, a qual estava sob sua jurisdição e quem doou a primeira imagem de Santo Antônio, vinda de Portugal.

Entre 1900 e 1920 Barreiros passou a se chamar Vila da Estiva. Este período foi caracterizado, em especial, pelas obras de ampliação da Igreja de Sto. Antônio (financiada pelas famílias abastadas do lugar – Machado Bittencourt, Botelho e Peralta), pela ligação ferroviária entre Governador Portela e Vassouras e pela chegada de inúmeros imigrantes de origem alemã, árabe, portuguesa, japonesa e italiana à região da serra.

Frei Olivério firme no que se referia aos serviços da igreja, conseguiu do rico proprietário, Sr Calmério Rodrigues (Sr. Juju) a doação das terras do entorno da Capela para que uma nova obra de ampliação se realizasse. Em 10 de maio de 1953, Dom Rodolfo das Mercês de Oliveira Penna, Bispo Diocesano de Valença, criava a Freguesia de Santo Antônio da Estiva, tornando a Capela em Matriz de Miguel Pereira, com todos os direitos, privilégios e prerrogativas do direito canônico. Foi nomeado como Vigário Cooperador da Matriz o Capelão Padre Francisco Xavier O.F.M. Em julho, do mesmo ano, Frei Xavier é empossado como  Primeiro  Vigário Geral da Paróquia de Miguel Pereira.

Em 1962 foi nomeado pároco da Igreja frei Marciano José Kropf, alemão de origem, da cidade de Colônia. Sempre seguro dos seus propósitos religiosos, com perseverança, com a ajuda da comunidade miguelense e dos moradores de Colônia, na Alemanha, conseguiram erguer uma nova matriz. Uma construção moderna e arrojada que em 17 de abril de 1989 a Igreja Matriz Santo Antônio da Estiva foi consagrada. A Igreja de Santo Antônio da Estiva de Miguel Pereira foi conduzida por frei Jose Kropf por quase 40 anos de dedicação a comunidade e a serviço da fé. Atualmente, a paróquia está, desde outubro de 2014 sobre a direção de Zezinho, nomeado pela Diocese de Valença, como Pároco.

A antiga igreja, hoje, funciona como Centro Cultural .

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Feira Agroecológica – Um Projeto de Sucesso

As feiras, são eventos de grande magnitude e amplo alcance que, mesmo não sendo seu principal objetivo, potencializa o turismo local onde se realiza. Funcionam como uma vitrine de uma temática especial de diferentes produtores que, durante um período limitado, um espaço determinado e organizado por tal fim, os visitantes conhecem os produtores e os serviços expostos.
Os produtores, por sua vez, utilizam as feiras como ferramenta de marketing para potencializar seus negócios, conhecer seus consumidores, aumentar a divulgação de seus produtos e, conseguir, naturalmente, novas vendas.
A feira é, uma expressão da cultura popular associada a valorização dos modos de vida e dos conhecimentos tradicionais do povo. Ela promove e dá visibilidade a práticas agroecológicas, através da comercialização formal de produtos ao mesmo tempo em que valoriza o conhecimento tradicional e agrega valor à essa forma de produção.
O Municipio de Paty do Alferes tem na agricultura sua principal atividade, sendo considerado, inclusive, um dos maiores produtores de tomates da Região Sul Fluminense e responsável por um dos eventos mais importantes do município, “A Festa do Tomate” que coincidia, sempre, com o feriado de Corpus Christi e que por motivos da pandemia esteve suspensa, mas prevista sua volta triunfante no próximo ano.
Por esta característica agrícola, pela falta de estímulos aos produtores que viviam na informalidade, o Prefeito Eurico Pinheiro Bernardes Neto , seu vice Arlindo dentista e sua equipe desenvolveram um projeto que buscava novos caminhos para melhorar, valorizar e diversificar a produção agrícola da região.
A feira foi resgatada, redesenhada e engajada com ações que sustentam sua realização, como o Vale Feira, que a prefeitura, depois de um planejamento orçamentário, destina o o valor de R$50 reais , para cada servidor, a serem gastos na feira , em barracas credenciadas. Ela permite, também, aos expositores da agroindústria, flores e artesanato, movimentarem seus negócios através do público que visita o local, sem contudo , não receberem o vale feira. Todos os sábados, compradores e visitantes tem encontro marcado, na Praça Central do Município, com a Feira Agroecológica e com as apresentações culturais organizadas, igualmente, pela Prefeitura..
O objetivo do projeto de despertar a responsabilidade e a conscientização sobre as questões ambientais nos produtores e na população, está sendo alcançado e, segundo dados fornecidos pela prefeitura, o projeto vem dinamizando a economia do Município, gerando novas oportunidades de negócios, criando novos postos de trabalho, aumentando a circulação de recursos e por conseguinte um aumento na arrecadação do Município. Um projeto coroado pelo sucesso e muito elogiado pela população.

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MATRIZ NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO – PATRIMÔNIO HISTÓRICO DA VILA DOS ALFERES

Por Vitor Chimento 

A Igreja matriz Nossa Senhora da Conceição, no Município de Paty do Alferes é o único monumento tombado pelo Instituto Artístico Nacional IPHAN com certidão de tombamento emitida em 15/02/2002 pelo Departamento de Identificação e Documentação do IPHAN e do Ministério da Cultura. Monumento testemunho de uma historia de mais de 300 anos que, em 2017, com infiltrações, rachaduras, afundamento do piso e do teto, correndo o risco de desmoronamento e perda trágica e irreparável de uma importante e valiosa contribuição artística na história do município e da região; tiveram suas portas fechadas.
O Capitão Francisco Tavares, Alferes e proprietário da fazenda onde foi eregida a primeira capela, doou o terreno para a que fosse erguida, em 1739, a primeira matriz na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Alferes. A Matriz atual em estilo colonial, teve sua construção iniciada em 1840, às custas do Capitão-Mor de Ordenanças Manoel Francisco Xavier, que ao morrer, deixou a viúva Francisca Elisa Xavier, Baronesa de,Soledade, herdeira de uma grande extensão de terras e volumosa fortuna. De acordo com a  sua vontade parte desta fortuna deveria ser direcionada para obras públicas que beneficiassem ao povo de sua freguesia. A Matriz foi, então, redimensionada recebendo um altar-mor, corredores laterais, área para o coro em um segundo pavimento e novas torres, levantadas por pedras de cantaria (pedras usadas em construções antigas, lavradas e esquadrejadas), as paredes de barro, pau-a-pique, taipa e madeira. Foi, finalmente, concluída em 1844, estilo neoclássico, para sua consagração.
Consta do livro de batismo , da Matriz, o registro de que o autor da letra do Hino Nacional Brasileiro, Joaquim Osório Duque Estrada foi batizado em 16 de abril de 1871. Encontra-se, também, o registro Concórdia, filha do escravo Manoel Congo ( escravo da Fazenda Freguesia e líder de uma das principais revolta escravagista do Sudeste, ocorrida em 1838 e abafada por Luis Alves de Lima e Silva – o Duque de Caxias).
A Igreja Matriz é uma das heranças mais importantes e de um grande valor artístico e histórico que os antepassados de Paty do Alferes legaram a comunidade, juntamente, com toda a importância histórica do Município, desde o seu surgimento. Não se trata, apenas, de um templo religioso, mas de uma obra de grande valor arquitetônico de meados do séculp XIX que, segundo as previsões do IPHAN será devolvida a comunidade devidamente restaurada, após alguns anos de obras de restauração, no próximo ano.

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CAMINHO DO IMPERADOR – A PRIMEIRA VIA DE LIGAÇÃO ENTRE O RIO DE JANEIRO E AS MINAS GERAIS

Os percursos das antigas estradas de penetração do território fluminense tiveram grande importância como vetores do povoamento e desenvolvimento da região do Vale do Paraíba. A história da colonização do Vale teve parte dela escrita através desses caminhos que abrangem desde a expulsão de índios nativos de suas terras, ao transporte do ouro, ao estabelecimento da cultura do café, ao surgimento e enriquecimento das famílias dos “Barões do Café” e as modificações sócio econômicas e culturais que passou a região. Por esses caminhos passaram tropeiros, viajantes estrangeiros, comerciantes, naturalistas, escritores e aventureiros, todos impulsionados pelos mais diferentes motivos.
Localizado entre os municípios de Miguel Pereira, Paty do Alferes e Petrópolis, no encontro das duas mais importantes áreas de Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro; as florestas da Serra dos Órgãos e do Tinguá. Foi a primeira via construída, no século XVII, que ligava o Rio de Janeiro e as Minas Gerais e muito utilizada, entre outros, pelo Imperador Dom Pedro II ,no início do Ciclo de Ouro, para alcançar as Minas Gerais. Por esta razão que a via ficou conhecida por “Caminho do Imperador”. Devido ao seu relevo o local foi denominado “Mar de Morros” e na sua região mais alta (1.100 metros de altitude) se encontra a “Mesa do Imperador” pedra de onde é possível avistar, em dias claros, a Ponte Rio-Niterói e o Cristo Redentor.
No início o Caminho do Imperador só podia ser percorrido à cavalos com várias passagens que ligavam Paty do Alferes a Córrego Seco. Mas com a criação de Petrópolis, em 1843, e, com a chegada dos primeiros imigrantes alemães, surgiu a necessidade de uma estrada melhor que pudesse abastecer a colônia e facilitar no transporte de produtos, em menor tempo, estimulando, com isso, a fabricação de carruagens. A obra foi concluída em 1858, com uma distância de 33km a partir da Estrada do Contorno.
Esses caminhos que ligaram o interior ao litoral promoveram uma unificação cultural e de esforços que resultaram na ocupação e no desenvolvimento de uma vasta região onde se instalaram fazendas, ranchos, pousos e vendas. Nesta época teve início, também, a atividade administrativa püblica organizada, com emprego de funcionários para o controle da zona mineira, tais como fiscais, carregadores, meirinhos (antigos magistrados de nomeação régia, correspondentes ao atual Oficial de Justiça), criação dos registros ao longo dos caminhos, monetarização da economia com a criação da moeda, das Casas de Fundição e por fim  o surgimento de uma classe média mais sólida, ao lado de outras como mineradores, artesãos, administradores e comerciantes.
O Caminho do Imperador é perfeito para as pessoas que gostam de pedalar e tem disposição para o desafiador trajeto íngrime e com muitas ondulações. Para aqueles que curtem a natureza encontrarão um cenário exuberante de muitos riachos e cachoeiras espalhados ao longo do caminho.