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Paço Imperial abre exposições de residentes da Casa da Escada Colorida

O Paço Imperial, situado na Praça 15, região central do Rio de Janeiro, sedia a partir deste sábado (18) as exposições Dobras e Como Não Subir Uma Escada, resultantes do primeiro programa de residência em curadoria artística da Casa da Escada Colorida, conduzido pela curadora independente Fernanda Lopes.

Os grupos tiveram como material de trabalho obras dos artistas participantes dos dois outros programas da Casa: a Residência-Ateliê e a Residência de Acompanhamento Crítico Virtual.

As exposições poderão ser visitadas pelo público até o dia 20 de fevereiro, de terça-feira a domingo. Entre as peças dos 35 artistas brasileiros da nova geração participantes, estão três obras do repórter fotográfico da Agência Brasil, Tomaz Silva.

A Casa da Escada Colorida é um espaço independente de arte que abriga programas de residência artística e de curadoria, multidisciplinares. O projeto visa fortalecer a comunidade artística e democratizar a cultura por meio de educação, geração de oportunidades e processos de gestão cultural. A Casa da Escada Colorida está localizada na Escadaria Selarón, na Lapa, e conta com ateliês, cursos, oficinas, eventos, cineclube, além de promover exposições dos residentes e de artistas convidados.

Esta é a primeira edição do projeto Residente-Residência da Casa da Escada Colorida, disse à Agência Brasil uma das gestoras do espaço independente de arte, Rachel Balassiano. A residência criou um modelo de parceria institucional, onde os residentes em arte e curadoria podem fazer “moradas temporárias” em outros espaços-casa que acolham pensamentos do fazer coletivo e independente semelhantes.

Tomaz Silva disse que já há algum tempo queria fazer algo diferente de sua atividade profissional jornalísticas do dia a dia. “Quando eu achei a residência (da Casa da Escada Colorida), percebi que eram pessoas muito diversas. Tanto diversas como técnicas artísticas, como tipos de pessoas, classes sociais. Quando vi essa diversidade, gostei mais ainda, porque a gente sempre está aprendendo algo novo nas oficinas. Por exemplo, eu dei oficinas de fotografia e temos aulas de desenho agora com outros integrantes da residência”.

Silva salientou que, para o grupo de residentes, a experiência de “contaminação” que acontece é muito interessante. “Porque, quando você está muito junto de outras pessoas que também estão fazendo arte, você meio que se contamina. É uma contaminação boa. Você cresce. E com essas oficinas, a gente aprofunda mais ainda”.

O Paço Imperial é a primeira coabitação a se tornar realidade. “Estamos levando a Casa da Escada Colorida para um outro espaço cultural, que está abraçando o projeto, que é grande e tem tantos artistas envolvidos”, afirmou Rachel Balassiano.

Ela disse que o Paço “é uma instituição que tem o perfil de abrigar e se abrir para novos artistas. Eles sempre cedem algumas salas para incentivar exposições institucionais independentes. É uma característica da gestão, que casou muito bem com a nossa proposta, que tem o objetivo de ser um espaço independente de arte”.

Da exposição Dobras, participam os residentes em curadoria: Danniel Tostes, Gisele Andrade, Nathália Cipriano, Paula Peregrina, Rachel Balassiano, Rafael Amorim, Rayssa Veríssimo, Renato Menezes e Roberta Ristow. De Como Não Subir Uma Escada: Bia Coslovsky, Caroline Fucci, Edmar Guirra, Isabelle Baroni, Napê Rocha e Raquel Vieira.

Da exposição Dobras, participam ainda os artistas: Amanda Coimbra, Arorá Alves, Bianca Madruga, Clarisse Veiga, Fel Barros, Marcelo Albagli, Matheus Varaschin e Tomaz Silva. De Como Não Subir Uma Escada: Alexandre Paes, Allan Pinheiro, Amauri, Bruna Alcântara, Carlos Matos, Graziella Bonisolo, Herbert Amorim, Lucas Botelho, Luiz Martins, Luiza Furtado, Racquel Fontenele e Sofia Skmma.

 

Agência Brasil

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Primeiro voo há 115 anos: Santos Dumont aliou invenções à ciência

Da Agência Brasil

O voo do brasileiro Alberto Santos Dumont, em uma distância de 60 metros com o 14-Bis, no Campo de Bagatelle, em Paris, marcou historicamente aquele 23 de outubro de 1906 e consagrou ainda mais o inventor. O aparelho subiu 2 metros de altura e foi o bastante para a humanidade olhar para cima e para o futuro de forma diferente.

O feito inédito que completa 115 anos neste sábado (23), porém, é “apenas” a parte mais famosa das conquistas, segundo apontam os pesquisadores da vida e das obras daquele mineiro que ficou conhecido como o Pai da Aviação.

Até aquela data (e depois também), o enredo é de uma história de coragem, perspicácia, generosidade e divulgação científica como rotina de vida. Característica, aliás, de um período de fascínio pela tecnologia e pelas descobertas. Autor de quatro livros sobre Santos Dumont, o físico Henrique Lins de Barros, especialista na história do gênio inventor, destaca que feitos anteriores foram fundamentais para que as atividades aéreas se consolidassem.

Ele cita que o brasileiro inventou e patenteou o motor a combustão para aviões, em 1898, o que viabilizou o sonho de um dia decolar. Uma característica de Santos Dumont é que ele criava, patenteava e liberava a utilização para quem quisesse. Três anos depois do motor, a conquista da dirigibilidade, também por parte de Dumont, foi uma ação revolucionária.

Foto: Dompinio Público

“Ele aprendeu a voar de balão, fez os primeiros dirigíveis. Todos eles, até o número 6, têm inovações impressionantes, com mudanças conceituais. Ele sofreu diversos acidentes, mas aprendeu a voar. Foi assim que ele descobriu quais eram os problemas de um voo controlado.  Quando ele ganhou o Prêmio Deutsch, em 1901 [com o dirigível número 5], ele tinha domínio total. Em 1902, ele já tinha os dirigíveis até o número 10 construídos”.

Voo sob controle

De acordo com o escritor Fernando Jorge, biógrafo de Santos Dumont, a descoberta da dirigibilidade, por parte do brasileiro, foi um marco decisivo para o que ocorreria depois. “Entendo que foi um momento supremo e culminante para a história da aeronáutica mundial.”

Para o arquivista Rodrigo Moura Visoni, pesquisador dos inventores brasileiros e autor de livro sobre Santos Dumont, as fotos mostram detalhes da emoção que tomou conta das pessoas quando houve a conquista da dirigibilidade. “Santos Dumont foi convidado para rodar o mundo. Foi, sem dúvida, um grande feito. Para se ter uma ideia, o número de notícias sobre a conquista do Prêmio Deutsch supera a do primeiro voo [cinco anos depois]. Isso é explicado porque a busca pela dirigibilidade já tinha 118 anos. Ele resolve um problema secular. Além disso, a descoberta permitiu a era das navegações aéreas”, afirma.

Segundo o que Visoni pesquisou, Alberto Santos Dumont disse, em várias entrevistas, inclusive pouco antes de morrer, que a maior felicidade dentre todas as emoções foi a conquista da dirigibilidade. “Isso é muito curioso. Ele dizia que o dia mais feliz não foi o dia em que ele faz a prova do Prêmio Deutsch, nem o 23 de outubro ou o 12 novembro de 1906 [em que ele faz o voo de 220 metros pela Federação Aeronáutica Internacional]. O dia mais feliz teria sido o 12 de julho de 1901, quando ele percebeu que resolveu o problema de dirigibilidade aérea. Foi uma demonstração impressionante. Ele vai aonde ele quer. Ele estava totalmente integrado ao dirigível.”

O Prêmio Deutsch (no valor de 100 mil francos) foi conferido a Santos Dumont por ele ter conseguido circular a Torre Eiffel em julho. Mas os juízes garantiram a vitória ao brasileiro somente em novembro daquele ano. Os 120 anos da dirigibilidade, assim, devem ser celebrados no mês que vem.

Na ocasião, o dinheiro foi distribuído para a equipe do aviador e para pessoas pobres da capital francesa. “Ele era um homem muito generoso”, afirma o biógrafo Fernando Jorge.

“Tomem cuidado!”

A série de demonstrações públicas que ele faz dos seus inventos devia sempre ser acompanhada da presença de repórteres. “Os jornalistas registravam e Santos Dumont publicava o que ele estava fazendo. Essa é uma característica impressionante. Ele divulga tudo. Tanto o que ele acerta como o que ele erra. Essa é uma característica impressionante dele. Quando ele erra, ele descreve e alerta: ‘Tomem cuidado!’. Ele estava maduro na arte dos balões”, afirma Lins de Barros.

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Exposição em Niterói retrata a imigração italiana para o estado

Um dos principais grupos migratórios europeus a aportarem no Brasil, em especial entre as últimas décadas do século 19 e o início do século 20, os italianos se estabeleceram principalmente na Região Sul e no Sudeste do Brasil, em grande parte no Estado de São Paulo. Pouco é sabido e estudado sobre a presença dos italianos no estado do Rio de Janeiro. É isso que a exposição Imigração Italiana para o Rio de Janeiro, que foi aberta no sábado, dia 7 de agosto, no Espaço Cultural Correios Niterói, pretende contar.

Com recursos do edital “Apoio às Universidades Estaduais – Uerj, Uenf e Uezo” da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), a mostra é composta por textos, documentos, fotografias, anotações, propagandas, matérias de jornais e entrevistas de imigrantes e seus descendentes. O acervo, focado na trajetória de dez famílias, revela os porquês da vinda dos italianos para o Brasil, identifica suas regiões de origem, descreve as condições da viagem e a recepção no Brasil. Muitos deles foram acolhidos na Hospedaria da Ilha das Flores, em São Gonçalo (Região Metropolitana do Rio), uma das instalações criadas para receber, fazer a triagem e o encaminhamento dos imigrantes.

Não foi apenas na cidade do Rio de Janeiro que os italianos se estabeleceram, mas também em São Gonçalo e Niterói; na Região Serrana e do Médio Paraíba (onde se instalou uma das primeiras comunidades italianas do Brasil), com destaque para o município de Porto Real; e até no Noroeste Fluminense, como na cidade de Varre-Sai, a mais distante da capital.

“Nosso objetivo é dar visibilidade para a imigração italiana no Rio de Janeiro, como foi seu enraizamento, vicissitudes e dificuldades nesse novo continente, mas, também, mostrar que as experiências do passado provocam considerações sobre o presente. Por isso, a exposição busca refletir sobre o atual cenário da Itália como receptor de imigrantes nos últimos 20 anos, em especial refugiados de todo o mundo”, esclarece Luís Reznik, coordenador do Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores, responsável pela curadoria da exposição.

O grupo, criado há mais de dez anos, é composto por professores, pós-graduandos e estudantes de graduação do curso de História da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP/Uerj). Apoiados por professores de outros institutos da Uerj e de outras universidades, eles se dedicam à pesquisa da imigração no Brasil e dão suporte ao Museu da Imigração da Ilha das Flores, criado em 2012 pela Marinha do Brasil.

A Faperj é a agência de fomento à ciência, à tecnologia e à inovação do Estado do Rio de Janeiro, e é vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação.

SERVIÇO

Exposição: Imigração Italiana para o Rio de Janeiro

Data: entre 7 de agosto e 18 de setembro de 2021

Local: Espaço Cultural Correios Niterói (Av. Visconde do Rio Branco, 481 – Centro, Niterói – RJ)

Horário: segunda a sexta, das 11h às 18h; sábado das 13h às 17h. Não abre aos domingos e feriados. A visitação é gratuita e segue os protocolos de segurança.

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OG Beer: um projeto de requinte, de sofisticação, de qualidade e dedicação

Por Vitor Chimento

Acredita-se que tenha sido  a cerveja, uma das primeiras bebidas alcoólicas   criada pelo ser humano. Já era conhecida pelos sumérios, egípcios, mesopotâmios e iberos, remontando, por ao menos, 6.000a.C. Tábuas de argila testemunham a presença de uma bebida fermentada, elaborada a base de grãos que eram colocados em recipientes com água para protegê-los dos ratos e parasitas, onde ocorria uma espécie de fermentação, originando o que chamavam de Sikaru (pão líquido para os sumérios), bebida forte, apreciada e objeto de diferentes crenças ao longo de sua historia. Então aqui surgi a cerveja, que cada povo produzia a seu jeito, conforme ingredientes e tecnologias que a época permitia. Uma feliz historia que continuou por incontáveis povos, ao redor do mundo, chegando até nós, hoje, radicalmente, modificada.

A fabricação se torna, então, uma arte, particularmente, sutil, da qual os monges se tornaram experts e muitos nomes de Abadias, com isto, atravessaram os séculos. Durante toda a Idade Média a cerveja se espalhou por todo o continente europeu, principalmente, pelo Norte, região dos povos anglo-saxônicos. A bebida, religiosamente, fermentada é nomeada pelos monges “Beer” – cerveja e conhece inúmeros seguidores. Carlos Magno por uma questão de qualidade conferiu aos monges o monopólio da fabricação. Dos séculos 9 ao 14 a cerveja era produzida pelos monges e os leigos envolvidos nesta prática eram obrigados a pagarem, aos monges, um imposto chamado o Direito de Gruyt.

Para descobrir um pouco mais sobre a cerveja , que depois da água e do café, é a terceira bebida mais popular do mundo e  de seu processo de fabricação o Jornal DR 1 foi recebido pelos empresários Ulysses Sobral e Simone de Carvalho , mestres cervejeiros, na sede  da OG Beer, em Miguel Pereira-RJ.

Empresários Ulysses Sobral e Simone de Carvalho, mestres cervejeiros, na sede da OG Beer, em Miguel Pereira. (Foto: Divulgação)

Jornal DR1 – Como surgiu a ideia de fazer cerveja artesanal, a parceria ate a criação da empresa?

Surgiu, naturalmente, em função do crescimento do mercado da cerveja artesanal. Em 2006 participei do curso patrocinado pela Cerva Carioca (Associação dos   Cervejeiros  Artesanais do Rio) que tinha como objetivo divulgar a cultura da cerveja artesanal. Um movimento que renasceu nos Estados Unidos , nas décadas de 80 e 90 , chegando ao Brasil a pouco menos de 20 anos. Sendo que a partir de 2006/2007 foi que as cervejas artesanais tiveram um crescimento significativo, já que o consumidor nacional adquiriu  o habito de apreciar e descobrir os diferentes tipos e sabores. Frequentei, ainda outros cursos, e, a partir dai, comecei a produzir, como robe, a cerveja do nosso consumo e a promover cursos  para os amigos , sempre dentro da filosofia da Associação de divulgar a cerveja artesanal.

A parceria com a empresaria Simone de Carvalho, surgiu, a pouco mais de 4 anos, a partir da boa aceitação da cerveja entre os amigos. Com um foco mais comercial dentro da cerveja artesanal,  nos  cadastramos, junto a Prefeitura, como cervejeiros artesanais e passamos, então, frequentar feiras e eventos regionais, mas, sempre, com produção limitada e dentro daquilo que a legislação permitia fazer. Foi, então, que percebemos que a cerveja era bem aceita no mercado  do artesanal, que decidimos por investira na montagem de uma estrutura de micro cervejaria e ampliarmos, com isto, o nossos horizontes no universo da cerveja artesanal. OG Beer é uma realidade, construída  dentro das normas e requisitos exigidos pela lei. Hoje, totalmente, legalizada com registro do  Ministério da Agricultura, Alvara de licença Sanitária, Licença Ambiental e com um equipamento de primeira linha que permite a execução de todo o processo cervejeiro, com altíssima qualidade.

Jornal DR1 –  Qual o processo básico para se obter como resultado  final um produto, por excelência, de qualidade?

A cerveja artesanal é desenvolvida visando qualidade e diferenciação, o que requer mais atenção em sua produção minuciosa. Basicamente é um produto fermentado e  carbonificado, cuja base são 4 ingredientes: água, lúpulo, malte de cevada e fermento. Dentro desses ingredientes se faz as variações de tipos de cerveja, p.ex. Uma cerveja mais escura requer um malte mais torrado e mais escuro; uma cerveja mais seca requer uma água com pH específico que propicie uma secura no paladar ,etc…. Cada etapa ( receita, separação de ingredientes, quantidade e moagem do malte, quantidade de água, tipo de fermento, tempo de fermentação, maturação, planejamento de fabricação que varia de acordo com o estilo de cerveja, etc) deve ser observada, para que sua produção e resultado final corresponda as nossas expectativas de mestre cervejeiro. É um processo mais lento, pois o período de fermentação  e maturação da cerveja devem ser respeitados já que não utilizamos produtos químicos para acelerá-los. Elas são produzidas com maior quantidade de malte, que as diferenciam das industrializadas que usam,  muita  das vezes, outros cereais para tornar o custo da produção mais barato.

Jornal DR1 – Quais sãos os tipos de cervejas produzidos pela empresa?

A OG Beer tem  hoje em linha 5 cervejas a Premiun American Lager – uma cerveja  clara e de amargor baixo, Vienna Lager – um contraponto a Premiun , de cor alaranjada, encorpada, teor alcoólico maior e com um toque caramelo do malte, German Pielsen – com parâmetros de estilo mais leve e uma exigência de mercado, Belgian Dubbel – cerveja bastante encorpada, forte teor alcoólico, coloração cobre e pouco lupulada e a American Ipa – cerveja bastante lupulada, ou seja, bastante amarga para os padrões normais de consumo, considerada a queridinha dos consumidores de cervejas artesanais. Estas são a que produzimos, normalmente, e que colocamos no mercado. Temos, também, as sazonais que para este inverno teremos a Boker, a Poter que são cervejas escuras e mais encorpadas e a Irish Red, já para este próximo mês. Para os nossos clientes e admiradores de heavy metal, estaremos, em breve, lançando a cerveja Sangue de Bode, uma parceria que fechamos com a banda de Heave Metal Sangue de Bode. Podemos adiantar que será uma cerveja fora dos padrões do PJCP, para atender as características do heavy metal. Fiquem ligados, pois será um super lançamento.

Jornal DR1 –  Simone Carvalho, empresaria e mestre cervejeira.

Ainda não cheguei a este nível de mestre cervejeira, me considero uma aprendiz do Ulisses, meu sócio, que detém o domínio da arte de se fazer uma boa cerveja. Mas a medida do possível e quando o tempo permite vou adquirindo novos ensinamentos, com certeza irei chegar ao titulo. Pode não parecer, mas ser mestre cervejeiros requer muito estudo, dedicação e trabalho. Produzir uma boa cerveja não basta só cozinhar o malte e esta pronta ,são muitos detalhes, cuidados para  não perder a produção e para que não haja  contaminação. Estamos sempre estudando, nos aprimorando para que ao servimos nossos amigos e clientes, termos a certeza de estarmos oferecendo um produto , por excelência, de qualidade.

OG Beer é projeto empreendedor idealizado pelos empresários Ulisses Sobral e Simone de Carvalho que decidiram driblar a crise do país e vencer a pandemia com sutilidade e arte. Os amantes desta bebida,  podem, mediante um agendamento prévio no WhatsApp (024) 988414554, conhecer as instalações da OG Beer e encontrar  suas inspirações degustando um de seus estilos de cerveja num ambiente  bastante acolhedor.

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Notícias do Jornal Sabrina Campos | A vida como ela é

Quando falta vontade, sobra desculpa

 

Pioneira numa família de analfabetos, frequentou a escola, ainda que por cerca de dois anos. Migrou de sua comunidade rural para uma grande metrópole. Tornou-se uma das primeiras moradoras de uma das “favelas” que começavam a surgir na época, cuja a moradia construiu com as próprias mãos. Carolina Maria de Jesus não permitiu ser encaixotada na premissa vitimista da ausência de oportunidades, e, sim, faltaram-lhe muitas. Tampouco admitiu a imposição de um destino trágico de miserabilidade por nascer na pobreza.

Abdicou de todas as profecias que lhe dedicaram como mulher, pobre, iletrada, que catava lixo para sustentar os filhos. A desigualdade socioeconômica jamais destruiria os planos de Carolina de viver dias melhores, longe da favela que ela chamava “tétrica”. Teve a audácia de descrever a sua vida na favela para o mundo, contar o cotidiano do ambiente em que vivia com os filhos sob o seu olhar particular, revelar sua dor e seu sofrimento e reconhecer o dos outros ao redor, expressar suas ideias como única forma de se libertar.

Assim nasceu “Quarto de Despejo” (publicado em 1960), um diário já traduzido para mais de 14 idiomas, conhecido em cerca de quarenta países. Dentre outras obras, retrata a violência e a fome, temas constantes do seu ambiente. A marginalidade, citando crimes praticados por moradores do que ela descrevia como “recanto dos vencidos”, bem como a discriminação e o descaso do poder público em cuidar da população desfavorecida.

Descaso que se intenta reparar através da Lei 14.118/2021 e do Decreto 10.600/2021, já em vigor, que institui o “Programa Casa Verde e Amarela”, para promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas e em áreas rurais, associado ao desenvolvimento econômico, à geração de trabalho e de renda e à elevação dos padrões de habitabilidade e de qualidade de vida da população urbana e rural.

Há registro de material inédito deixado por Carolina Maria de Jesus em 58 cadernos, que somam cinco mil páginas de textos: são sete romances, 60 textos curtos, 100 poemas, além de quatro peças de teatro e de doze letras para marchas de carnaval. A autora recebeu diversas homenagens de Academias de Letras, além de um título honorífico da “Orden Caballero delTornillo”, na Argentina, em 1961.

De algum modo Carolina Maria de Jesus sabia que seria ouvida, como foi, e é. Se sobra vontade, falta desculpa. Faça a sua voz ser ouvida!

Sabrina Campos

Advogada e árbitra

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Cultura Destaque Rio

Artistas criam peças radiofônicas inspiradas em histórias dos mais de 40 teatros que existiram no entorno da Praça Tiradentes 

Foi durante uma conversa em um bar na Lapa que os atores Alex Teixeira e Clarisse Zarvos descobriram alguns interesses em comum, entre eles a curiosidade por lugares abandonados e um fascínio por causos do Rio de Janeiro. Da pergunta “Já parou pra pensar na quantidade de teatros que existiam no Centro e que não fazemos ideia de onde ficavam?” para um mergulho intensivo em livros e sites antigos foi um pulo. 

Assim nasceu o projeto Teatro ao Redor, um podcast com peças radiofônicas criadas pelos artistas a partir de registros, entrevistas e memórias sobre salas de espetáculo ao redor de praças. Na série de estreia — com cinco episódios — eles viajam no espaço e no tempo para contar a história de teatros da Praça Tiradentes. Entre o século XIX e os dias atuais, a região abrigou mais de 40 teatros. Do São Luiz ao Teatro Real São João, passando pelo Teatro Brazilian Garden, Moulin Rouge e o Teatro Maison Moderne, que abrigava peças, roda-gigante, tiro-ao alvo, balões, fotografia, bola ao cesto, pinball e até uma jaula com leões. 

— Descobrimos uma diversidade incrível de histórias sobre a cena brasileira nesses últimos dois séculos. Eu já sabia que o Centro da cidade tinha uma importante tradição teatral, não apenas ligada às salas de espetáculos, como também ao teatro de rua, mas depois que começamos a buscar essas memórias antigas e atuais, as narrativas foram se multiplicando — comenta Clarisse Zarvos, que além de fazer parte do elenco de vozes, assina com Alex Teixeira o roteiro e a direção do podcast.  

Os episódios influenciados por teatralidades do real, radio-drama e teatro épico tratam de temas como a origem da Praça Tiradentes, a demolição de salas de espetáculo, teatro de revista, os remanescentes teatros Carlos Gomes e João Caetano, cafés-concerto, salões de bilhar, incêndios de teatros, os teatros que viram cinema, e os cinemas que viram teatro, arte pública e performances que questionam as estátuas da praça. 

— Buscamos com essa proposta de teatro sonoro remediar a abstinência do palco e da rua em meio a quarentena, e ao mesmo tempo em que falamos do passado, percorremos estratégias para reinventar outros futuros no pós-pandemia — destaca o ator Alex Teixeira. 

O podcast Teatro ao Redor vai ao ar aos sábados, às 10h, através da plataforma Spotify. 

Ficha Técnica:

Texto, direção e vozes: Alex Teixeira e Clarisse Zarvos 

Edição de som: Clarisse Zarvos 

Participação: Jane Di Castro  

Design: Alessandra Teixeira 

Realização: Teatro ao Redor, Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e Fundo Estadual de Cultura

Serviço

Teatro ao Redor: 

#1 Tiradentes: Construção e Demolição

#2 Tiradentes: João Caetano e Carlos Gomes

#3 Tiradentes: O teatro, o fantástico e o entorno inebriado

#4 Tiradentes: É fogo! 

#5 Tiradentes: Século 021

Spotify: http://bit.ly/TeatroAoRedor 

Informaçoes: https://instagram.com/TeatroAoRedor 

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Notícias do Jornal Vitor Chimento | Serra

VALENÇA – ANTIGA ALDEIA DOS INDIOS COROADOS

O território da atual sede do município de Valença tem sua história, ligada a seus primeiros habitantes, os índios coroados, descendentes dos Puris e Araris, que dominavam a área compreendida entre os Rios Paraíba do Sul e Preto. Viviam como nômades na região, gerando insegurança entre os proprietários da sesmarias. Eram, especialmente, temidos, pelo comportamento feroz que exibiam em batalhas entre eles e contra os portugueses.

Por motivos dos ataques constantes, dos índios, aos habitantes, que o vice-rei do Brasil D. Luis de Vasconcelos e Souza ordenou que fosse iniciada a catequese dos índios da região. Imcumbiu o fazendeiro José Rodrigues da Cruz, proprietário da Fazenda Pau Grande (localizada no município de Paty do Alferes), iniciar o “processo de civilização” e ao Capitão de Ordenanças Inácio de Souza Werneck encarregado de domesticar e aldear os índios. Isto é, de reuní-los nas matas e conduzí-los para as aldeias onde deveriam se fixar. Assim as terras foram liberadas e divididas em sesmarias, doadas aos primeiros colonizadores.

No ano de 1803 foi nomeado, pelo vice-rei Don Fernando de Portugal, o Padre Manuel Gomes Leal para o cargo de Capelão, tendo-lhe o Bispo Don José Joaquim Justiniano a jurisdição necessária para construir e benzer uma capela e cemitério. Foi, então, construída uma modesta capela dedicada à N. S. da Glória no principal aldeamento dos coroados, originando, assim, a atual cidade de Valença.

Durante esta fase de colonização foram construídas, pelo então Capitão de Ordenanças Inácio de Sousa Werneck, o Caminho da Aldeia, considerada a primeira estrada para o sertão de Valença, Ia desde a cidade de Iguaçu até o norte da Capitania do Rio de Janeiro, na ilha divisória com Minas Gerais, marcada pelo Rio Preto.

As estradas que eram construídas por Inácio ligavam à aldeia de Nossa Senhora da Glória de Valença e a aldeia de Santo Antonio do Rio Preto (atual distrito de Conservatória – Cidade da Seresta) com a Estrada Real para Minas Gerais e os caminhos auxiliares para as Freguesias de Sacra Família do Tinguá (atual Município de Paulo de Frontin), Azevedo e Pilar do Iguaçu, de onde seguiam para a Vila de Iguaçu. Um atalho que permitia seguir rumo a Itaguaí.

A Estrada da Polícia permitiu os viajantes que vinham de Minas Gerais cruzar o rio Paraíba do Sul nas proximidades de Desengano (atual distrito de Juparanã, em Valença), pela povoação de Vassouras até Sacra Família do Tinguá.

A Freguesia foi elevada a Vila de Nossa Senhora da Gloria de Valença em 17 de outubro de 1823. No ano de 1857, a Assembléia Legislativa Provincial, elevou a Vila de Valença à categoria de Cidade.

Os pioneiros povoadores, depois dos índios, do município de Valença eram todos agricultores, na maior parte moradora, das Freguesias de Paty do Alferes e Sacra Família do Tinguá. Também participaram os imigrantes de outras nacionalidades, muitos deles italianos e portugueses.

 

Foto: Reprodução Internet

Grande personalidade de destaque no desenvolvimento de Valença, entre outros, foi Custódio de Guimarães, “Visconde do Rio Preto”. Homem de grande coração, considerado um benfeitor, filantropo e que muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade.

Em 31 de dezembro de 1943 o topônimo foi modificado para Marquês de Valença e dezesseis anos depois, por lei estadual, o nome da cidade voltou a ser, simplesmente, Valença. Um Município com um passado de glórias que passou por ciclos importantes como o Ciclo do Ouro e o Ciclo do Café e, também, por períodos de desenvolvimento industrial e social.

É uma cidade com um potencial voltado para o ecoturismo, tendo a Serra da Concórdia, situada a sudoeste da cidade entre o vale dos rios Preto e Paraíba do Sul, como seu principal ponto. É a única região que possui duas unidades de conservação: Parque Natural Municipal do Açude da Concórdia e Parque Estadual da Serra da Concórdia, o Santuário de vida Silvestre da Serra da Concórdia e a Serra dos Mascates, o Ronco D’Água – balneário com cachoeira natural. Além do contato com a natureza, Valença é, também, uma cidade histórica e de cultura.

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Notícias do Jornal Vitor Chimento | Serra

A VILA INCONFIDÊNCIA – SEBOLLAS

É impossível pensar em nossa região sem antes pensar no Caminho Novo. Ele faz parte de uma rede de importantes caminhos do Brasil Colonial dos quais era dado o nome de Estrada Real. Muitos desses caminhos eram antigas trilhas e veredas abertas pelos bandeirantes que se embrenhavam pelo sertão, na direção de Minas Gerais e Goiás, a procura de ouro e pedras preciosas.

O Caminho Novo aberto por Garcia Rodrigues iniciava num porto do Rio Pitar, que desaguava na Baia de Guanabara, subia a Serra do Mar, na altura de Xerém, passava por Marcos da Costa, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, onde havia um registro para a fiscalização colonial e seguia para as Minas Gerais, passando por Juiz de Fora e Barbacena. A subida do paredão da Serra do Mar em Xerém era muito íngrime e muitas vezes pessoas e mulas carregadas rolavam ribanceira abaixo.

Depois de 20 anos de sofrimento, Bernardo Soares Proença, se propôs abrir uma nova subida da Serra, a partir de uma antiga trilha, que encurtava a distância entre Rio de Janeiro e as Minas Gerais, que ficou conhecido como Caminho Novo de Proença.

Igreja Nossa Senhora de Sant’Anna (Foto: Reprodução)

Sebolas é um pequeno distrito do Município de Paraíba do Sul, que surgiu a partir da abertura do Caminho de Proença, em meados de 1724. Esteve relacionada ao Caminho Novo do Ouro e se tornou famosa porque o herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes, tinha o Distrito como moradia temporária e lugar para suas pregações.

Dona Ana Maria Barbosa de Matos foi uma mulher singular, revolucionaria fervorosa partidária das idéias liberais, e como tal, protegia tanto que possível o movimento que fez de Tiradentes um mártir. Hospedou Tiradentes, por várias vezes, em sua fazenda e era admiradora do credo que ele pregava, juntamente, com seu irmão o padre Paulo Manuel Barbosa que foi Cura em Santana de Sebollas por muitos anos.

A historia do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, passa pelas terras fluminenses. Período, no qual, sua insatisfação com a Coroa Portuguesa se intensificou. O mártir da Inconfidência Mineira foi enforcado no Rio de Janeiro e os membros esquartejados e salgados foram mandados para serem expostos ao longo do caminho de Minas para intimidar possíveis futuros conspiradores. Na primeira parada, uma parte destes membros (o quarto superior esquerdo) foi exposta num poste erguido em frente à Capela de Santana de Sebollas, pois a freguesia era citada pelo Alferes e onde ele tinha algumas amizades.

 

Foto: Reprodução

O conjunto histórico Tiradentes que abriga, dentre outras, o único Museu Sacro Histórico contendo restos mortais, atribuídos ao Mártir da Independência e de peças e vestimentas daquele período.

Sebollas, também chamada de Vila Inconfidência esta distante 120 km do Rio de janeiro. Para se chegar a Sebollas o melhor caminho é por Petrópolis. Entrar em Pedro do Rio (viaduto da cervejaria Itaipava) e pegar sentido Secretario e Fagundes. Em Fagundes, fica a divisa com Paraíba do Sul e Sebollas está apenas 8 km.

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Martin Luther King protagoniza vídeo do ‘História e Tu’

“I have a dream” (que na tradução significa, ‘Eu tenho um sonho’). A frase virou símbolo do movimento liderado por Martin Luther King 57 anos atrás, em Washington, capital dos Estados Unidos. A marcha pela igualdade ganhou proporção mundial e um vídeo especial no canal “História e Tu”, no YouTube, que aborda a vida de diferentes personalidades que marcaram o mundo.

Tudo começou quando a trabalhadora negra Rosa Parks retornava de casa para o trabalho no transporte público, num fim de tarde de 1955. Cansada e sem lugar disponível nos assentos dos fundos, que eram destinados aos negros, ela decidiu ocupar uma das vagas exclusivas para pessoas de pele branca. Foi presa, mas causou uma revolução.

O professor de História Danilo da Silva, fundador do canal “História e Tu” com a também professora do Ensino Fundamental Zilmar Nascimento, explica que foi Martin Luther King quem iniciou o movimento em favor de Rosa Parks. “Começou com um boicote à empresa de ônibus”. Ele esperava uma adesão de 60% dos negros, mas se surpreendeu, já que o apoio chegou a 100%.

Os 57 anos da marcha são contados no quadro de biografias no Canal “História e Tu”, no YouTube. Quem acessa o vídeo, conhece a vida do homem que defendeu os direitos do negro e do trabalhador.

Exemplo disso é o movimento mundial “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam, em tradução livre). O protesto contra a violência policial sobre os negros teve início após o caso George Floyd em maio deste ano. O homem foi asfixiado e morto durante uma abordagem policial em Minnesota, nos Estados Unidos

O Canal “História e Tu” já produziu mais de cinco mil horas de conteúdo retirados de pesquisas em livros, e roteirizados pela dupla de professores de História do Ensino Fundamental em Porto Velho – RO, Zilmar Nascimento e Danilo da Silva, que trabalham em uma escola Estadual.

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Vitor Chimento | Serra

Fazenda Santa Cecília

Toda história da nossa região serrana remonta ao ano de 1700, quando o bandeirante Garcia Rodrigues Paes Leme, filho do ‘Caçador de Esmeraldas’ Fernão dias Paes, partiu do lugarejo de Paraíba do Sul em direção à serra do Tinguá, abrindo pelas montanhas um caminho que reduzisse o tempo de viagem entre as Minas Gerais e a Corte Portuguesa, instalada na cidade do Rio de Janeiro. Acompanhado por mineradores, fazendeiros e escravos, o bandeirante alcançou a Roça do Alferes (hoje Acozelo), seguiu em direção à serra até as localidades de Marco da Costa e Vera Cruz. A partir daí, as tropas de exploração subiram os morros, no sentido da atual Lagoa das Lomtras, de onde desceram para o Porto de Pilar ─ hoje Duque de Caxias ─, seguindo até o porto do Iguaçu, de onde seguiram, via pluvial, para o Rio.

Este caminho ficou conhecido como “Caminho Novo de Minas” e favoreceu, entre outros, dezenas de sesmeiros ─ pessoas que recebiam do magistrado português terras por doação para cultivo ─, que vieram a se estabelecer nas colinas. Dentre os colonizadores da região se destacou Manoel de Azevedo Mattos. Vindo das Minas Gerais, resolveu instalar-se no Morro da Viúva, onde construiu, em 1770, a primeira moradia da Fazenda da Piedade de Vera Cruz (atual Santa Cecília), no estilo colonial, concluída em 1780.

O filho de Manoel, Inácio de Souza Werneck, foi fazendeiro, sargento-mor das milícias do Império e Cavaleiro da Ordem da Rosa, tornando-se um dos personagens mais importantes da região. Ele colonizou Vera Cruz e ampliou as instalações da importante fazenda da Piedade. Da sua união com Francisca das Chagas Werneck teve filhos que se uniram a outras pessoas importantes, deixando assim numerosas famílias de nobres espalhadas pelo Sul Fluminense. Em 1811, ao ficar viúvo, Inácio abraça a carreira eclesiástica, abandonada quando ainda jovem, e no ano de 1813, em cerimônia realizada na própria fazenda, foi ordenado padre. O fazendeiro passou a ser conhecido como padre Werneck de Vera Cruz.

Com a morte de seu pai Inácio, Ana Matilda, casada com o fazendeiro Francisco Peixoto de Lacerda, herda a fazenda da Piedade (atual Santa Cecília). O casal teve somente um filho, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, que recebeu mais tarde, por ordem do Imperador Dom Pedro I, o título de Barão de Paty dos Alferes. O barão, em 1840, realizou, no apogeu do ciclo do café e com a importância histórica da fazenda, uma grande reforma em seu estilo colonial (inicial) para o neoclássico. Foi, sem dúvida, uma grande personagem da história. Homem culto, aristocrata e político, proprietário de grandes plantações de café, de vastas áreas de terras e de um grande número de escravos. Foi de grande importância no desenvolvimento da região, graças ao seu bom relacionamento com a Corte.

A Fazenda Santa Cecília, está localizada no município de Miguel Pereira, distante 15 km do centro da cidade, no Distrito de Vera Cruz. A fazenda possuía uma senzala, um espaço para secagem de café e um moinho de cana. Com as reformas feitas ao longo dos anos, as pedras de secagem do café foram reaproveitadas para fazerem o caminho da piscina. Grande parte de sua arquitetura e mobiliário foram mantidos intactos pelos atuais proprietários. Nos jardins se encontra uma capela dedicada à Santa Cecília, desenhada e projetada pelo arquiteto Oscar Niemayer e presenteada a Maria Cecília, filha de seu grande amigo e proprietária da fazenda, que mantém e preserva com muito zelo este patrimônio histórico de nossa região.

O jornal Diário do Rio agradece as informações cedidas pela Prefeitura e pelos informativos do historiador Sebastião Deister.