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Comportamento Notícias do Jornal

A dor da rejeição

 

No reality ou na vida, o ser humano sofre com o desprezo ou a falta de aprovação do outro

Por: Claudia Mastrange

Uma das palavras que mais tem sido ouvida ultimamente é : rejeição. Nos embates – ou tretas – e paredões do “Big Brother 21”, assunto que mais bomba nas redes sociais e em dez entre dez rodinhas de conversa do povão, uma discussão frequente é quem é o ‘mais rejeitado’ na opinião do público. Formaram-se verdadeiros mutirões para eliminar Karol Conká, depois que a cantora tornou-se a grande vilã desta edição, o que lhe deu o maior índice de rejeição de todas as edições. Ela foi eliminada com 99,17% dos votos. O cantor Projota, outro integrante do time dos ditos vilões, arregalou os olhos ao descobrir que seu índice de rejeição foi 91,89%, em sua eliminação, no último dia 17 de março.

Mais do que medo do paredão, que significa a possibilidade de deixar a competição e perder R$1,5 milhão em prêmio, os confinados deixam muito claro, em conversas e enfrentamentos, que morrem de medo da rejeição popular, de serem ‘cancelados’, como atualmente definem os internautas, na terra virtual que não perdoa ninguém e exponencializa erros e acertos. A cada passo ou confronto, é comum se defenderem bradando: “O Brasil tá vendo!”.

E como definir a palavra rejeição? “Rejeição significa deixar de lado, desprezo, abandono. Invalidar ou anular o outro. Ferir, humilhar com a intenção pública ou não de dizer que o outro não merece nada, nenhum tipo de afeto nem o ódio”, explica a psicóloga Daniela Generoso. Ela afirma que ser desprezado por alguém independe se essa pessoa tem alguma relevância emocional ou não. “É uma dor muito profunda que pode levar a problemas de ansiedade, depressão, automutilação e suicídio”.

A psicóloga Daniela Generoso fala sobre a dor da rejeição, o famoso “cancelamento” dos dias atuais Foto: Divulgação

Ainda tendo como referência as relações humanas no BBB, foi nítida a mudança de postura do cantor Fiuk, quando sobreviveu ao primeiro paredão. Ele confessou que estava se sentindo rejeitado e, ver que o público não votou para que ele saísse do reality, lhe deu mais segurança. “Pela primeira vez eu senti que sou querido”, disse aliviado, pulando na piscina e passando a se posicionar com mais firmeza no jogo.

“Todo ser humano tem a necessidade de pertencer a algo, um grupo, de ser amado e o desprezo vem na contramão disso tudo, porque dizemos a esse indivíduo que nem o ódio, ele merece, ou seja, ali há uma nulidade da existência e tudo que ele representa”, ressalta Daniela.

A psicóloga afirma que a primeira coisa a fazer quando se é rejeitado é procurar validar sua identidade.

“Se você não sabe quem você é qualquer caminho serve. Preciso entender qual é o gatilho emocional que me prende à afirmação do outro sobre mim mesmo”, afirma, dando uma dica de exercício: respirar prolongadamente, inspirando por 3 segundos e expirando por 5 segundos. “Nesse movimento temos a oportunidade de jogar oxigênio ao cérebro dando tempo para pensarmos e não agirmos por impulsividade ou emoção. Ao respirarmos colocamos em pauta aquilo que realmente sou e não aquilo que o outro diz que sou”, finaliza.

Boa dica para o Gil não acham?

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Saúde Sociedade

Acolhimento humanizado e multiprofissional complementa tratamento e preserva qualidade de vida do paciente com câncer

O acompanhamento por uma equipe de profissionais se mostra essencial para fugir de embates com a doença. Mais do que lutar, o paciente oncológico deve viver
Existe hoje um conhecimento coletivo de que o tratamento oncológico depende muito da tecnologia. De fato, houve importantes avanços tecnológicos nas últimas década, que permitem não só o tratamento, mas o diagnóstico precoce do tumor. No entanto, com o desenvolvimento do conhecimento, o câncer caminha para se tornar um problema de saúde crônico, com o qual é possível viver por muitos anos e com qualidade. “Essa mudança de paradigmas reforça a necessidade de ter um olhar completo sobre os cuidados com a saúde do paciente. Dessa forma, é essencial contar com uma equipe multiprofissional que tem como objetivo maior a preservação da autonomia e felicidade do indivíduo com câncer”, explica Dr. Olavo Feher, oncologista clínico do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês. Somente em 2020 o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou mais de 600 mil novos casos no país.

Enfermagem, psicologia, odontologia, farmácia, nutrição, fisioterapia, consultoria de imagem, além de outras especialidades como a estomatologia e a fonoaudiologia, compõem a equipe multiprofissional. “Nós consideramos esse time de profissionais como o ponto de partida, mas em casos específicos, em que a doença afeta outras funcionalidades, podemos contar com outros especialistas”, esclarece o oncologista. Confira abaixo como a equipe multiprofissional atua e os benefícios que promovem.

Novas forma de cuidar
Ao passo em que oncologistas e o time de profissionais estabelecem novos protocolos de tratamento e cuidado, a ciência busca entender seus impactos na qualidade de vida, condição de saúde, adesão ao tratamento e até no desfecho clínico. A psicologia, por exemplo, é uma das áreas cujos efeitos têm sido amplamente estudados.

Diversos estudos indicam os benefícios que a abordagem multiprofissional pode oferecer ao paciente, bem como o impacto de sua ausência. Os efeitos fisiológicos diretos da doença e do tratamento associados a carga psicológica, por exemplo, afetam o corpo e eventualmente o cérebro, levando a mudanças no sistema neuroendócrino e imunológico com consequências abrangentes na saúde mental e comportamento.

Cerca de 11% dos pacientes oncológicos têm depressão, 10,2% convivem com a ansiedade e 12,5% tem algum transtorno para se ajustar a nova realidade. Essas comorbidades psiquiátricas levam a uma redução significativa na qualidade de vida em pacientes com câncer, e podem ser associadas a um aumento da dor. Estudos sugerem que a terapia de comportamento cognitivo, psicoeducação, hipnose, técnicas de relaxamento, ioga e exercícios podem ser indicados em diferentes estágios da doença pois visam melhorar o enfrentamento e aceitação por meio da modulação de atividades e mudando o foco de atenção.

“A assistência multiprofissional e integrada pode auxiliar no tratamento específico do tumor, seja imunoterapia, quimioterapia, radioterapia ou até a cirurgia. A prevenção e o cuidado com as condições físicas e psicológicas que acompanham o diagnóstico favorecem o fortalecimento do indivíduo, tornando-o mais preparado para lidar com o momento delicado e aumentando a adesão ao protocolo”, finaliza o especialista.
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81 anos da morte de Freud – que não sepultemos a psicanálise

No dia 23 de setembro de 2020, completa-se 81 anos da morte de Freud.  Não há dúvidas sobre sua contribuição ímpar para a compreensão do homem e de seu psiquismo. Há mais de 100 anos, desde a invenção da psicanálise, não é possível pensar o mundo sem seus conceitos e sem as contribuições que o tratamento psicanalítico deu a inúmeros sujeitos e grupos sociais.

O ato revolucionário de Freud foi a escuta, sua coragem em ouvir Anna O. quando ela lhe pede que a deixasse falar. Falou-se, fala-se e se seguirá falando. Antes de Freud também se falava. Falava-se a padres, a amigos, a parentes… Então, para que haja efeitos psicanalíticos, não basta que se fale, é necessária a especificidade da escuta analítica.

Retomemos o Projeto para uma psicologia científica (1895): nele Freud esboça o funcionamento neuronal e propõe a ideia de pulsão localizada entre o psíquico e o somático, como é possível compreender a posteriori.

Por que Freud escreve seus Estudos sobre a Histeria (1895)? Passados mais de 125 anos, podemos pensar que foi para que a experiência pudesse ser, futuramente, transmitida. Restringir a resposta a essa alternativa, ou mesmo pô-la em primeiro lugar, é simplório e localiza os futuros analistas no centro do interesse freudiano, empurrando para as beiradas aquele que é escutado. Freud escreve esses casos como tentativa de formalizá-los, como intento de compreender melhor o que escuta, escreve para dialogar com a comunidade que lhe circunda.

Em A interpretação dos sonhos (1900), afirma que o sonho é realização de desejo. Frase célebre que, de tão conhecida, corre o risco de perder sua potência. O desejo está ali onde não penso – tese que repete logo a seguir, em Psicopatologia da vida cotidiana (1901). No texto Três ensaios sobre a sexualidade (1905), descreve o processo de erotização de determinadas zonas do corpo e aponta algumas consequências. Enfim, trabalha a intersecção psíquico e somático, não os separa.

Estamos em 2020. O que significa hoje essa descoberta freudiana, a pulsão constitutiva tanto do somático quanto do psíquico? Sob a ameaça do vírus, fechamos nossos consultórios e aderimos maciçamente ao atendimento online. Era necessário nos proteger do risco. Mas até quando? Considerando que o encontro com o outro nunca será seguro, é possível renunciar a correr riscos?

Não nos apressemos, retornemos a Freud. Em Psicologia das massas e análise do eu (1921), o agora já nomeado pai da psicanálise aponta “a falta de liberdade do indivíduo num grupo”. Anos mais tarde, redige O mal-estar na civilização (1930) e reflete sobre o desaparecimento do sujeito quando diluído no fenômeno da psicologia de grupo. Estamos nós, psicanalistas, imersos nessa posição? Ao aderir ferreamente à verdade única, na qual a falta não tem lugar, nos fazemos prisioneiros do discurso que nos apraz? Resistir em retomar os atendimentos presenciais, sentar no conforto doméstico a atender em pijamas (como se gabam alguns), não é acomodar-se à certeza que deslizamos em nossas telas como verdade única?

Desde o Projeto, sabe-se que a pulsão é corpo, que a psicanálise se faz no encontro de corpos, na prática clínica, na análise pessoal, na supervisão e na formação do analista com seus pares. Onde se localiza hoje a nossa pulsão? Está ela aprisionada à teletela orwelliana, a enterramos nas valas abertas, como uma das vítimas da COVID-19? Que nessa data não façamos dos textos fundamentais de Freud mais uma vítima de nosso medo e covardia, que possamos sustentar essa peste chamada psicanálise

*Fernanda Zacharewicz é psicanalista, doutora em Psicologia Social pela PUC/SP *

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‘Queremos eternizar momentos inesquecíveis na vida das pessoas’

O atelier Costurinha Andradas, especializado em costuras criativas, promoveu, recentemente, nas redes sociais, o lançamento de seu novo, diferenciado e exclusivo produto: a boneca Lembrança & Afeto. Confeccionada 100% de forma artesanal, utilizando feltro e tecidos, o propósito da criadora, a empreendedora Rosana Serelo, é resgatar um momento feliz que a pessoa tenha vivido de forma especial.

A boneca é produzida por encomenda e, segundo Rosana Serelo, por se tratar de um cenário, o tamanho da Lembrança & Afeto, leva em consideração a área de 30cm x 15cm na base, e as bonecas possuem cerca de 15cm a 20cm. A empreendedora Serelo conta que procura ficar bem atenta às particularidades da foto que vai representar as pessoas envolvidas.

“A confecção da boneca leva em consideração o cenário total do momento afetivo em questão, assim como elementos físicos – cabelos, fisionomia – e visuais -roupas, cores, elementos – das pessoas e envolvidas”, explica Serelo. A primeira Lembrança & Afeto produzida foi para a cliente Aline Lago, que mora em Salvador, Bahia. Ela quis presentear o pai que está em Poços de Caldas, Minas Gerais, e a irmã que vive em São Paulo.

A empreendedora Serelo destaca a questão da riqueza de detalhes. “Nessa primeira produção, as pessoas podem observar na foto e na boneca como, por exemplo, a laranjinha na mão da menina que está dentro de um cesto de roupas limpas, o pezinho tortinho da menininha no sofá listrado, cabelos e rostinhos, o pijaminha do pequeno pônei”, descreve Serelo, com o sorriso de orgulho pelo capricho no trabalho.

Enredo emoção

A primeira cliente a encomendar a Lembrança & Afeto é a zootecnista e professora do Instituto Federal Baiano, Aline de Assis Lago, 34 anos. Atualmente morando em Salvador, Bahia, ela conta que as bonecas representam um momento em família, capaz de emocionar e estimular muitos sorrisos. “As bonecas são um jeito que pensei de enviar um pouquinho de amor e alegria para o meu pai e para a minha irmã. A última vez que estive com eles foi em janeiro. Com a pandemia não pude viajar para acalmar o coração cheio de saudade”, comenta.

Aline Lago explica o enredo da foto que gerou a fabricação artesanal das primeiras bonecas Lembrança & Afeto. “Na ocasião da foto, eu tinha quatro anos e minha irmã Lilian Lago, três. A gente usava roupinha igual para não dar briga rsrsrs! Minha irmã está comendo uma laranja e a escondi no balaio de roupas limpas. A ideia era fazer meus pais a procurarem. Eu falei para a Lilian ficar quietinha. Acredito que o balaio estava tão confortável que a minha irmã dormiu com laranja na mão e tudo”, recorda emocionada.

Atenciosa, Aline lago segue descrevendo o momento: “Meus pais deram falta da Lilian, procuraram em tudo quanto é canto da nossa casa, e nada. Eles me perguntavam ‘Aline, onde está sua irmã?’, mas eu não contava. Até que a minha irmã acordou e: ‘surpresa!’. Meus pais acharam tão engraçadinho que em vez de dar bronca na gente correram para tirar a foto das duas arteiras”, lembra.

Segundo Aline Lago, as bonecas produzidas pelo Atelier Costurinhas Andradas representam com perfeição o momento que tem muito significado. ” É especial, porque minha mãe já é falecida, e como eu, meu pai e minha irmã estamos em cidades diferentes – eu em Salvador, na Bahia; meu pai, em Poços de Caldas, em Minas Gerais; e minha irmã, em São Paulo – a saudade aperta. Esse acontecimento foi engraçado e nos faz lembrar com saudade de estarmos os quatro juntos. Ainda hoje a gente dá muita risada lembrando esse dia”, afirma Aline Lago.

 

‘Senti um calorzinho no coração’

A menina que dormiu dentro do cesto de roupas, Lilian Lago, hoje é engenheira de alimentos, tem 33 anos e reside em São Paulo. Ela não imaginava que estava sendo envolvida na surpresa que a irmã Aline Lago preparava tanto para o pai quanto para ela. “Eu sabia das bonequinhas que a minha irmã tinha me mostrado e que ela disse que ia enviar para o meu pai. Inclusive, a ajudei a escolher a foto, porque sempre nos divertimos, rimos com essa foto. Então, eu escolhi essa foto, porque é muito especial, pois éramos crianças e todos nós estávamos juntos – minha mãe, meu pai e nós duas”, recorda a engenheira.

O que Lilian não imaginava era que ela estava colaborando para a realização da surpresa que a Aline prepara, até que foi comunicada que tinha chegado um pacote para ela. Quando Lilian abriu o pacote encontrou as bonequinhas revivendo um instante da infância de muito valor. “Encontrei as bonequinhas e um bilhete que dizia que era para que nós estivéssemos sempre juntas

No atual cenário de pandemia é a forma que a gente tem de se aproximar, de ficarmos unidas mesmo longe uma da outra. Aí senti um calorzinho no coração, de saber que foi uma passagem muito especial para nós, de lembrar da minha irmã, da minha mãe que faleceu e do meu pai. Lembrar que sempre estamos juntos mesmo que estejamos longes”, finaliza Lilian se esforçando para conter as lágrimas. Ao terminar a fala, a face de Lilian ganhou o desenho de duas linhas de lágrimas de pura emoção.

Serelo comenta que esse novo produto representa o afeto. De acordo com a ela, é a materialização do sentimento de felicidade. “Queremos eternizar momentos felizes na vida de pessoas. Afinal, todos nós temos uma foto ou uma situação que guardamos na memória de um momento feliz que vivemos no passado com a família, amigos ou animais. Presentear dessa forma, ao meu ver é algo incrível e surpreendente”, define.

 

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Destaque Notícias

Setembro Amarelo: Ação alerta jovens sobre importância do diálogo na prevenção ao suicídio

Mais de 200 mil pulseiras amarelas com a hashtag “#dêumlikenavida” serão distribuídas para alertar jovens de todo o país sobre a importância do diálogo na prevenção ao suicídio.

A ação da Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), tem como foco a mobilização dos jovens durante o Setembro Amarelo – mês marcado pela campanha e pela celebração do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Para a secretária nacional da juventude, Emilly Coelho, as pulseirinhas são uma forma de conscientizar os jovens e incentivar que eles conversem com os mais próximos, amigos e família, sobre o assunto.

“Nossas pulseirinhas amarelas de cetim são um sinal de apoio. Queremos lembrar nossos jovens de que sempre é possível mudar a rota, sem desistir do caminho. Viver é uma constante mudança e os dias sombrios passam. Não desistam”, afirmou a secretária.

As fitinhas serão distribuídas para Organizações Não Governamentais (ONGs), entidades da sociedade civil e demais interessados em participar da iniciativa. Para solicitar as pulseiras, basta mandar um e-mail para juventude@mdh.gov.br.

“Parece que até a natureza, agora em setembro, decidiu nos ajudar na campanha de prevenção ao suicídio e automutilação, pintando Brasília com o amarelo dos ipês. Convidamos todos a levarem consigo nossas fitinhas”, disse a titular da SNJ.

Setembro Amarelo

Em 2003, o dia 10 de setembro foi instituído Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP). No Brasil, em apoio à iniciativa, o período do Setembro Amarelo tem sido marcado pela ampliação dos debates sobre a prevenção do suicídio no país.

A campanha, que ganha força neste mês, foi criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Ao longo dos próximos 30 dias, serão promovidas atividades de conscientização.

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Cultura Destaque

Um movimento por uma Revolução dos Afetos

No dia 21 de agosto, às 20h, a socióloga e documentarista Ingrid Gerolimich lança seu curta-metragem “Revolução dos Afetos”, que poderá ser visto em sua página de Instagram @ingridgerolimich.

A pandemia que tomou conta do mundo e que exigiu de nós o isolamento e afastamento dos corpos despertou em Ingrid Gerolimich o desejo de falar sobre a solidão. E, dessa incursão pelo tema, nasceu o curta-metragem “Revolução dos Afetos” dirigido e roteirizado pela mesma.

O filme fala de uma solidão imposta, fruto de um modelo de sociedade onde é cada um por si na luta pela sobrevivência, deixando de lado a importância da solidariedade como um valor humano. E, para mudar esse cenário, o curta aponta para a necessidade de uma revolução dos afetos, cuja principal bandeira é o amor.

Por isso, junto com o filme será lançado o Movimento Revolução dos Afetos, um espaço colaborativo que receberá vídeos, textos, poesias e debates sobre o tema.

Serviço:
Curta-metragem Revolução dos Afetos
Direção e roteirização: Ingrid Gerolimich
Estreia: Dia 21 de agosto – sexta-feira
Horário: 20h
Exibição: Instagram @ingridgerolimich

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Entrevistas

Fabiano Barcellos: médico que virou escritor e ensina empreendedorismo online

Há sete anos, o médico cardiologista, Fabiano Barcellos não faz mais da medicina a sua principal fonte de renda. Desde 2016, ele só realiza atendimentos populares, em que os pacientes pagam um valor que é suficiente para que honre o aluguel do consultório.

Barcellos queria ter mais tempo livre e começou a trabalhar com marketing de relacionamento e vendas online. Em dezembro de 2019, lançou o livro “Coragem para vencer”, com o objetivo de ajudar pessoas a transformarem suas vidas. Na semana do lançamento, o livro ficou em quarto lugar entre os dez mais vendidos sobre autoajuda.

Desde o início da pandemia, Fabiano Barcellos está fazendo lives em seu instagram (@fabianobarcellos) sobre temas variados e com especialistas e artistas, como as atrizes Mariana Molina e Susana Alves, o ator Raul Gazolla, a ex-miss Brasil, Débora Lyra, a apresentadora Dani Monteiro, a ginasta Danielle Hypólito, o autor de best-seller, palestrante e empresário Edgar Ueda, a coach de emagrecimento, Carol Ferrera, entre outros.

“A ideia de fazer as lives era para ajudar as pessoas nesse momento difícil que vivemos: depressão, redução de salário, conviver mais tempo com os familiares. Então, tento ajudar a se manterem ativo e aproveitar o tempo livre, entre outros temas. Acabaram surgindo convites para palestras que serão realizadas quando tudo se normalizar”, diz Fabiano.

Para o empreendedor e autor, é preciso pensar fora da caixinha. Fabiano dá dicas para os que querem Empreender não se abaterem com qualquer desânimo e fraqueza e encontrarem forças para seguir em frente com os seus planos:

1-    Para enfrentar o que estamos vivendo, precisa de muita coragem, mas não só pelo confinamento e dúvidas, mas também para o autoconhecimento. Ter tempo para si, se conhecer melhor, escutar mais o próprio eu não sou fácil para muitos. Porém, renovador e fundamental para a próxima fase. Nesse momento precisamos dar mais atenção à comunicação interna e isso de simples não tem nada, precisa de muita coragem.

2 – Todo mundo tem problemas e passa por fases difíceis. Os dias complicados fazem parte da vida e felizmente são eles que nos permitem mudar, aprender e evoluir. Não adianta esperar os problemas diminuírem, a sua vida continuará sendo a mesma. Pare de esperar as coisas mudarem para você mudar em si aquilo que precisa!

3 – Se a sua intenção é fazer algo novo e fora do comum e do esperado pelas pessoas, esteja preparado para ouvir críticas bem e mal-intencionadas para que possa seguir adiante com seus sonhos.

4 – Se você quer mudar e sonha com um futuro diferente, precisa deixar as crenças negativas de lado e acreditar no seu potencial.

5- As coisas só são difíceis até você torná-las fáceis!

6- Se não fizer nada por você, sua vida continuará sendo a mesma e seus sonhos jamais sairão do papel. Se deseja ser diferente no futuro, comece a traçar a sua mudança hoje, pois só assim você conseguirá alcançar os seus objetivos. Se decidiu muda a sua vida, faça hoje!

7- Saia da sua zona de conforto e dê de cara com a sorte que você acredita que perdeu.

8 – Errar é uma porta de entrada para viver o novo e para não cometer o mesmo erro outra vez. Se você está errando muito, é sinal que você está aprendendo mais do que imagina. Dê uma chance a si mesmo e absorva todo esse aprendizado.

9 – Não seja um obeso mental. Não pense demais e nem aja de menos. Procure um equilíbrio, alinhe seus planos aos seus objetivos. Analisar e pensar é importante, mas não agir é retroceder.

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Saúde

O lado oculto da depressão

Por Alessandro Monteiro

Está provado que a tristeza pode resultar em depressão. Mas há comportamentos que são típicos de quem está iniciando um processo de depressão sem aparentar tristeza diz o filósofo, psicanalista e especialista em estudos da mente humana Fabiano de Abreu.

Para Abreu, não podemos nos enganar pelo disfarce que o nosso inconsciente projeta como mecanismo de defesa. “Nosso inconsciente armazena os problemas da vida pois a emoção causa impacto onde os hormônios com sua produção acentuada ao tipo de emoção entram em conflito com as nossas defesas que tentam conduzir um melhor equilíbrio emocional compensado com a razão.”

 

Fabiano de Abreu (Foto: Reprodução)

Abreu diz que nem toda pessoa deprimida é triste, e um exemplo disso são os sorrisos amigáveis que escondem uma vontade interna de desaparecimento. Confira os 5 comportamentos que para ele podem ocultar o início de uma depressão.

1 – Pensar demais

Os questionamentos do sentido da vida, as conversas profundas consigo mesmo sobre a vida e a morte pode ser um pensamento nato de quem tem uma mente filosófica. Mas pode ser também pensamentos de uma pessoa em estágio de depressão em busca de uma direção. O autoconhecimento torna-se necessário para identificar se esses pensamentos são naturais ou passaram a acontecer.

2 – Compulsões

Ocupar a mente com muitos afazeres criando muitas atividades pode ser um comportamento de um intelectual que sente prazer em adquirir conhecimento. Mas pode ser também o mecanismo utilizado pelo depressivo para não pensar na insatisfação interna, ocupando a mente com pensamentos dedicando-se demais aos passatempos para fugir dos sofrimentos e angústias.

3 – Falta de paciência

Qualquer pessoa pode perder a paciência, mas, se isso for frequente, pode ser um sinal de início de depressão. Nem sempre a depressão se manifesta com tristeza e desânimo podendo ser também mediante a insatisfação contínua.

4 – Alimentação e sono irregular

Dificuldade em padrões regulares para drenar a energia. Sono e alimentação irregular é uma busca de prazeres e acontecimentos que disfarçam a insatisfação. A ansiedade leva a esses fatores na falta da conclusão do que se quer concluir resultando em um comportamento compulsivo.

5 – Medo do abandono

Dificuldade em manter relações interpessoais sustentam um sorriso disfarçado em que a alegria não condiz com a insatisfação que está internamente. Na realidade a pessoa se sente pesada e indesejada e o sorriso é a fórmula de manter as pessoas por perto já que receiam ficar desamparadas quando mais precisam de apoio, mas tem vergonha de dizer e admitir ou, não tem plena consciência do que está sofrendo. O mais perigoso na depressão é ter consciência dela quando se torna extremamente prejudicial.

 

 

 

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Saúde

A importância de cuidar do seu emocional em tempos de pandemia

Por Franciane Miranda

O Diário do Rio entrevistou a psicóloga Marina Prado Franco. Formada pela Universidade Federal de Sergipe, ela é especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo CTC VEDA em São Paulo, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e realiza atendimento presencial e online. Possui experiência no atendimento com adolescentes e adultos. A terapeuta conversou sobre os riscos da depressão neste período de isolamento social.

O que é a depressão?
É um transtorno mental ou doença psiquiátrica que pode variar, por exemplo, no seu tempo de duração e intensidade dos sintomas, sendo o tipo clássico aquele que chamamos de Transtorno Depressivo Maior. De maneira geral, esse quadro traz sintomas ligados a uma tristeza recorrente acompanhados de alterações no comportamento e no pensamento do indivíduo.

Você acha que os casos de depressão podem aumentar neste período que passamos?
O período que passamos é de desafios e constantes incertezas, no qual os indivíduos podem não encontrar muito facilmente um sentido para o que estão vivenciando. Por isto, a fase que vivenciamos pode ser por si só um fator que predispõe o surgimento da depressão. Esse transtorno pode surgir como herança de uma predisposição genética ou pela vivência de traumas em contextos ‘desfavoráveis’ − o momento atual poderia ser um ambiente propício. Estes contextos ‘desfavoráveis’ são contextos que não promoveriam o desenvolvimento de uma autoestima e uma perspectiva de futuro positiva.

Quadros depressivos podem ser agravados durante o isolamento social?
O isolamento social, por si só, pode ser um dos fatores que mais agravam um indivíduo que está num quadro depressivo, pois quando nos isolamos podemos não estar atendendo a uma necessidade básica do ser humano: a necessidade de socialização. Além disso, em isolamento, a chance de não obtermos reforçamentos positivos, ou seja, respostas que provocam um maior bem-estar e prazer, é bem maior, o que traz uma visão de si mesma e do mundo cada vez mais negativa.

Como as pessoas que estão isoladas podem identificar se apresentam algum sintoma depressivo?
Para a identificação de sintomas depressivos nas pessoas que estão isoladas, vale observar a presença de algum desses sintomas: perda de interesse em atividades que anteriormente costumavam ser muito prazerosas pro indivíduo e uma tristeza constante e profunda sem causa aparente; alterações no sono (dorme mais ou menos que o comum) e no apetite (como mais ou menos do que comia); falta de desejo de interagir com outras pessoas; fadiga ou cansaço constante; irritabilidade; baixa autoestima e sentimentos constantes de culpa; e dificuldade para pensar, se concentrar e lembrar de algumas coisas.

Psicóloga Marina Prado Franco (Foto: Divulgação)

Por que as pessoas desenvolvem esta doença? Existe alguma explicação científica?
A ciência, atualmente, explica o surgimento da depressão por um conjunto de fatores, entre eles: a maior propensão genética (famílias com pessoas deprimidas aumentam a chance de eu vir a desenvolver depressão); fatores bioquímicos (redução de alguns neurotransmissores que contribuem para o humor positivo, como a serotonina e a dopamina); fatores ambientais como, por exemplo, a vivência de traumas, violências, negligências dos pais quando criança; e fatores ligados à personalidade do indivíduo, se este tem uma autoestima preservada ou não, visão que tende a ser mais pessimista ou otimista das coisas.

Você acha que podemos tomar alguma atitude para nos prevenirmos da doença?
Atitudes que podemos tomar para prevenir a doença envolve buscarmos sempre tarefas e atividades que nos provoquem prazer, tarefas interessantes para cada um de nós. Termos uma boa rede de apoio (amigos com quem podemos dividir nossas alegrias, tristezas e frustrações), nos criticar menos, com a aceitação de nós mesmos com defeitos e qualidades ‘como todos’, não nos compararmos com os outros e aceitar elogios e buscar sempre observar as situações que vivenciamos como oportunidades de aprendizados, entre outras coisas.

O que você acha das iniciativas de canais de ajuda psicológica neste momento de afastamento social?
Os canais de ajuda psicológica nesse momento de crise e pandemia que vivemos serão essenciais para que os indivíduos consigam se fortalecer e buscar recursos para lidar com suas emoções, como medo, ansiedade e tristeza, que podem surgir com mais frequência no momento atual. Um profissional capacitado nos trará a possibilidade de um lugar em que podemos nos sentir seguros, acolhidos e compreendidos diante de um cenário de tantas incertezas.

Qual a dica que você pode passar para a população neste momento?
Nesse momento a população deve estar atenta, se unir, criar rotinas e atualizá-las constantemente, para que consiga manter a sua saúde física e emocional em um funcionamento saudável, dentro do possível. Devemos estar atentos também às pessoas que estão próximas a nós para que possamos observar possíveis mudanças de comportamento e agir em prol de uma ajuda recíproca.