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Notícias do Jornal Sabrina Campos | A vida como ela é

Quando falta vontade, sobra desculpa

 

Pioneira numa família de analfabetos, frequentou a escola, ainda que por cerca de dois anos. Migrou de sua comunidade rural para uma grande metrópole. Tornou-se uma das primeiras moradoras de uma das “favelas” que começavam a surgir na época, cuja a moradia construiu com as próprias mãos. Carolina Maria de Jesus não permitiu ser encaixotada na premissa vitimista da ausência de oportunidades, e, sim, faltaram-lhe muitas. Tampouco admitiu a imposição de um destino trágico de miserabilidade por nascer na pobreza.

Abdicou de todas as profecias que lhe dedicaram como mulher, pobre, iletrada, que catava lixo para sustentar os filhos. A desigualdade socioeconômica jamais destruiria os planos de Carolina de viver dias melhores, longe da favela que ela chamava “tétrica”. Teve a audácia de descrever a sua vida na favela para o mundo, contar o cotidiano do ambiente em que vivia com os filhos sob o seu olhar particular, revelar sua dor e seu sofrimento e reconhecer o dos outros ao redor, expressar suas ideias como única forma de se libertar.

Assim nasceu “Quarto de Despejo” (publicado em 1960), um diário já traduzido para mais de 14 idiomas, conhecido em cerca de quarenta países. Dentre outras obras, retrata a violência e a fome, temas constantes do seu ambiente. A marginalidade, citando crimes praticados por moradores do que ela descrevia como “recanto dos vencidos”, bem como a discriminação e o descaso do poder público em cuidar da população desfavorecida.

Descaso que se intenta reparar através da Lei 14.118/2021 e do Decreto 10.600/2021, já em vigor, que institui o “Programa Casa Verde e Amarela”, para promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas e em áreas rurais, associado ao desenvolvimento econômico, à geração de trabalho e de renda e à elevação dos padrões de habitabilidade e de qualidade de vida da população urbana e rural.

Há registro de material inédito deixado por Carolina Maria de Jesus em 58 cadernos, que somam cinco mil páginas de textos: são sete romances, 60 textos curtos, 100 poemas, além de quatro peças de teatro e de doze letras para marchas de carnaval. A autora recebeu diversas homenagens de Academias de Letras, além de um título honorífico da “Orden Caballero delTornillo”, na Argentina, em 1961.

De algum modo Carolina Maria de Jesus sabia que seria ouvida, como foi, e é. Se sobra vontade, falta desculpa. Faça a sua voz ser ouvida!

Sabrina Campos

Advogada e árbitra

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Cultura Destaque Rio

Artistas criam peças radiofônicas inspiradas em histórias dos mais de 40 teatros que existiram no entorno da Praça Tiradentes 

Foi durante uma conversa em um bar na Lapa que os atores Alex Teixeira e Clarisse Zarvos descobriram alguns interesses em comum, entre eles a curiosidade por lugares abandonados e um fascínio por causos do Rio de Janeiro. Da pergunta “Já parou pra pensar na quantidade de teatros que existiam no Centro e que não fazemos ideia de onde ficavam?” para um mergulho intensivo em livros e sites antigos foi um pulo. 

Assim nasceu o projeto Teatro ao Redor, um podcast com peças radiofônicas criadas pelos artistas a partir de registros, entrevistas e memórias sobre salas de espetáculo ao redor de praças. Na série de estreia — com cinco episódios — eles viajam no espaço e no tempo para contar a história de teatros da Praça Tiradentes. Entre o século XIX e os dias atuais, a região abrigou mais de 40 teatros. Do São Luiz ao Teatro Real São João, passando pelo Teatro Brazilian Garden, Moulin Rouge e o Teatro Maison Moderne, que abrigava peças, roda-gigante, tiro-ao alvo, balões, fotografia, bola ao cesto, pinball e até uma jaula com leões. 

— Descobrimos uma diversidade incrível de histórias sobre a cena brasileira nesses últimos dois séculos. Eu já sabia que o Centro da cidade tinha uma importante tradição teatral, não apenas ligada às salas de espetáculos, como também ao teatro de rua, mas depois que começamos a buscar essas memórias antigas e atuais, as narrativas foram se multiplicando — comenta Clarisse Zarvos, que além de fazer parte do elenco de vozes, assina com Alex Teixeira o roteiro e a direção do podcast.  

Os episódios influenciados por teatralidades do real, radio-drama e teatro épico tratam de temas como a origem da Praça Tiradentes, a demolição de salas de espetáculo, teatro de revista, os remanescentes teatros Carlos Gomes e João Caetano, cafés-concerto, salões de bilhar, incêndios de teatros, os teatros que viram cinema, e os cinemas que viram teatro, arte pública e performances que questionam as estátuas da praça. 

— Buscamos com essa proposta de teatro sonoro remediar a abstinência do palco e da rua em meio a quarentena, e ao mesmo tempo em que falamos do passado, percorremos estratégias para reinventar outros futuros no pós-pandemia — destaca o ator Alex Teixeira. 

O podcast Teatro ao Redor vai ao ar aos sábados, às 10h, através da plataforma Spotify. 

Ficha Técnica:

Texto, direção e vozes: Alex Teixeira e Clarisse Zarvos 

Edição de som: Clarisse Zarvos 

Participação: Jane Di Castro  

Design: Alessandra Teixeira 

Realização: Teatro ao Redor, Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e Fundo Estadual de Cultura

Serviço

Teatro ao Redor: 

#1 Tiradentes: Construção e Demolição

#2 Tiradentes: João Caetano e Carlos Gomes

#3 Tiradentes: O teatro, o fantástico e o entorno inebriado

#4 Tiradentes: É fogo! 

#5 Tiradentes: Século 021

Spotify: http://bit.ly/TeatroAoRedor 

Informaçoes: https://instagram.com/TeatroAoRedor 

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Notícias do Jornal Vitor Chimento | Serra

VALENÇA – ANTIGA ALDEIA DOS INDIOS COROADOS

O território da atual sede do município de Valença tem sua história, ligada a seus primeiros habitantes, os índios coroados, descendentes dos Puris e Araris, que dominavam a área compreendida entre os Rios Paraíba do Sul e Preto. Viviam como nômades na região, gerando insegurança entre os proprietários da sesmarias. Eram, especialmente, temidos, pelo comportamento feroz que exibiam em batalhas entre eles e contra os portugueses.

Por motivos dos ataques constantes, dos índios, aos habitantes, que o vice-rei do Brasil D. Luis de Vasconcelos e Souza ordenou que fosse iniciada a catequese dos índios da região. Imcumbiu o fazendeiro José Rodrigues da Cruz, proprietário da Fazenda Pau Grande (localizada no município de Paty do Alferes), iniciar o “processo de civilização” e ao Capitão de Ordenanças Inácio de Souza Werneck encarregado de domesticar e aldear os índios. Isto é, de reuní-los nas matas e conduzí-los para as aldeias onde deveriam se fixar. Assim as terras foram liberadas e divididas em sesmarias, doadas aos primeiros colonizadores.

No ano de 1803 foi nomeado, pelo vice-rei Don Fernando de Portugal, o Padre Manuel Gomes Leal para o cargo de Capelão, tendo-lhe o Bispo Don José Joaquim Justiniano a jurisdição necessária para construir e benzer uma capela e cemitério. Foi, então, construída uma modesta capela dedicada à N. S. da Glória no principal aldeamento dos coroados, originando, assim, a atual cidade de Valença.

Durante esta fase de colonização foram construídas, pelo então Capitão de Ordenanças Inácio de Sousa Werneck, o Caminho da Aldeia, considerada a primeira estrada para o sertão de Valença, Ia desde a cidade de Iguaçu até o norte da Capitania do Rio de Janeiro, na ilha divisória com Minas Gerais, marcada pelo Rio Preto.

As estradas que eram construídas por Inácio ligavam à aldeia de Nossa Senhora da Glória de Valença e a aldeia de Santo Antonio do Rio Preto (atual distrito de Conservatória – Cidade da Seresta) com a Estrada Real para Minas Gerais e os caminhos auxiliares para as Freguesias de Sacra Família do Tinguá (atual Município de Paulo de Frontin), Azevedo e Pilar do Iguaçu, de onde seguiam para a Vila de Iguaçu. Um atalho que permitia seguir rumo a Itaguaí.

A Estrada da Polícia permitiu os viajantes que vinham de Minas Gerais cruzar o rio Paraíba do Sul nas proximidades de Desengano (atual distrito de Juparanã, em Valença), pela povoação de Vassouras até Sacra Família do Tinguá.

A Freguesia foi elevada a Vila de Nossa Senhora da Gloria de Valença em 17 de outubro de 1823. No ano de 1857, a Assembléia Legislativa Provincial, elevou a Vila de Valença à categoria de Cidade.

Os pioneiros povoadores, depois dos índios, do município de Valença eram todos agricultores, na maior parte moradora, das Freguesias de Paty do Alferes e Sacra Família do Tinguá. Também participaram os imigrantes de outras nacionalidades, muitos deles italianos e portugueses.

 

Foto: Reprodução Internet

Grande personalidade de destaque no desenvolvimento de Valença, entre outros, foi Custódio de Guimarães, “Visconde do Rio Preto”. Homem de grande coração, considerado um benfeitor, filantropo e que muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade.

Em 31 de dezembro de 1943 o topônimo foi modificado para Marquês de Valença e dezesseis anos depois, por lei estadual, o nome da cidade voltou a ser, simplesmente, Valença. Um Município com um passado de glórias que passou por ciclos importantes como o Ciclo do Ouro e o Ciclo do Café e, também, por períodos de desenvolvimento industrial e social.

É uma cidade com um potencial voltado para o ecoturismo, tendo a Serra da Concórdia, situada a sudoeste da cidade entre o vale dos rios Preto e Paraíba do Sul, como seu principal ponto. É a única região que possui duas unidades de conservação: Parque Natural Municipal do Açude da Concórdia e Parque Estadual da Serra da Concórdia, o Santuário de vida Silvestre da Serra da Concórdia e a Serra dos Mascates, o Ronco D’Água – balneário com cachoeira natural. Além do contato com a natureza, Valença é, também, uma cidade histórica e de cultura.

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Notícias do Jornal Vitor Chimento | Serra

A VILA INCONFIDÊNCIA – SEBOLLAS

É impossível pensar em nossa região sem antes pensar no Caminho Novo. Ele faz parte de uma rede de importantes caminhos do Brasil Colonial dos quais era dado o nome de Estrada Real. Muitos desses caminhos eram antigas trilhas e veredas abertas pelos bandeirantes que se embrenhavam pelo sertão, na direção de Minas Gerais e Goiás, a procura de ouro e pedras preciosas.

O Caminho Novo aberto por Garcia Rodrigues iniciava num porto do Rio Pitar, que desaguava na Baia de Guanabara, subia a Serra do Mar, na altura de Xerém, passava por Marcos da Costa, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, onde havia um registro para a fiscalização colonial e seguia para as Minas Gerais, passando por Juiz de Fora e Barbacena. A subida do paredão da Serra do Mar em Xerém era muito íngrime e muitas vezes pessoas e mulas carregadas rolavam ribanceira abaixo.

Depois de 20 anos de sofrimento, Bernardo Soares Proença, se propôs abrir uma nova subida da Serra, a partir de uma antiga trilha, que encurtava a distância entre Rio de Janeiro e as Minas Gerais, que ficou conhecido como Caminho Novo de Proença.

Igreja Nossa Senhora de Sant’Anna (Foto: Reprodução)

Sebolas é um pequeno distrito do Município de Paraíba do Sul, que surgiu a partir da abertura do Caminho de Proença, em meados de 1724. Esteve relacionada ao Caminho Novo do Ouro e se tornou famosa porque o herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes, tinha o Distrito como moradia temporária e lugar para suas pregações.

Dona Ana Maria Barbosa de Matos foi uma mulher singular, revolucionaria fervorosa partidária das idéias liberais, e como tal, protegia tanto que possível o movimento que fez de Tiradentes um mártir. Hospedou Tiradentes, por várias vezes, em sua fazenda e era admiradora do credo que ele pregava, juntamente, com seu irmão o padre Paulo Manuel Barbosa que foi Cura em Santana de Sebollas por muitos anos.

A historia do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, passa pelas terras fluminenses. Período, no qual, sua insatisfação com a Coroa Portuguesa se intensificou. O mártir da Inconfidência Mineira foi enforcado no Rio de Janeiro e os membros esquartejados e salgados foram mandados para serem expostos ao longo do caminho de Minas para intimidar possíveis futuros conspiradores. Na primeira parada, uma parte destes membros (o quarto superior esquerdo) foi exposta num poste erguido em frente à Capela de Santana de Sebollas, pois a freguesia era citada pelo Alferes e onde ele tinha algumas amizades.

 

Foto: Reprodução

O conjunto histórico Tiradentes que abriga, dentre outras, o único Museu Sacro Histórico contendo restos mortais, atribuídos ao Mártir da Independência e de peças e vestimentas daquele período.

Sebollas, também chamada de Vila Inconfidência esta distante 120 km do Rio de janeiro. Para se chegar a Sebollas o melhor caminho é por Petrópolis. Entrar em Pedro do Rio (viaduto da cervejaria Itaipava) e pegar sentido Secretario e Fagundes. Em Fagundes, fica a divisa com Paraíba do Sul e Sebollas está apenas 8 km.

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Notícias do Jornal

Martin Luther King protagoniza vídeo do ‘História e Tu’

“I have a dream” (que na tradução significa, ‘Eu tenho um sonho’). A frase virou símbolo do movimento liderado por Martin Luther King 57 anos atrás, em Washington, capital dos Estados Unidos. A marcha pela igualdade ganhou proporção mundial e um vídeo especial no canal “História e Tu”, no YouTube, que aborda a vida de diferentes personalidades que marcaram o mundo.

Tudo começou quando a trabalhadora negra Rosa Parks retornava de casa para o trabalho no transporte público, num fim de tarde de 1955. Cansada e sem lugar disponível nos assentos dos fundos, que eram destinados aos negros, ela decidiu ocupar uma das vagas exclusivas para pessoas de pele branca. Foi presa, mas causou uma revolução.

O professor de História Danilo da Silva, fundador do canal “História e Tu” com a também professora do Ensino Fundamental Zilmar Nascimento, explica que foi Martin Luther King quem iniciou o movimento em favor de Rosa Parks. “Começou com um boicote à empresa de ônibus”. Ele esperava uma adesão de 60% dos negros, mas se surpreendeu, já que o apoio chegou a 100%.

Os 57 anos da marcha são contados no quadro de biografias no Canal “História e Tu”, no YouTube. Quem acessa o vídeo, conhece a vida do homem que defendeu os direitos do negro e do trabalhador.

Exemplo disso é o movimento mundial “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam, em tradução livre). O protesto contra a violência policial sobre os negros teve início após o caso George Floyd em maio deste ano. O homem foi asfixiado e morto durante uma abordagem policial em Minnesota, nos Estados Unidos

O Canal “História e Tu” já produziu mais de cinco mil horas de conteúdo retirados de pesquisas em livros, e roteirizados pela dupla de professores de História do Ensino Fundamental em Porto Velho – RO, Zilmar Nascimento e Danilo da Silva, que trabalham em uma escola Estadual.

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Vitor Chimento | Serra

Fazenda Santa Cecília

Toda história da nossa região serrana remonta ao ano de 1700, quando o bandeirante Garcia Rodrigues Paes Leme, filho do ‘Caçador de Esmeraldas’ Fernão dias Paes, partiu do lugarejo de Paraíba do Sul em direção à serra do Tinguá, abrindo pelas montanhas um caminho que reduzisse o tempo de viagem entre as Minas Gerais e a Corte Portuguesa, instalada na cidade do Rio de Janeiro. Acompanhado por mineradores, fazendeiros e escravos, o bandeirante alcançou a Roça do Alferes (hoje Acozelo), seguiu em direção à serra até as localidades de Marco da Costa e Vera Cruz. A partir daí, as tropas de exploração subiram os morros, no sentido da atual Lagoa das Lomtras, de onde desceram para o Porto de Pilar ─ hoje Duque de Caxias ─, seguindo até o porto do Iguaçu, de onde seguiram, via pluvial, para o Rio.

Este caminho ficou conhecido como “Caminho Novo de Minas” e favoreceu, entre outros, dezenas de sesmeiros ─ pessoas que recebiam do magistrado português terras por doação para cultivo ─, que vieram a se estabelecer nas colinas. Dentre os colonizadores da região se destacou Manoel de Azevedo Mattos. Vindo das Minas Gerais, resolveu instalar-se no Morro da Viúva, onde construiu, em 1770, a primeira moradia da Fazenda da Piedade de Vera Cruz (atual Santa Cecília), no estilo colonial, concluída em 1780.

O filho de Manoel, Inácio de Souza Werneck, foi fazendeiro, sargento-mor das milícias do Império e Cavaleiro da Ordem da Rosa, tornando-se um dos personagens mais importantes da região. Ele colonizou Vera Cruz e ampliou as instalações da importante fazenda da Piedade. Da sua união com Francisca das Chagas Werneck teve filhos que se uniram a outras pessoas importantes, deixando assim numerosas famílias de nobres espalhadas pelo Sul Fluminense. Em 1811, ao ficar viúvo, Inácio abraça a carreira eclesiástica, abandonada quando ainda jovem, e no ano de 1813, em cerimônia realizada na própria fazenda, foi ordenado padre. O fazendeiro passou a ser conhecido como padre Werneck de Vera Cruz.

Com a morte de seu pai Inácio, Ana Matilda, casada com o fazendeiro Francisco Peixoto de Lacerda, herda a fazenda da Piedade (atual Santa Cecília). O casal teve somente um filho, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, que recebeu mais tarde, por ordem do Imperador Dom Pedro I, o título de Barão de Paty dos Alferes. O barão, em 1840, realizou, no apogeu do ciclo do café e com a importância histórica da fazenda, uma grande reforma em seu estilo colonial (inicial) para o neoclássico. Foi, sem dúvida, uma grande personagem da história. Homem culto, aristocrata e político, proprietário de grandes plantações de café, de vastas áreas de terras e de um grande número de escravos. Foi de grande importância no desenvolvimento da região, graças ao seu bom relacionamento com a Corte.

A Fazenda Santa Cecília, está localizada no município de Miguel Pereira, distante 15 km do centro da cidade, no Distrito de Vera Cruz. A fazenda possuía uma senzala, um espaço para secagem de café e um moinho de cana. Com as reformas feitas ao longo dos anos, as pedras de secagem do café foram reaproveitadas para fazerem o caminho da piscina. Grande parte de sua arquitetura e mobiliário foram mantidos intactos pelos atuais proprietários. Nos jardins se encontra uma capela dedicada à Santa Cecília, desenhada e projetada pelo arquiteto Oscar Niemayer e presenteada a Maria Cecília, filha de seu grande amigo e proprietária da fazenda, que mantém e preserva com muito zelo este patrimônio histórico de nossa região.

O jornal Diário do Rio agradece as informações cedidas pela Prefeitura e pelos informativos do historiador Sebastião Deister.

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Vitor Chimento | Serra

Bom Jesus de Matosinhos

A cada ano, por mais de 200 anos, o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos recebe fiéis de todas as idades, etnias e classes sociais, vindos de várias regiões do país, com os olhos marejados pela emoção e mãos estendidas, que se reúnem no santuário com um mesmo objetivo: pedir ou agradecer por bênçãos ao Jesus Crucificado, símbolo de fé e de milagres. Verdadeiros relatos de vitórias, conquistas, superações, fé e solidariedade.

A introdução da devoção se deve a camponeses portugueses que, em meados do século XVIII e vindos da Vila de Matosinhos, ali se fixaram, abrindo roças de subsistência com pequenas plantações e algumas poucas cabeças de gado. Devotos do Bom Jesus, por volta de 1773 ergueram no local uma pequena e rústica ermida de pau-a-pique em louvor ao Bom Jesus Crucificado. Com a frequência de fiéis, romarias e pagamentos de promessas, é elevada a Curato − era normalmente dotado de uma igreja menor ou de uma capela com batistério − por volta de 1776.

Com o patrocínio do Sr. Pedro da Costa Lima, o antigo templo serviu ao povoado até 1862, quando foi demolido e, ainda no mesmo ano e por iniciativa de Martins Alvares da Silva Campos, então proprietário da Fazenda do Matosinhos de Sardoal, foi construída uma capela de maior porte arquitetônico, que possuía altar-mor, dois altares laterais e a imagem, em especial, do Bom Jesus Crucificado. A atual igreja teve sua construção iniciada em 1953 e concluída em 1959 pelo pároco italiano Luige Raymondo.

Adoração e devoção

A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como tal: Criador, Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe. Amor infinito e misericordioso. Adorar a Deus é reconhecer, com respeito e submissão absoluta, o nosso nada, que só por Deus existimos. Adorar a Deus é louvá-lo e nos humilharmos na sua presença, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas em nós e que seu nome é santo. Alem de que adorar ao Deus único liberta-nos do fechamento de nós mesmos, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo.

Toda e verdadeira devoção têm Deus como seu fim último. Adorar os anjos e os santos só tem valor se nos faz crescer na fé, na esperança e na caridade, se nos leva a amar Deus de todo o nosso coração, com toda nossa alma, com todo nosso espírito e ao próximo como a nós mesmos. Venerando os anjos, os santos, glorificamos Deus, que é o fim último, não somente de nossa devoção, mas também de toda nossa existência.

A grande romaria ao Santuário de Bom Jesus de Matosinhos acontece anualmente no último domingo de agosto, onde os fiéis dão graças e pagam promessas pelos milagres alcançados. No local existe uma sala dos ex-votos com testemunhos milagrosos desde o século XVIII, numa demonstração de devoção.

O Santuário está localizado na região serrana do Rio de Janeiro − no Distrito de Werneck, na cidade de Paraíba do Sul −, a 125 km de distância da capital.

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Mundo

1º de maio: uma data histórica das lutas dos trabalhadores

Por Sandro Barros

Primeiro de maio, um dos feriados mais populares no Brasil, teve o seu significado apagado no decorrer das últimas décadas. Mas, acima de tudo, é uma data histórica para a luta dos trabalhadores e que já representou a mobilização mundial pelas suas reivindicações, como a da jornada das oito horas diárias, por exemplo.

A origem do Dia Internacional dos Trabalhadores está nas mobilizações dos trabalhadores dos Estados Unidos. Em 1º de maio de 1886 eles realizaram uma greve geral no país, exigindo a redução da jornada de trabalho de 13 para oito horas diárias. Em Chicago, saíram às ruas da cidade e a manifestação acabou desembocando no conflito conhecido como Revolta de Haymarket: no dia 4 de maio, após explosão de uma bomba durante passeata pacífica, começa o confronto entre trabalhadores e policiais, deixando mortos e feridos.

A mobilização dos EUA acabou se espalhando para outros lugares do mundo, até que, em 1889, na cidade de Paris, a Segunda Internacional Socialista estipulou o 1º de maio como o dia para relembrarmos os trabalhadores de Chicago, bem como uma data mundial de luta da classe trabalhadora por suas reivindicações, como a própria jornada de oito horas na época, por exemplo.

No Brasil, existem relatos de que o Dia Internacional dos Trabalhadores é celebrado desde 1892, com um ato em praça pública na gaúcha Porto Alegre. Entretanto, a data somente foi consolidada em 1925, após decreto do então presidente Artur Bernardes. O feriado foi criado com o objetivo de comemorar o ‘trabalho dos mártires’ e ‘exaltar as classes operárias’. Porém, nas décadas de 1930 e 1940, o presidente Getúlio Vargas passou a utilizar a data para divulgar a criação de leis e benefícios trabalhistas. O caráter de protesto da data foi deixado de lado, passando a assumir um viés comemorativo, com o varguismo chamando-a de “Dia do Trabalhador”.

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Carlos Augusto | Opinião

O 1º de Maio em tempo de pandemia

Não há o que comemorar. Pela primeira vez ao longo desse século, e em nível mundial, os trabalhadores, e porque não dizer também os empregadores, não têm o que comemorar diante dessa pandemia causada pelo vírus covid-19.

Outrora estaríamos festejando e nos manifestando por melhores salários, emprego, segurança, educação e saúde. Mas o mundo se rendeu de joelhos à covid-19, que está ceifando milhares e milhares de vidas mundo afora, falindo empresas e exterminado postos de trabalho.

No nosso caso, nosso quintal, nosso terreiro, a situação, que já se encontrava caótica pelo desemprego de quase 15 milhões de trabalhadores e 40 milhões na informalidade, a expectativa era a que os sindicatos mobilizassem os trabalhadores para grandes manifestações em defesa do emprego e contra os ataques perpetrados pelos governos Temer e agora Bolsonaro através das reformas trabalhista e previdenciária, bem como cerrar fileiras contra a reforma sindical que está a caminho, nesse momento paralisada pela pandemia.

A humanidade, ao longo de sua existência, já contabilizou dezenas de pandemias e pestes, tais como: peste negra; cólera; gripe espanhola; gripe suína; H1N1; HIV, entre outras tantas que não convém aqui enumerá-las. Entretanto, a covid-19, que, repita-se, paralisou o mundo, impediu que esse 1º de Maio fosse um dia de luta e de comemoração em todo mundo.

Não podemos esmorecer! Temos que continuar lutando pelos nossos ideais e ter esperança de que dias melhores virão. Nossa luta nesse momento é por nossas vidas, que se encontram ameaçadas pelo novo coronavírus. A guerra é interminável e cada dia é uma batalha para os trabalhadores.

Tenhamos a certeza de que esse 1º de Maio vai ficar marcado na história como sendo o 1º de Maio dos milhares de heróis, verdadeiros combatentes nessa trincheira de luta, que são os que trabalham em hospitais. São, sem sombra de duvidas, os médicos e enfermeiros os nossos heróis. Viva a Medicina! Viva todos nós! Vivas aos médicos e enfermeiros! Esse 1º de Maio é dedicado a vocês que estão fazendo história!

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Sérgio Vieira | Entre Colunas

Destruíram um pedaço da memória da aviação brasileira

A destruição do DC-3 VBF na área industrial do Galeão ocorreu no último dia 31 de janeiro, hoje considerado o dia da vergonha. Uma execução considerada criminosa, lamentável e covarde que junto sepultou parte do início da história da aviação brasileira. A sentença de morte desta aeronave foi decretada em um oficio datado de 29 de novembro de 2019, que doava este equipamento histórico da VARIG para o MUSAL (Museu da Aeronáutica).

O Museu responde nesse ofício que internamente, sem ouvir de nenhum outro setor da sociedade, “foi decidido que não há interesse nessa aeronave aposentada devido ao alto custo de recuperação. Contudo, se for descartada para reciclagem poderia, talvez, considerar algumas partes. ”

Reciclagem? Como se recicla uma história? Se essa é a resposta e atitude de quem seria o maior interessado em manter a biografia da aviação brasileira… Toda a destruição dessa peça histórica se deu em 24hs. Aos amantes da aviação é admissível considerar que tenha sido uma execução sumaria de uma parte da história.

Recentemente um avião P-47 B4 foi completamente restaurado, com o motor funcionando, tudo com o suporte de contribuições de civis, provando que a parceria monetária privada existe e que é totalmente possível sim a recuperação de uma aeronave.

 

Além do Estado existem outras formas de contribuição financeira para manter o histórico da aviação brasileira, como: empresários privados, aposentados da aviação, voluntários, ex-combatentes, além de doações de civis e de todos  os interessados em manter viva essa memória.

Mas por que gastar dinheiro com isso? Se há tanta gente com fome… Todo o fato histórico está intrinsecamente ligado à educação, que é a responsável pelo fomento no interesse dos jovens famintos em sair da miséria. Não investir na história pelo custo financeiro é um pensamento mesquinho, pequeno, de quem quer ver o nosso pais pequeno. Felizmente é uma minoria que pensa assim.

Alguns burocratas só têm o poder da caneta, são incapazes de criar, não conhecem absolutamente nada de coisa alguma. Foram os responsáveis pela destruição da Arte com a perda da história da humanidade no incêndio do Museu Nacional da Quinta da Boavista, no Rio, e agora também na aviação, destruindo uma ilustre, sublime, eximia peça de engenharia.

Os responsáveis devem ser punidos, se assim for o entendimento das regras jurídicas. Mas essa não é a mais efetiva solução. Em relação a nossa Aeronáutica, que carrega no sangue a constante evolução, é preciso que haja mudanças e correções na condução da nossa sociedade e também militar, que carrega com mérito tantos elogios, para que essas aberrações jamais aconteçam novamente.

Deixem os nossos aviadores e demais profissionais da aviação cuidarem da história dos aviões aqui no Brasil.

Foto: Reprodução

 

Sérgio Vieira – Engenheiro e Jornalista – MTb 38648RJ

sergio.vieira@diariodorio.com.br