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OG Beer: um projeto de requinte, de sofisticação, de qualidade e dedicação

Por Vitor Chimento

Acredita-se que tenha sido  a cerveja, uma das primeiras bebidas alcoólicas   criada pelo ser humano. Já era conhecida pelos sumérios, egípcios, mesopotâmios e iberos, remontando, por ao menos, 6.000a.C. Tábuas de argila testemunham a presença de uma bebida fermentada, elaborada a base de grãos que eram colocados em recipientes com água para protegê-los dos ratos e parasitas, onde ocorria uma espécie de fermentação, originando o que chamavam de Sikaru (pão líquido para os sumérios), bebida forte, apreciada e objeto de diferentes crenças ao longo de sua historia. Então aqui surgi a cerveja, que cada povo produzia a seu jeito, conforme ingredientes e tecnologias que a época permitia. Uma feliz historia que continuou por incontáveis povos, ao redor do mundo, chegando até nós, hoje, radicalmente, modificada.

A fabricação se torna, então, uma arte, particularmente, sutil, da qual os monges se tornaram experts e muitos nomes de Abadias, com isto, atravessaram os séculos. Durante toda a Idade Média a cerveja se espalhou por todo o continente europeu, principalmente, pelo Norte, região dos povos anglo-saxônicos. A bebida, religiosamente, fermentada é nomeada pelos monges “Beer” – cerveja e conhece inúmeros seguidores. Carlos Magno por uma questão de qualidade conferiu aos monges o monopólio da fabricação. Dos séculos 9 ao 14 a cerveja era produzida pelos monges e os leigos envolvidos nesta prática eram obrigados a pagarem, aos monges, um imposto chamado o Direito de Gruyt.

Para descobrir um pouco mais sobre a cerveja , que depois da água e do café, é a terceira bebida mais popular do mundo e  de seu processo de fabricação o Jornal DR 1 foi recebido pelos empresários Ulysses Sobral e Simone de Carvalho , mestres cervejeiros, na sede  da OG Beer, em Miguel Pereira-RJ.

Empresários Ulysses Sobral e Simone de Carvalho, mestres cervejeiros, na sede da OG Beer, em Miguel Pereira. (Foto: Divulgação)

Jornal DR1 – Como surgiu a ideia de fazer cerveja artesanal, a parceria ate a criação da empresa?

Surgiu, naturalmente, em função do crescimento do mercado da cerveja artesanal. Em 2006 participei do curso patrocinado pela Cerva Carioca (Associação dos   Cervejeiros  Artesanais do Rio) que tinha como objetivo divulgar a cultura da cerveja artesanal. Um movimento que renasceu nos Estados Unidos , nas décadas de 80 e 90 , chegando ao Brasil a pouco menos de 20 anos. Sendo que a partir de 2006/2007 foi que as cervejas artesanais tiveram um crescimento significativo, já que o consumidor nacional adquiriu  o habito de apreciar e descobrir os diferentes tipos e sabores. Frequentei, ainda outros cursos, e, a partir dai, comecei a produzir, como robe, a cerveja do nosso consumo e a promover cursos  para os amigos , sempre dentro da filosofia da Associação de divulgar a cerveja artesanal.

A parceria com a empresaria Simone de Carvalho, surgiu, a pouco mais de 4 anos, a partir da boa aceitação da cerveja entre os amigos. Com um foco mais comercial dentro da cerveja artesanal,  nos  cadastramos, junto a Prefeitura, como cervejeiros artesanais e passamos, então, frequentar feiras e eventos regionais, mas, sempre, com produção limitada e dentro daquilo que a legislação permitia fazer. Foi, então, que percebemos que a cerveja era bem aceita no mercado  do artesanal, que decidimos por investira na montagem de uma estrutura de micro cervejaria e ampliarmos, com isto, o nossos horizontes no universo da cerveja artesanal. OG Beer é uma realidade, construída  dentro das normas e requisitos exigidos pela lei. Hoje, totalmente, legalizada com registro do  Ministério da Agricultura, Alvara de licença Sanitária, Licença Ambiental e com um equipamento de primeira linha que permite a execução de todo o processo cervejeiro, com altíssima qualidade.

Jornal DR1 –  Qual o processo básico para se obter como resultado  final um produto, por excelência, de qualidade?

A cerveja artesanal é desenvolvida visando qualidade e diferenciação, o que requer mais atenção em sua produção minuciosa. Basicamente é um produto fermentado e  carbonificado, cuja base são 4 ingredientes: água, lúpulo, malte de cevada e fermento. Dentro desses ingredientes se faz as variações de tipos de cerveja, p.ex. Uma cerveja mais escura requer um malte mais torrado e mais escuro; uma cerveja mais seca requer uma água com pH específico que propicie uma secura no paladar ,etc…. Cada etapa ( receita, separação de ingredientes, quantidade e moagem do malte, quantidade de água, tipo de fermento, tempo de fermentação, maturação, planejamento de fabricação que varia de acordo com o estilo de cerveja, etc) deve ser observada, para que sua produção e resultado final corresponda as nossas expectativas de mestre cervejeiro. É um processo mais lento, pois o período de fermentação  e maturação da cerveja devem ser respeitados já que não utilizamos produtos químicos para acelerá-los. Elas são produzidas com maior quantidade de malte, que as diferenciam das industrializadas que usam,  muita  das vezes, outros cereais para tornar o custo da produção mais barato.

Jornal DR1 – Quais sãos os tipos de cervejas produzidos pela empresa?

A OG Beer tem  hoje em linha 5 cervejas a Premiun American Lager – uma cerveja  clara e de amargor baixo, Vienna Lager – um contraponto a Premiun , de cor alaranjada, encorpada, teor alcoólico maior e com um toque caramelo do malte, German Pielsen – com parâmetros de estilo mais leve e uma exigência de mercado, Belgian Dubbel – cerveja bastante encorpada, forte teor alcoólico, coloração cobre e pouco lupulada e a American Ipa – cerveja bastante lupulada, ou seja, bastante amarga para os padrões normais de consumo, considerada a queridinha dos consumidores de cervejas artesanais. Estas são a que produzimos, normalmente, e que colocamos no mercado. Temos, também, as sazonais que para este inverno teremos a Boker, a Poter que são cervejas escuras e mais encorpadas e a Irish Red, já para este próximo mês. Para os nossos clientes e admiradores de heavy metal, estaremos, em breve, lançando a cerveja Sangue de Bode, uma parceria que fechamos com a banda de Heave Metal Sangue de Bode. Podemos adiantar que será uma cerveja fora dos padrões do PJCP, para atender as características do heavy metal. Fiquem ligados, pois será um super lançamento.

Jornal DR1 –  Simone Carvalho, empresaria e mestre cervejeira.

Ainda não cheguei a este nível de mestre cervejeira, me considero uma aprendiz do Ulisses, meu sócio, que detém o domínio da arte de se fazer uma boa cerveja. Mas a medida do possível e quando o tempo permite vou adquirindo novos ensinamentos, com certeza irei chegar ao titulo. Pode não parecer, mas ser mestre cervejeiros requer muito estudo, dedicação e trabalho. Produzir uma boa cerveja não basta só cozinhar o malte e esta pronta ,são muitos detalhes, cuidados para  não perder a produção e para que não haja  contaminação. Estamos sempre estudando, nos aprimorando para que ao servimos nossos amigos e clientes, termos a certeza de estarmos oferecendo um produto , por excelência, de qualidade.

OG Beer é projeto empreendedor idealizado pelos empresários Ulisses Sobral e Simone de Carvalho que decidiram driblar a crise do país e vencer a pandemia com sutilidade e arte. Os amantes desta bebida,  podem, mediante um agendamento prévio no WhatsApp (024) 988414554, conhecer as instalações da OG Beer e encontrar  suas inspirações degustando um de seus estilos de cerveja num ambiente  bastante acolhedor.

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Colunas Vitor Chimento | Serra

RESERVA BIOLÓGICA DE ARARAS – UM LUGAR MÁGICO E PERFEITO PARA CONEXÅO E INTERAÇÃO COM A NATUREZA

A Reserva era área reconhecida como floresta protetora da União, pelo Império do Brasil. Em seguida, passou a ser considerada horto florestal até, em 1977, se tornar Reserva Biológica. Abrange, principalmente, o Município de Petrópolis e o Município de Miguel Pereira.

É constituída de uma área geográfica delimitada, dotada de atributos naturais excepcionais, inserida no bioma Mata Atlântica e possuindo em seus limites ecossistemas bastantes significativos. Ela tem cobertura vegetal formada, principalmente, por floresta ombrófila densa montanha e submontana (chamada também de floresta tropical pluvial) e vegetação rupícola (vegetação das encostas e regiões íngremes).

As estrelas da região (Foto: Reprodução/Internet)

As matas são compostas por vegetação secundária nos estágios avançados e médio de sucessão e com grande presença de magníficos afloramentos rochosos. A área que era destinada à produção de frutas e madeira, no passado, não chega a 10% de seu tamanho original, sendo o restante de floresta densa em excelente estado de conservação, refúgio seguro para inúmeras espécies típicas da Mata Atlântica fluminense.

Seu relevo fortemente acidentado faz com que ela abrigue, também, rica vegetação rupícola, e nos topos das montanhas graníticas que a compõem encontramos campos de altitude bem preservados e a bela e rara flor conhecida como rabo-de-galo (Worsleya rayneri), espécie endêmica da Serra das Araras. Destacando-se vertentes rochosas íngremes, com declividade de 50% a 70% e com variações de altitude entre 910 a 1766 metros (Pico do Couto).

 

O florescimento do lindo Ipê-Branco, muito típico da região (Foto: Reprodução/Instagram)

A Reserva Biológica de Araras tem como objetivo, desde a sua criação, assegurar a preservação integral dos remanescentes de Mata Atlântica e demais atributos naturais presentes no chamado Corredor da Serra do Mar; ampliar o potencial de conservação da Região Serrana Fluminense, assegurando a perpetuidade dos benefícios ambientais relacionados a diversidade biológica; manter populações de animais e plantas nativas e oferecer refúgio para espécies raras, vulneráveis, endêmicas e ameaçadas de extinção da fauna e flora nativas; preservas montanhas, rios e demais paisagens notáveis contidas em seus limites; e assegurar a continuidade dos serviços ambientais.

O charme e a tranquilidade de Araras (Reprodução/Instagram)

Com seus 3.862 km, a Reserva permite, apenas, visitas com objetivos educacional e a realização de pesquisas científicas mediante prévia autorização. Para chegar até a reserva existem três maneiras: a estrada entre Araras e Vale das Videiras, com 44 km de extensão, liga o Município de Paty do Alferes à localidade de Araras; a estrada Caminho do Ouro, ao sul da reserva, ligando Petrópolis a Miguel Pereira em estrada de chão; e o trecho Rio-Petrópolis da Br-040 que corta o sudoeste da reserva e o acesso se dá na saída do Km 65 para Araras.

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Notícias do Jornal

UMA HISTÓRIA CONTADA E ESCRITA ATRAVÉS DE CAMINHOS ANTIGOS

Interessante descrever e transcrever  os percursos das antigas  estradas de penetração do território fluminense, pela importância que estas tiveram como vetores do povoamento e desenvolvimento da Região do Vale do Paraíba no Estado do Rio de Janeiro.
Nossa história de colonização teve parte dela escrita ao longo e através desses caminhos que abrangem desde a expulsão de índios nativos de suas terras, ao transporte do ouro; ao estabelecimento da cultura do café; ao surgimento e enriquecimento das famílias dos “barões do café” e as modificações socioeconômicas e culturais por que passou esta região.

Por esses caminhos passaram tropeiros e tantos viajantes estrangeiros, comerciantes, naturalistas, escritores e aventureiros, todos impulsionados pelos mais diferentes motivos.

Foto: Reprodução/Internet

Muitos desses vestígios de tempos passados estão registrados em relatos, desenhos e aquarelas que retratam paisagens por onde passaram os viajantes, tais como: as primeiras roças para a provisão de mantimentos; as estalagens ; os armazéns que abasteciam as tropas de mulas dos carregadores de ouro; os postos de registros que controlavam o tráfego das riquezas minerais extraídas do interior do país; os engenhos de açúcar com seus destiladores e moendas; as primeiras fazendas que se ocuparam das plantações de milho, mandioca, arroz, feijão e da criação de suínos; os portos fluviais de cidades que desapareceram; os povoados e núcleos que estacionaram no tempo.

Algumas das primeiras fazendas, que se tem notícias, tornaram-se grandes produtoras de café. Esses vestígios,  também podem ser percebidos nas paisagens remanescentes das matas nativas que circundam e acompanham os leitos desses caminhos, nos calçamentos de pedra que permanecem, ainda, revestindo trechos dessas estradas, nas monumentais  ou singelas ruinas e edificações que sobreviveram ao tempo e que, por vezes, se adequaram aos tempos atuais ganhando novos usos e funções.

A história do Vale do Paraíba Fluminense, foi sendo escritas, aos poucos, a partir do alcance e     desses caminhos de terra, aliados a riqueza de sua rede pluvial, alimentada pelo Rio Paraíba do Sul e a riqueza das florestas circundantes, com seus solos férteis que se somaram a outros fatores econômicos, políticos e sociais, contribuindo para transformar a região, num passado não muito remoto, século XIX, num dos maiores polos produtores de café do país.

 

Foto: Reprodução/Internet

Tamanha grandeza, ainda, se faz presente na imponência da arquitetura das casas-sede das fazendas e das edificações, verdadeiros documentos vivos de nossa história.

Os primeiros caminhos do Vale do Paraíba do Sul surgiram no século XVII quando a Coroa Portuguesa, com o objetivo de encontrar ouro e pedras preciosas no interior da colônia, começou a buscar pontos distantes. Assim que o ouro foi descoberto, deu-se início a construção de uma verdadeira rede de estradas ao longo dos séculos seguintes. Os velhos caminhos de terra sinuosos e estreitos, com o declínio do Ciclo do Ouro, foram sendo calçados e ampliados para a passagem de tropas que transportavam o ouro verde, o café.

Foto: Reprodução/Internet

Caminho Velho ligava Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba. Parte deste Caminho existe no trecho que Liga Paraty e Guaratinguetá.    Caminho Novo que apresentava duas principais variantes.  O Caminho Novo do Tinguá ou de Garcia Marques e o Caminho de Inhomirim ou do Proença.

Vários outros caminhos e estradas foram abertas, a partir do Caminho Novo, tais como Caminho para São Paulo, Estrada Real das Boiadas, Mambucaba, estrada de São João Marcos, Estrada do Comercio, Estrada da Policia, Estrada Presidente Pedreira, Estrada dos Fazendeiros e Estrada União Industria inaugurada em 1861, idealizada e executada pelo empreendedor Mariano Procópio Ferreira Lages, que deu início a história das estradas pavimentadas no pais.

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VALENÇA – ANTIGA ALDEIA DOS INDIOS COROADOS

O território da atual sede do município de Valença tem sua história, ligada a seus primeiros habitantes, os índios coroados, descendentes dos Puris e Araris, que dominavam a área compreendida entre os Rios Paraíba do Sul e Preto. Viviam como nômades na região, gerando insegurança entre os proprietários da sesmarias. Eram, especialmente, temidos, pelo comportamento feroz que exibiam em batalhas entre eles e contra os portugueses.

Por motivos dos ataques constantes, dos índios, aos habitantes, que o vice-rei do Brasil D. Luis de Vasconcelos e Souza ordenou que fosse iniciada a catequese dos índios da região. Imcumbiu o fazendeiro José Rodrigues da Cruz, proprietário da Fazenda Pau Grande (localizada no município de Paty do Alferes), iniciar o “processo de civilização” e ao Capitão de Ordenanças Inácio de Souza Werneck encarregado de domesticar e aldear os índios. Isto é, de reuní-los nas matas e conduzí-los para as aldeias onde deveriam se fixar. Assim as terras foram liberadas e divididas em sesmarias, doadas aos primeiros colonizadores.

No ano de 1803 foi nomeado, pelo vice-rei Don Fernando de Portugal, o Padre Manuel Gomes Leal para o cargo de Capelão, tendo-lhe o Bispo Don José Joaquim Justiniano a jurisdição necessária para construir e benzer uma capela e cemitério. Foi, então, construída uma modesta capela dedicada à N. S. da Glória no principal aldeamento dos coroados, originando, assim, a atual cidade de Valença.

Durante esta fase de colonização foram construídas, pelo então Capitão de Ordenanças Inácio de Sousa Werneck, o Caminho da Aldeia, considerada a primeira estrada para o sertão de Valença, Ia desde a cidade de Iguaçu até o norte da Capitania do Rio de Janeiro, na ilha divisória com Minas Gerais, marcada pelo Rio Preto.

As estradas que eram construídas por Inácio ligavam à aldeia de Nossa Senhora da Glória de Valença e a aldeia de Santo Antonio do Rio Preto (atual distrito de Conservatória – Cidade da Seresta) com a Estrada Real para Minas Gerais e os caminhos auxiliares para as Freguesias de Sacra Família do Tinguá (atual Município de Paulo de Frontin), Azevedo e Pilar do Iguaçu, de onde seguiam para a Vila de Iguaçu. Um atalho que permitia seguir rumo a Itaguaí.

A Estrada da Polícia permitiu os viajantes que vinham de Minas Gerais cruzar o rio Paraíba do Sul nas proximidades de Desengano (atual distrito de Juparanã, em Valença), pela povoação de Vassouras até Sacra Família do Tinguá.

A Freguesia foi elevada a Vila de Nossa Senhora da Gloria de Valença em 17 de outubro de 1823. No ano de 1857, a Assembléia Legislativa Provincial, elevou a Vila de Valença à categoria de Cidade.

Os pioneiros povoadores, depois dos índios, do município de Valença eram todos agricultores, na maior parte moradora, das Freguesias de Paty do Alferes e Sacra Família do Tinguá. Também participaram os imigrantes de outras nacionalidades, muitos deles italianos e portugueses.

 

Foto: Reprodução Internet

Grande personalidade de destaque no desenvolvimento de Valença, entre outros, foi Custódio de Guimarães, “Visconde do Rio Preto”. Homem de grande coração, considerado um benfeitor, filantropo e que muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade.

Em 31 de dezembro de 1943 o topônimo foi modificado para Marquês de Valença e dezesseis anos depois, por lei estadual, o nome da cidade voltou a ser, simplesmente, Valença. Um Município com um passado de glórias que passou por ciclos importantes como o Ciclo do Ouro e o Ciclo do Café e, também, por períodos de desenvolvimento industrial e social.

É uma cidade com um potencial voltado para o ecoturismo, tendo a Serra da Concórdia, situada a sudoeste da cidade entre o vale dos rios Preto e Paraíba do Sul, como seu principal ponto. É a única região que possui duas unidades de conservação: Parque Natural Municipal do Açude da Concórdia e Parque Estadual da Serra da Concórdia, o Santuário de vida Silvestre da Serra da Concórdia e a Serra dos Mascates, o Ronco D’Água – balneário com cachoeira natural. Além do contato com a natureza, Valença é, também, uma cidade histórica e de cultura.

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A VILA INCONFIDÊNCIA – SEBOLLAS

É impossível pensar em nossa região sem antes pensar no Caminho Novo. Ele faz parte de uma rede de importantes caminhos do Brasil Colonial dos quais era dado o nome de Estrada Real. Muitos desses caminhos eram antigas trilhas e veredas abertas pelos bandeirantes que se embrenhavam pelo sertão, na direção de Minas Gerais e Goiás, a procura de ouro e pedras preciosas.

O Caminho Novo aberto por Garcia Rodrigues iniciava num porto do Rio Pitar, que desaguava na Baia de Guanabara, subia a Serra do Mar, na altura de Xerém, passava por Marcos da Costa, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, onde havia um registro para a fiscalização colonial e seguia para as Minas Gerais, passando por Juiz de Fora e Barbacena. A subida do paredão da Serra do Mar em Xerém era muito íngrime e muitas vezes pessoas e mulas carregadas rolavam ribanceira abaixo.

Depois de 20 anos de sofrimento, Bernardo Soares Proença, se propôs abrir uma nova subida da Serra, a partir de uma antiga trilha, que encurtava a distância entre Rio de Janeiro e as Minas Gerais, que ficou conhecido como Caminho Novo de Proença.

Igreja Nossa Senhora de Sant’Anna (Foto: Reprodução)

Sebolas é um pequeno distrito do Município de Paraíba do Sul, que surgiu a partir da abertura do Caminho de Proença, em meados de 1724. Esteve relacionada ao Caminho Novo do Ouro e se tornou famosa porque o herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes, tinha o Distrito como moradia temporária e lugar para suas pregações.

Dona Ana Maria Barbosa de Matos foi uma mulher singular, revolucionaria fervorosa partidária das idéias liberais, e como tal, protegia tanto que possível o movimento que fez de Tiradentes um mártir. Hospedou Tiradentes, por várias vezes, em sua fazenda e era admiradora do credo que ele pregava, juntamente, com seu irmão o padre Paulo Manuel Barbosa que foi Cura em Santana de Sebollas por muitos anos.

A historia do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, passa pelas terras fluminenses. Período, no qual, sua insatisfação com a Coroa Portuguesa se intensificou. O mártir da Inconfidência Mineira foi enforcado no Rio de Janeiro e os membros esquartejados e salgados foram mandados para serem expostos ao longo do caminho de Minas para intimidar possíveis futuros conspiradores. Na primeira parada, uma parte destes membros (o quarto superior esquerdo) foi exposta num poste erguido em frente à Capela de Santana de Sebollas, pois a freguesia era citada pelo Alferes e onde ele tinha algumas amizades.

 

Foto: Reprodução

O conjunto histórico Tiradentes que abriga, dentre outras, o único Museu Sacro Histórico contendo restos mortais, atribuídos ao Mártir da Independência e de peças e vestimentas daquele período.

Sebollas, também chamada de Vila Inconfidência esta distante 120 km do Rio de janeiro. Para se chegar a Sebollas o melhor caminho é por Petrópolis. Entrar em Pedro do Rio (viaduto da cervejaria Itaipava) e pegar sentido Secretario e Fagundes. Em Fagundes, fica a divisa com Paraíba do Sul e Sebollas está apenas 8 km.

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Vitor Chimento | Serra

VASSOURAS – A”CIDADE DOS BARÕES DO CAFÉ”

A cidade tranquila, de clima agradável está distante 116 km do Rio de Janeiro e propõe ao visitante um grande patrimônio cultural.

Vassouras nasceu de uma sesmaria (as sesmarias tinham, em média, entre 1.5 a 2.0 léguas agrárias de sesmaria; 1 légua de sesmaria é igual a 4.356 hectares) recebida pelos açorianos Francisco Rodrigues Alves e Luiz Homem de Azevedo, em outubro de 1782, denominada ” sertão da serra de Santana, Mato dentro por detrás do Morro Azul e, posteriormente, sesmaria de Vassouras e Rio Bonito “.

A região abundava um arbusto chamado “tupeiçaba” ou ” guaxima” popularmente chamado vassourinha, daí veio o nome de batismo da cidade. A região denominada o Caminho Novo era o elo de escoamento entre Minas Gerais e o porto do Rio de Janeiro, no período do Ciclo do Ouro.

Elevada a Vila em 1833, por sua localização geográfica que a aproximava da Freguesia de Sacra Família, demonstrou, também, um grande impulso com seu desenvolvimento urbano que a diferenciou da Vila de Paty do Alferes. Porém o que a torna mais atrativa no início do século XIX se deve ao grande desenvolvimento econômico da região do Vale do Paraíba do Sul, em contraste com o esgotamento do Ciclo do Ouro e o incremento do Ciclo do Café nesta Região.

Decorrentes destes fatos e da exportação do café pelo Rio de Janeiro, a pequena vila é elevada à categoria de cidade, em setembro de 1857. Na década de 1850 já se proclama a maior produtora de café do mundo, reconhecida, também, como “Princesinha do Café” e mais tarde, ” Cidade dos Barões” pela grande quantidade de fazendeiros nobres ali residentes.

 

Foto: Reprodução

 

Segundo dados registrados de 1825 todo o Estado de São Paulo produzia, comercialmente, apenas, 250 contos de réis de café e Vassouras, em 1828, produzia 3.586 contos de réis, de café, que correspondia apenas 18% do total da exportação brasileira. Vassouras, foi uma consequência da cultura do café e, no seu apogeu, entre 1830 e 1875, produzia 70% de todo o café brasileiro que correspondia 50% de toda a exportação anual do império.

 

Essa extraordinária riqueza gera enorme poder para seus fazendeiros, os verdadeiros Barões do Café que financiaram a guerra do Paraguai de outubro de 1864 a março de 1870. Em 1856, a vila mantinha uma vida de luxo, sem igual no resto do país, permitindo em seus palacetes da cidade     e magníficas sedes de fazenda, que eram verdadeiros palácios rurais, uma vida com hábitos de  requinte  e elegância que eram, ainda, mais estimulados por conta do fácil acesso à Corte Imperial.

 

Graças à linha férrea D. Pedro II, que escoava o café e trazia, vindos da Europa, as roupas, os cristais (Saint Louis ou Bacarat), as porcelanas ( de Sèvres, Limóges ou Vista Alegre) e a prataria portuguesa e francesa que ornavam a casa desses afortunados barões acostumados, aos saraus, às visitas do Imperador, da Princesa Isabel e do Conde d’EU, que eram recebidos em suas casas sem grandes embaraços.

 

Foto: Reprodução

A super exploração e o mau uso do solo levaram o seu enfraquecimento, pelo qual a produção do café declina em toda a região. Com a queda, porém, da cotação internacional, perdem-se muitas fazendas hipotecadas para o Banco do Brasil, entre elas propriedades de uma mesma família por várias gerações.

Os descendentes dos barões do café seguem, então, para a Capital e outros lugares em busca da fortuna e do status perdidos. Os que ficaram e conservaram suas fazendas, abandonaram a agricultura e dedicaram-se a pecuária leiteira. Os antigos cafezais tornaram-se pasto. Além disso, a pecuária não necessitava de grandes mãos-de-obra.
A memória das várias famílias que lá tiveram suas origens e apogeu e, agora, dispersas pelo país, mal sabem quem foram, quais titulares e alianças familiares que tiveram no tempo do império, totalmente esquecidas do seu passado, alheias a sua história de prestígio e requinte.
Nas fachadas de seus casarios, monumentos e palacetes, Vassouras guarda as lembranças desse prospero período da História. Seu conjunto histórico urbanístico e paisagístico está protegido pelo processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional IPHAN-MInc e, por decreto lei, foi declarada, como Estância Turística, em dezembro de 1984.

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Vitor Chimento | Serra

OS CAMINHOS DE FERRO

As estações ferroviárias tiveram um papel preponderante em todo os Estados. No século XIX foram responsáveis pela dinamização das cidades, ou mesmo pela criação de núcleos urbanos, vindo a se tornar referência de locais importantes.

 

A crise do sistema ferroviário na metade do século XX deixou algumas localidades no abandono, principalmente aquelas que dependiam quase que exclusivamente da economia promovida pela linha férrea.

 

Enquanto as antigas linhas e ramais se mantiveram em operação, as edificações foram bem ou mal, conservadas. Hoje poucas foram restauradas para acolher novas atividades como centro cultural ou educacional ou pontos de serviços públicos.
A arquitetura ferroviária a partir da segunda metade do século XIX predominava, em sua totalidade, um gosto pelo neoclássico. No entanto, sua arquitetura pouco se beneficiaria dele – adotou uma linguagem estética que se caracterizava pelo emprego de diversos estilos arquitetônicos ou, até mesmo, a fusão de diversos estilos em uma mesma obra.
Além de ressaltar a importância da ferrovia como elemento de integração e desenvolvimento do país, as diretrizes recomendavam a escolha por uma arquitetura simples, modesta, elegante e apropriada.

As escolhas feitas pelos engenheiros, desse período, deram prioridade a funcionalidade dos edifícios, os interesses das ferrovias ditavam que espécie de equipamento ferroviário seria instalado em determinado local. As construções poderiam variar de um simples abrigo utilizado em paradas breves, às estações de pequeno, médio e grande porte.

 

Foto: Reprodução

 

As estações terminais se localizaram nos pontos extremos da linha e possuem um programa mais complexo do que as estações de passagem, contudo existiam estações ao longo da linha que por se situarem em localidades estratégicas poderia ter um programa tão complexo quanto de uma estação terminal, exemplo de Desengano, atual Juparanã,  do Município de Valença que causou repercussão pela grandeza e beleza do obra e que contou, na época, com a presença da família real em sua inauguração.
Utilizou-se técnicas de construção, materiais e padrões de arquitetura diferenciados e considerados “novos” para a época, que, em muitos casos foram importados de Outros países, principalmente, do Continente Europeu.
A influência dos profissionais estrangeiros fez com que novos materiais fossem importados. Foram trazidos os barrões de pinho de Riga, vigas e colunas de ferro (que facilitavam a construção de pisos e varandas), chapas para calhas e condutores, papeis de parede, azulejos, telhas e ladrilhos, além de uma gama de materiais de instalações hidrossanitários.
As ferrovias traziam sobre os seus trilhos, novos recursos de construção, mas, sobretudo uma nova maneira de construir. De fato, os edifícios das estações de estrada de ferro, fossem importados ou construídos no local, correspondiam sempre a novos modelos e apresentavam um acabamento mais perfeito, que dependia do emprego de oficiais mecânicos com preparo sistemático. Novas soluções arquitetônicas e construtivas eram assim difundidas pelo interior, influindo sob vários aspectos na arquitetura.
O Estado do Rio, abrigou as primeiras ferrovias brasileiras, que com o passar dos tempos, formou-se uma vasta rede ferroviária que, até meados do século XIX, alcançara grande parte dos Municípios e Distritos do Estado ligando-o a diversos pontos do país.
Este acervo, na grande maioria, ameaçado. Destruição que é uma perda irreparável para a memória fluminense e brasileira. Nas últimas décadas, houve um abandono dessa rede, com a desativação de diversos ramais, a retirada de trilhos, a demolição de exemplares de grande valor da arquitetura ferroviária, bem como de outros elementos. Diversos imóveis encontram-se em precário estado de conservação ou passaram a ter outros usos. Alguns exemplares merecem destaque quanto às metodologias de construção aplicadas.
A preservação deste patrimônio ferroviário é importante para a memória coletiva das cidades e do país. São testemunhos valiosos e silenciosos, de um passado não tão distante, que servem para transmitir as futuras gerações os episódios históricos que neles tiveram lugar.

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Vitor Chimento | Serra

Bom Jesus de Matosinhos

A cada ano, por mais de 200 anos, o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos recebe fiéis de todas as idades, etnias e classes sociais, vindos de várias regiões do país, com os olhos marejados pela emoção e mãos estendidas, que se reúnem no santuário com um mesmo objetivo: pedir ou agradecer por bênçãos ao Jesus Crucificado, símbolo de fé e de milagres. Verdadeiros relatos de vitórias, conquistas, superações, fé e solidariedade.

A introdução da devoção se deve a camponeses portugueses que, em meados do século XVIII e vindos da Vila de Matosinhos, ali se fixaram, abrindo roças de subsistência com pequenas plantações e algumas poucas cabeças de gado. Devotos do Bom Jesus, por volta de 1773 ergueram no local uma pequena e rústica ermida de pau-a-pique em louvor ao Bom Jesus Crucificado. Com a frequência de fiéis, romarias e pagamentos de promessas, é elevada a Curato − era normalmente dotado de uma igreja menor ou de uma capela com batistério − por volta de 1776.

Com o patrocínio do Sr. Pedro da Costa Lima, o antigo templo serviu ao povoado até 1862, quando foi demolido e, ainda no mesmo ano e por iniciativa de Martins Alvares da Silva Campos, então proprietário da Fazenda do Matosinhos de Sardoal, foi construída uma capela de maior porte arquitetônico, que possuía altar-mor, dois altares laterais e a imagem, em especial, do Bom Jesus Crucificado. A atual igreja teve sua construção iniciada em 1953 e concluída em 1959 pelo pároco italiano Luige Raymondo.

Adoração e devoção

A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como tal: Criador, Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe. Amor infinito e misericordioso. Adorar a Deus é reconhecer, com respeito e submissão absoluta, o nosso nada, que só por Deus existimos. Adorar a Deus é louvá-lo e nos humilharmos na sua presença, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas em nós e que seu nome é santo. Alem de que adorar ao Deus único liberta-nos do fechamento de nós mesmos, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo.

Toda e verdadeira devoção têm Deus como seu fim último. Adorar os anjos e os santos só tem valor se nos faz crescer na fé, na esperança e na caridade, se nos leva a amar Deus de todo o nosso coração, com toda nossa alma, com todo nosso espírito e ao próximo como a nós mesmos. Venerando os anjos, os santos, glorificamos Deus, que é o fim último, não somente de nossa devoção, mas também de toda nossa existência.

A grande romaria ao Santuário de Bom Jesus de Matosinhos acontece anualmente no último domingo de agosto, onde os fiéis dão graças e pagam promessas pelos milagres alcançados. No local existe uma sala dos ex-votos com testemunhos milagrosos desde o século XVIII, numa demonstração de devoção.

O Santuário está localizado na região serrana do Rio de Janeiro − no Distrito de Werneck, na cidade de Paraíba do Sul −, a 125 km de distância da capital.

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Vitor Chimento | Serra

Fazendas: memórias de um Brasil guardadas em alvenaria e pedra

As fazendas foram sedes dos principais centros produtivos da economia brasileira no século XIX e também as residências aristocráticas mais sofisticadas do período, reunindo o que havia de mais requintado.

O circuito das fazendas históricas do Vale do Paraíba do Sul Fluminense – o Vale do Café – abrange os Municípios de Vassouras, Valença, Rio das Flores, Barra do Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Mendes, Paty do Alferes, Miguel Pereira, Paraíba do Sul e alguns Distritos como Ipiabas e Conservatória, que pertencem a Barra do Pirai e Valença, respectivamente.

O dinheiro do café construiu ferrovias, iluminação pública e promoveu todo tipo de investimento em infraestrutura que o Brasil edificou durante esse período, além das fazendas históricas construídas pelos nobres da região (“Barões do Café”) consideradas como verdadeiros palacetes rurais decorados e mobiliados com o luxo que a Europa tinha, na época, para vender.

As fazendas históricas do Vale do Café preservadas em sua arquitetura, em diferentes estados de conservação e rodeadas de belas paisagens, são um marco áureo do Ciclo do Café, do século XIX. As propriedades permitem vislumbrar como funcionava o processo de beneficiamento do grão do café e, em algumas dela,s os visitantes são recebidos por guias vestidos com trajes típicos .

Ao todo são em torno de 200 fazendas, sendo que, atualmente, somente 30 são abertas à visitação. São uma excelente opção para complementar ou iniciar a aprendizagem sobre o Ciclo Cafeeiro no Brasil e de se fazer uma viagem ao passado até o tempo em que os barões ostentavam poder e riqueza. cada uma possui uma história singular, com acontecimentos marcantes e curiosidades da época.

Fazendas do Vale do Café

BARRA DO PIRAÍ – Fazenda Arvoredo, Fazenda Taquara, São João da Prosperidade, Aliança, Fazenda Bocaina, Fazenda Ponte Alta
MIGUEL PEREIRA – Fazenda Santa Cecília, Fazenda São João da Barra
PATY DO ALFERES – Fazenda da Boa Esperança, Fazenda Monte Alegre, Fazenda Pau Grande
CONSERVATÓRIA – Fazenda Florença
PARAIBA DO SUL – Fazenda Boa Vista
RIO DAS FLORES – Fazenda Paraizo, Fazenda União, Fazenda Campos Elíseos, Fazenda Santo Antonio
VALENÇA – Fazenda Vista Alegre, Fazenda Chacrinha
VASSOURAS – Fazenda Cachoeira do Mato Dentro, Fazenda Secretário, Fazenda Cachoeira Grande, Fazenda Mulungu Vermelho, Fazenda Santa Eufrásia, Fazenda São Fernando, Fazenda São Luiz da Boa Sorte.

Fotos: Reprodução

Vitor Chimento, Biólogo e jornalista

MTb 38582 RJ

vitor.chimento@diariodorio.com.br

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Vitor Chimento | Serra

Aldeia de Arcozelo, um plano de sonho e esperança

A Aldeia de Arcozelo está localizada no município de Paty do Alferes, no Estado do Rio de Janeiro. Era a sede da histórica Fazenda Freguesia, de propriedade de Manoel Francisco Xavier e de sua esposa, a Baronesa de Soledade. Foi lá que, em 1838, se deu  a maior revolta de escravos ocorrida no Vale do Paraíba do Sul.

O tenente-coronel Gil Francisco Xavier herdou a Fazenda Freguesia. Endividado pelo jogo, cedeu ou vendeu a fazenda para o médico português Joaquim Teixeira de Castro, que mudou o seu nome para Fazenda Arcozelo (nome da propriedade da família, em Portugal, Freguesia de São Miguel de Arcozelo). A partir de 1930, o excelente clima da região passou a ser nacionalmente conhecido pela propaganda feita pelo médico infectologista Miguel da Silva Pereira. A fazenda histórica foi então transformada em hotel. Finalmente, a fazenda foi loteada e a parte com as edificações tornou-se propriedade de João Pinheiro Filho que, em 1958, com aprovação de seus filhos, doou-a ao embaixador Paschoal Carlos Magno.

Secretário-geral do Conselho Nacional de Cultura e presidente de diversas instituições culturais por todo país, Paschoal Carlos Magno era filho de italianos, nascido no Catete, bairro da cidade do Rio de Janeiro, em 13 de janeiro de 1906. Um idealista que dedicou toda sua vida à mocidade estudantil do Brasil e ao teatro. Fundador do Teatro do Estudante do Brasil, uma de suas maiores criações, de onde saíram artistas como Sergio Cardoso, Sergio Brito, Maria Pompeu, entre outros. Fundou, em 1965, aquele que seria o seu maior projeto: Aldeia de Arcozelo, registrada como Fundação João Pinheiro Filho, destinada a ser um centro de repouso para artistas e colégio de artes.

O complexo cultural incluía: o anfiteatro Itália Fausta, com 1.200 lugares; o Teatro Renato Viana, com 400 lugares; a sala de música Padre José Mauricio, para 150 ouvintes; os espaços para as artes plásticas, Galeria Pancetti e Galeria Bernardelli; a sala de vídeo Alberto Cavalcanti, com 80 lugares; biblioteca, coreto, além do edifício colonial com 54 quartos, salões e varanda.

O projeto exigia dedicação e uma considerável soma de dinheiro, o que fez com que Paschoal colocasse sua vida e seus bens nele. O piano de cauda, de sua casa em Santa Teresa, foi vendido para a construção da piscina. Outros de seus bens tiveram o mesmo destino: foram à venda para manutenção desse sonho.

O embaixador Paschoal Carlos Magno criou o complexo cultural

Em 1971, com altos e baixos, sofrendo e vencendo crises políticas, financeiras e jurídicas, a Aldeia foi sede do VI Festival Nacional de Teatro de Estudante, com participações de 32 grupos, realizando espetáculos ao ar livre e no Renato Viana. Sediou também inúmeros festivais, seminários e congressos de teatro, circo, dança, ópera, cinema, educação, artes plásticas, música e arte indígena. Em 1978, Paschoal Carlos Magno vende a casa de Santa Teresa para pagar dívidas acumuladas. No ano seguinte, ainda endividado, ameaçou atear fogo na Aldeia. O Brasil inteiro enviou notas de 1 Cruzeiro para salvar um importante e espetacular espaço cultural.

A Aldeia de Arcozelo, ou Centro Cultural Carlos Magno, foi considerado o maior centro cultural da América Latina em área, mas que após a morte de Paschoal, em 1980, teve sua decadência acelerada. Os herdeiros do embaixador chegaram a um entendimento e entregaram a Aldeia à Secretaria do Ministério da Educação e Cultura (MEC).

Hoje, a Aldeia de Arcozelo pertence à Funarte e foi interditada, baseada em laudo técnico,que apontou o perigo do imóvel desabar. Entre os problemas estão paredes com rachaduras, infiltração, janelas quebradas e parte do telhado com riscos de ruir. Criada há mais de cinco décadas, o local se transformou em um espaço em ruínas.

Fotos: Reprodução

Vitor Chimento, biólogo e jornalista

MTb 38582RJ

vitor.chimento@diariodorio.com.br