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Número de endividados cai 0,2 ponto percentual em janeiro, diz CNC

O total de endividados no país recuou 0,2 ponto percentual (pp) em janeiro em relação ao mês anterior e ficou em 76,1%. Na comparação anual, no entanto, o indicador subiu 9,6 pp.

O resultado de janeiro ocorre após 13 meses de alta. Os números estão na Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada na última segunda (7), pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O encarecimento dos juros pode ser uma explicação para o desempenho, porque desacelerou a contratação de dívidas neste início de ano. De acordo com a CNC, os dados recentes divulgados em dezembro de 2021, pelo Banco Central, mostraram elevação de 37,2% para 45,1% nas taxas médias das linhas de crédito com recursos livres às pessoas físicas.

As concessões de crédito também influenciaram. Apesar de registrarem avanço de 10,6% em termos reais em 2021, de novembro para dezembro, tiveram queda de 22,2% na média diária.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, mesmo pequena, é preciso ter atenção com a retração. “O endividamento segue em patamar elevado, e essa redução é reflexo de um cenário desfavorável, em que o encarecimento do crédito pelos juros mais altos afeta a dinâmica de contratação de dívidas dos consumidores”, avaliou.

Em movimento contrário, a taxa de inadimplência subiu no mês. A alta ficou em 0,2 pp e na comparação anual em 1,6 pp, atingindo 26,4% do total de famílias no país. Este, segundo a CNC, é o maior nível desde agosto de 2020 e a maior proporção para meses de janeiro observada na série histórica da Peic.

Também cresceu a parcela das famílias, que deve continuar com a inadimplência e declarou não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso. A expansão atingiu 0,1 pp. Na comparação com janeiro de 2021, entretanto, o percentual registrou queda de 0,8 ponto.

Entre as famílias com ganhos de até dez salários mínimos, o percentual de endividados caiu 0,3 pp, atingindo 77,4%. Esse foi o primeiro recuo desde outubro de 2020.

Em direção contrária, nas famílias com rendimentos acima de dez salários mínimos, o endividamento avançou 0,3 pp, chegando a 71,2%, que é a maior proporção histórica de endividados. Os movimentos alteraram a tendência predominante desde abril do ano passado.

A economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, disse que a alta é resultado da evolução da vacinação e da menor letalidade da variante Ômicron.

“Com a maior flexibilização, as famílias no grupo de renda mais elevada têm revertido suas poupanças, ampliadas durante a pandemia, para o consumo, especialmente de serviços”, disse.

As tendências entre as duas faixas no indicador de inadimplência tiveram comportamentos semelhantes. Para as famílias com ganhos de até dez salários mínimos, a proporção das que têm contas ou dívidas em atraso cresceu 0,2 pp. no mês, chegando a 29,7% do total de famílias neste grupo.

Já na comparação anual, a alta ficou em 1,8 pp. Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o avanço de dezembro de 2021 a janeiro de 2022 acompanhou os 0,2 pp, alcançando 12%. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a expansão foi de 0,5 p.p.

Desde janeiro de 2010, a Peic é apurada mensalmente. Os dados são coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

Com as informações são apurados os importantes indicadores dos percentuais de consumidores endividados; de quem está com contas em atraso; e de quem não terá condições de pagar suas dívidas, além do tempo de endividamento e do nível de comprometimento da renda.

 

 

Agência Brasil

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Antártica: micróbios podem ajudar limpeza de plásticos

Equipe de cientistas argentinos está usando microrganismos nativos da Antártica para limpar a poluição de combustíveis e plásticos nas extensões inalteradas do continente branco.

Os minúsculos micróbios mastigam os resíduos, criando um sistema natural de limpeza para a poluição causada pelo diesel, fonte de eletricidade e calor para bases de pesquisa na Antártica congelada.

O continente é protegido por um Protocolo de Madri, de 1961, que estabelece que ele deve ser mantido em estado puro.

A pesquisa sobre os micróbios e resíduos plásticos pode ajudar em questões ambientais mais amplas.

“O trabalho utiliza o potencial de microrganismos nativos – bactérias e fungos que habitam o solo antártico, mesmo quando contaminado – e faz com que esses micro-organismos comam os hidrocarbonetos”, disse o bioquímico Lucas Ruberto. “O que para nós é poluente, para eles pode ser alimento.”

Ruberto viajou em dezembro com outros pesquisadores para Carlini, uma das seis bases argentinas permanentes na Antártica, passando por quarentena para evitar levar a covid-19 ao continente, onde houve surtos isolados do vírus.

A equipe realizou trabalhos de biorremediação, que envolvem a limpeza do solo afetado pelo diesel, usando micro-organismos e plantas autóctones, processo que pode ser usado no verão austral e remove cerca de 60% a 80% dos poluentes.

Ruberto disse que a equipe ajudou os micróbios com nitrogênio, umidade e aeração para melhorar suas condições. “Basicamente, com isso conseguimos que os micro-organismos reduzam biologicamente, com baixíssimo impacto ambiental, o nível de contaminantes”, afirmou à Reuters.

A equipe agora começou a pesquisar como os micróbios podem ajudar a limpar os resíduos plásticos em outros lugares. Tanto os combustíveis quanto os plásticos são polímeros, moléculas compostas por longas cadeias de carbono e hidrogênio.

Os pesquisadores coletam amostras de plástico dos mares da Antártica e estudam para ver se os micro-organismos estão comendo os plásticos ou simplesmente os usando como jangadas.

 

Agência Brasil

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Programa Antártico do Brasil completa 40 anos

Uma terra onde a ciência e a paz reinam absolutas. Nos dias de hoje, parece difícil imaginar um lugar assim no planeta. Mas ele existe. E fica no ponto mais ao sul da Terra. A Antártica corresponde a um arranjo geopolítico único no mundo. No dia 1º de dezembro de 1959, 12 países assinaram o Tratado Antártico. O documento pôs fim às disputas que existiam por porções de terra desse imenso continente. Com isso, abriu caminho para a liberdade de exploração científica da região, em um regime pacífico de cooperação internacional.  

O Brasil só viria a assinar o tratado em 1975 e em 1983 passou a integrar a chamada Parte Consultiva, com direito a voz e voto sobre as decisões relacionadas ao presente e o futuro do continente e de seus incalculáveis recursos naturais. Para ser membro consultivo, o pré-requisito exigido pelo tratado é justamente que o país promova algum tipo de pesquisa na região.

Atualmente, portanto, o Brasil compõe um seleto grupo de 29 países que têm estações científicas na Antártica e que poderão decidir os rumos de tudo o que esteja relacionado à exploração da região. E essa história começou justamente em janeiro de 1982, há exatos 40 anos, quando o governo brasileiro lançou o Programa Antártico (Proantar) e levou os primeiros cientistas para o continente, a bordo, na época, do navio oceanográfico W. Besnard.

“Esse projeto começa ainda no governo Geisel, em 1975, com adesão do Brasil ao Tratado Antártico, seguindo pelos anos 1980, com inauguração da estação científica, depois passando por todos os governos do período democrático até o momento atual. Certamente é umas das políticas de Estado mais bem-sucedidas do país, diferente das descontinuidades de projetos nacionais que estamos acostumados”, disse Paulo Câmara, professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB) e o primeiro coordenador científico designado para a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), a casa do Brasil no continente de gelo.

Câmara esteve na estação de outubro a dezembro do ano passado, na primeira leva de cientistas brasileiros que pisaram na Antártica após quase dois anos de paralisação por conta da pandemia da covid-19. Esse hiato nas pesquisas, que afetou praticamente todos os países que atuam no continente, acabou impedindo que o Brasil estreasse os modernos laboratórios científicos construídos para a nova Estação Comandante Ferraz.

Fundada em 1984, a estação sofreu um incêndio de grandes proporções em 2012. Na tragédia, dois militares morreram e 70% das instalações foram perdidas. O governo federal investiu cerca de US$ 100 milhões na obra de reconstrução, e a unidade recebeu os equipamentos mais avançados do mundo.

A entrega da base pronta ocorreu justamente no início de 2020, mas não deu tempo de retomar os projetos científicos porque cerca de dois meses depois foi decretada a emergência de saúde global provocada pelo novo coronavírus.

A volta dos pesquisadores para o continente de gelo não teve a mesma logística de antes. Por causa das restrições da pandemia, o tempo de permanência, que era de cerca de um mês, foi estendido para aproximadamente três meses, e agora ocorre em duas etapas ao longo do ano, e não seis, como antes. Além disso, os cientistas tiveram que ficar 10 dias embarcados a bordo do navio de apoio oceanográfico da Marinha, o Ary Rongel, fazendo quarentena e sendo submetidos a exames de covid-19. Pessoas com comorbidades não puderam viajar. O tempo de viagem também aumentou. O percurso anterior era feito via Punta Arenas, no extremo sul do Chile. Até ali, os pesquisadores chegavam por via aérea. Em seguida, embarcavam num navio para atravessar o tempestuoso Estreito de Drake até a Península Antártica, ou faziam um novo voo direto até o continente austral. Com o Chile fechado, a viagem foi feita de navio a partir do Rio de Janeiro direto para a Antártica, um percurso que durou cerca de 20 dias em alto mar.

Em uma área de 4,5 mil metros quadrados, a nova estação tem capacidade para hospedar 64 pessoas. O novo centro brasileiro de pesquisas na Antártica conta com 17 laboratórios de última geração. Os quartos da base, com duas camas e banheiro privativo, abrigam pesquisadores e militares com muito mais conforto do que antes. A estação também conta com acesso à internet 4G, sala de vídeo, locais para reuniões, academia de ginástica, cozinha e um ambulatório para emergências.

“As instalações são formidáveis. Conforto que antes não se tinha aqui, nos permite processar os dados que coletamos aqui e ter um bem-estar garantido. E com tudo ainda novo, é um prazer imenso compor o primeiro grupo de pesquisadores que faz uso de tudo isso que é feito para o nosso trabalho. Ter esses subsídios e todo o propósito de estar aqui e fazer ciência faz tudo parecer um sonho de pesquisador”, disse Dafne Anjos, estudante do décimo semestre do curso de Ciências Biológicas da UnB, que está na Estação Comandante Ferraz desde novembro de 2021, no primeiro grupo que retomou as pesquisas. Envolvida com pesquisas sobre musgos antárticos, Dafne Anjos deve ficar pelo menos até fevereiro na base, coletando amostras e analisando suas composições.

Entre as unidades reativadas recentemente, está a estação meteorológica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apelidada de “meteoro”, que faz medições automáticas diretamente da base brasileira na Antártica. Outra instalação de pesquisa que retomou suas atividades foi o módulo VLF (Very Low Frequency), que realiza estudos sobre a propagação eletromagnética na ionosfera (parte alta da atmosfera terrestre). Foi dali que cientistas puderam acompanhar, em dezembro do ano passado, o eclipse total do Sol. Esse fenômeno, que ocorre quando Sol, Terra e Lua estão totalmente alinhados, só pôde ser visto completamente da Antártica.

Em todas as unidades da estação foram instaladas portas corta-fogo e colocados sensores de fumaça e alarmes de incêndio. Nas salas onde ficam máquinas e geradores, as paredes são feitas de material ultrarresistente. No caso de um incêndio, elas conseguem suportar o fogo durante duas horas e não permitem que ele se espalhe por outros locais antes da chegada do esquadrão anti-incêndio. A estação tem ainda uma usina eólica que aproveita os fortes ventos antárticos. Placas para captar energia solar também foram instaladas na base e vão gerar energia, principalmente no verão, quando o sol na Antártica brilha mais de 20 horas por dia.

“Aprendemos lições ao longo desse processo, a ponto de hoje termos essa estação extremamente tecnológica e segura, com uma série de recursos que permitem a gente realizar pesquisa científica de ponta na Antártica”, destaca o capitão de mar e guerra Marcelo Gomes, da Marinha, que é subsecretário do Proantar.

Do ponto de vista estrutural e tecnológico, a estação científica brasileira está entre as mais modernas da Antártica, só perdendo em importância para a Estação McMurdo, a enorme base científica dos Estados Unidos, praticamente uma pequena cidade que pode abrigar mais de 2 mil pessoas, e a Estação Polo Sul Amundsen-Scott, localizada no Polo Sul geográfico da Terra, também controlada pelos norte-americanos.

A Antártica é considerada o principal regulador térmico do planeta, pois controla as circulações atmosféricas e oceânicas, influenciando o clima e as condições de vida na Terra. Além disso, é detentora das maiores reservas de gelo (90%) e água doce (70%) do mundo, além de possuir incontáveis recursos minerais e energéticos. Sua dimensão também impressiona: são mais de 14 milhões de quilômetros quadrados, quase duas vezes o tamanho do território brasileiro (8,5 milhões de quilômetros quadrados).

Para o Brasil, que é considerado o sétimo país mais próximo da Antártica, estudar e compreender os seus fenômenos naturais é literalmente uma questão de sobrevivência no futuro.

“A Antártica está esquentando e isso vai criando distúrbios na sua atmosfera. Essas correntes marinhas que sobem da Antártica para o Brasil garantem, por exemplo, a qualidade da água que permite o desenvolvimento de peixes pescados na nossa costa. Tem também a influência no regime de chuvas, já que a massa de ar frio e seco da Antártica sobre para a América do Sul, onde se encontra com a massa de ar quente e úmido vinda da Amazônia. O equilíbrio desse fluxo, onde ora uma predomina sobre a outra, é que garante períodos alternados de seca e chuva que, são essenciais para o funcionamento da agricultura”, explica Paulo Câmara.

O coordenador científico da estação brasileira na Antártica enumera ainda outras pesquisas relevantes desenvolvidas no continente gelado. Uma delas investiga espécies de fungo endêmicos da região que poderiam ser usados no desenvolvimento de fungicidas para combater a ferrugem asiática, uma doença causada por outro tipo de fungo que afeta mundialmente a agricultura, gerando perdas bilionárias em lavouras como a da soja.

Com o avanço acelerado das mudanças climáticas e o exaurimento dos recursos do planeta, os olhos de todos devem se voltar para a Antártica dentro de algumas décadas. “A Antártica é o último reduto de recursos naturais da Terra, é uma reserva para a humanidade”, enfatiza Câmara.

 

Agência Brasil

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Cartórios do Brasil divulgam ranking dos nomes mais registrados em 2021

Nomes simples, curtos e bíblicos estão na moda em 2021. Esta foi a tendência observada pelos 7.658 Cartórios de Registro Civil brasileiros responsáveis por registrar os nascimentos dos quase 2.5 milhões de recém-nascidos neste ano. Embora pelo segundo ano consecutivo Miguel, com 28.301 registros entre os homens, e Helena, com 21.890 entre as mulheres, sigam na liderança entre os mais escolhidos, um novo rol de preferidos começa a se destacar na nova geração de brasileirinhos.

É o caso de Gael, que até 2019 não figurava na lista dos 50 nomes mais escolhidos e, em 2020, passou a ocupar a 10ª posição da lista oficial dos Cartórios brasileiros, em 2021 já é o terceiro nome mais escolhido entre os meninos. O mesmo se aplica a Theo, 36º em 2019, sexto em 2020 e agora na sétima colocação. Davi superou seus concorrentes Davi Luca e Davi Lucca e se firmou na nona colocação. Novas tendências como Noah, Ravi, Isaac e Anthony começam a aparecer na lista dos 50 mais entre os meninos.

Entre as mulheres se observa o mesmo com o aparecimento de nomes curtos e bíblicos despontando na lista dos 50 mais. Neste cenário surgem Eloa e Liz, pela primeira vez ranqueados entre os nomes mais buscados entre as meninas. Preferência nacional, Helena segue à frente entre os mais escolhidos, seguido por Alice, Laura, Valentina e Heloísa, tendo entra elas apenas a variação de Marias, com destaque para Maria Alice, Maria Clara, Maria Cecília e Maria Julia. Sophia, Maite e Antonella também despontam como novidades.

Os dados completos catalogados pelos Cartórios brasileiros integram o Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), administrado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), que reúne a base de dados de nascimentos, casamentos e óbitos registrados pelas unidades presentes em todas as 5.570 cidades brasileiras. Na plataforma é possível realizar buscas ano a ano em todo o território nacional, em regiões, estados e municípios, possibilitando ainda recortes por nomes simples e compostos.

“O ranking dos nomes mais registrados no ano é o retrato dos gostos e preferências das famílias brasileiras ao longo do tempo, e mostra importantes variações em sua trajetória. Talvez pela situação que vivemos nos últimos dois anos, a escolha por nomes bíblicos tenha se acentuado, com a busca das pessoas por esperança e conforto diante das adversidades”, avalia Gustavo Renato Fiscarelli, presidente da Arpen-Brasil.

O ranking dos nomes mais registrados permite ainda encontrar realidades regionais marcantes no país. Em três Estados do Nordeste o nome mais registrado foi feminino, com Maria Alice em Pernambuco, Maria Cecília em Alagoas e Maria Alice na Paraíba. Em quatro estados da região — Maranhão, Rio Grande do Norte, Piauí e Ceará -, João Miguel foi o mais escolhido. Miguel dominou as escolhas no Sul, Centro-Oeste e em parte do Sudeste, São Paulo e Minas Gerais, enquanto Gael foi o nome mais escolhido no Acre, no Amapá e na Bahia.

Apesar do nome ser regido pela regra da imutabilidade, ou seja, deve se manter inalterado para segurança das relações jurídicas, existem exceções em lei onde a alteração é possível. Ela pode ser feita em Cartório, até um ano após completar a maioridade — entre 18 e 19 anos — sem qualquer motivação -, desde que não prejudique os sobrenomes de família. Também é possível a correção de nome quando for comprovado erro evidente de grafia no registro.

No caso de pessoas transexuais, a mudança do nome pode ser feita em Cartório, sem a necessidade de prévia autorização judicial, apenas com a confirmação de vontade do indivíduo. As demais alterações, como exposição do nome ao ridículo ou proteção a testemunhas só podem ser feitas por meio de processo judicial.

Já a inclusão do sobrenome, pode ocorrer nos casamentos, nos atos de reconhecimento de paternidade e maternidade – biológica ou socioafetiva -, e nos casos em que os pais de filhos menores constatam, em conjunto, que o registro original não reflete todas as linhagens familiares. Já a retirada ou alteração do sobrenome pode ser solicitada pela pessoa viúva, mediante a apresentação da certidão de óbito do cônjuge.

10 NOMES MAIS FREQUENTES

MIGUEL

28.301

ARTHUR

26.655

GAEL

23.973

HEITOR

22.368

HELENA

21.890

ALICE

20.381

THEO

19.863

LAURA

18.448

DAVI

18.304

GABRIEL

17.159

 

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Pesquisa revela aumento de pedidos de comida por app durante pandemia

Da Agência Brasil

Os pedidos de refeições pela internet ou por aplicativos cresceram durante a pandemia de Covid-19. Quando realizada pelo menos uma vez na semana, essa prática saiu de 40,5% antes da pandemia para 66,1% durante o período de emergência de saúde pública. Se considerados apenas o ato realizado todos os dias, o índice subiu de 14,2% para 22,1%.

Os dados estão na pesquisa Consumo Online no Brasil, realizada pela agência Edelman e promovida pela empresa PayPal. O estudo analisou o setor de delivery (entregas) de restaurantes no Brasil, tendo como referência dados até este mês.

Para o período pós-pandemia, a pesquisa indica possível queda desse hábito entre os brasileiros, mas, quando considerados os que pretendem continuar com esse hábito diário, o percentual cai de 22,1% para 20%. A estimativa de 57,8% das pessoas ouvidas é manter a prática.

Os meios mais comuns de pagamento para esta modalidade de pedido são cartões de crédito (76,5%) e de débito (64,1%), pix (49,5%), carteiras digitais (31,9%) e pagamento em dinheiro (11,6%).

Entre os entrevistados, 93,5% disseram gostar da experiência, 84% justificaram que fazem uso da alternativa para economizar tempo, 63,9% responderam que preferem pedir comida como forma de evitar o contágio pelo coronavírus e 68,6% manifestaram preocupação com a segurança dos pagamentos online. “A elevada intenção de manter os hábitos de uso de delivery, mesmo com a reabertura de bares e restaurantes, comprova como a experiência de compra foi positiva para o consumidor”, avalia o chefe de Novos Negócios do PayPal Brasil, Haroldo Vieira.

Compras online

A pesquisa também analisou a relação das pessoas com as compras online em geral. Entre os aspectos positivos apontados pelos entrevistados, estão a praticidade (98,3%), o controle dos gastos (89,9%) e o planejamento (87,6%). O smartphone é o aparelho mais usado para compras online (98,6%), seguido pela smart TV (83,1%), pelo notebook (81,9%) e pelo desktop (51%).

Entre as pessoas consultadas, 84,5% disseram comprar pela internet e pagar com meios digitais “frequentemente”, 98,8% afirmaram gostar da experiência, 68,2% responderam que conhecem bem esse tipo de transação; e 31,8% reconheceram que ainda precisam aprender mais.

Metodologia

Foram entrevistados 1 mil homens e mulheres com idades entre 18 e 55 anos que realizaram pelo menos duas compras online no período anterior à pesquisa.

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Estudo revela desigualdades no acesso a tratamento do câncer de mama

Estudo realizado pela Fundação do Câncer revela desigualdades encontradas pelas mulheres no acesso ao tratamento do câncer de mama, tanto em hospitais públicos quanto privados. Com base em dados dos Registros Hospitalares de Câncer do Brasil (RHC) disponibilizados pelo Ministério da Saúde e consolidados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o levantamento abrange um período de 13 anos, compreendidos entre 2006 e 2018. Suas conclusões foram divulgadas nesta quarta-feira (15), no Rio de Janeiro.

Os registros mostram que a origem do encaminhamento da mulher ao hospital para o tratamento do câncer de mama é classificada como SUS (Sistema Único de Saúde) e não SUS. Em geral, os registros têm defasagem de cerca de dois anos do ano-calendário, disse a bióloga epidemiologista da Fundação do Câncer Rejane Reis, uma das responsáveis pelo estudo.

Segundo o epidemiologista Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer, foram analisadas as variáveis relativas ao estadiamento do câncer de mama ao diagnóstico, o tempo decorrido entre o diagnóstico e o tratamento e a escolaridade das pacientes. “Dessa forma, evidenciamos que o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento está longe do ideal para os dois grupos estudados. Ainda assim, as pacientes que vieram pelo SUS levaram mais tempo do que as pacientes encaminhadas pelo setor privado”. Cerca de 34% das pacientes de origem SUS iniciaram o tratamento antes dos 60 dias, contra 48% do setor privado.

Não há como dizer por que isso ocorre, afirmou Scaff. A hipótese é que, ao procurar o hospital do SUS para o tratamento, muitas vezes novos exames são solicitados. “E quem dispõe de algum recurso consegue fazer os exames de forma particular e, aí, inicia o tratamento, como cirurgia ou quimioterapia, mais rapidamente, mais oportunamente.”

Para Scaff, o processo de acesso ao tratamento não é oportuno e, como consequência provável, a sobrevida das pacientes de origem SUS deverá ser menor. “Quando a origem é via plano de saúde, ou particular, o diagnóstico acaba sendo mais rápido. É a iniquidade que perdura.”

O estádio, ou estágio, do câncer é uma classificação do grau de comprometimento da doença na paciente. Estádios menores, como 0 ou 1, indicam doença inicial localizada, enquanto os maiores, como 3 e 4, indicam doença avançada e metastática. Metástese é quando o câncer se espalha para outros órgãos do corpo.

De acordo com o estudo, as pacientes do SUS chegam ao tratamento em estádios mais avançados do que as pacientes do setor privado. “Essa diferença é tamanha que somente 19% das pacientes SUS chegam ao tratamento em estádios iniciais 0 ou 1, contra 31% das pacientes não SUS”, informou Scaff.

O ideal é que a maioria dos casos chegue em estágios precoces (0 e 1) porque, dessa forma, o tratamento é mais efetivo, o prognóstico é muito melhor e a sobrevida, muito maior, com melhores resultados, afirmou Rejane Reis.

“O que fica claro é que o tempo entre a suspeita diagnóstica e o início do tratamento é crucial: tem relação com o agravamento da doença e, consequentemente, com o tratamento necessário. Quanto maior o tempo, mais agressivo será o tratamento; câncer é uma doença tempo-dependente”, complementou Scaff.

Em termos de escolaridade, Alfredo Scaff apontou uma diferença significativa. Entre as mulheres encaminhadas pelo SUS, 51% não têm ensino fundamental completo, contra 29% das pacientes que chegam para tratamento de forma particular. “Essas diferenças evidenciam a iniquidade ao acesso oportuno ao tratamento do câncer de mama. As pacientes encaminhadas para tratamento nos hospitais do SUS, a partir de serviços privados de saúde, apresentam maior escolaridade, iniciam mais rapidamente o tratamento e em estádios mais precoces, em comparação às pacientes diagnosticadas e encaminhadas pelo SUS”.

Scaff disse que a correção dessas disparidades passa pela organização da Rede SUS para diagnóstico precoce. Para ele, é fundamental também a implementação de um sistema de navegação que acelere o atendimento para essas mulheres com diagnóstico de câncer. Tal sistema acompanharia a paciente desde o diagnóstico, ajudando a acelerar o atendimento, considerando o estadiamento da doença, impedindo atrasos, burocracias e a falta de orientação.

O diretor executivo da Fundação do Câncer, cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, destacou que mulheres com menos acesso aos estudos estão entre as que mais vêm da Rede SUS. “É o retrato de uma saúde desigual, com acesso diferenciado, que reforça a necessidade do investimento social maciço em educação e saúde e ações atreladas nessas duas áreas.”

 

 

Agência Brasil

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Arquivo Público promove concurso de monografias com prêmio de R$ 5 mil

O Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), em parceria com a Ceperj, realiza o Prêmio Aperj de Monografias. As inscrições começaram este mês e vão até o dia 30 de novembro. O trabalho vencedor vai receber o valor de R$ 5 mil, além de ter a publicação da monografia em livro.

O tema é de livre escolha do candidato, mas a exigência é que o participante deverá utilizar fontes do Arquivo Público em seu conteúdo.

Com a realização do prêmio, o Arquivo busca divulgar e incentivar a pesquisa em seus acervos. A inscrição para o concurso pode ser realizada pelo site https://ceperj.selecao.net.br/informacoes.

O Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, unidade administrativa da estrutura básica da Secretaria de Estado da Casa Civil, tem por finalidade implementar a política estadual de arquivos definida pelo Conselho Estadual de Arquivos, por meio da gestão, recolhimento, tratamento técnico, preservação e divulgação do patrimônio documental estadual. A ideia é garantir o pleno acesso à informação visando apoiar a administração pública e a tomada de decisões governamentais de caráter político-administrativo, o cidadão na defesa de seus direitos e incentivar a produção de conhecimento científico e cultural.

 

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Cai número de famílias que defendem fechamento de escolas na pandemia

Da Agência Brasil

O percentual de famílias brasileiras que considera muito importante manter as escolas fechadas como forma de prevenir a covid-19 caiu em um ano, de acordo com o estudo Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes, realizada pelo Ipec – Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

No início da pandemia, em julho de 2020, 82% dos brasileiros afirmavam que era muito importante manter as escolas fechadas. Em novembro, essa porcentagem caiu para 71%. Agora, em maio de 2021, são 59%. Os dados são da terceira etapa da pesquisa.

A pesquisa mostra que, após mais de um ano de pandemia, as escolas começaram a retomar as atividades presenciais. Ao todo, 41% das pessoas que residem com crianças ou adolescentes disseram que as escolas voltaram a oferecer essas atividades.

O estudo revela, também, que 93% das escolas mantiveram atividades remotas, mesmo que tenham voltado às salas de aula. Essa modalidade ainda apresenta uma série de dificuldades, apesar dos esforços para ampliar o acesso. Segundo a pesquisa, os principais canais de acesso dos estudantes às atividades são o WhatsApp (71%) e a distribuição de material impresso (69%). A falta de acesso à internet (35%) e a falta de equipamento adequado (31%) estão entre as principais dificuldades para realizar atividades escolares remotas, sobretudo entre as famílias mais pobres.

Retomada segura

Para a representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, a retomada das aulas presenciais é importante, mas ela deve ser feita de forma segura. “É fundamental um diálogo para cada escola, em cada município, cada estado e nos diversos níveis. Que aconteça esse diálogo entre a comunidade escolar, ou seja, todos os adultos que trabalham na escola, os professores, as famílias, as crianças, para definir o protocolo que é mais adequado naquele momento, naquela situação”, diz.

Segundo Florence, a escola é um espaço importante para garantir não apenas o aprendizado, mas também a socialização e até mesmo a segurança alimentar das crianças e adolescentes do país, sobretudo aqueles em situação de vulnerabilidade. “O importante é que esse diálogo aconteça o quanto antes e que as escolas possam reabrir, mesmo se for com atividade presencial limitada no começo. Mas, é importante reafirmar e restabelecer a escola como espaço de referência para crianças e adolescentes”, defende.

A pesquisa mostra ainda que as medidas individuais de prevenção à pandemia se mantiveram em alta. Entre os entrevistados, 81% afirmam que quarentena e isolamento social são medidas muito importantes para conter a covid-19. Em julho de 2020, eram 84% e em novembro, 81%. Além disso, 94% reforçam a importância do uso de máscaras, percentual que aumentou em relação a novembro, 91%.

Impactos

Mais da metade, 56% dos entrevistados, diz que a renda familiar diminuiu desde o início da pandemia, o que representa 89 milhões de brasileiros. As classes D e E foram as mais afetadas. Cerca de 40% dessa parcela da população teve uma redução da renda em mais da metade. Na classe A essa redução ocorreu para 12%. Entre os motivos está a perda de emprego. No total, 18% disseram que estavam trabalhando antes e mesmo durante a pandemia e agora não estão mais.

A alimentação também foi impactada. A pesquisa mostra que, desde o início da pandemia, 17% dos entrevistados, o que equivale a 27 milhões de brasileiros com mais de 18 anos, declaram que alguém no domicílio deixou de comer porque não havia dinheiro para comprar mais comida. Nas classes D e E, esse percentual chegou a 33%.

A fome chegou também a crianças e adolescentes: 13% disseram que crianças e adolescentes que moram com eles deixaram de comer por falta de dinheiro. Nas classes D e E, esse percentual foi também 33%. Entre aqueles matriculados em escolas públicas, metade afirmou que recebeu alimentação da escola durante o período de fechamento por causa da pandemia.

Diante desse cenário, 56% dos entrevistados disseram que o adolescente com quem moram apresentou algum sintoma relacionado a transtornos mentais durante a pandemia. Entre eles, 29% disseram que os jovens apresentam mudanças repentinas de humor e irritabilidade; 28% que tiveram alterações no sono como insônia ou excesso de sono. Também 28%, disseram que houve diminuição do interesse em atividades rotineiras.

Segundo Florence, políticas públicas como o Auxílio Emergencial são importantes para mitigar esses efeitos da pandemia. Além disso, é necessária uma articulação entre diferentes áreas dos governos para que medidas de assistência, saúde e educação cheguem a toda a população.

Pesquisa

A terceira etapa da pesquisa Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes fez 1.516 entrevistas, por telefone, entre 10 e 25 de maio de 2021. A primeira e a segunda rodada da pesquisa foram divulgadas em agosto e dezembro de 2020, respectivamente.

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Inatividade aumenta mortes por doença cardiovascular na pandemia, diz pesquisa

Da Agência Brasil

Estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostra que a inatividade física na pandemia pode aumentar as mortes por doenças cardiovasculares em até 200 mil novos registros no longo prazo. O Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada & Nutrição, da Faculdade de Medicina, projetou em março de 2020, a partir da revisão de 50 estudos, que a falta de exercícios teve um crescimento de 50%.

Uma das pesquisas, que foi base para a análise, mostra que a falta de atividade física é responsável por cerca de 9% da mortalidade anual, resultando em cerca de 5 milhões de mortes por ano no mundo. Outros dados encontrados mostram que mesmo a inatividade de curto prazo (até um mês) pode aumentar o fator de risco para as doenças do coração.

“Nós temos dados que de fato confirmam que a inatividade física cresceu, e cresceu especialmente nos grupos clínicos que foram mais expostos a essa condição de isolamento social”, disse Bruno Gualano, professor da Faculdade de Medicina da USP. O estudo recebeu o prêmio 2020 Impact Award do American Journal of Physiology – Heart and Circulatory Physiology, por ser o artigo mais citado da revista no último ano, com 77 citações.

As informações foram utilizadas na formulação de políticas públicas. “Muitos programas de atividade física a distância, política públicas, infelizmente não no nosso país, mas em países europeus, no próprio Estados Unidos, para a promoção de atividade física.”

Gualano destacou que o exercício foi encarado pela comunidade científica e pelos tomadores de decisão como um fator de risco importante que precisava ser combatido durante a pandemia.

Recomendações

O pesquisador ressaltou que a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é a prática de 150 a 300 minutos por semana de atividade física moderada a vigorosa. “É aquela atividade que a gente faz conversando com alguém ao lado e que a gente sente uma certa dificuldade para conversar.” No Brasil, cerca de 50% da população é considerada inativa.

Ele afirmou, no entanto, que é preciso manter os cuidados para a prática diante dos riscos da covid-19. “A atividade física é essencial, mas a academia de ginástica não é. O que eu quis dizer com isso? Que a academia não é importante? Não, é importante, mas não é vital. Significa que eu consigo manter meus níveis de atividade física sem me entranhar numa academia que não traga as condições ideais de proteção”, explicou.

Efeito protetor

O grupo de pesquisa também se debruçou sobre o fator de proteção dos exercícios para as formas mais grave de covid-19. Foram avaliados 200 pacientes internados com a infecção, relacionando a condição ao nível de atividade física praticada.

“O efeito protetor da atividade física vai até a página três. Há uma resposta protetora no geral, mas para quando a gente avalia o paciente grave, com comorbidade, com obesidade, de uma idade mais avançada, com doenças crônicas associadas, que são fatores agravantes da covid, esses fatores parecem superar o efeito protetor da atividade física.”

Gualano destaca, portanto, que a recomendação é que se faça atividade física, tendo em vista que ela reforça a resposta imune do organismo e previne condições que são fatores de risco para a covid grave, como obesidade, diabete tipo 2 e hipertensão.

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Estudo gera energia limpa com células solares fabricadas a partir de pétalas e frutos

A fabricação de dispositivos nanotecnológicos com alta sensibilidade em sistema inteligentes de energia de baixo custo e renováveis. Este é o objetivo de um projeto que está sendo tocado pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ).

A nanotecnologia é uma ciência que se dedica ao estudo da manipulação da matéria numa escala atômica e molecular. Pode ser utilizada em diferentes áreas, como a medicina, eletrônica, ciência da computação, física, química, biologia e engenharia dos materiais.

Um dos estudos visa a busca de eficiência em energia limpa com o desenvolvimento de células solares orgânicas, que podem ser fabricadas com corantes naturais extraídos de pétalas da floricultura brasileira como margaridas ou lantana, popularmente conhecidas como camará ou cambará, ou frutos como jabuticaba e o coco.

A pesquisadora Ana Lucia Ferreira de Barros, coordenadora do Laboratório de Física Experimental e Aplicada do Cefet/RJ, diz que essa é uma área bastante desenvolvida em países como Alemanha, mas ainda muito incipiente no Brasil, principalmente devido ao alto custo na transmissão da matriz energética.

As células orgânicas precisam de 20 vezes menos energia que os painéis comuns. Elas são compostas por estruturas semicondutoras sobre as quais é feita a aplicação do corante orgânico, que terá a função de absorver os fótons de luz e, uma vez que o mesmo seja excitado, transferirá elétrons até a superfície condutora, obtendo assim o efeito fotovoltaico.

“No contexto do Estado do Rio de Janeiro, o desenvolvimento de materiais de baixo custo e amigáveis ao ambiente assumem importância crucial, especialmente devido às severas limitações orçamentárias e a crise fiscal dos últimos anos”, ressalta.

Os investimentos da Faperj são ainda para o aperfeiçoamento de supercapacitores com aplicações em diversos áreas industriais como roupas, biosensores e até veículos híbridos. Em 2020, duas dissertações de mestrado e uma tese de doutorado foram defendidas por alunos do Cefet/RJ, sendo duas sobre supercapacitores e outra sobre células solares.

Os Supercapacitores são uma classe de dispositivos de armazenamento de energia que combinam as propriedades de baterias (alta capacidade de armazenamento) com as de capacitores (ultra-rápido carregamento e fornecimento de energia), tolerando grande número de ciclos de carga e descarga.

Os supercapacitores podem ser fabricados com materiais funcionais como azul de metileno, carbono ativado, entre outros, e aplicados como revestimentos em fibras de carbono, tornando-os altamente flexíveis, com boa resistência e baixo custo.

Além dessas atividades, o grupo do Cefet/RJ se dedica também à modelagem matemática em estudos de armazenamento de energia em supercapacitores. Nessa área, estão estudos de algoritmos e modelos estatísticos em computadores com alta performance.

A Faperj é vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. Já as pesquisas do Cefet/RJ contam com parcerias na Dinamarca, Coreia do Sul, Índia, França e Estados Unidos, além de laboratórios nacionais na UFRJ, Uerj e na PUC-Rio.